segunda-feira, junho 30, 2008

O Nome da Rosa

Il nome della rosa(1980)
Umberto Eco

Eu não sabia então o que frei Guillherme estava procurando, e para dizer a verdade não o sei ainda hoje, e presumo que nem ele mesmo soubesse, movido que estava pelo desejo único da verdade, e pela suspeita __ que sempre o vi alimentar __ de que a verdade não fosse a que lhe aparecia no momento presente.


O Nome da Rosa é um romance moderno escrito pelo crítico literário italiano Umberto Eco. Não sei se o conflito de idéias é pano de fundo para os crimes do mosteiro ou ao contrário, os crimes são pano de fundo para as discussões filosóficas.

No fim do século XIV, a Igreja Católica já havia a muito consolidado seu poder na Europa. O saber estava confinado nas abadias e mosteiros, onde monges guardavam não só os artigos de fé mas principalmente os livros considerados heréticos.

A filosofia clássica só era dada a conhecer a medida que poderia se mostrar de acordo com a fé cristã, graças ao trabalho de gente como Tomás de Aquino e Agostinho, que mostraram a coincidência de idéias entre Sócrates, Platão e Aristóteles com a Bíblia. Era a escolástica a todo vapor.

Por outro lado, um novo inimigo surgia ameaçador, o progresso científico. Na cabeça de muitos religiosos, a desenvolvimento da técnica científica era uma ameaça a Deus.

Estas concepções, contra o antigo e o novo, são representadas no cego Jorge de Burgos, um homem que se deixou devorar por seus demônios internos. O idealismo a conduzir um homem resoluto e de capacidade de ação leva-o a praticar os atos mais nefastos. O mal sempre é mais poderoso quando praticado por quem acredita estar fazendo o bem.

Guilherme é sua antítese, o religioso que acredita que a filosofia, religião e ciência devem necessariamente convergir na busca incensante da verdade.

Eco carrega sua obra com os ingredientes da época, o conflito de Avignon (onde era a sede da Igreja) com os minoritas, correntes da Igreja com destaque para os Franciscanos, que defendiam a pobreja de Cristo e da própria Igreja; a inquisição que colocava a necessidade de condenar acima do conhecimento da verdade; a luxúria de alguns monges que praticavam o sodomismo e mesmo a troca de comida por prazeres carnais de camponesas; a opulência da Igreja em contraste à pobreza de seu rebanho.

Em certo momento, na discussão final, Guilherme diz a Jorge que ele é o diabo; o cego não entendeu. Gulherme explica:
Sim, mentiram-te. O diabo não é o príncipe da matéria, o diabo é a arrogância do espírito, a fé sem sorriso, a verdade que não é nunca presa de dúvida. O diabo é sombrio porque sabe por onde anda, e andando, vai sempre por onde veio.
Um livro que li em duas épocas diferentes da minha vida, aos 18 e agora aos 33. E li dois livros diferentes mostrando como nossa maturidade, nossa visão do mundo, relaciona-se com nossa capacidade de absorver uma obra literária.

Uma obra inspirada de Umberto Eco, um verdadeiro clássico da literatura moderna.

Sport 1 X 2 Flamengo

Agora sim

Não é fácil derrotar o Sport na Ilha, tanto que faziam 22 jogos que tal feito não acontecia. Ontem o Flamengo fez uma boa partida e venceu porque ousou, porque tentou até o último minuto o gol da vitória. Méritos de Caio Júnior que não satisfeito com o empate colocou o time para frente, trocando um cabeça de área por um atacante e aos 48 minutos da segunda etapa Obina fez seu segundo gol e decretou o resultado final.

Novamente Juan foi decisivo, dando os passes para os dois gols, além da excelente jogada de Kléberson no lance decisivo. Ibson voltou a comandar o time e será uma grande perda para o Flamengo se este for realmente seu último jogo.

A maior preocupação rubro-negra agora é uma possível saída de seu lateral-esquerdo. Juntamente como o gol, são as duas únicas posições que o time não tem reserva em condições de entrar e manter o nível. Das possíveis saídas devido à janela européia é sem dúvidas a que mais preocupa.

No mais o time está bem, lidera com bom aproveitamento mas olha com desconfiança a subida do Palmeiras. Particularmente coloco mais fé no alviverde do que em Cruzeiro e Grêmio. Estes dois possuem bons times, mas creio que falte elenco quando começarem as contusões e suspensões.

domingo, junho 29, 2008

Jogando num pasto

Vou postar agora, no intervalo da partida, para não dizer que foi influência do resultado. Que gramado é esse da Ilha do Retiro? Estamos em 2008, em pleno século XXI, cheio de modernidade, e no entanto um jogo profissional, da primeira divisão do campeonato brasileiro, é disputado nesta vergonha, neste pasto. Já tinha achado o gramado do Impatingão ruim, mas este do Sport é horroroso.

Que vergonha!

sexta-feira, junho 27, 2008

Em defesa do indivíduo

Do blog Liberdade de Pensamento:



Uma das coisas que me incomoda é o constante avanço do estado sobre o individuo. A cada dia vejo mais uma lei sendo votada, mais um passo nesta direção. Infelizmente é uma tendência mundial.

O Brasil decidiu criminalizar o ato de dirigir após ingerir bebida alcoólica. Li o depoimento de uma médica, em defesa da nova lei, dizendo que como é impossível definir para cada pessoa a partir de que momento o álcool altera sua percepção não há outra saída que não seja proibir qualquer quantidade.

Já dirigir muitas vezes após consumir um pouco de álcool. É claro que beber em excesso altera completamente o motorista, mas até um certo nível tem outras coisas que são muito mais perigosas. O sono é um grande exemplo. Quantos acidentes não são provocados por motoristas que apagam no volante? Ou que simplesmente dão um cochilo, uma “piscada” rápida, o suficiente para provocar um grande acidente?

Estes casos não recebem a mesma exposição do álcool, até porque fica difícil demonstrar que o motorista tinha “apagado” ao volante. Li em algum lugar que uma grande parcela dos acidentes de trânsito ocorrem entre o trabalho e o lar; parece que a rotina, o stress, a pressa para chegar em casa são mais perigosos ainda do que o álcool. Vamos proibir que se utilize o carro para fazer o trajeto entre o escritório e a moradia?

O Brasil é seguramente campeão mundial em acidentes de trânsito. Por que? Que tal um estudo sério comparativo sobre o assunto? O que me chama atenção, no país, é um motorista alcoolizado provocar um acidente com vítimas fatais, ser condenado e até hoje ter cumprido apenas uma noite de prisão. Não, este cidadão não está foragido, está na televisão todas as semanas jogando futebol.

Mais um exemplo de como a constituição de 88 protegeu demais os criminosos e colocou em risco as pessoas de bem. Tivessem mais motoristas presos, seguramente teríamos menos mortos na estradas. Sem falar na irresponsabilidade do estado na conservação das rodovias.

Outro ponto interessante é que combinada com as leis sobre drogas, que descriminalizou o consumo de drogas, temos uma situação que afronta o bom senso. Posso dirigir depois de explodir meu nariz de tanto cheirar pó? Pode. E depois de fritar meu cérebro de tanto fumar baseado? Pode. E depois de uma taça de vinho? Deixa de ser irresponsável rapaz, vai acabar matando alguém!

Nesta semana também ganhou destaque uma lei supostamente em defesa dos homossexuais. Claro que uma lei que têm dois petistas na origem não pode ser boa coisa. A constituição já proíbe a discriminação não só de homossexuais, mas de negros, minorias religiosas, etc. A democracia, como sabemos, é a única forma de organização que consegue conviver com minorias e desigualdades.

A nova lei quer estabelecer o que podemos pensar. Estão indo longe demais. O pensamento é o último refúgio de liberdade de um homem, não pode ser tomado pelo estado. Qualquer pessoa tem o direito de ser homossexual. Eu tenho o direito de ter minha opinião a respeito e mesmo expressá-la, respeitados determinados limites. Não posso incitar um grupo a agredir um homossexual, não posso xingá-lo, mas posso sim dizer o que penso. A constituição me garante esse direito.

Não sou fumante, nunca fui. Mas a lei brasileira sobre o fumo passou de todos os limites. Acho um absurdo aquelas fotos no maço de cigarro. Duvido que exista um fumante que não saiba os malefícios do fumo, não vejo razão para ficar informando o que já sabe. E as crianças? A educação das crianças é dever dos pais em um processo em que participa também a escola e a religião. Pais falham? Falham. Mas o estado não falha também?

Quer dizer que se uma pessoa quiser abrir um restaurante só para fumantes não pode? Por que? É uma organização particular abrindo uma relação com particulares, por que o estado tem que se meter no meio? Por que este ímpeto de tratar o fumante como uma espécie de escória da sociedade?

No fundo destas questões está a crença que o indivíduo não consegue pensar por si próprio, que deve ser o tempo todo conduzido pelas mãos invisíveis do estado. Como o estado não existe de maneira concreta, na verdade existem pessoas estabelecendo esses padrões. Burocratas tentando guiar nossas vidas, mostrar o “caminho da salvação” através das leis e padrões que nos são impostos todos os dias.

Todo ser humano deveria ler duas obras básicas: 1984 e Admirável Mundo Novo. Neste último existe um diálogo genial entre um selvagem __ um homem que foi criado fora do mundo perfeito criado na fábula de Huxley __ e o dirigente deste mundo novo. O dirigente mostra que o mundo é perfeito, que todos trabalham sem se queixar, com um papel definido na sociedade. O selvagem retruca que neste mundo não há amor, não há sonhos a se realizar, não há espaço para a individualidade. Seu interlocutor argumenta que estas coisas, amor, religião, família, são fontes de infelicidade, que desejar a volta delas seria desejar ser infeliz. É quando o selvagem diz uma das melhores frases do livro:

__ Pois eu reivindico o direito de ser infeliz!

Estão tentando tirar do homem o livre arbítrio, o direito de fazer suas escolhas e de errar também. Isso me assusta profundamente. Mais uma vez estamos diante da utopia de construir uma sociedade perfeita sobre a Terra, o que nunca acontecerá, não da maneira que os utopistas sociais sonham.

O caminho para tornar a sociedade melhor está no interior de cada um de nós e só será trilhado pelo auto-conhecimento, e não por imposição de supostos “iluminados”.

quinta-feira, junho 26, 2008

George Carlin (1937-2008)


Só agora fiquei sabendo da morte de George Carlin ocorrida esta semana.

É uma grande perda para a comédia. Conheço o trabalho dele dos filmes de Kevin Smith, gostei particularmente de seu papel em "Menina dos Olhos". Seu cardeal de Dogma também é inesquecível.

Sei que é muito pouco conhecido aqui no Brasil, mas estas pequenas amostras de sua arte me conquistaram. Fica aqui uma singela homenagem e uma boa viagem ao outro mundo.

Desacelerando

Estou tentando desacelerar um pouco minha vida. Há tempos tenho notado que minhas 24 horas são insuficientes, um pensamento que é bastante comum nos dias de hoje. De algumas leituras que fiz este ano cheguei a algumas conclusões.

De A Rebelião das Massas entendi uma obviedade que me deixou estupefado. Gasset, ainda na década de 30, deixou claro que o homem nunca na história tivera tantas possibilidades para construir sua vida. Antes, como tinha poucas opções, podia se dedicar intensamente a elas. Agora não, pois existem muitas coisas prazerosas que o homem moderno pode realizar.

É claro que não pode realizar todas e isto causará uma angústia muito grande, pois deverá optar e deixar de realizar muitas coisas que gostaria. Ou então tentar fazer um pouco de tudo, mas as possibilidades são tão grandes que fará tudo mal e ainda sobrará coisas por fazer.

Este dilema tem me acompanhado desde o ano passado.

Outro livro que me fez pensar foi o Evangelho de Tomé que me deu um entendimento novo sobre Deus. Em certo momento o autor fala sobre a prova da existência de Deus, de como seria cobrado em palestras para apresentar uma. Ele diz que a compreensão de Deus está na atenção. Observe com toda atenção possível um pequeno animal ou uma paisagem e você terá a intuição que realmente existe algo divino por trás daquilo. O livro é um imenso convite para que separemos algum tempo de nosso dia para realizar uma atividade, qualquer que seja, com real atenção.

Colocando os dois livros, um de frente para o outro, me pergunto: como é possível realizar algo com atenção com tantas possibilidades que o mundo contemporâneo nos dá? É possível?

Cada vez me convenço mais que temos que reduzir nossas áreas de atuação para poder concentrar mais em poucas coisas. Foi assim que diminui drasticamente meu tempo de televisão, parei de jogar xadrez, deixei a musculação. E ainda tenho mais cortes a realizar, um deles é diminuir meu tempo de internet, coisa que já tenho começado a fazer.

No início do ano, a primeira coisa que fazia quando chegava em casa era ligar o computador. Nesta semana só estou ligando perto da hora de dormir para ler meus e-mails e dar uma rápida olhada no noticiário e escrever alguma coisa no blog.

Estava acordando mais cedo para ler os jornais e escrever no blog. Também cortei essa parte, tem dias que não ligo o computador antes de ir trabalhar. Estou escrevendo hoje porque acordei cedo espontaneamente e não conseguir mais dormir.

Não é fácil desacelerar nos dias de hoje, mas é necessário. Quando vejo os consultórios de terapia lotados, os problemas de stress e até o número de suicídios, não deixo de me perguntar qual a influência desta quantidade gigantesca de possibilidades que o homem de hoje se vê obrigado a escolher? Da falta de atenção que acaba colocando nas tarefas que realiza? Na falta de tempo para refletir e tentar compreender a si mesmo?

Nunca se fez estas perguntas? É bom parar e começar a fazê-las, antes que seja tarde.

terça-feira, junho 24, 2008

O Nome da Rosa

Título Original: Der Name Der Rose
Ano de Lançamento: 1986
Direção: Jean-Jacques Annaud
Sean Connery, Christian Slater , Helmut Qualtinger

Aproveitando que estou lendo, pela segunda vez, o livro de Umberto Eco, assisti com a família este filme de 1986 estrelado por Sean Connery e com Christian Slater em início de carreira.

O legal de ver um filme novamente, depois de tanto tempo, é a diferença de nossa perspectiva. O filme é o mesmo, mas nós não somos mais o que éramos há 20 anos atrás. Percebemos a estória de maneira diferente, os personagens, as paisagens.

Em 1986 eu vi um filme policial que se passava em um mosteiro e um monge que parecia o Sherlock Holmes de batina. Havia também a inquisição, violência, sexualidade.

Em 2008 e vi um filme que retrata o embate filosófico que existia na época. A Igreja estava se consolidando como instituição e depurando das antigas práticas pagãs e filosóficas o que seria parte de seu próprio credo. Este é o cerne dos crimes que aconteceram no mosteiro, a disputa de idéias.

A Igreja pode ser rica no meio de uma multidão de famintos? Podemos rir das coisas divinas? Cristo era pobre? A ciência é um caminho seguro para o verdadeiro conhecimento? A mulher é uma criatura maligna criada por Deus para tentar os homens?

São temas que até hoje se mostram atuais, demonstrando que nunca se chegou a um consenso sobre eles.

Outro ponto interessante é visualizar o enorme esforço que foi feito por monges para preservar a cultura antiga. Livros eram copiados e traduzidos à mão pois na época ainda não existia imprensa. A Igreja Católica, com seus erros, realizou um importante papel ao preservar muito do que se produziu na antiguidade. Seguramente contribuiu para que muito se perdesse também, mas sem estes monges talvez não soubéssemos de muitas coisas que hoje sabemos.

segunda-feira, junho 23, 2008

Ipatinga 1 X 3 Flamengo

Recuperando os pontos perdidos

Não tivesse o Flamengo sido derrotado pelo São Paulo em casa poderia estar comemorando mais a vitória de ontem. De qualquer forma valeu pelos três pontos e a recuperação no campeonato. O importante agora nem é manter a liderança, mas ficar no grupo da frente, em condições de disputar o título na segunda metade do campeonato.

Uma vitória diante do Sport na próxima rodada seria um resultado altamente expressivo, principalmente para conquistar a torcida para as rodadas seguintes no Rio de Janeiro. De qualquer forma, o início é promissor. O Flamengo está no caminho certo.

Um texto para refletir

OBITUÁRIO DO SR. BOM SENSO

Hoje choramos o falecimento de um velho amigo muito querido, o Bom Senso, que esteve em nossa companhia durante muitos anos. Ninguém sabe com certeza qual era a sua idade já que seu registro de nascimento foi perdido há muito tempo nos meandros da burocracia.

Ele será lembrado como alguém que cultuava algumas lições de valor como: saber quando sair da chuva; Deus ajuda a quem cedo madruga; a vida nem sempre é uma festa; e quem sabe a culpa é minha? Bom Senso tinha uma vida simples baseada em fundamentos econômicos sólidos (não gastar mais do que se ganha) e estratégias confiáveis (são os adultos que mandam, não as crianças).

Sua saúde começou a se deteriorar rapidamente quando regulamentos excessivamente autoritários, embora bem intencionados, foram criados. Notícias de que um menino de seis anos fora acusado de assédio sexual por ter beijado uma coleguinha; adolescentes foram suspensos das aulas por usarem líquidos contra o mau hálito após o almoço; e um professor foi despedido por ter repreendido um aluno insubordinado. Tudo isto contribuiu para piorar sua saúde.

Bom Senso perdeu o chão quando pais atacaram professores por fazerem o que eles não tinham feito: disciplinar seus filhos. Piorou mais ainda quando as escolas foram obrigadas a pedir o consentimento dos pais para usar protetores solares ou dar uma Aspirina aos alunos; mas não podiam informá-los quando uma aluna engravidava ou queria abortar.

Bom Senso perdeu a vontade de viver quando as igrejas se tornaram balcões de negócios; e criminosos passaram a receber melhor tratamento que suas vítimas. Sentiu-se agredido quando soube que não poderia mais se defender de um assaltante que invadiu sua casa e que, caso tentasse, o meliante poderia processá-lo por agressão. Bom Senso finalmente desistiu de viver quando uma mulher se queimou por não perceber que o café estava quente demais, entornou um pouco na sua roupa e imediatamente processou o restaurante que teve que pagar a ela uma enorme indenização.

Bom Senso morreu depois de seus pais, Verdade e Confiança; de sua mulher, Discrição; de suas filhas, Responsabilidade e Razão. Sobreviveram a ele seus irmãos adotivos: Eu Conheço Meus Direitos, Eu Quero Já, O Outro é o Culpado e Eu Sou Uma Vítima.

Poucos compareceram ao seu enterro porque só uma minoria percebeu que ele havia morrido. Se você ainda se lembra dele, re-envie esta notícia. Caso contrário junte-se à maioria e nada faça.


© London Times

Tradução: Heitor De Paola no Farol da Democracia.

domingo, junho 22, 2008

Terminal

Terminal (2004)
Diretor: Steven Spielberg
Elenco: Tom Hanks, Catherine Zeta-Jones e Stanley Tucci


Uma comédia bem vinda nos tempos de hoje que trata de alguns temas cada vez mais presentes na vida moderna.

O primeiro destes temas é o conflito entre um homem comum e a burocracia que toma conta de nossas vidas representada por um agente que coloca toda sua vida em sua função e acredita realmente ser a peça mais importante desta imensa engrenagem imaginária. Dramas como o de Viktor estão presentes em todos os cantos do planeta cada vez que uma pessoa encontra-se de posse de um formulário e diante de alguém dizendo que infelizmente nada pode fazer.

Outro tema é a espera e suas angústias existenciais. Enquanto Viktor espera para realizar um sonho que não é seu outras personagens esperam para que o amante deixe a esposa, a promoção venha, o retorno ao seu país, conquistar uma mulher ou simplesmente ver alguém escorregar no chão limpo.

Uma comédia inteligente que tenta mostrar a que ponto uma vida sem propósito pode levar. Amelia representa esta falta de objetivos que a modernidade impões por vezes. Dixon mostra o perigo da pessoa que tem na profissão sua única dimensão existencial. Spielberg escorregou na chantagem barata que ele faz no final do filme. Dixon o tempo todo guiou-se pela lei, caso contrário poderia ter se livrado do "hóspede" indesejado logo de início. Aliás sua luta inteira era essa, assim como seu dilema; queria fazer valer os regulamentos que davam sentido ao seu trabalho e por extensão à sua vida.



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Now playing: The Bravery - Split Me Wide Open
via FoxyTunes

segunda-feira, junho 16, 2008

Na fronteira

Em cada olhar o orgulho que o dever
inspira os homens de alma sincera,
que pacientes zelam em silenciosa espera,
pela segurança de pessoas que não podem ver.

Quem são estes bravos soldados?
Todas as etnias, diversas origens
juntos em sublime mistura de matizes
na coragem de seus ideais sentem-se abrigados,

do isolamento do mundo, das saudades,
que por vezes sentem daqueles que são seus,
mas afastados estão da profusão de maldades,

que pede entrada no coração dos homens,
mas encontram no bravo amazônico
porta fechada, guardadas por sublimes imagens.

Heleno Marques

Filhos

Reportagem na Veja da semana passada tratou de um assunto que me interessa profundamente, a tendência de muitos casais, particularmente bem sucedidos, em não terem filhos.

São muitas as justificativas para esta decisão: a quantidade cada vez maior de mulheres com emprego integral, o desejo por ter uma vida mais livre para viajar, os diversos problemas com os amigos que possuem filhos, o interesse em manter o padrão financeiro.

Todos estes me parecem investidos em maior ou menor grau de um fator em comum, o egoísmo. Uma vez uma amiga me disse que não desejava ter filhos e, com muita honestidade, reconheceu que com isto estava sendo egoísta. De fato penso assim.

Todas as razões estão corretíssimas. Ter filhos significa que a mulher terá limitações sérias para continuar a trabalhar, pelo menos em tempo integral, que viajar quando quiser ficará mais difícil, que haverá problemas diversos com o crescimento da criança e que obviamente cairá o padrão financeiro, afinal o recém nascido levará anos até ser capaz de ter uma renda.

No entanto, um dia nossos pais fizeram justamente este sacrifício para que estivéssemos vivos hoje. Nunca nos pediram nada em troca, nem poderiam. Podemos negar a dar continuidade á vida mesmo sabendo que estamos aqui hoje porque duas pessoas procederam de forma oposta aos nossos interesses atuais? Será que não devemos a nossos pais, á natureza, a Deus, o dever de continuar com nossa espécie?

Se este princípio, de não ter filhos, fosse generalizado teríamos a extinção da humanidade. Argumentam, mas há pessoas que querem ter filhos! Mas é justo deixar para os outros o que considera uma carga, mesmo que esta pessoa assim o deseje?

Analisando sobre a ótica individual, acredito que ter filhos, mesmo que sejam adotados, é da natureza do homem, é parte da razão de existir. Exceto quando este homem se dedica a uma tarefa em pró da humanidade, com intenso sacrifício pessoal, como Francisco de Assis ou Agostinho. Neste caso haveria um motivo para não ter filhos que é obviamente de natureza diversa do egoísmo.

Um casal á uma família? Acredito que não. Não vejo a família sem a existência dos filhos. Eles são o que de mais nobre se constrói em um relacionamento justamente porque representa a abnegação, a dedicação, o sacrifício pessoal para o bem de nossos passageiros que embarcaram na experiência da existência.

Não esto dizendo com isso que ter filho seja um sacrifício, considero a maior bensão que podemos receber. Mas com certeza envolve sacrifícios, pequenos ou grandes, dependendo de nosso plano de vida. Vale a pena? Afinal serão noites insones, apertos no orçamento, doenças, decisões erradas dos filhos, talvez sofrimento. Vale realmente a pena?

Basta um sorriso de um dos meus filhos, um abraço deles, para dizer com todas as letras: vale. Vale cada segundo que fiquei acordado, que fiquei preocupado, que sofri. Vejo em cada criança o maior motivo para tudo que fazemos nesta vida, para que o mundo continue apesar de todas as nossas mazelas. Vejo em cada criança a certeza da existência de Deus.

domingo, junho 15, 2008

Desculpem a ausência

Passei uma semana viajando pela Amazônia, mais precisamente na região da Cabeça do Cachorro. Depois falo mais sobre isso, mas o fato é que não tive como atualizar o blog.

Amanhã voltamos à ativa.

Abraços a todos!

sábado, junho 07, 2008

A cidade do sol


A Thousand Splendid Suns
Khaled Hosseini


O livro trata da saga de duas mulheres no meio de um mundo de intolerância e destruição. O autor retrata o drama das vítimas dos longos anos de guerra civil no Afeganistão, a crueldade do islamismo radical e a tentativa de ter alguma esperança dentro de uma situação de completo caos.

A partir da revolução comunista de 1979, o poder mudou de mãos várias vezes e a natureza dos conflitos também, mas as vítimas permaneceram sempre as mesmas, a população civil do país.

Durante a guerra fria foi um palco da tentativa, bem sucedida, do governo americano em transformar o Afeganistão no Vietnã soviético. Até no pós guerra a situação foi semelhante, enquanto a retirada das tropas dos Estados Unidos deixou um país em guerra civil causando milhares de mortes, o mesmo aconteceu no Afeganistão como a deflagração do conflito entre as diversas facções islâmicas que estiveram juntas na expulsão das tropas comunistas.

A história demonstrou que o pior tipo de conflito é a guerra civil. Marian e Laila sofreram as conseqüências do festival de crueldade que se tornou as ruas de Cabul e procuraram aproveitar as raras boas coisas que tiveram na vida, principalmente a amizade uma da outra. Um livro para meditar sobre a impotência do ser humano comum no meio do caos.

__ Sinto muito __ disse Laila, impressionada por ver que a história de cada afegão é marcada por mortes, perdas e dor. E, mesmo assim, percebe que as pessoas dão um jeito de sobreviver, de seguir em frente. Pensa em sua própria vida e em tudo o que lhe aconteceu, e se surpreende ao se dar conta de que também sobreviveu, que está viva, sentada nesse táxi, ouvindo a história deste homem.

quinta-feira, junho 05, 2008

Lendo The Nicomachean Ethics, Amizade em Aristóteles

And if men are friends, there is no need of justice between them; whereas merely to be just is not enough __ a feeling of friendship also is necessary. Indeed the highest form of justice seems to have an element of friendly feeling in ti.


Aristóteles inicia sua investigação sobre a amizade perguntando: é possível um homem de má índole estabelecer uma amizade? Ou a amizade seria uma característica apenas dos homens bons? Para responder estas indagações, o filósofo estabeleceu sua teoria da divisão da amizade em três níveis.

Amizade de utilidade

É a amizade estabelecida baseada no interesse, em que ambas as partes recebem algum benefício por esta relação. Os amigos não se amam__ aqui Aristóteles usa o termo em seu sentido mais amplo __ mas recebem algo um do outro.

Thus friends whose affection is based on utility do not love each other in themselves, but in so far as some benefit accrues to them from each other.


Assim que o motivo da amizade deixe de existir, a própria amizade se dissolve, pois deixou de ser um meio para se atingir um fim.

Amizade de prazer

Nesta forma de amizade destaca-se o prazer que uma pessoa sente pela companhia do outro. São amigos que gostam de estar juntos porque executam atividades prazerosas para ambos. Quanto termina a atividade eles se afastam e só voltam a se reunir para repetir a experiência.

Tanto na amizade de prazer quanto na de utilidade a amizade é baseada no bem que se faz a si mesmo, ao próprio prazer, e não na outra pessoa.

Aristóteles afirmava que os jovens são mais propensos a terem a amizade de prazer pois guiam suas vidas pela emoção e na busca do prazer para si mesmo. As coisas que os agradam mudam constantemente e portanto suas amizades são bastante voláteis à medida que se cresce. Quando se apaixonam, o amor é guiado pela emoção e pelo prazer, assim seu afeto surge e desaparece com facilidade.

Amizade perfeita

the pefect form of friendship is that between the good, and those who resemble each other in virtue.


A forma perfeita da amizade baseia-se na outra pessoa, em querer o bem ao amigo, mas até que a si mesmo. É baseada na virtude, portanto inerente às boas pessoas. Por isso mesmo é uma forma mais rara de amizade, que deve ser cultivada com muito cuidado.

Se nas duas primeiras formas é possível a amizade entre pessoas de má índole, o mesmo não ocorre nesta última, própria de pessoas boas. É possível uma amizade de utilidade ou prazer entre uma pessoa boa e uma má, mas à medida que a virtude é mais forte ela se torna impossível. Não se consegue uma amizade de utilidade entre uma pessoa realmente boa e um assassino cruel, por exemplo.

Conclusão

Aristóteles estudou estas formas de amizade como distintas, mas ressaltava que a mesma amizade poderia ter componentes das três, prevalecendo ou não uma delas. Desta forma a distinção e a classificação poderia muitas vezes ficar difícil por conter elementos de utilidade, prazer e amor ao próximo.

quarta-feira, junho 04, 2008

Uma resposta de Bento XVI aos que defendem que a Igreja promova justiça social

Na sua primeira encíclica, Deus Caritas Est, Bento XVI analisa o papel da Igreja na sociedade.

Lembra que a atividade de caridade da Igreja começou a receber objeções a partir dos Oitocentos, sobretudo pelo advento do marxismo. Esta teoria defendia que os pobres não deveriam receber caridade, mas justiça.

O papa remete à política o dever de promover a ordem da sociedade e do Estado. Cristo deixou claro a separação entre o que é de César e o que é de Deus, entre o Estado e a Igreja. Não pode o Estado impor uma religião, mas deve garantir a liberdade da mesma e a paz entre os aderentes das diversas religiões. A justiça, como objetivo da política, é uma questão de razão prática.

O papel da religião é purificar a razão pois a sua cegueira ética, derivada da prevalência do interesse e do poder, é um perigo a ser eliminado. Deseja prestar ajuda para que o justo seja reconhecido e realizado. A participação da Igreja é através da formação ética do homem.

A Igreja não pode nem deve tomar nas suas próprias mãos a batalha política para realizar a sociedade mais justa possível. Não pode nem deve colocar-se no lugar do Estado. Mas também não pode nem deve ficar à margem na luta pela justiça. Deve-se inserir-se nela pela via da argumentação racional e deve despertar as forças espirituais, sem as quais a justiça, que sempre requer renúncias também, não poderá afirmar-se nem prosperar. A sociedade justa não pode ser obra da Igreja; deve ser realizada pela política.
É uma mensagem ignorada pelos padres ligados aos movimentos de esquerda que defendem justamente o contrário, que a Igreja participe do movimento revolucionário para instituir um modelo que acreditam ser socialmente mais justo embora tenha produzido o contrário em todos os cantos do mundo.

segunda-feira, junho 02, 2008

Livin' Lovin' Maid

Uma das coisas que mais gosto no Gov't Mule é sua capacidade para covers. Este aqui é de um monstro sagrado do rock, o Led Zeppelin. Curtam!


Acabado


Como diz o Garfield, odeio segunda feira! rsrsss

Hoje foi um daqueles dias em que acabamos realmente acabados. Só penso na minha cama agora, vou desabar. Pior que ainda tenho que imprimir uma via da minha dissertação. Tem coisas que custam a acabar!

Bem, vamos começar logo para acabar mais cedo...

Flamengo 1 x 0 Fluminense

Vitória era obrigação

A vitória caiu literalmente do céu no péssimo jogo de ontem. Deve dar um trabalho danado tentar montar melhores momentos para uma pelada daquelas, chegou a dar raiva. No fim, um penalti e a vitória do rubro-negro. Em um campeonato longo, de pontos corridos, é fundamental vencer mesmo quando se joga mal, e foi o que aconteceu no Maracanã ontem. No fim, valeram os três pontos, a liderança ao lado do Cruzeiro e o melhor início de campeonato desde que começou o sistema atual.

Primeira enquete

Ainda não tinha feito uma enquete no Blog, por isso acabei lançando esta da semana passada com intuito mais de testar mesmo. Eis o resultado:

Com qual desses passatempos você mais se identifica?

Ler um bom livro.... 9 votos (64%)
Assistir um programa de televisão......0
Ir ao cinema.....0
Passar algumas horas na internet..... 3 votos (21%)
Praticar esportes.....1 voto (7%)

Ok. Não foi uma pergunta muito inspirada, mas era só para testar o sistema mesmo.

Greve de ônibus

Greve de ônibus aqui em Brasília, o que quer dizer que não teremos nossa secretária hoje. Ou seja, vou lavar louças e fazer um arroz agora. A esposa vem me "render" mais tarde.

Faz parte.

domingo, junho 01, 2008

Ainda os Aflitos

Continuo horrorizado com o que vi nos Aflitos.

O zagueiro André Luiz estava prestando depoimento e foi encaminhado a um juizado e os acontecimentos continuam. Parece que Bebeto de Freitas também está enrolado na confusão. É claro que ninguém na mídia vai comentar porque se trata de um dos casos politicamente correto, mas todo torcedor sabe qual é o problema. E o problema está na policial que estava ao lado do jogador na hora da confusão.

Vão me chamar de machista, não ligo. Quem me conhece sabe que não tenho nada de machista, muito pelo contrário. Acho as mulheres superiores aos homens em 90% das coisas que fazem. Mas aponto sempre um grande problema, a falta de bom senso quando acham que estão com a razão.

O jogador tinha acabado de ser expulso, ao meu ver injustamente. Isso é indiferente. Saiu esbravejando, o que é normal em jogos de futebol. Um policial mais calejado nem escutaria o que o jogador estava falando. Mas pelo que vi aquela policial resolveu levar a sério as declarações de um jogador de futebol, o que é uma baita falta de sensibilidade.

No todo, acho que faltou muito bom senso, equilíbrio. E o resultado é essa confusão que só faz aumentar. sem nenhum motivo.

Exagero da Polícia de Pernambuco

Foi exagerado. Pelo que vi nos lances mostrados pela TV a polícia fez um papelão em Recife hoje. É claro que um jogador expulso não vai sair feliz da vida, vai esbravejar e xingar meio mundo, isto é mais do que humano. Querer que um jogador seja expulso e ainda agradecer ao árbitro pelo cartão vermelho é um grande absurdo, uma verdadeira comédia de erros.

Preocupa-me o que desejam fazer do jogador de futebol hoje. Querem que tenha um senso moral superior ao povo brasileiro, como se estivéssemos na Suécia, e olhe lá. Lembro de um jogo este ano em que Juan, ao final de uma partida em que o Flamengo foi derrotado por 3 x 0 pelo Botafogo, reclamou da arbitragem. Não xingou o juiz ou algo do gênero, disse que o árbitro tinha influenciado no resultado da partida. Acabou denunciado por um procurador e julgado por um tribunal esportivo. Não há um exagero?

O mesmo vi acontece hoje. Se a Polícia não se metesse o jogador do Botafogo teria saído reclamando do mundo inteiro, mas teria saído. Não se trata aí, de um criminoso, de um bandido. Por que tratá-lo assim?

Acabo de ver um outro exagero. O juiz do Fla X Flu expulsou o jogador do Flamengo por um biquinho no jogador do Fluminense. Nada de outro mundo, o tricolor nem tentou exagerar o lance. Para que isso? Para que tentar transformar jogadores de futebol em santos?

Que me desculpem, mas só vejo muita hipocrisia. O pau está cantando e os juízes só querem aparecer para preservar a "autoridade", como se não a jogassem no lixo a cada carrinho que deixa passar.

Nem vou escrever mais.

Não vale a pena.