quarta-feira, junho 04, 2008

Uma resposta de Bento XVI aos que defendem que a Igreja promova justiça social

Na sua primeira encíclica, Deus Caritas Est, Bento XVI analisa o papel da Igreja na sociedade.

Lembra que a atividade de caridade da Igreja começou a receber objeções a partir dos Oitocentos, sobretudo pelo advento do marxismo. Esta teoria defendia que os pobres não deveriam receber caridade, mas justiça.

O papa remete à política o dever de promover a ordem da sociedade e do Estado. Cristo deixou claro a separação entre o que é de César e o que é de Deus, entre o Estado e a Igreja. Não pode o Estado impor uma religião, mas deve garantir a liberdade da mesma e a paz entre os aderentes das diversas religiões. A justiça, como objetivo da política, é uma questão de razão prática.

O papel da religião é purificar a razão pois a sua cegueira ética, derivada da prevalência do interesse e do poder, é um perigo a ser eliminado. Deseja prestar ajuda para que o justo seja reconhecido e realizado. A participação da Igreja é através da formação ética do homem.

A Igreja não pode nem deve tomar nas suas próprias mãos a batalha política para realizar a sociedade mais justa possível. Não pode nem deve colocar-se no lugar do Estado. Mas também não pode nem deve ficar à margem na luta pela justiça. Deve-se inserir-se nela pela via da argumentação racional e deve despertar as forças espirituais, sem as quais a justiça, que sempre requer renúncias também, não poderá afirmar-se nem prosperar. A sociedade justa não pode ser obra da Igreja; deve ser realizada pela política.
É uma mensagem ignorada pelos padres ligados aos movimentos de esquerda que defendem justamente o contrário, que a Igreja participe do movimento revolucionário para instituir um modelo que acreditam ser socialmente mais justo embora tenha produzido o contrário em todos os cantos do mundo.

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