domingo, abril 06, 2008

1984

Guerra é paz; liberdade é escravidão; ignorância é força


Este é o lema do Partido que Orwell imaginou em 1984. O Partido exerce o poder absoluto em uma Londres futurista situada na Oceania. O país vivem em guerra alternada contra os dois outros países do globo e o Grande Irmão é o líder que tudo vê, "o Grande Irmão zela por ti".

Este é o mundo que Winston Smith, um funcionário do departamento de registros, nos mostra em 1984. Ele é um inconformado, sabe que algo está profundamente errado, mas este é o único mundo que conhece.

A vigilância é constante. Em cada ambiente um televisor que não pode ser desligado, nem abaixado o volume. É o instrumento de propaganda do partido, com um detalhe a mais, o televisor transmite as imagens das pessoas para o controle do partido. E a forma como as pessoas passam o tempo todo sendo observadas e vigiadas.

Todo o seu dia era uma rotina incessante, a solidão era motivo de suspeita, a privacidade um perigo. As pessoas aprendiam a expressar felicidade como forma de defesa, qualquer sinal de contrariedade podia ser motivo para um interrogatório.

Alguns pontos me chamaram a atenção nesta primeira parte do livro.

Primeiro é a novalíngua. O governo totalitário imaginado por Orwell trabalha na construção de uma nova língua, uma simplificação do próprio idioma. Sinônimos desaparecem, é preciso acabar com palavras inúteis e ter um dicionário com o mínimo de palavras possível.

É lindo destruir palavras. Naturalmente, o maior desperdício é nos verbos e adjetivos, mas há centenas de substantivos que podem, perfeitamente, ser eliminados. Não apenas os sinônimos; os antônimos também. Afinal de contas, que justificativa há para a existência de uma palavra que é apenas o contrário da outra? Cada palavra contém em si mesmo o seu contrário. "Bom", por exemplo. Se temos a palavra "bom", para que precisamos de "mau"? "Imbom " faz o mesmo efeito __ e melhor, porque é exatamente oposta, enquanto que o "mau" não é.


O objetivo do Partido é diminuir o vocabulário, e com ele a capacidade de pensar. A língua é um instrumento de pensamento, restringi-la é restringir a próprio pensar.

Outro ponto interessante é a alteração do passado. O trabalho de Winston consistia em re-escrever notícias antigas e destruir as originais. Como ninguém podia possuir nada escrito, nem mesmo escrever, alterava-se a própria história. Pelo passado controla-se o futuro. Por que todo totalitarismo re-escreve a história? Fiquei pensando em Stálin removendo os registros de Trotsky da revolução bolchevique, inclusive nas fotos.

É um mundo pertubador, uma ordem no meio do caos de constante bombardeios. Existem os membros do partido e a prole. E nesta última que Winston coloca suas esperanças de mudança pois não acredita que nada possa ser feito de dentro do partido.

Agora Winston descobre o amor...

E assim continuo minha leitura.

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