sábado, maio 10, 2008

Lendo Rumo à Estação Finlândia

Apesar de todo o entusiasmo que Marx manifesta pelo "humano", ele é ou de uma obscuridade e uma caceteação desumanas, ou então de um brilho sobre-humano. Está sempre ou fechado dentro de seu ego próprio, incapaz de manifestar o mínimo de solidariedade que lhe permita conviver com outros seres humanos, ou então abrindo-se numa visão do mundo tão abrangente que, passado por cima dos indivíduos, do mesmo modo como em sua posição anterior não conseguia alcança-los, engloba continentes, classes inteiras, séculos de história.


Marx era um intelectual, de inteligência rara e invejável. O que se torna um perigo quando vem junto com o orgulho e o ego. Nas páginas de Rumo à Estação Finlândia fica claro porque só teve um amigo durante toda sua vida e mesmo assim porque Engels sempre relevou o temperamento do companheiro.

E aqui encontramos aquilo que Marx afirmava ser a única contribuição original ao sistema que veio a ser chamado marxismo (...) a história era uma sucessão de conflitos entre uma classe exploradora e uma classe explorada. Esses conflitos eram resultado dos métodos de produção prevalecentes durante os diversos períodos (...) Fenômenos aparentemente inspirados e independentes como a política, a filosofia e a religião, na verdade surgiam em decorrência dos fenômenos sociais. A luta atual entre exploradores e explorados chegara a um ponto em que os explorados __ os proletários __ foram expropriados de todos os seus direitos humanos e passavam a representar portanto os direitos fundamentais da humanidade, e em que a classe que possuía e controlava a máquina industrial tinha cada vez mais dificuldade em distribuir seus produtos __ de modo que a vitória dos trabalhadores e a derrota dos proprietários, a conquista do controle da máquina pelos trabalhadores, seria o fim da sociedade de classes e libertação do espírito do homem.


Grande parte da filosofia de Marx vinha de um caminho que partiu de Hegel e passou por Vicco, Michelet, Taine, Proudhon e outros. Sua contribuição foi colocar a questão da luta de classes como a expressão da dialética hegeliana e defender explicitamente o extermínio da classe exploradora.

A meu ver a simplificação que faz é demasiada, primeiro por reduzir o mundo à sua expressão econômica, e depois por reduzir a economia à questão industrial. Marx rompeu com a idéia dos primeiros socialistas de que "todos os homens são iguais" e que portanto a luta socialista era por esta igualdade. Segundo ele, havia categorias inteiras de homens que não poderiam ser considerados irmãos e portanto deveriam ser eliminadas.

Este é principal ponto para não conseguir entender como alguém pode ser comunista e cristão ao mesmo tempo. A reforma de Cristo é íntima; se um homem explora outro ele deve se reformar intimamente e, de posse do livre arbítrio, mudar sua conduta. Por mais utópico que possa parecer esta é a essência de sua doutrina, o perdão pelo arrependimento. Causa-me espanto toda vez que eu escuto alguém dizer que o primeiros socialista do mundo foi Jesus. E não estou nem entrando na questão da divindade!

A defesa do extermínio de classes também me parece ser a base de toda semelhança do totalitarismo comunista e do nazista, basta trocar a palavra classe por raça e teremos a mudança da "cor" do estado totalitário.


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