sábado, maio 31, 2008

Na biblioteca da UNB

Hoje fui com a esposa na biblioteca da UNB; ela para pesquisar bibliografia para sua monografia, eu para conhecê-la.

Na prateleira de literatura brasileira encontrei a primeira obra que estava procurando e dela não mais passei. Trata-se do livro O Século do Nada de Gustavo Corção.

Descobri Corção no curso de Filosofia que fiz ano passado, um curso que foi fruto do esforço de um único professor e com uma caraterística que o difere de quase todos, ou todos, os cursos brasileiros. Não tem orientação marxista, pelo contrário. Está mais ligado ao humanismo integral de Maritain e a volta aos clássicos, principalmente Aristóteles.

Foi um curso livre, montado por este professor de Campinas, e uma das melhores coisas que fiz em minha vida até aqui. Pois fomos apresentados a Corção. Consegui comprar no sebo seu único romance, Lições de Abismo, que já comentei aqui.

Tenho procurado duas obras em particular nos sebos do Brasil afora mas sem muito sucesso. Trata-se de Dois Amores, Duas Cidades e a que encontrei hoje na UNB.

Li a introdução e posso dizer que fiquei embasbacado. Realmente tenho que comer muito arroz com feijão para chegar no patamar de um pensador tão rico, claro e intelectualmente honesto como foi este autor. Pelo menos fiquei contente por um aspecto. Como eu, Corção era Engenheiro, passou a vida ensinando matemática, física, geografia, alheio ao mundo ao seu redor. Aos 42 anos, no fim da década de 30, tomou consciência da humanidade e passou a estudar sobre ela, primeiro por São Tomás e Maritain.

Bem, eu estou com 34! Pelo menos comecei mais cedo que ele, se é que isto é alguma vantagem.

Mas voltando ao que li hoje. Com certeza ei de conseguir este livro. Como visitante não posso pegar o livro na Biblioteca, mas dá para encontrar quem o pegue para mim. Independente disso tenho que tê-lo em minha estante, para consulta constante.

Na introdução ele apresenta o que seria um grande mal de nossos tempos: a infiltração comunista na Igreja Católica provocando o afastamento de Deus. É assombroso. Estou me mordendo para ler o livro propriamente dito.

Para reflexão deixo um trecho que li hoje. Corção marca nele o momento em que o mundo começou a se perder e este momento foi a vitória na II Guerra Mundial. Ele narra o momento em que foi acordado com a notícia que a guerra terminara:

Fiquei em silêncio. E ela repetia com estridência: _ os russos estão entrando em Berlim! Inexplicavelmente respondi-lhe: _ Merda! E no quarto, diante de minha mesa de trabalho e do crucifixo, depois de uma breve oração deitei a cabeça nas mãos e repeti para mim mesmo como quem geme: _ Os russos estão entrando em Berlim. Uma certeza medonha e brutal apunhalou-me: perdêramos a guerra. Ou melhor, perdêramos a paz. Eu sentia o punhal: arretara-se a mais hedionda conjuração de traições. E começava naquele dia de festividade monstruosamente equivocada, uma era de inimagináveis imposturas. Incompreensivelmente, depois de tantos sofrimentos, de tão desmedidos esforços, de tão maravilhosos heroísmos, os povos de língua inglesa, derrotados por si mesmos, pelo liberalismo e pelo democratismo, entregavam ao minotauro comunista dez vezes mais do que a parte da Polônia em razão da qual entrara o mundo em guerra. Singular e cínico paradoxo: para cumprir um tratado e para evitar a partilha da Polônia,a Inglaterra e a frança aceitaram finalmente o ônus de uma guerra mundial contra o pacto germano-soviético; agora, depois da vitória sobre o nazi-comunismo, entregava-se a Polônia inteira ao comunismo que também foi vencido, e que só comparece entre os vencedores no quinto ato da comédia de erros graças a um aberrante solecismo histórico, que nem sequer podemos imputar à habilidade e à astúcia do principal beneficiário. A impressão de uma direção invisível nessa comédia de erros impõe-se irresistivelmente.

Eu ouvia os foguetes. Milhares de bons cidadãos, de excelentes pais de família, de fidelíssimos antinazistas, abraçavam-se, congratulavam-se uns com os outros, convencidos de que finalmente as "democracias" alcançavam a vitória. E eu perguntava: que vitória?

sexta-feira, maio 30, 2008

Garota boa de bola

Her Best Move (2007)

Eu terminara de ver meus dois capítulos diários de Two And a Half Man quando procurando por um filme para assistir peguei este começando. Para começar antipatizei logo com o título e pensei comigo: mais um filme americano de garotas jogando futebol __ parece que lá o "soccer" virou realmente um esporte feminino. Mas resolvi ir em frente e assistir pelo menos o início.

Confesso que me surpreendi, positivamente. Só agora fui ver o título original e ter noção da aberração que foi a escolha do título nacional, como eles conseguem escolher tão mal? Sim, Sara é boa no futebol e isso é seu grande problema, o que já é uma diferença e tanto para os filmes "adolescentes esportivos" americanos. Na verdade ela representa uma grande dilema de muitos jovens de hoje.

Além de gostar de futebol ela gosta também de dança, de ficar com uma amiga e para complicar começa a namorar (ainda se usa esta palavra?). Como conciliar tanta coisa diferente? Para tornar mais difícil a escolha ela é melhor justamente na atividade que talvez não seja a que goste mais, o futebol. A grande questão é que seu talento faz com que tenha que se dedicar muito ao esporte para atingir uma nível elevado para conseguir uma vaga no time nacional. Para uma menina de 15 anos com certeza é um comprometimento e tanto.

A partir daí se desenvolve os conflitos de Sara. Como conseguir tempo para tantas coisas que gosta de fazer? Vai ficando claro para ela que é preciso estabelecer prioridades, o que nem sempre é uma coisa fácil.

Em uma das melhores cenas do filme, a companheira de time e que está disputando a vaga com ela faz um gol da vitória. Todas correm para comemorar com ela, menos Sara que fica desolada no meio do campo. Seu pai, obsecado por vê-la na equipe nacional, fica furioso chutando latas no gramado. A equipe vencera mas para Sara e o pai era uma derrota pois a outra saíra-se melhor.

Vendo este filme fico pensando nas crianças que mostram talento em um esporte e passam a desenvolver treinamentos exaustivos. Alguma chegam às Olimpíadas, ganham medalhas, mas a que custo? O que deixaram para trás para conseguir estes objetivos? Em um diálogo o pai diz a ela que pode deixar a dança e os garotos para depois, agora tinha que se concentrar no futebol.

Não temos como recuperar o que ficou para trás. Não temos como voltar para nossos 15 anos; a vida é melhor aproveitada devagar, sem pressa. A modernidade nos leva a uma velocidade tão grande que ficamos sem referências, sem entender e curtir os pequenos momentos de nossas vidas. Não é a toa que os consultórios de terapia estão cada vez mais cheios. Falta tempo até para pensar.

O filme tem aqueles exageros normais de produções esportivas americanas mas não chega a comprometer. Garanto que 90% dos garotos de hoje que assistiram este filme não compreenderam bem o que estava em discussão, mas talvez tenha acendido neles um sinal de alerta. Quantas Saras existem em cada um de nós?

Eu tenho uma, e estou tentando lidar com ela. Não é fácil, existe tanta coisa que gosto de fazer, tantas possibilidades neste mundo louco. Como estabelecer prioridades e como descartar algumas? Sim, sinto que preciso deixar de fazer algumas coisas que gosto, como já deixei algumas para trás, como jogar xadrez por exemplo.

Um bom filme para quem consegue parar e pensar sobre este dilema. Vale a pena.

"Empezinho"

O "empezinho" é uma invenção genial.

Sexta feira, saindo do trabalho, com meio expediente, o pessoal se reúne, não para um churrasco, mas para um empezinho. Trata-se de apenas carne e cerveja; ok, tem refrigerante também. Todos ficam em volta da mesa, em pé (daí o nome), comendo sua carninha, com a mão mesmo, alguns, mais educados, com palitos e jogando conversa fora.

O tempo voa nestas horas, é impressionante. É como descarregar toda aquela carga de trabalho semanal e se purificar para iniciar com pé direito o final de semana. Não pode tentar melhorar se não estraga. Querer colocar mesas para o pessoal sentar, acompanhamento para o churrasco, levar os conjugues, tudo isso atrapalha.

É uma hora de descontração, em que os chefes não são mais chefes e algumas coisas podem ser ditas, sempre em tom de brincadeira. Pô chefe, o senhor pegou pesado com aquela tarefa... Coisas desse tipo.

Também é uma boa hora para contar piadas, daquelas bem sujas. Aliás, no empezinho quanto mais suja melhor. Conta-se estórias, normalmente divertidas, outras nem tanto. Fala-se de trabalho, apesar de todo mundo falar que é proibido falar de trabalho.

Chega a ser engraçado. É só alguém falar que é proibido falar em trabalho que fica um silêncio danado. Até que alguém não agüenta e começa: "fulano foi promovido hoje..."

Este é o empezinho, uma instituição genuinamente brasileira.

Um novo e revolucionário conceito de tecnologia de informação

Reproduzo uma das crônicas mais interessantes que já li do Mestre Millôr. Merece ficar registrada.

Na deixa da virada do milênio, anuncia-se um revolucionário conceito de tecnologia de informação, chamado de Local de Informações Variadas, Reutilizáveis e Ordenadas - L.I.V.R.O.

L.I.V.R.O. representa um avanço fantástico na tecnologia. Não tem fios, circuitos elétricos, pilhas. Não necessita ser conectado a nada nem ligado. É tão fácil de usar que até uma criança pode operá-lo. Basta abri-lo!

Cada L.I.V.R.O. é formado por uma seqüência de páginas numeradas, feitas de papel reciclável e capazes de conter milhares de informações. As páginas são unidas por um sistema chamado lombada, que as mantêm automaticamente em sua seqüência correta.

Através do uso intensivo do recurso TPA - Tecnologia do Papel Opaco - permite-se que os fabricantes usem as duas faces da folha de papel. Isso possibilita duplicar a quantidade de dados inseridos e reduzir os seus custos pela metade!

Especialistas dividem-se quanto aos projetos de expansão da inserção de dados em cada unidade. É que, para se fazer L.I.V.R.O.s com mais informações, basta se usar mais páginas. Isso, porém, os torna mais grossos e mais difíceis de serem transportados, atraindo críticas dos adeptos da portabilidade do sistema.

Cada página do L.I.V.R.O. deve ser escaneada opticamente, e as informações transferidas diretamente para a CPU do usuário, em seu cérebro. Lembramos que quanto maior e mais complexa a informação a ser transmitida, maior deverá ser a capacidade de processamento do usuário.

Outra vantagem do sistema é que, quando em uso, um simples movimento de dedo permite o acesso instantâneo à próxima página. O L.I.V.R.O. pode ser rapidamente retomado a qualquer momento, bastando abri-lo. Ele nunca apresenta "ERRO GERAL DE PROTEÇÃO", nem precisa ser reinicializado, embora se torne inutilizável caso caia no mar, por exemplo.

O comando "browse" permite fazer o acesso a qualquer página instantaneamente e avançar ou retroceder com muita facilidade. A maioria dos modelos à venda já vem com o equipamento "índice" instalado, o qual indica a localização exata de grupos de dados selecionados.

Um acessório opcional, o marca-páginas, permite que você faça um acesso ao L.I.V.R.O. exatamente no local em que o deixou na última utilização mesmo que ele esteja fechado. A compatibilidade dos marcadores de página é total, permitindo que funcionem em qualquer modelo ou marca de L.I.V.R.O. sem necessidade de configuração.

Além disso, qualquer L.I.V.R.O. suporta o uso simultâneo de vários marcadores de página, caso seu usuário deseje manter selecionados vários trechos ao mesmo tempo. A capacidade máxima para uso de marcadores coincide com o número de páginas.

Pode-se ainda personalizar o conteúdo do L.I.V.R.O. através de anotações em suas margens. Para isso, deve-se utilizar um periférico de Linguagem Apagável Portátil de Intercomunicação Simplificada - L.A.P.I.S. Portátil, durável e barato, o L.I.V.R.O. vem sendo apontado como o instrumento de entretenimento e cultura do futuro. Milhares de programadores desse sistema já disponibilizaram vários títulos e upgrades utilizando a plataforma L.I.V.R.O.

quinta-feira, maio 29, 2008

The Bravery

Estava zapeando pela net quando me deparei com esta banda. Nunca tinha ouvido falar mas gostei do som dos caras. Uma mistura de new age com punk rock, um som com bastante energia e sem cair na gritaria.

Baixei o disco deles, parece que só existe um, e estou escutando agora.

Estou gostando.

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Now playing: The Bravery - The Ocean
via FoxyTunes

Ganhei uma, perdi a outra, e a terceira ainda estou jogando

Ganhei

Em São Januário o Vasco conseguiu, com ajuda do goleiro Magrão, o mais difícil. Venceu o jogo por 2 x 0 e levou a partida para os penaltis. Aí veio o Edmundo e marcou. Um field Gol. Infelizmente o esporte era futebol, o brasileiro, e não aquele das traves em H. Talvez esteja esperando jogar na NFL, mostrou que tem potencial para kicker. E assim o Vasco deixou a Libertadores e se concentra agora na disputa do título. Da Taça Guanabara de 2009.

Perdi


No Morumbi o Corinthians conseguir fazer seu segundo gol quando o estádio estava em silêncio assustador, com ajuda do goleio Castilho. É impressionante a sina do Botafogo em ter falhas de goleiros em momentos decisivos. Foi assim que caiu ano passado diante do Figueirense, e foi assim que ficou fora agora. No mais um registro: o primeiro tempo de ambas as equipes foi grotesco.

Ainda estou jogando.

Fluminense e Boca ficaram no 2 x 2. Fosse outra equipe o tricolor poderia estar comemorando a classificação, mas trata-se do Boca. Hoje me falaram que o time argentino não é lá estas coisas. O problema é que o Boca consegue ganhar qualquer título em jogos eliminatórios com a pior equipes possível. A falha do goleiro foi decisiva para deixar o tricolor empatar, mostrando que ontem não era dia deles. Para quem vou torcer? Sou Boca até debaixo d´água!

Imitação do Amanhecer (I-17)

Vamos atravessando, de surpresa em surpresa,
uma contínua ondulação itinerante,
uma longa cortina fugitiva, mas presa
à movimentação do coração diante

do instantâneo e do eterno; e ao modo do diamante,
um coração, seguindo a própria correnteza,
vai-se abrindo um caminho nesse espelho ondulante,
nesse cristal de fábula em que toda beleza,

de aparição em desaparição, do instante
à eternidade, entre o ideal e a natureza,
perpetua o fugaz e alucina um amante.

É assim que Alexandria, essa estranha bacante
restituindo os olhos a cada Orfeu, refeza
com o real e a poesia: sempre mais adiante...

Bruno Tolentino

quarta-feira, maio 28, 2008

Supremo dividido

Oito ministros do STF votaram até agora no julgamento da pesquisa com células-tronco. Quatro se posicionaram a favor, sem restrições e 4 colocaram restrições à liberação. Nenhum rejeitou por completo a pesquisa.

Parece-me que os ministros estão mostrando que não se trata de uma questão tão simples de se decidir como alguns argumentam. Eu mesmo tenho sérias dúvidas e não consigo assumir uma posição. Mas estão exagerando demais na importância desta definição. Países com pesquisa científica muito mais fortes que o Brasil já estão pesquisando, ao que parece sem sucesso até agora. A decisão do STF, portanto, não vai ter tanta influência assim no avanço científico na área.

O que acho mais significativo é a colocação da questão como um confronto entre religião e ciência. Acho um grande exagero. Não vejo a religião contra o progresso científico, particularmente a Igreja Católica, mas tentando estabelecer limites morais para a pesquisa científica. O que me leva a uma pergunta: é necessário limites éticos para a pesquisa?

Parece-me que sim. Quem poderia estabelecer estes limites? A própria ciência? Não acho possível, achar cientista preocupado com questões éticas é meio que procurar uma agulha no palheiro. Só falam de ética para liberar seus próprios projetos. A razão? É o que muitos filósofos tentam fazer desde Descartes. E até agora só produziu contradições insuperáveis. Resta a religião. Pode ela fazê-lo?

Aí eu acho que depende do que se entende como religião. Não estou falando aqui da estrutura organizada e dogmática das igrejas, mas do entendimento que cada um tem do cosmos, da existência, do sentido da vida. Para mim isto é religião. Por isso aqueles que acreditam no big bang, na vida puramente corpórea que se estingue na hora da morte, são para mim tão religiosos como os cristãos mais fervorosos ao erguer seu altar para a deusa ciência.

Quando Carlos Alberto Direito pediu vistas para elaborar seu voto já foi patrulhado de cara, trata-se de um ministro católico. Por que evidenciar esta ligação? É preciso agora mostrar a religião de cada ministro? Mostrar suas crenças pessoais? Outros três ministros colocaram restrições à pesquisa. E eles? Também foram influenciados por suas crenças religiosas? E os que são a favor? Por que suas ligações não são explicitadas? Será que só se pode ter restrições à pesquisa movido por crenças religiosas?

Acho que há argumentos válidos para os dois lados. Como chegar à verdade? Ao meu ver através do debate, da dialética conforme defendida por Aristóteles. A discussão entre pessoas igualmente interessadas em se aproximar da verdade. Para isso não podem estar abraçados a suas causas, devem estar dispostas a mudar suas opiniões diante de argumentos que lhe pareçam mais lógico.

Chego então a última pergunta: é possível, neste mundo moderno em que vivemos, tomado por ideologias, ter esta discussão?

dia de decisões

Infelizmente, por força do monopólio da globo em transmissões esportivas, teremos os três jogos decisivos no mesmo horário. Este é um dos problemas do monopólio, mas este não é o assunto deste post.

O assunto são as decisões em si.

O Vasco recebe o Sport e tem uma parada totalmente indigesta, vencer e bem. É claro que a torcida vai transformar São Januário em um calderão, mas a equipe pernambucana mostrou que não teme jogar fora de casa nos jogos contra Palmeiras e Internacional, os dois com estádios lotados.

No Morumbi o Corinthians recebe o Botafogo. Precisa do placar mínimo e tem todas as condições de conseguir. O Botafogo tem melhor time mas suas principais peças estão voltando de contusões ou lutando contra elas, não estão na melhor forma. A fiel vai empurrar o time e pode fazer a diferença. Ao contrário do Sport o Botafogo não costuma ir bem contra as massas.

Por fim a primeira partida entre Fluminense e Boca. Não é decisão? Mas é claro que é, o Boca costuma decidir sua sorte no primeiro jogo e para tanto só precisa de uma vitória magra. O adversário vota para casa achando que o resultado não foi tão ruim, que dá para reverter e tal, acaba invariavelmente perdendo o jogo de volta.

A sorte está lançada. É hora de decidir.

terça-feira, maio 27, 2008

Sobre Deus

Acabei esquecendo de comentar o excelente artigo de Stephen Kanitz na Veja da semana passada. Desta vez o tema não foi economia, bem longe disso. O assunto foi a religião.

Ele tocou em um ponto muito importante que corresponde ao meus pensamento já de algum tempo; a religião não pode ser colocado de forma estanque na individualidade, não pode ser separada do que somos.

Por religião eu entendo algo muito mais amplo do que uma determinada igreja. Entendo como tudo que relaciona o homem com algo maior do que ele, transcendental, que lhe é superior e além do alcance deste mundo. Chamem de Deus, Deusa, Deuses, não importa, o que importa é o homem ter uma referência perfeita e fora deste mundo.

Aceitar uma religião é se convencer de uma determinada explicação para o mundo, uma forma de ver as coisas. Acreditar que a vida continua após a morte, ou não,
e de uma importância fundamental para se definir como ser e fazer seus planos de vida.

Quem crê que a vida termina na morte, como um apagar de luzes, possuiu uma urgência de aproveitar cada minuto pois não sabe se será o último. Quem acredita na vida eterna, que ela continue após a morte, tem outra atitude, percebe que tem que viver seus dias pensando no que virá depois.

Este é um ponto que definirá a atitude diante do mundo em que vivemos, das relações entre as pessoas, da construção de seu próprio núcleo familiar.

Fico preocupado quando me chamam para uma discussão em que tenho que colocar Deus de lado. Não entendem que isto é impossível pois meu entendimento do cosmos está ligado ao meu relacionamento com a divindade. Não tenho como pensar sem levar em conta minha fé pois é ela que me explica a realidade.

Cada vez mais vejo o homem distante de Deus, ou Deuses, ou qualquer entidade transcendental que tenhamos como modelo da perfeição. Existe uma tendência para relacionar religiosidade com obscurantismo; certos estão os homens da ciência, em boa parte ateus.

Não entendem que ao colocar sua fé no progresso científico estão adotando uma religião? Estão mostrando a mesma fé que tanto criticam nos religiosos. A ciência possui limites, não consegue explicar tudo. Assim como também a razão. Acreditar que as respostas estão todas em tubos de ensaio é assumir uma fé, por mais que não se dêem conta disso.

Nos últimos séculos a humanidade tem procurado encontrar na razão e na ciência uma explicação para o cosmos, para Deus e para definir os princípios morais. O resultado até agora tem sido um fracasso. Qualquer sistema moral baseado na razão levou a inconsistências insuperáveis. O ateísmo embebido no cientificismo leva a uma falsa moral, ao relativismo de padrões, ao niilismo.

Não é a partir da razão que se explica a divindade, é o contrário. Através da divindade chegamos à razão. Mais do que certezas, passamos a ter dúvidas pois vamos descobrindo aos poucos a extensão da nossa ignorância. Com dizia Sócrates, o maior sábio é aquele que entende que nada sabe.

Somos incapazes de explicar as coisas mais simples da vida, mas queremos explicar o mundo inteiro. Como isso pode estar certo? Como podemos ter tamanha pretensão?

Desliga que a esposa está chegando...

Amor que o vento levou

Apesar de todo este tempo jamais te esqueci
embora tenha seguido meu caminho, assim como seguiste
o teu, e meu sentimento tenha legado despiste
de uma amor que na época foi tudo que vivi.

Sofri como sofrem os amantes
quando sabem que não são mais amados
e na dor que habita os corações apaixonados
ficam eternas lembranças agora em instantes.

De longe fico sabendo de ti, cada novidade
que mesmo na felicidade que a vida me reservou
ainda me atinge com relutante e triste gravidade.

Sinto que nosso amor ainda não terminou
ou deveria dizer meu, pois este é o único que garanto
pois o seu, nada posso fazer, o vento para longe levou.

Heleno Marques

segunda-feira, maio 26, 2008

Lendo Deus Caritas Est

I Parte
A unidade do amor na criação e na história da salvação

O amor de Deus por nós é questão fundamental para a vida e coloca questões decisivas sobre quem é Deus e quem somos nós.


Na primeira parte de sua primeira encíclica, Bento XVI retoma à antiguidade clássica para falar do amor, retomando as concepções de Platão e Aristóteles, principalmente sobre a diferença e unidade entre o eros e o agape.

O primeiro refere-se ao amor entre o homem e mulher que não nasce da vontade ou da inteligência, mas de certa forma se impõe ao ser humano. Já o agape é a forma de amor que é privilegiada no novo testamento e que na filosofia grega foi posta quase de lado.

Os gregos consideravam o eros como um inebriamento, a subjugação da razão por parte de uma espécie de loucura divina que o levava ao divino. Muitas religiões produziram cultos da fertilidade como uma forma de união com o divino.

O cristianismo opôs-se não ao eros, mas à sua divinização, pois aí se verificaria a privação de sua dignidade, a desumanização. O eros inebriante e descontrolado não é uma subida ao divino mas uma degradação do homem. Desta forma o eros precisa ser disciplinado e purificado para dar ao homem não um prazer momentâneo, mas uma amostra da beatitude de nosso próprio ser.

Respondendo à Nietzsche que afirmava que o cristianismo tinha envenenado eros, Bento XVI diz: "Isto não é a rejeição do eros, não é seu envenenamento, mas a cura em ordem à sua verdadeira grandeza".

O cristianismo surge com a afirmação do agape, que supera a indeterminação e procura do eros como uma experiência ligada à descoberta do outro, superando um caráter egoístico que existia. Não se trata de buscar a si próprio, a imersão na felicidade inebriante; procura, ao invés, o bem do amado: torna-se renuncia e está disposto ao sacrifício.

Na realidade, eros e agape __ amor ascendente e amor descendente __ nunca se deixam separar completamente um do outro. Quanto mais os dois encontrarem a justa unidade, embora em distintas dimensões, na única realidade do amor, tanto mais se realiza a verdadeira natureza do amor em geral.


O eros leva ao agape mas não pode ser abandonado. Não se pode limitar-se sempre a dar, é preciso saber também receber. O amor é uma realidade única, embora envolva distintas dimensões. Quando as duas dimensões se separam completamente uma da outra, surge uma caricatura ou, de qualquer modo, uma forma redutiva de amor.

domingo, maio 25, 2008

I Love You More Than You'll Ever Know

Só fui prestar mais atenção nesta música neste feriado. É simplesmente linda. É do Blood Sweet & Tears.



Letra para acompanhar:

If I ever leave you
You can say I told you so
And if I ever hurt you babe
You know I hurt myself as well

Chorus: Is that any way for a man to carry on
d'you think he wants his little loved one gone?
I love you Baby, more than you'll ever know
More than you'll ever know

When I wasn't makin' too much money
you know where my paycheck went
you know I brought it home to baby
and I never spent one red cent

(Chorus)

I'm not tryin' to be
any kind of man
I'm tryin' to be somebody
you can love, trust, and understand
I know that I can be, yeah yeah
a part of you that no one else could see
I just gotta hear, to hear you say
It's all right
yeah, yeah, yeah!

I'm only flesh and blood
But I can be anything that you demand
I could be president of General Motors baby, heh
or just a tiny little grain of sand

(Chorus)

(Guitar Solo)
(Sax Solo)

If I ever leave you
You can say I told you so
And if I ever hurt you baby
You know I hurt myself as well

(Chorus)

I love you, I love you, I love you baby!
Well all right!
I told ya, so many times before
I love you
I love you!
If you don't know, then I'll tell ya one more time
I love you!
I love you!

Despedida de Guga





Agora foi oficial, Guga se despediu do tênis em Rolland Garros.

É engraçado das coisas que lembramos.

Em 1997 eu estava iniciando meu curso no Instituto Militar de Engenharia. O curso estava bem puxado, andava estudando muito; minhas aulas eram pela manhã, nem sabia que estava acontecendo o Aberto da França e muito menos que existia um Gustavo Kuerten.

Um dia li uma nota no jornal dizendo que havia vencido o número 5 do mundo, Tomas Muster. Nunca tinha ouvido falar. Não sei porque lembrei de uma vez que o Mattar tinha vencido Boris Becker na Davis. Um raio que caiu, não iria me iludir. Ainda mais que fiquei sabendo que o próximo adversário seria um especialista no saibro, Medvedev, que vinha de excelentes resultados.

Mas vale recordar a frase de Muster no meio do jogo, desesperado:

Como é possível isso? Estou jogando o meu melhor tênis e esse garoto está me
matando! Quem é ele? Um gênio?


A partida contra Medvedev foi uma pedreira. Quando cheguei em casa, após a aula, fiquei sabendo que a partida havia sido interrompida por falta de luz, continuaria no dia seguinte. Estava 2 x2 em sets, 2 x1 para Guga no derradeiro. Não fui à aula no dia seguinte, fiquei para ver o jogo.

Foi emocionante, Medvedev começou arrasador, fez logo 4 x 2 e tinha três breaks no saque de Guga. Estava sorrindo. Tudo parecia perdido mas não sei como o brasileiro virou o jogo e venceu por 7 x 5.

A próxima partida era contra Kafelnikov, número 3 do mundo e atual campeão. Mas a esta altura já dava para acreditar em tudo e resolvi que não iria à aula no dia do jogo. Queria ver até onde aquele garoto poderia chegar.

Cara, o russo joga muito! Ainda bem que eu também joguei!


O resto é história. Guga venceu Kafelnikovo em um jogo de elevadíssimo nível técnico, depois levou um susto mas venceu a semi contra o belga Dewulf na única partida em que era favorito. A final seria contra Bruguera, bi-campeão de Rolland Garros.

Por incrível que pareça eu perdi a final. Poucas coisas na minha vida me fariam perder este jogo, mas aconteceu uma daquelas. Era aniversário da minha irmã e minha ex-namorada estaria na cidade.

Ainda estava naquele ponto em que não tinha superado o fim do relacionamento. Precisavam que fossem buscá-la do outro lado do Rio de Janeiro. Eu fui, me perdi, uma vez, outra, e quando cheguei em casa o jogo tinha terminado e Gura era Campeão. Foi o jogo mais tranquilo do torneio, acabou rápido.

De alguma forma a conquista de Guga ficou misturada com meus sentimentos e foi um sopro de alegria em uma época muito triste. Passei a acompanhar cada jogo do catarinense, torcer e vibrar com cada vitória. Foi uma forma de continuar a vida, tocar novos projetos. Na verdade o surgimento de Guga coincidiu com uma reviravolta profissional e emocional, ao mesmo tempo em que ele foi subindo eu fui me aprumando, conquistando meu espaço.

Vejo que haverá outros posts sobre esta "relação" com o manezinho da praia; era para ser só algumas linhas mas acabei de descobrir coisas que ainda não tinha pensado. Talvez Guga tenha representado o desejo de vencer, de dar a volta por cima, de perseguir novas metas.

O fato era que a vitória de Guga e Rolland Garros foi apenas a primeira alegria que tive. Nunca mais perderia outra final, minha agenda passou a se organizar pelas campanhas de Guga. O que o brasileiro sentia pelas vitórias do Senna aos domingos, e eu nunca havia sentido, eu senti pelas vitórias de Guga.

E isso foi só o começo.

sábado, maio 24, 2008

Flamengo 2 x 1 Internacional

Primeira vitória importante

No primeiro jogo o Flamengo venceu os reservas do Santos; depois, empatou com o Grêmio. Agora foi uma vitória importante pois foi diante de um dos candidatos ao título, o Internacional.

O colorado dominou o primeiro tempo inteiro e chegou ao gol em grande passe de Alex para Nilmar colocar no fundo das redes. No segundo tempo o panorama mudou, o rubro-negro foi à frente e virou a partida nos 15 minutos iniciais.

A partir daí foram chances de lado a lado mas o placar não mais se alterou. Foi um excelente jogo em que as duas equipes jogaram bem, de maneira ofensiva, como deve ser um jogo de futebol.

Ainda é muito cedo para esquecer a derrota contra o América, a mais vergonhosa da história do clube, mas já é um começo.

No próximo domingo o adversário é o time reserva do Fluminense. É claro que a obrigação de vencer será do Flamengo, é importante aproveitar este início de campeonato em que algumas equipes estão envolvidas com outros campeonatos.

O brasileirão ainda está só no início, muitos jogadores ainda vão sair. É preciso fazer pontos agora, podem faltar mais tarde.


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Now playing: Gov't Mule - Mississippi Queen
via FoxyTunes

sexta-feira, maio 23, 2008

Lendo Rumo à Estação Finlândia (III)

Marx e Engels não acreditavam em almejar a glória filosófica ou literária. Acreditavam ter descoberto as alavancas que regulam os processos da sociedade humana, que liberam e canalizam suas forças; e, embora nem um nem outro tivessem talento de orador ou de político, eles tentavam fazer com que suas capacidades intelectuais atuassem o mais diretamente possível na realização de objetivo revolucionários.


Karl Marx entregou-se de corpo e alma ao sonho revolucionário. Liderou a primeira socialista, participou dos eventos da revolução de 1848, exilou-se na Inglaterra. Lá recusou-se a exercer qualquer atividade burguesa, mesmo que isso implicasse em viver na mais absoluta miséria. Sua única fonte de renda era Engels, que obrigou-se a trabalhar como industrial para conseguir dinheiro para os dois.

A relação entre os dois é muito interessante. Ao longo da vida Marx indispôs-se de todos os líderes trabalhistas ou socialistas que conheceu. Era um homem extremamente vaidoso e que não aceitava dividir o papel de pensador socialista.

Com Engels era diferente. Embora tenham quase chegado ao rompimento quando este perdeu a companheira de muitos anos, Mary Burn. A indiferença de Marx atingiu Engels pela primeira e única vez. No entanto, ele realmente admirava Marx e por ter um bom gênio, incapaz de guardar qualquer rancor pelo amigo por muito tempo, acabou retomando a correspondência entre eles.

É através desta correspondência que Wilson vai nos mostrando seu retrato de Karl Marx e todo o processo de gestação que levou-o a escrever O Capital. Foi realmente o trabalho de uma vida, um trabalho que causou imensos sacrifícios à sua própria família. Viu filhos morrerem de fome e falta de cuidados porque não admitia fazer concessões ao mundo capitalista, não poderia receber salário e misturar seus interesses com os da classe que odiava. Acima de tudos estava o orgulha de estar certo.

Marx construiu um modelo de mundo, uma ideologia. A partir deste ponto nada poderia destruí-lo. A verdade tinha que caber dentro de suas construção ideológica. A verdade passava a ser suas próprias idéias, que encontraram sua versão final em sua maior obra.

Em 1883 Marx morreu sentado à sua mesa de trabalho. Engels ainda viveu mais 12 anos.

Aparentemente os últimos anos de vida de Engels foram felizes. Ele ainda caminhava ereto e esbelto, quase com a energia de um jovem, pelas ruas daquela Londres cuja população atomizada o chocara tanto quando ele lá chegara, ainda moço (...) Quando a influência de Marx não estava presente, a bonomia natural de Engels tendia a reafirmar-se (...) os conselhos que dava a diversos grupos, apenas quando lhe pediam, eram cheios de bom senso e moderação.


Por mais que Engels admirasse o colega, após a morte deste passou por um período de libertação, como se eliminasse um fardo que teve que carregar. Defendeu até a morte os ideais socialistas e o nome de Marx, mas era enfim um homem livre.

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quinta-feira, maio 22, 2008

quarta-feira, maio 21, 2008

Amor cego

Tem amor que realmente é cego.

Juca Kfouri continua não vendo o impedimento do ataque do Corinthians no último lance do jogo ontem.

Não chega nem a dar o crédito para dúvida, é taxativo: não estava impendido.

Há duas semanas viu semelhanças entre o Corinthians e a Holanda de 1974.

Menos Juca, menos.

terça-feira, maio 20, 2008

Esquecido

Oh, minha amada! Por que estás tão distante?
Por que não consigo alcançá-la? Por mais que tente
por meus pensamentos que te perdem, carente,
de você que não fui nem amante.

Se te magoei, saiba que magoei a mim mesmo
a cada palavra que proferi descuidado
a cada gesto infeliz deste amado
que naufragou por estes mares a esmo.

De ser amante fugi covarde
fingindo equilíbrio inexistente
e sentimentos escondi sem alarde.

De ti desejei em vão ser querido
agora vivo solitária vida nova onde
é justo padecer por ti esquecido.

Heleno Marques

O Evangelho de Tomé

Uma bússola para a evolução espiritual
Ron Miller, 2004

E ele disse: "Aquele que descobrir a correta
interpretação destas palavras jamais morrerá"


Ron Miller, um ex-seminarista trata do texto descoberto em Nag Hammad, em 1945. Conhecido como quinto Evangelho ou Evangelho de Tomé, seria um dos textos descartados pela Igreja Católica quando foi definido que seriam apenas 4 os evangelhos.

O autor apresenta sua visão e interpretação deste texto, talvez o mais místico sobre Jesus. Pode ser considerado uma ponto com outra religiões pois não se prende ao ritual católico tradicional, sua mensagem vai além dos limites do cristianismo.

A mais importante mensagem que guardei deste livro é a ênfase que Miller dá na atenção como forma de nos aproximarmos de Deus. Fazer as coisas com atenção, dedicarmos alguns minutos por dia para realizar uma tarefa com extrema atenção, assim teríamos a comprovação que Deus realmente existe. Pois Deus está em todas as coisas e só conseguimos percebê-LO quando darmos a atenção devida.

A cada capítulo há citações do livro de Tomé, a interpretação do autor, uma parte final condensando os ensinamentos de Cristo e algumas perguntas para fazermos a nós mesmos. São boas perguntas, nos fazem pensar um bocado.



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domingo, maio 18, 2008

Grêmio 0 x 0 Flamengo

Empate de bom tamanho

O Flamengo realmente não jogou o suficiente para vencer o jogo, mesmo tendo boas chances de marcar. O Grêmio foi mais perigoso e se não fosse por defesas belíssimas de Bruno teria vencido a partida. A trave também este presente, mostrando que um bom goleiro precisa de sorte. O empate acabou de bom tamanho para o rubro-negro. O ótimo é inimido do bom...

Como eliminar seu chefe


Nine to Five (1980)

Diretor(es): Colin Higgins
Roteirista(s): Patricia Resnick, Colin Higgins
Elenco: Jane Fonda, Lily Tomlin, Dolly Parton, Dabney Coleman, Sterling Hayden, Elizabeth Wilson, Henry Jones, Lawrence Pressman, Marian Mercer, Ren Woods, Norma Donaldson, Roxanna Bonilla-Giannini, Peggy Pope, Richard Stahl, Ray Vitte

Sinopse:

Quatro mulheres de personalidades distintas trabalham juntas num escritório. Uma delas é a secretária que imaginam ter um caso com o chefe, um sujeito mal-educado, cruel e machista. Motivos suficientes para que elas se tornem amigas e decidam fazer o que o título esclarece.

Comento:

Este filme tem um significado especial para mim pois está relacionado com uma das primeiras memórias que possuo. Assisti-o, pela primeira vez, no avião indo para os Estados Unidos quanto tinha 8 anos. Era um clima de aventura pois iríamos morar lá por um ano e pela primeira vez fazia uma viagem internacional.

O filme é uma comédia que faz uma crítica ao ambiente das corporações americanas do início da década de 80. Vendo-o hoje é possível verificar que muita coisa mudou e muitas das situações apresentadas não seriam possíveis de se repetir agora, mas continua um excelente retrato de sua época.

A cena do seqüestro do corpo é engraçadíssima e os diálogos entre Fonda, Tomlin e Parton são inspiradíssimos, em especial quando descobrem no porta malas que o corpo não era do Sr Hart.

Interessante também como o sonho das três mulheres realizam-se no dias seguinte com Tomlin envenenando acidentalmente seu chefe, Parton amarrando-o na poltrona e a pacata Fonda alvejando-o de verdade.

Nota 8,5

Quote:

Violet: Oh, God. They know about the rat poison. I might as well just turn myself in. Doralee: Violet, it was an accident.
Violet: I'm a murderer.
Judy: No, you're not.
Violet: I'm a murderess. I'm gonna go to the pen. My poor kids. I'm gonna lose my job.
Judy: Violet, stop this.
Violet: I'm no fool. I've killed the boss, you think they're not gonna fire me for a thing like that?

Que país é este?

Mais atual do que nunca...

sexta-feira, maio 16, 2008

Lembranças

Diante de minha imagem deparei com saudades
de você, de nós, de tanta coisa que ao passado pertence
e, reflexo na janela, olhos tristes e lembranças recentes
penso em amor que nela se escondia, a amizade.

Quantas conversas, olhares e também sofrimento
tentava falar, nada saía como imaginava, tudo distorcido
consertar? Como? Em meu quarto pensava esquecido
de mim mesmo, do mundo, perdido em meu lamento.

Busco na alma, afasto a razão que respostas não trazem
quando o sentimento assola e turva implacável
diante de um espelho que revela outra imagem.

Estás longe, bem sei, mas não é em quilômetros que se mede distâncias,
pensamentos que se afastam, momentos que não mais existem
tudo ficou para trás, em blumas, mas não parte de meu ser, minhas lembranças.

Heleno Marques

Viver não dói



Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.
Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.

Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade..

A dor é inevitável
O sofrimento é opcional.


Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, maio 15, 2008

Felicidade como fim

No livro 1 de Ética a Nicômaco, Aristóteles investiga a felicidade.

Para ele, todas as ações do homem visam o bem, mas que bem seria este? Para responder esta pergunta ele passa por uma série de teorias, iniciando pelos tipos de vida. Discorre sobre a vida de alegria, a vida de ação, a vida de contemplação e a vida de fazer dinheiro.

Aristóteles considerava que algumas atitudes eram melhores do que outra. Uma atitude que se completa por si mesma seria melhor do que uma que é meio para atingir outra, e assim por diante. Desta forma todas as coisas caminhariam para um mesmo ponto que seria um bem supremo. Este bem teria de ter duas características, ser perfeito ou final e auto-suficiente ou completo em si mesmo.

A felicidade seria este bem já que nossas ações estão voltadas para ela e não é meio para outra situação. A coragem é algo que os homens almejam e aparentemente se basta por si mesmo. Mas para que desejam ser corajosos? Porque identificam na coragem uma necessidade para ser feliz. O contrário não acontece, ninguém busca a felicidade para ser corajoso.

Para Aristóteles a felicidade é o bem final das ações humanas.

No filme A Malvada, a personagem Eve conquista todos os objetivos que tinha perseguido com tanta ambição ao longo do filma. Mas a última cena mostra que não era feliz, pelo contrário. Existem um monte de filmes que mostram personagens que fazem maldades para conseguir algum objetivo e no final alguma coisa sai errada e fracassa. Este filme é diferente, Eve consegue tudo que quer e como quer, e no entanto não é feliz. Por que? Será que justamente por não ter colocado como o fim dos seus atos o bem? Não estaria agindo em direção contrária à felicidade?

"Happinesss, therefore, being found to be something final and self-sufficient, is the end at which all actions aim."


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Teste de personalidade

Acabei de fazer um teste de personalidade na internet baseado nas teorias de Jung. São várias perguntas que ao serem respondidas produzem uma análise da nossa personalidade. O resultado é mais completo do que a maioria de testes que se faz por aí. Quem desejar, clique aqui.


Como sua intuição extrovertida domina sua personalidade, o que mais lhe interessa na vida é compreender o mundo no qual você vive. Você está constantemente absorvendo idéias e imagens relacionadas a situações com o qual você se depara no dia a dia da sua vida. Fazendo uso de sua intuição para processar essas informações, você é quase sempre extremamente rápido e preciso em sua capacidade de avaliar uma situação. Você é um tipo de pessoa dos que melhor compreendem a realidade à sua volta.

Essa capacidade de compreender pessoas e as situações de uma maneira intuitiva proporciona a você uma distinta vantagem com relação às outras pessoas. Você geralmente compreende as coisas com rapidez e em grande profundidade. De maneira similar, você é flexível e se adapta bem a uma grande variedade de tarefas. Você é bom em praticamente qualquer coisa que lhe interessar. À medida que você crescer e desenvolver mais ainda sua capacidade intuitiva e sua compreensão das coisas (insights), você desenvolverá uma ótima noção quanto às mais variadas possibilidades existentes, e isso lhe fará uma pessoa extremamente criativa e engenhosa na hora de solucionar problemas.

Você é uma pessoa de idéias. Sua capacidade perceptiva faz com que você enxergue possibilidades em todo lugar e em tudo. Você se anima e se empolga com suas idéias, e consegue compartilhar esse entusiasmo com outras pessoas. Dessa maneira, você consegue o apoio do qual você necessita para atingir suas visões do futuro.

Você se interessa menos por desenvolver planos de ação ou por tomar decisões do que por gerar idéias e possibilidades. Acompanhar a fase de implementação de uma idéia até o final geralmente é uma tarefa desagradável para você, mas muitas vezes necessária. Isso pode resultar num hábito de nunca acabar o que você começa. Se você não desenvolver seu lado racional e lógico, você poderá encarar problemas, pois ficará pulando de idéia em idéia sem dar prosseguimento a nenhuma delas. Você precisa tomar o cuidado de avaliar completamente suas idéias, para conseguir tirar vantagem delas.

Seu processo auxiliar, que é a lógica introvertida, guia suas tomadas de decisão. Apesar de você se interessar mais por absorver informações do que por tomar decisões, você é um tanto racional e lógico ao chegar às suas conclusões. Quando você aplica a lógica às suas percepções intuitivas, o resultado pode ser realmente muito forte. Se você conseguir se desenvolver bem, você poderá se tornar uma pessoa extremamente visionária, inventiva, e empreendedora.

Você é uma pessoa que conversa com fluência, que pensa com rapidez, e que gosta de debater tópicos com outras pessoas. Aliás, você gosta tanto de discutir questões que pode até trocar de lado de quando em vez, simplesmente por amor ao debate. Quando você expressa seus princípios básicos, porém, você pode se sentir um pouco esquisito e acabar falando de maneira abrupta e intensa.

Você poderia até ser conhecido como o “advogado”, pois você consegue compreender uma situação com rapidez e precisão, e é objetivo e lógico ao tomar atitudes necessárias. Seu lado racional faz com que suas ações e decisões sejam baseadas numa lista de regras e leis objetivas. Se você defendesse alguém que tivesse cometido um crime, você provavelmente tiraria vantagem das pequenas falhas na lei que poderiam libertar seu cliente. Se você ganhasse o caso, você veria sua ação como totalmente justa e apropriada para a situação, pois suas ações estavam dentro da lei. A verdadeira culpa ou inocência do seu cliente não seria tão relevante. Porém, se esse tipo de pensamento racional passar despercebido por você, isso poderá causar que outras pessoas o vejam como uma pessoa de caráter antiético e até desonesto. Como não é de sua natureza considerar o elemento humano ou pessoal nas suas tomadas de decisão, você deveria se preocupar em notar esse lado mais pessoal e subjetivo das situações. Esta é uma área particularmente problemática para você. Apesar de suas capacidades lógicas lhe darem força e propósito, elas podem acabar lhe isolando das outras pessoas e dos seus próprios sentimentos.

As áreas menos desenvolvidas para você são a da sensação e do sentimento. Se você negligenciar a área da sensação – que é relacionada à sua ciência dos seus cinco sentidos, do “aqui e do agora”, você poderá tender a não cuidar dos detalhes mais mundanos de sua vida. Se sua área sentimental for negligenciada, você poderá não valorizar as idéias das outras pessoas o suficiente, ou se tornar uma pessoa demasiadamente dura e agressiva.

Sob estresse, você poderá perder sua capacidade de gerar possibilidades e se obcecar com pequenos detalhes que poderão parecer extremamente importantes para você, apesar de na realidade não serem tão importantes assim, na visão maior da coisa.

Em geral, você é um visionário animado. Você valoriza muito o conhecimento, e passa muito tempo de sua vida buscando uma compreensão maior das coisas. Você vive num mundo de possibilidades, e se empolga com conceitos, desafios e dificuldades. Quando encontra um problema pelo caminho, você improvisa bem, preparando uma solução criativa com rapidez. Criativo, inteligente, curioso e teórico, você possui uma gama abrangente de possibilidades para sua vida.

Copa do Brasil: Restam 4

Sobraram quatro clubes na disputa pela Copa do Brasil. Vamos a eles:

Corinthians

Ponto Forte: É um time de massa. Embalado por sua torcida e na base da empolgação é capaz de superar seus limites e enfrentar de igual para igual qualquer adversário.
Ponto Fraco: O time é inexperiente, pode fazer a diferença na hora da decisão.

Vasco

Ponto Forte: Está em ascensão, em uma competição de jogos eliminatórios é um fator que pode decidir.
Ponto Fraco: É o mais limitado dos quatro times.

Sport

Ponto Forte: Foi o melhor time da Copa do Brasil até aqui, o que eliminou os adversários mais qualificados.
Ponto Fraco: Estou tentando achar...

Botafogo

Ponto Forte: Tem um time equilibrado, bom e com jogadores capazes de decidir uma partida.
Ponto Fraco: O elenco é limitado, poucas opções para substituir a maioria dos titulares.

Meu Palpite

Final entre Botafogo e Sport, com o título para o primeiro.

terça-feira, maio 13, 2008

Coragem de Bebeto de Freitas

O presidente do Botafogo tomou uma atitude corajosa ao não ceder às chantagens das torcidas organizadas que por anos se aproveitam de ingressos mais baratos que os torcedores comuns. Vai contra a atitude da maioria dos outros clubes que possuem relações promíscua com torcedores profissionais, responsáveis pela maioria dos problemas de violência nos estados.

As organizadas ameaçam boicotar o jogo contra o Atlético pelas quartas da Copa do Brasil. Mostram a sua verdadeira face e o "amor" que possuem pelo clube.

Que os demais torcedores compareçam em massa para apoiar um presidente que está defendendo não só o clube, mas os torcedores comuns botafoguenses.


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Bravo Mundo Novo

Para não dizer que este blog não toca música nacional, um destaque para uma banda brasiliense que infelizmente não atingiu o sucesso merecido. Em grande parte culpa da própria banda que tinha uma queda por escolhas erradas. Trata-se da Plebe Rude e esta música abria seus segundo disco.


Se eu lhe dissesse olhe além do horizonte
será que você olharia?
Bravo mundo novo está nascendo
pelo visto vai te surpreender um dia

Conselho ou sermão, não aprendemos a lição
de que com insistência ou não
nos protegemos e lutamos contra o que?

Bravo mundo novo

Se eu lhe dissesse
as coisas não são como parecem
será que você escutaria?

Bravo mundo novo está nascendo
pelo visto vai te surpreender um dia

Herdamos do passado velhos erros e ideáis
que só servem de exemplo para os demais
que já há muito tempo

Bravo mundo novo

Não pergunte então
se os sinos dobrarão
se dobrarem não será por você

Bravo mundo novo, decadente nosso cativeiro
mas se tão jovem mais parece que já há muito tempo

100 Poemas Essenciais da Língua Portuguesa


Organizado por: Carlos Figueiredo

Uma das coisas que resolvi este ano foi prestar mais atenção a poesias. Sempre fui muito reticente para com elas, mas estou me convencendo que a poesia é uma forma de contato com nossa própria alma. Não pode ter sido a toa que Aristóteles escreveu um livro inteiro sobre a poética.

Como sou muito ignorante no assunto acabei comprando este livro. Encarei-o como um índice para pelo menos ter uma idéias dos autores e suas obras. Foi com este espírito que li esta coletânea organizada por Carlos FIgueiredo.

Desde o português D Sancho I até a angolana Ana Paula Taváres, passando por Sá de Miranda, Camões, Gregório de Matos, Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade e tantos outros, o autor apresenta um mosaico de poesias nos mais diversos estilos.

Gostei particularmente dos Cantos III e IV dos Lusíadas (episódio de Inês de Castro e o episódio do homem do Velho do Restelo), A Jesus Cristo Nosso Senhor (Gregório de Matos), Louco (Junqueira Freire), O morcego (Augusto dos Anjos), Mar Português (Augusto dos Anjos), Ópio (Fernando Pessoa) e Amiga(Florbela Espanca).

Pelo menos agora já tenho uma direção a seguir!

"Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
Cobrai-a, e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa Glória."

Gregório de Matos

segunda-feira, maio 12, 2008

Flamengo 3 x 1 Santos

Início de uma longa caminhada

Eu sei, o time do Santos era de reservas, todos garotos, etc e tal.

Mas o time vinha de uma catástrofe e ainda jogou com estádio vazio. Ainda acho que a CBF tem que arrumar um jeito melhor para punir e coibir o comportamento de alguns torcedores que ainda insistem em atirar objetos no campo. Jogo sem torcida é algo surreal.

O resultado foi bom para pelo menos tirar o peso e afastar cada vez mais aquela quarta feira trágica do Maracanã.

Uma vitória contra o Grêmio no domingo já deixa a torcida de bem para apoiar o time.

Aguardemos.


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domingo, maio 11, 2008

Coisas do futebol

A Malvada


All About Eve(1950)

Sinopse:

Na noite de entrega do prêmio Sarah Siddons, todas as atenções se voltam para Eve Harrington (Anne Baxter). Utilizando o flashback, a vida de Eve é revelada, desde quando conheceu e foi contratada como secretária de Margo Channing (Bette Davis), uma grande estrela da Broadway, até ela mesma alcançar o estrelato.


Addison DeWitt: [voiceover] Margo Channing is a star of the theater. She made her stage debut at the age of four in "Midsummer Night's Dream," playing a fairy. She entered, quite unexpectedly, stark naked. She has been a star ever since.


Assistir A Malvada é uma experiência e tanto para quem quer penetrar nos mistérios da alma humana. É um filme universalista, trata basicamente do ser humano e o que é capaz de fazer na busca pelo sucesso.

Neste filme arte e realidade se confundem a todo o instante mostrando como estes dois campos da existência se sobrepõem. Magot é uma grande atriz, vive nos palcos e já se aproxima dos 40 anos. Não possui uma vida, tudo que sabe é ser uma estrela e sua atuação transcende do palco para o grande teatro que transformou sua existência.


Bill Sampson: The Theatuh, the Theatuh - what book of rules says the Theater exists only within some ugly buildings crowded into one square mile of New York City? Or London, Paris or Vienna? Listen, junior. And learn. Want to know what the Theater is? A flea circus. Also opera. Also rodeos, carnivals, ballets, Indian tribal dances, Punch and Judy, a one-man band - all Theater. Wherever there's magic and make-believe and an audience - there's Theater. Donald Duck, Ibsen, and The Lone Ranger, Sarah Bernhardt, Poodles Hanneford, Lunt and Fontanne, Betty Grable, Rex and Wild, and Eleanora Duse. You don't understand them all, you don't like them all, why should you? The Theater's for everybody - you included, but not exclusively - so don't approve or disapprove. It may not be your Theater, but it's Theater of somebody, somewhere.


Eve deseja para ela o papel de Margot, tanto nos palcos quanto na vida. Sua ambição é o motor de sua existência, a fonte que lhe dá forçar para fazer o que for preciso para atingir seu objetivo.

O título em português é uma grande bobagem pois nos faz ficar na expectativa de ver a malvada da estória, que em primeiro momento parece ser Margot.

E Margot faz tudo para assumir este papel. É temperamental, por vezes rude, capaz de atingir seus amigos mais próximos e profundamente insegura. Entrando nos 40 anos, em profunda crise existencial, depara-se com uma jovem humilde que cativa a todos a começar por ela.

Quando é surpreendida no meio da noite com um telefonema que Eve teria pedido para dar parabéns a seu namorado, que estava em Holywood, seu alerta apita. Aqui entra as mulheres. Quantas vezes elas não se antecipam a todos e sem uma explicação razoável colocam-se em situação de alerta diante de uma pessoa ou situação?

Birdie, sua camareira é sua confidente e acima de tudo sua consciência. Como Margot não deseja aceitar que Eve não seja o que todos pensam resolve pedir a ela uma opinião sincera sobre a moça. Birdie pergunta se quer a realidade ou brigar com ela.

Margo Channing: Birdie, you don't like Eve, do you?
Birdie: You looking for an answer or an argument?
Margo Channing: An answer.
Birdie: No.
Margo Channing: Why not?
Birdie: Now you want an argument.


É nossa consciência nos perguntando se realmente queremos saber de alguma coisa. A camareira não gosta de Eve, Margot se irrita e discutem. A briga não é com Birdie, mas com si própria para aceitar uma idéias que a própria razão refuta. É o processo de conhecimento da verdade que os antigos tanto alardearam.

Na festa de aniversário de Bill, que retorna da Califórnia, Margot se convence. A forma como expressa esse convencimento é genial. Em discussão com Bill usa os mesmos argumentos de Birdie sobre Eve para tentar mostrá-lo a verdadeira natureza da moça. Mais do que convencê-lo, ela convence a si mesma.

Bill Sampson: Have you no human consideration?
Margo Channing: Show me a human, and I might have!


Nesta festa vemos o pior de Margot. Bêbada, incoveniente, mordaz, ofendendo tudo e a todos; Eve é seu oposto, humilde, delicada, desprotegida. Até este momento nada aparece para desabonar a jovem. Ao final da festa ela pede a Kate um favor e a audiência começa a perceber que Eve não é bem o que aparenta.

Outro grande momento do filme é quando Margot confronta Bill novamente após Eve aparecer como atriz em um teste de elenco. É o término de um processo de autodestruição.

Lloyd Richards: I shall never understand the weird process by which a body with a voice suddenly fancies itself as a mind. Just when exactly does an actress decide they're HER words she's speaking and HER thoughts she's expressing?
Margo Channing: Usually at the point where she has to rewrite and rethink them, to keep the audience from leaving the theatre!


Margot está desesperada pois está diante do próprio vazio que é sua vida. Não consegue mais distinguir entre o palco e a realidade, não sabe mais quem é. Bill ainda argumenta que não sabe nada sobre Eve, mas que conhece Margot.

Margo Channing: So many people know me. I wish I did. I wish someone would tell me about me.


A verdadeira face de Eve aparece pela primeira vez no camarim, após substituir Margot, em cena com Bill. Não é mais uma criatura indefesa, nunca foi, deixa claro que ele faz parte de seus planos. Pela primeira vez ele percebe que Margot tinha razão e repudia a moça. Ela tenta seu número de menina triste, já não funciona com ele. Bill é um diretor, consegue agora vislumbrar uma atuação em um mundo real.


Bill Sampson: Don't cry. Just score it as an incomplete forward pass.


De Witt, crítico de teatro, assiste a cena e se aproxima de Eve. Ele agora se interessa pela moça que passa a cortejá-lo. Em artigo ela enaltece a nova atriz e arrasa com Margot.

Toda a trama acaba por despertar Margot e provoca não só o reatamento com Bill mas o casamento dos dois. Pela primeira vez está realmente feliz, em paz consigo mesmo e com os amigos. Em jantar diz aos amigos que Eve fez mais bem para ela do que jamais poderia imaginar.

Outra grande personagem da trama é a amiga de Margo, Karen. Casada com um dramaturgo ela é personificação de uma pessoa comum arrebatada pelo clima fantástico das artes. É a última a enxergar Eve e mesmo assim ainda consegue se comover com ela para, em seguida, conhecer a face chantagista da moça. Enfim se convence que não há nada que Eve não seja capaz para conseguir o que quer.

É a vontade de potência descrita por Nietzsche, não há o menor sinal de moralidade em Eve. As pessoas ao seu redor são nada para ela, apenas instrumentos para a conquista de seus sonhos. De Witt enxerga isso desde o princípio por reconhecer nela sua própria natureza. Ambos estão reunidos pelo desprezo que sentem pela humanidade e seus dramas. São cruéis e implacáveis.


Addison DeWitt: That I should want you at all suddenly strikes me as the height of improbability... you're an improbable person, Eve, but so am I. We have that in common. Also a contempt for humanity, an inability to love or be loved, insatiable ambition - and talent. We deserve each other.


Ao final, após conseguir o papel e o prêmio de melhor atriz, Eve sente pela primeira vez o vazio e a tristeza. Conquistado seu sonho, não há nada mais para ela. Está diante da constatação que atingiu seu objetivo cedo demais e no fim do arco-íris não há um pote de ouro.

É um filme magnífico, que retrata a alma humana, as virtudes e os vícios, o descobrimento de si mesmo. Grandes atuações, roteiro maravilhoso, tudo funciona nesta verdadeira obra de arte do cinema.

Margo Channing: Funny business, a woman's career, the things you drop on the way up the ladder so you can move faster. You forget you'll need them again when you get back to being a woman. It's one career all females have in common - being a woman. Sooner or later we've got to work at it no matter how many other careers we've had or wanted. And in the last analysis nothing is any good unless you can look up just before dinner or turn around in bed and there he is. Without that you're not a woman. You're something with a French provincial office or a book full of clippings but you're not a woman. Slow curtain, the end.


Nota 10




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sábado, maio 10, 2008

Lendo Rumo à Estação Finlândia

Apesar de todo o entusiasmo que Marx manifesta pelo "humano", ele é ou de uma obscuridade e uma caceteação desumanas, ou então de um brilho sobre-humano. Está sempre ou fechado dentro de seu ego próprio, incapaz de manifestar o mínimo de solidariedade que lhe permita conviver com outros seres humanos, ou então abrindo-se numa visão do mundo tão abrangente que, passado por cima dos indivíduos, do mesmo modo como em sua posição anterior não conseguia alcança-los, engloba continentes, classes inteiras, séculos de história.


Marx era um intelectual, de inteligência rara e invejável. O que se torna um perigo quando vem junto com o orgulho e o ego. Nas páginas de Rumo à Estação Finlândia fica claro porque só teve um amigo durante toda sua vida e mesmo assim porque Engels sempre relevou o temperamento do companheiro.

E aqui encontramos aquilo que Marx afirmava ser a única contribuição original ao sistema que veio a ser chamado marxismo (...) a história era uma sucessão de conflitos entre uma classe exploradora e uma classe explorada. Esses conflitos eram resultado dos métodos de produção prevalecentes durante os diversos períodos (...) Fenômenos aparentemente inspirados e independentes como a política, a filosofia e a religião, na verdade surgiam em decorrência dos fenômenos sociais. A luta atual entre exploradores e explorados chegara a um ponto em que os explorados __ os proletários __ foram expropriados de todos os seus direitos humanos e passavam a representar portanto os direitos fundamentais da humanidade, e em que a classe que possuía e controlava a máquina industrial tinha cada vez mais dificuldade em distribuir seus produtos __ de modo que a vitória dos trabalhadores e a derrota dos proprietários, a conquista do controle da máquina pelos trabalhadores, seria o fim da sociedade de classes e libertação do espírito do homem.


Grande parte da filosofia de Marx vinha de um caminho que partiu de Hegel e passou por Vicco, Michelet, Taine, Proudhon e outros. Sua contribuição foi colocar a questão da luta de classes como a expressão da dialética hegeliana e defender explicitamente o extermínio da classe exploradora.

A meu ver a simplificação que faz é demasiada, primeiro por reduzir o mundo à sua expressão econômica, e depois por reduzir a economia à questão industrial. Marx rompeu com a idéia dos primeiros socialistas de que "todos os homens são iguais" e que portanto a luta socialista era por esta igualdade. Segundo ele, havia categorias inteiras de homens que não poderiam ser considerados irmãos e portanto deveriam ser eliminadas.

Este é principal ponto para não conseguir entender como alguém pode ser comunista e cristão ao mesmo tempo. A reforma de Cristo é íntima; se um homem explora outro ele deve se reformar intimamente e, de posse do livre arbítrio, mudar sua conduta. Por mais utópico que possa parecer esta é a essência de sua doutrina, o perdão pelo arrependimento. Causa-me espanto toda vez que eu escuto alguém dizer que o primeiros socialista do mundo foi Jesus. E não estou nem entrando na questão da divindade!

A defesa do extermínio de classes também me parece ser a base de toda semelhança do totalitarismo comunista e do nazista, basta trocar a palavra classe por raça e teremos a mudança da "cor" do estado totalitário.


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sexta-feira, maio 09, 2008

Acabou

Enfim... acabou! Última prova. Agora é aguardar o resultado que sai em Agosto.

Até lá é esquecer.

E voltar à normalidade.

quinta-feira, maio 08, 2008

Resumo

Que resumo em papel que nada, a onda agora é usar post-it. Abaixo vai um flagrante de minhas anotações para a prova de amanhã.



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Now playing: Rory Gallagher - Tattoo'd Lady
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quarta-feira, maio 07, 2008

O vexame do Maracanã

O Flamengo conseguiu escrever uma página negra em sua história ao conseguir a proeza de ser derrotado pelo fraquíssimo time do América do México por 3 x 0 em pleno Maracanã.

Pior que já vi este filme antes. Em 2000, após ganhar o título carioca diante do Vasco, o time entrou em campo para jogar pela Copa do Brasil contra o Santos. Terminou o primeiro tempo perdendo por 3 x 0 e acabou eliminado da competição.

Hoje o Flamengo menosprezou o adversário. Quando Joel entrou em campo no meio daquele corredor deu para ver em sua cara que estava contrariado. A diretoria tem a maior parte da responsabilidade nesta derrota, foi ela que ignorou o adversário e resolveu transformar o jogo em uma festa de despedida. E foi, só que da equipe.

Pior que uma grande oportunidade foi desperdiçada. A equipe tinha condições de chegar no título, estava arrumada, com jogadores capazes de decidir.

O América tomou um susto com a vitória. Mesmo quando vencia por dois gols, resultado ainda insuficiente, ficou atrás parecendo satisfeito com o resultado. Não sonhava em se classificar hoje. Não teve culpa se Toró fez uma daquelas faltas idiotas na entrada da área, e muito menos da bola ter desviado na barreira.

Na verdade nada fez para ganhar o jogo, tudo foi feito pelo rubro-negro que resolveu não jogar pelo resultado e dar espetáculo para a torcida. Como um time com tamanha vantagem leva gol de contra-ataque? Se o América queria ficar atrás, tinha que ter feito o mesmo. O jogo terminaria 0 x 0, a torcida ficaria insatisfeita, mas o resultado teria sido conquistado.

Um jogo impossível de esquecer. Entrou para a história do clube como um de seus maiores vexames.

Triste, muito triste.

Futebol dos filósofos

Já achava este vídeo do Monty Phyton genial. Quanto mais se lê sobre a história de filosofia, mais engraçado e genial ele fica.

As partes que mais gosto são o cartão amarelo que Nietzsche recebe de Confúcio e a entrada de Karl Marx no jogo. Simplesmente impagável.


Meio devagar

O blog está meio devagar esta semana, culpa de um concurso que estou fazendo.

Hoje foi a primeira prova, sexta tem a segunda.

Engraçado como as pessoas reagem diferente as diversas situações da vida. Existem aqueles que saem de uma prova desesperados para discuti-la, procurar saber o que os outros respondera, etc.

De minha parte nunca gostei de comentar prova realizada. Fujo destas discussões, primeiro porque geram mais dúvidas do que qualquer outra coisa, principalmente em provas discursivas como estas que estou fazendo.

Em cursos regulares é até interessante discussões sobre provas, principalmente se movidas pelo desejo de aprender. Discutir os próprios erros e defender entendimentos são extremamente benéficos para o conhecimento, mas fazê-lo apenas para tentar adivinhar a nota... aí já não gera muita coisa de aprendizado.

De qualquer forma nunca gostei. E não vai ser desta vez que vou mudar! rsrss

terça-feira, maio 06, 2008

Mais uma do mestre

Rory Gallagher tocando ao vivo no início dos anos 80. A faixa chama Shadow Play.


Dos males o menor

Não li a coluna do Calazans de hoje no Globo, infelizmente o portal do jornal é bloqueado.

Os torcedores não estão gostando da escolha de Caio Júnior para treinador do Flamengo. É preciso entender que não havia outra opção. As fichas estavam no Abel, mas ele venceu de forma espetacular Paraná e Juventude em menos de uma semana, ficou inviável.

Outros cotados avisaram que não estavam dispostos, como Ney Franco.

Restaram Caio Júnior e Geninho.

Calazans falou tudo na espn ontem. Do primeiro dá para esperar que evolua e cresça como profissional. Do último não.

Além disso, Geninho tem como característica mandar bater o tempo todo. Foi assim que o Corinthians caiu fora de uma Libertadores, com a expulsão do lateral Roger, e foi assim que definiu o título de 2004 quando um lateral vascaíno acertou Felipe sem bola.

Que fique lá no galo.

Dos males o menor.

Eu juro que escutei

Sei que o fiasco corinthiano mexeu com muita gente ano passado.

Mas daí a Juca Kfouri comparar a atuação de quarta passada com a laranja mecânica já é demais.

Para quem não viu, a Holanda em 74 passou como um trator pela tríade sul americana: Brasil, Argentina e Uruguai.

Quem viu o primeiro tempo da Holanda contra a Argentina então deve ter ficado tão espantado quanto eu. Com todo respeito ao Goiás, mas o time já vinha mal desde o ano passado quando se salvou da degola graças a um penalti com direito a segunda cobrança.

Menos Juca, menos.


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Now playing: The Black Crowes - Sometimes Salvation
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segunda-feira, maio 05, 2008

30 vezes Flamengo

Bi-Campeão Carioca (2007/2008)

O Flamengo entrou para segurar o resultado e poupar forças. Joel deixou Kléberson, que não vinha jogando bem, no banco e promoveu a entrada de Jailton para fechar o meio campo e jogar no contra-ataque.

Quase deu certo não fosse o gol incrível perdido por Íbson e o frango mais incrível ainda de Bruno. Discordo dos que defendem que o Botafogo foi superior no primeiro tempo. Teve mais posse de bola porque essa foi a tática planejada por Joel. Tivesse a bola de Íbson entrado e Bruno não falhado, o time iria para o intervalo ganhando e o treinador chamado de gênio.

Para os que o chamavam de retranqueiro, a resposta veio no segundo tempo. Armou o time com 4 atacantes, dois recuados como armadores, e partiu para cima para matar ou morrer. A esperteza de Joel se mostrou também na questão do revezamento de jogadores. Os dois que saíram, Cristian e Íbson, tinham jogado os 180 minutos dos jogos contra o Botafogo e América. Os dois que entraram, Obina e Tardeli, apenas meio tempo em cada jogo. Tirando a zaga e o goleiro, ninguém jogou o tempo todo das três partidas.

Com o time mais vulnerável, aumentou a importância de Toró e Jailton, que forma dois monstros nas roubadas de bola e preenchimento de espaços. Não foi por acaso que Joel poupou o primeiro do jogo de quarta.

O gol de Obina, no início da etapa complementar, foi fundamental pois colocou a responsabilidade no campo do Botafogo. Inexplicavelmente, o alvinegro se perdeu em campo, e desta vez não dá nem para culpar a arbitragem.

A expulsão de Renato Silva tornou a situação mais fácil e o gol de Tardelli definiu o título. Obina ainda fez mais um para carimbar a faixa.

Um título que deve muito ao trabalho de Joel e à diretoria que conseguiu montar um elenco que deu ao treinador opções para poder mudar o rumo de uma partida. Elenco que faltou ao Botafogo que teve que jogar o segundo tempo com seu principal atacante mancando.

Por fim, a torcida foi incansável, apesar de ter pisado na bola ao vaiar Íbson ainda no primeiro tempo. Tem jogado muito pouco este ano, é verdade, mas não era hora de afundá-lo ainda mais; em decisão de campeonato é preciso apoiar, sempre.

domingo, maio 04, 2008

Mengão campeão!!!

Este é o comentário "calibrado"!!!

Grande Mengo!! Quando pensei que faltaria pernas, eis que um gol salvador de Obina colocou o time no contra-ataque!

Foram monstros Jailton (pela primeira vez, dou o braço a torcer!), a zaga, Obina, Marcinho e Tardelli. Estes foram os principais jogadores.

E maior que todos, o treinador, Joel Santana.

Não sei se desejo sorte ou azar, porque se não der certo, o rubro-negro está de braços abertos.

Mengoooooo!!!!!

A grande final

Flamengo e Botafogo enfrentam-se hoje a tarde pelo título carioca de 2008.

O Flamengo busca finalmente igualar-se ao Fluminense em número de conquistas e consolidar-se como maior vencedor do futebol carioca.

O Botafogo busca um título para coroar o excepcional trabalho de recuperação do clube feito por Bebeto de Freitas e Cia.

O Flamento vem de uma viagem desgastante, mas tem a vantagem no placar. Mínima, mas uma vantagem.

O Botafogo vem de uma semana tranqüila, estará fisicamente melhor, mas tem a desvantagem no placar. Mínima, mas uma desvantagem.

O título está aberto. Considero o alvinegro favorito, mas em uma final, contra o Flamengo e sua torcida, principalmente por esta, fica tudo mais difícil.

Só espero que a arbitragem não atrapalhe.

A sorte está lançada!



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Now playing: The Black Crowes - Remedy
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Amiga

Deixa-me ser a tua amiga, Amor,
A tua amiga só, já que não queres
Que pelo teu amor seja a melhor
A mais triste de todas as mulheres.


Que só, de ti, me venha magoa e dor
O que me importa a mim? O que quiseres
É sempre um sonho bom! Seja o que for,
Bendito sejas tu por mo dizeres!


Beijá-me as mãos, Amor, devagarinho...
Como se os dois nascessemos irmãos,
Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho...


Beija-mas bem!... Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos,
Os beijos que sonhei pra minha boca!...


Florbela Espanca (1893-1930)



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sábado, maio 03, 2008

Laudromat - Rory Gallagher

Este é um grande guitarrista irlandês que surgiu no fim dos anos 60 com sua banda Taste. Nesta faixa está tocando ao vivo, com sua banda solo. A faixa chama Laudromat.

Rory Gallagher - Laudromat

problemas no mp3tube

Que droga! Não dá para elogiar muito, estou com problemas para fazer upload no mp3tube. Está dando mensagem de erro, que todos os campos do formulário devem estar preenchidos. Pior é que estão. Estou desconfiado que trata-se de algum problema de firewall ou coisa parecida.

Coisas da informática.

sexta-feira, maio 02, 2008

Lendo Rumo à estação Finlândia

Como judeu, Marx de certa forma permanecia à margem da sociedade; como homem de gênio, pairava acima dela. Sem ter nenhuma das deficiências do proletário em termos de formação intelectual nem de conhecimento do mundo, tampouco era um homem da classe média __ nem sequer um membro daquela elite de classe média na qual acreditavam homens como Renan e Flaubert; e seu caráter não podia ser pressionado pelas ameaças nem pelas seduções da sociedade burguesa. É bem verdade que tinha um caráter dominador, uma personalidade arrogante, anormalmente desconfiada e ciumenta; é bem verdade que era vingativo e demonstrava uma malignidade que nos parece gratuira. Mas, se essas características de Marx nos repelem, devemos lembrar que dificilmente uma pessoa polida e simpática poderia ter realizado a tarefa que ele esta destinado a cumprir: uma tarefa que exigia a fortuidade necessária para repelir ou romper com aqueles vínculos que, por nos envolverem na vida geral da sociedade, limitam a nossa visão e nos desviam de nossos objetivos.


Estou achando muito interessante o livro de Edmundo Wilson; trata-se da história do surgimento do socialismo, desde as idéias de Michelet e a revolução francesa até o desembarque de Lenin na estação Finlândia em 1917 para iniciar os eventos que culminaram na revolução bolchevique.

Wilson centra sua narrativa não nas idéias, mas nos homens que construíram o socialismo, sua influências, os acontecimentos que os marcaram, sua influência. Depois de ler sobre Michelet, Renan, Taine, Fourier, Owen e outros, estou na parte relativa a Marx e Engels. É interessante ter a dimensão humana dos homens que com a força de suas idéias e da escrita conseguiram influenciar a vida de milhões de pessoas no século que se aproximava.

Você começa a colocar o pensamento destes homens dentro de um contexto histórico, compreender suas motivações, tentar penetrar em seus espíritos. O quadro que Wilson pinta de Karl Marx é de um homem totalmente obstinado, resoluto em promover suas idéias, sem fazer concessões. Mais do que isso, queria sair do campo abstrato e influenciar ativamente no destino da humanidade.

Outro ponto interessante é que Marx não era capaz de repetir no plano pessoal a defesa que fazia do ser humano. O trabalhador, o proletário, para ele era uma figura abstrata, um modelo ideal que não encontrava na realidade. Esta teria sido a grande contribuição de Engels, mostrá-lo uma face real para o homem que Marx tanto descrevia. Marx colocou-se como um defensor da humanidade, mas era indiferente ao homem que estava ao seu lado.



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