quinta-feira, maio 29, 2008

Imitação do Amanhecer (I-17)

Vamos atravessando, de surpresa em surpresa,
uma contínua ondulação itinerante,
uma longa cortina fugitiva, mas presa
à movimentação do coração diante

do instantâneo e do eterno; e ao modo do diamante,
um coração, seguindo a própria correnteza,
vai-se abrindo um caminho nesse espelho ondulante,
nesse cristal de fábula em que toda beleza,

de aparição em desaparição, do instante
à eternidade, entre o ideal e a natureza,
perpetua o fugaz e alucina um amante.

É assim que Alexandria, essa estranha bacante
restituindo os olhos a cada Orfeu, refeza
com o real e a poesia: sempre mais adiante...

Bruno Tolentino

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