segunda-feira, junho 30, 2008

O Nome da Rosa

Il nome della rosa(1980)
Umberto Eco

Eu não sabia então o que frei Guillherme estava procurando, e para dizer a verdade não o sei ainda hoje, e presumo que nem ele mesmo soubesse, movido que estava pelo desejo único da verdade, e pela suspeita __ que sempre o vi alimentar __ de que a verdade não fosse a que lhe aparecia no momento presente.


O Nome da Rosa é um romance moderno escrito pelo crítico literário italiano Umberto Eco. Não sei se o conflito de idéias é pano de fundo para os crimes do mosteiro ou ao contrário, os crimes são pano de fundo para as discussões filosóficas.

No fim do século XIV, a Igreja Católica já havia a muito consolidado seu poder na Europa. O saber estava confinado nas abadias e mosteiros, onde monges guardavam não só os artigos de fé mas principalmente os livros considerados heréticos.

A filosofia clássica só era dada a conhecer a medida que poderia se mostrar de acordo com a fé cristã, graças ao trabalho de gente como Tomás de Aquino e Agostinho, que mostraram a coincidência de idéias entre Sócrates, Platão e Aristóteles com a Bíblia. Era a escolástica a todo vapor.

Por outro lado, um novo inimigo surgia ameaçador, o progresso científico. Na cabeça de muitos religiosos, a desenvolvimento da técnica científica era uma ameaça a Deus.

Estas concepções, contra o antigo e o novo, são representadas no cego Jorge de Burgos, um homem que se deixou devorar por seus demônios internos. O idealismo a conduzir um homem resoluto e de capacidade de ação leva-o a praticar os atos mais nefastos. O mal sempre é mais poderoso quando praticado por quem acredita estar fazendo o bem.

Guilherme é sua antítese, o religioso que acredita que a filosofia, religião e ciência devem necessariamente convergir na busca incensante da verdade.

Eco carrega sua obra com os ingredientes da época, o conflito de Avignon (onde era a sede da Igreja) com os minoritas, correntes da Igreja com destaque para os Franciscanos, que defendiam a pobreja de Cristo e da própria Igreja; a inquisição que colocava a necessidade de condenar acima do conhecimento da verdade; a luxúria de alguns monges que praticavam o sodomismo e mesmo a troca de comida por prazeres carnais de camponesas; a opulência da Igreja em contraste à pobreza de seu rebanho.

Em certo momento, na discussão final, Guilherme diz a Jorge que ele é o diabo; o cego não entendeu. Gulherme explica:
Sim, mentiram-te. O diabo não é o príncipe da matéria, o diabo é a arrogância do espírito, a fé sem sorriso, a verdade que não é nunca presa de dúvida. O diabo é sombrio porque sabe por onde anda, e andando, vai sempre por onde veio.
Um livro que li em duas épocas diferentes da minha vida, aos 18 e agora aos 33. E li dois livros diferentes mostrando como nossa maturidade, nossa visão do mundo, relaciona-se com nossa capacidade de absorver uma obra literária.

Uma obra inspirada de Umberto Eco, um verdadeiro clássico da literatura moderna.

Um comentário:

Lygiaaa disse...

Seu texto está me ajudando no trabalho de Filosia aeaeee \o/
obg! (: