sábado, abril 12, 2008

Gustavo Corção e o aborto

Este é um nome que foi jogado no ostracismo pela intelectualidade esquerdista brasileria que controla o mercado editorial. Fui descobri-lo ano passado, no curso que fiz de Filosofia do Homem. Seus livros apenas são encontrados em sebos, e mesmo assim com muita dificuldade. Era um pensador que pode-se chamar de conservador e católico. Tinha uma opinião bastante firme sobre o aborto e coloco abaixo um artigo escrito por ele em 1957 sobre o assunto.

Digo-te eu, leitor, que foste tu que perdeste o siso. E acrescento: o mundo está como está, e o nosso Brasil chegou onde sabemos que chegou, porque as pessoas (a começar pelas da melhor sociedade) não têm mais ouvidos para ouvir e entender a linguagem dos fetos. Fuzilam-se inocentes, aos milhões, sem remorsos, dada a circunstância supersônica de seus protestos. Vou explicar-te, amigo, mais uma vez, como se pode ouvir o que não fala, e consultar o que não tem a idade da razão. É muito simples: ouvindo e consultando a lei que está gravada na natureza das coisas, a lei que qualquer consciência desobstruída de chás e chapéus pode ouvir e consultar. Uma boa lavadeira, uma honesta cozinheira, sem procurar psicólogos e sociólogos, têm ouvidos para a voz da Inocência perfeita, para a voz que condena o aborto, o divórcio, e outras acrobacias feitas com carne de gente.

link: Os que não foram consultados.

2 comentários:

guerson disse...

Eu acho que existe a noção de que o aborto é um fruto da sociedade moderna e que foi inventado com o avanço da medicina para atender mulheres mimadas que não sabem praticar controle de natalidade.

Mas o aborto existe desde que o mundo é mundo - um professor meu está fazendo pesquisa sobre um orfanato católico em Bologna no seculo 16 onde as freiras ajudavam as meninas que apareciam no orfanato que tinham sido abusadas ou eram prostitutas a fazerem aborto.
Existe também evidência de aborto praticado na época romana.

É muita ilusão desse filósofo - e um elistismo invertido, talvez - achar que a lavadeira ou cozinheira não fariam um aborto por serem pobres ou mais "sensatas". Aliás, eu aposto que essa seria a classe social mais vulnerável a fazer um aborto... em casa mesmo, com a ajuda de ervas medicinais cuja existencia é passada de mulher pra mulher há séculos...

Marcos Guerson Jr disse...

Concordo que o aborto é uma prática antiga na humanidade. A minha crítica tem outro sentido. Percebo que hoje a posição a favor do aborto é considerada por muitos como uma posição superior, uma posição esclarecida. Basta notar que os que são contra são descritos como religiosos, reacionários, descriminadores, etc.

Eu não vejo como defender o aborto sem uma dissociação com a moral religiosa, principalmente a cristã. Corção nunca foi um elitista invertido,pelo contrário. O pouco que li dele revela um homem influenciado por gente como Ortega Y Gasset, que considerava a vulgaridade como um mal. A observação dele sobre a lavadeira não se relaciona com a razão, mas com a intuição e o sentimento.

Segundo Corção, é possível escutar a linguagem de um feto, e esta linguagem se mostra pela natureza. É preciso ter em mente que era um homem profundamente religioso e como tal acreditava que Deus se manifestava pela natureza.

O que defendia era que as pessoas mais simples estavam mais abertas para a intuição e para a moral religiosa. Uma pessoa simples pode não saber fundamentar um posição contra o aborto, mas não implica que não seja capaz de seguir sua intuição ou mesmo a posição defendida por sua igreja.

O que começo a questionar é se existe relação entre a perda dos valores pela sociedade, dentro do quadro de relativismo e niilismo descrito por Nietzsche, e a posição a favor do aborto.