quinta-feira, julho 31, 2008

Palmeiras 1 x 0 Flamengo

Ladeira abaixo

Isoladamente seria um resultado normal. Dentro de um contexto mais amplo é extremamente preocupante. O Flamengo paga pela derrota para o Vitória e o penalti perdido contra a Portuguesa. Esses são os pontos precisos que estão fazendo falta.

Domingo não pode nem pensar em deixar de vencer o Cruzeiro.

A crise está cada vez mais presente na Gávea.

terça-feira, julho 29, 2008

De olho em um mac


Com a perspectiva de ganhar alguns dólares na missão do Haiti, e com a moeda americana em baixa, está valendo a pena trazer alguma coisa de tecnologia do exterior. Já tinha a idéia de comprar um notebook novo e comecei a pesquisar um mac.

Depois de alguns dias vendo vídeos no youtube, conversando com minha irmã, lendo alguns sites, fui na FNAC aqui de Brasília ver o equipamento em loco. Gostei muito do que vi e tive a oportunidade de mexer um pouco no Leopard. Achei bem impressionante. Saí da loja com vontade de ter o meu!

O problema é que também fiquei impressionado pelo desktop, principalmente em ter a cpu acoplada á tela LCD, e de 24 polegadas! A dúvida começa a deixar de ser migrar ou não para o mundo mac para qual equipamento comprar.

Ainda tenho um tempo de pesquisa pela frente antes de uma decisão final.

É bom aproveitar.

sexta-feira, julho 25, 2008

A Rainha

The Queen (2006)

Finalmente assisti o filme de Stephen Frears sobre a rainha Elizabeth II e sua reação à morte de Diana. O grande chamariz da película foi a extraordinária atuação de Helen Mirren __ que lhe valeu o Oscar __ no papel da monarca.

É uma virtude que ao mesmo tempo é uma maldição pois de certa forma ofuscou o próprio filme. A Rainha é um filmaço, a atuação de Mirren e outros excelentes atores contribuíram para isso, mas de maneira nenhuma ele se resume a seus intérpretes.

O que Frears mostra com maestria é o drama de uma pessoa, no caso Elizabeth II, que depara-se com algo fora de seu controle e tenta lidar com isso. É um filme mais sobre Elizabeth do que sobre a rainha da Inglaterra; trata-se de um ser humano, com virtudes e defeitos, que tenta cumprir o papel que o destino lhe reservou.

Tony Blair, recém eleito Primeiro Ministro, é o único que consegue enxergar além do papel da monarca e perceber que existe uma mulher a sua frente, de extraordinária força e sentido de dever. Compreende que ela não está em lado oposto ao seu, que não é a inimiga que seu pessoal imagina.

Blair compreende o imenso fardo que Elizabeth carrega, um fardo que em muito supera o que seria seu privilégio de nascimento. Possui um profundo respeito pela Rainha e sofre com a inaptidão dela em entender a relação moderna com a mídia. Faz o possível para fazê-la entender esta importante mudança dos tempos que coloca a todos sobre os olhos implacáveis da sociedade.

Existem algumas cenas marcantes neste filme. Fica até difícil citar todas, a começar pela reverência da esposa do Primeiro Ministro que em um gesto consegue transmitir todo seu desprezo pelo que considera ser um privilégio injusto.

Outra cena importante é quando a rainha fica presa ao atravessar um pequeno riacho e após pedir o socorro, diante de um momento de isolamento do mundo, depara-se consigo mesma e chora. Posteriormente, na visita que faz a um cervo abatido compreende-se que o animal é uma metáfora para o papel que Diana representou em sua vida.

O último diálogo do filme, em que Tony Blair depara-se com uma rainha desanimada e ressentida e mostra o profundo respeito e compreensão que sente por ela estabelecendo uma relação de confiança apesar das idéias muitas vezes opostas, é uma pequena amostra da genialidade do filme.

É um filme que ao expor a pessoa que existe por trás de uma celebridade consegue evidenciar a importância que os símbolos possuem para as instituições e para a sociedade. Elizabeth sabia dessa importância, assim como Blair. Quantos de nós sabemos? Nota 9.

quinta-feira, julho 24, 2008

Mudanças

Andei meio ausente do Blog, mas é que de uma hora para outra entrei em um turbilhão de atividades que alterou meu pequeno universo, com conseqüências para as pessoas mais próximas.

Na semana passada fui surpreendido por um convite para integrar a Missão de Paz no Haiti. Como o processo estava já em movimento, peguei o “bonde andando”. Foi uma sucessão de testes psicológicos, documentos para preecher e um estágio com o módulo básico de palestras estabelecidas pela ONU.

Depois voltarei com mais calma a este assunto. E alguns outros que deixei passar como o filme “A Rainha”.

Estou em Lins para o aniversário de 5 anos do meu sobrinho e afilhado Matheus. Curtindo alguns dias do que seria minhas férias, mas na segunda estou de volta.

Vou aproveitar que todo mundo saiu para cortes de cabelo e tomar um banho. Em casa com muita gente um banho sem fila e pressão é sempre um alívio. He he he.

segunda-feira, julho 21, 2008

Errei

Falei que o Flamengo jogaria com o Palmeiras esta semana. Erro meu. O jogo é contra a Portuguesa. É bom ganhar.

domingo, julho 20, 2008

The Band


Mixwit

Duas derrotas

Pois é, o Flamengo sofreu sua segunda derrota seguida. Se a primeira, contra o Coritiba no Couto Pereira, pode ser chamada de normal, esta diante do Vitória não fazia parte dos planos. A gordura foi toda queimada.

Agora o Flamengo tem um jogo duríssimo em São Paulo contra o Palmeiras e pela primeira vez tem sua liderança realmente ameaçada. No domingo o clássico contro o Botafogo.

Por culpa da Lorena minha chateação não durou muito. Quando ela viu que o Flamengo tinha perdido ela correu para dentro de nosso closet e voltou meia hora depois com um presente para me animar, que reproduzo aqui. Dá para ficar chateado?


Juno (2007)

Neste filme americano-canadense, Jason Reitman e Diablo Cody apresentam a estória de uma adolescente que se descobre grávida. A partir daí fogem de todo o esteriótipo da situação e contam com maestria a saga de Juno e sua gravidez.

Juno é uma adolescente bem resolvida, sem problemas existenciais. Está em paz com sua vida, seu namorado, e descobre que está gravida. Considera que não tem a menor estrutura para criar este filho e, de início, escolhe a solução mais fácil, o aborto.

A clínica não é mostrada na glamorização que se faz no cinema. Não há mulheres compreensivas ali, a atendente trata Juno quase com desdém. O ambiente é horrível e Juno desiste. Resolve partir para uma solução mais difícil, gerar a criança e entregá-la para adoção.

Quando conta para o pai ele não explode. Apesar de surpreso, de imediato dá seu apoio para a filha. É um pai liberal, mas que durante todo o filme se mantém distante da filha. Seu maior apoio vem da madrasta neurótica por cachorros. Se dependesse dela, Juno criaria a criança.

Juno conhece o casal. Simpatiza com o personagem de Jason Bateman. Já Vanessa é uma mulher meio neurótica por organização, um oposto da bagunça adolescente que é Juno. Mas a menina não faz juízo de valor, acredita que serão os pais perfeitos para seu filho. O problema é que sem saber desencadeia em Mark uma crise existencial que o faz perceber que possui sonhos que nunca poderá alcançar, levando-o à separação.

Outro personagem memorável é o namorado Bleeker. Esqueça todos os nerds já visto no cinema, este é marcante. Não é um incompreendido, não é perseguido por colegas valentões, é apenas um rapaz tímido que se comunica com dificuldades. Não possui talento especial e contrariando todo esteriótipo, é um atleta. Um atleta nerd. Isso sim e uma baita novidade.

A maior inversão do filme é o fato de Juno ser de longe a mais sensata no processo todo, tratando com ironia e bom senso as situações que vão sendo criadas. Age assim até o fim. A garota que termina a gravidez esta mais madura, mas essencialmente é a mesma pessoa. Sua vida não sofreu nenhuma reviravolta milagrosa pelo que aconteceu.

É um filme que passa a imagem de que temos que assumir nossas responsabilidades por nossos atos e não tentar fugir delas. Juno fez isso e seguiu em frente. Fez uma escolha individual, sem imposições e foi determinada em seu cumprimento. Trata-se de um filme muito bom feito com honestidade e personagens muito bem desenhados. Mereceu o sucesso que fez.

Nota 8

sábado, julho 19, 2008

Betto, Veríssimo e... Sócrates!?

Minha esposa me chamou a atenção para este texto que recebeu para a internet. Pesquisando rapidamente pela internet percebi que está reproduzido por toda parte. Em geral referem-se ao texto como lindo, espiritualizado, etc.

O problema é que não se pode dissociar o que foi escrito de quem escreveu. Neste caso trata-se de Frei Betto em parceria com Luiz Fernando Veríssimo. Conhecendo um pouco da parceria destes dois as contradições tornam-se evidentes.

O primeiro faz parte de uma excrecência da Igreja Católica que recebeu o nome de Teologia da Libertação. É uma tentativa de comungar duas coisas absolutamente incompatíveis: o cristianismo e o comunismo. Daí surgiram coisas ainda pior como a tal pastoral da terra que incentiva a invasão de terras e outros atos que podem até ser classificados de terroristas.

Luis Fernando Veríssimo, para quem já tive sincera admiração, é um intelectual socialista, se é que isso é possível. Recusou-se a compreender que o comunismo foi um sonoro fracasso e hoje vive a bradar sua fúria contra seus maiores inimigos, o livre mercado e a classe média. Esta a raiz dos males brasileiros. Esse vagabundo disse ano passado que os que apoiavam o movimento Cansei lembravam os que colocavam Hitler no poder. Não gosto de ser chamado de nazista, muito mais por um comunista, algo do mesmo nível.

Com estas lentes vejamos o que escreveu a dupla Betto-Veríssimo. Em vermelho, é lógico. Eu prefiro escrever em azul.

Do mundo virtual ao espiritual

Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais.

Betto acabou de se descrever. Sua luta é justamente pela virtualização dos valores, que também responde pelo nome de relativismo. Quando ele fala de místico virtual, religioso virtual e cidadão virtual está falando de si mesmo. Como pode um religioso dar seu apoio a gente como Fidel Castro e Che? Betto vai mais longe, é amigo íntimo do moribundo cubano, aquele que foi recusado até pelo capeta.


Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: “Qual dos dois modelos produz felicidade?”.

Isso é pura balela de Betto. Seus gurus não são os monges orientais. Vejam que é um "frei" que não fala em Cristo. Não poderia ter dito que existem padres franciscanos serenos e comedidos "em paz em seus mantos cor de açafrão". Betto está tentando usar o fascínio que a cultura oriental causa em muitos para angariar simpatias. Seus verdadeiros gurus são Lenin, Mao, Castro, Marx. A religião é uma arma para fazer chegar sua mensagem. Só. Para ele o modelo que produz felicidade é o cubano.

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: “Não foi à aula?” Ela respondeu: “Não, tenho aula à tarde”. Comemorei: “Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde”. “Não”, retrucou ela, “tenho tanta coisa de manhã…”. “Que tanta coisa?”, perguntei. “Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina”, e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: “Que pena, a Daniela não disse ‘tenho aula de meditação’!”.

Aula de meditação? Uma menina de 10 anos? Essa menina a deveria estar correndo e brincando com os amigos. Talvez Betto se refira às aulas de meditação nos presídios cubanos. Ou na pregação religiosa de Fidel pela televisão. Isso sim ensina a pensar.

Estamos construindo super-homens e supermulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. Por isso, as empresas consideram agora que, mais importante que o QI, é a IE, a Inteligência Emocional. Não adianta ser um superexecutivo se não consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação!

O que os currículos escolares deveriam fazer é trazer de volta a velha cultura geral que se perdeu em função das disciplinas "sociais". Só assim aprenderão a pensar, e por si próprios. Hoje se ensina nas escolas uma ideologia marxista bem vagabunda pois a imensa maioria dos nossos professores são incapazes de entender uma página do que Marx escreveu.

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: “Como estava o defunto?”. “Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!”. Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Uma "progressista" cidade? Que diabos é isso? As livrarias diminuíram no mundo todo. Afinal, em 1960 o livro estava isolado como forma de transmitir conhecimento. Hoje existe a televisão, o e-book, a internet. Além disso os livros são encontrados com facilidades pela internet, até mesmo em sebos virtuais. Existe sim uma fixação com o corpo, mais em adultos na faixa dos 30 anos do que em adolescentes. Isso se deve a inversão de valores que gente como Betto ajudou a construir.

Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela Internet: não se pega AIDS, não há envolvimento emocional, controla-se no mouse. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra!

Amiga íntima? Sim, pode-se fazer sexo virtual pela internet. Ao invés de ir para um prostíbulo tem gente que se contenta com uma webcam, evita alguns desprazeres e é mais seguro. Não pega AIDS. Não entendi direito o que Betto, ou Veríssimo, estão querendo. Envolvimento emocional e AIDS?

Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais.

A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito. Televisão, no Brasil – com raras e honrosas exceções – é um problema: a cada semana que passa temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos. A palavra hoje é ‘entretenimento’; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: “Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!”. O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede, desenvolve de tal maneira o desejo que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

A televisão não é um problema, é uma conseqüência. Conseqüência do desastroso nível educacional do brasileiro. Não foi a televisão que imbecilizou o brasileiro, foi justamente o contrário. O brasileiro imbecilizou a televisão. Baste ter uma tv a cabo, um pouco de cérebro e mudar o canal. Existe muita porcaria sendo produzida lá fora, mas muita coisa boa também. Porcaria se produz para quem deseja porcaria, cultura para quem deseja cultura. O dia que o brasileiro se interessar por cultura poderemos assistir uma encenação de Hamlet em horário nobre na Globo. Hoje preferem ver novelas.

Não é função da publicidade vender felicidade, e sim produtos. Novamente vale o parágrafo anterior, para um povo sem cultura, e que não dá valor a ela, o estímulo visual é muito mais eficaz.

Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los aonde? Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma sugestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque para fora ele não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.

Virar o desejo para dentro? Que diabos é isso? Betto quer que sejamos livres da Globalização, do neoliberalismo e do consumo. Ganha uma bala de coco com a imagem de Lenin quem intuir o que ele está defendendo. Um detalhe, todo bom nazista tinha amizade, auto-estima, elevadíssima por sinal, e ausência de estresse. Desde que os deixassem em paz queimado seus judeus. Querem requisitos indispensáveis para boa saúde mental? Que tal paciência, amor, compreensão, humildade, fé...
Aliás, religioso que não fala em fé me deixa com um cheiro de enxofre...

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade – a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas…

Betto pega um exemplo e generaliza; não se enganem é prática corrente do comunismo. Conheço vários shoppings, em sua maioria seguem a arquitetura mais moderna possível. Roupa de missa? O que sabe Betto de missa? Qual a proposta dele? Sujar o shopping e encher de mendigos e crianças de rua? Perguntem ao pessoal das antigas. Antes se ia nas missas na manhã de domingo e passeava-se nas praças da cidade na parte da tarde. Trocou-se praças por shoppings. Não tem nada de religião nisso.


Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno… Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald’s…

Sim, a sociedade moderna caiu no vício do consumismo. Até certo ponto o consumo faz bem para a sociedade, gera empregos, faz a economia girar. O tão mal falado McDonald's é o maior empregador privado do Brasil, o verdadeiro primeiro emprego. O problema é se entregar ao consumo e deixar de cuidar da própria alma. É possível fazer os dois. Eu sou consumista de livros. Qual o mal?

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: “Estou apenas fazendo um passeio socrático”. Diante de seus olhares espantados, explico: “Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: ‘Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz’”.

Frei Betto citando Sócrates... não podeira realmente morrer sem essa. Sócrates foi uma das maiores almas que surgiu na humanidade e dedicou sua vida a ensinar as pessoas a pensar. Morreu com esta convicção e na defesa de suas idéias. Nunca ensinou a ninguém o que pensar, justamente o que os comunistas, como Betto e Veríssimo, tentam fazer todos os dias.

* Frei Betto é escritor; autor, em parceria com Luis Fernando Veríssimo e outros, de “O desafio ético” (Garamond), entre outros livros.

Ética e Frei Betto? Para mim chega. Melhor ficar por aqui.

sexta-feira, julho 18, 2008

Ao Amor Distante

Por que suas palavras causam-me tanto efeito?
Acertam meu espírito com flechas certeiras,
que deixam-me novamente do escuro à beira
de perder em meus pensamentos meu mundo perfeito.

Como um doente que convulsiona suando em seu leito,
busco me aquietar de todas as maneiras,
mas da paz encontro apenas grãos de areia
e sinto avassaladora esta saudade cravada em meu peito.

Gostaria de vê-la, de encontrar uma forma, um jeito,
mas como presa encontro prisão em uma teia
enquanto busco alargar na vida a rua estreita.

Contava encontrar na virtude o que é direito,
perguntas sem respostas, encontrei, ao amor imensa barreira,
para que possas da paixão que sinto ser a parteira.

Heleno Marques

The Band - Discografia

Music From Big Pink (1968)


A mundo ocidental estava em convulsão social, os movimentos estudantis lideravam o verão da rebeldia e o rock era uma expressão da juventude e sua anarquia. Discos da chamada psicodelia estouravam em todos os lugares, a palavra chave era contestação.

A Banda fugiu completamente a este contexto, mesmo gravando este primeiro álbum em Woodstook e morando lá por uns tempos. Music From Big Pink falava de valores espirituais, de família, da decadência das instituições. Foi em muitos aspectos um disco inovador de uma banda inovadora.

É um disco monstruoso de bom. Da primeira à última faixa. Como não se comover com o grito de sofrimento que é Tears Of Rage? Com a o lamento de Danko em Caledonia Mission? Com Manuel cantando I Shall Be Released em falcete? Com a maravilhosa jornada espiritual de The Weight? Com o cover de Long Black Veil?

Music From Big Pink foi a entrada triunfal de uma banda que marcaria a história do Rock e que deixaria um legado que influenciaria gerações. Nota 10.


The Band (1969)



O segundo album da Banda é fruto da jornada de Robbie Robertson pela interior norte-americano do século XIX. É a visão de um estrangeiro, Robertson é canadense, do momento histórico que alçou os Estados Unidos ao primeiro plano da história mundial.

Robertson focou os dramas de pessoas inexpressivas na conquista do Oeste, na Guerra Civil, nos pequenos acontecimentos. Seus personagens têm nomes, Virgil, Jemina, Little Bessie, dando um tom altamente familiar e de proximidade com os pequenos dramas contados com maestria por Robertson.

E a música... ah, que música! Clássicos absolutos como Up On Cripple Creek, Rag Mama Rag (até hoje Helm não se conforma de não ter sido um hit), When You Awake e a simplesmente linda The Night They Drove Old Dixie Down.

Mais um disco perfeito do início ao fim. Mais um presente destes cinco músicos fantásticos. Nota 10.


Stage Fright (1970)



Nunca um compositor reagiu com tanta crueza aos efeitos da fama como Robertson fez em Stage Fright. É o disco mais pessoal da banda, trata de seus demônios internos e da angústia diante do rápido sucesso.

Particularmente é um retrato da alma de Robertson que contou a estória do nascimento da filha em All La Glory (única letra positiva do album), do seu medo de palco em Stage Fright, do pânico em The Shape I’m In. Os próprios conflitos da banda são narrados em metáforas como The W.S. Walcott Medicine Show e Daniel And The Sacred Harp.

Manuel já enfrentava problemas, estava cada vez mais distante e não conseguia mais compor; Danko penetrava no mundo escuro da heroína; a banda perdia um pouco a coesão mas não o talento.

Strage Fright é um dos álbuns mais sinceros que o rock já produziu até hoje, mais um marco da Banda. Nota 9.


Cahoots (1971)


Depois da jornada de Robertson, Cahoots foi uma pausa, uma alívio de tantas pressões acumuladas. Os temas são mais leves, o cinema foi uma inspiração para algumas músicas.

A banda estava tocando o fino, Dylan contribuiu com uma música (When I Paint My Masterpiece) e Von Morrison fez um dueto com Manuel em 4% Pantomine.

Comparado com os três antecessores foi um disco menor, mais leve, bem menos audacioso. Já não era um trabalho inspirado, mas mesmo assim em alto nível. Nota 8.


Rock Of Ages (1972)



O show de ano novo da Banda em New York é um marco. Um retrato do que era Manuel, Robertson, Hudson, Danko e Helm quando estavam sobre um palco. Uma banda sem vaidades, centrada no som que estavam produzindo, curtindo o que estavam fazendo.

Para este show contaram com uma novidade. Algumas músicas foram acrescidas de uma seção de instrumentos de sopro,com partes especialmente compostas pela lenda de New Orleans Alain Toussaint.

Era um retrado da banda no auge com interpretações inspiradíssimas de seu repertório e alguns covers sensacionais como Don’t Do It. No fim do show, sem qualquer aviso ou propaganda, entra de surpresa Bob Dylan, que andava afastado dos palcos, para um encerramento que culminou com Like a Rolling Stone.

Dizer o que? Que é um dos melhores discos ao vido da história? Tá bom, eu digo. É um dos melhores discos ao vido da história. Nota 10.


Moondog Matinee (1973)



Quanto Robertson começou a pensar no primeiro disco que a banda gravou após a pausa de 1972, descobriu que não estava inspirado para compor. A solução? Um disco de covers.

Assim a Banda fez uma homenagem a suas influências com músicas de Sam Cooke, Chuck Berry, Fats Domino, Toussant e outros. A escolha do repertório fugiu dos hits óbvios e se concentrou em músicas um pouco mais desconhecidas do grande público; uma exceção foi The Gret Pretender, um dos grandes vocais de Richar Manuel.

Gosto particularmente de A Change Is Gonna Come, cantada com paixão por Danko e Holy Cow.

O disco causou alguma decepção pois os fãs aguardavam ansiosos por mais composições de Robertson. De qualquer modo ficou um registro das influências que a banda teve no início de carreira. Nota 8.


Nothern Lights – Southern Cross (1975)



Se Moondog Matinee deixou uma certa frustração pela falta de material inédito da banda, Northern Lights foi uma autêntico retorno e com classe.

Tudo funcionou bem neste trabalho maravilhoso, maduro, destes músicos extraordinários. Desde o primeiro acorde de Forbidden Fruit até o encerramento com Rags & Bones, somos presenteados com uma banda na ponta dos cascos. Robertson até nos presenteou com solos de guitarra que cuidadosamente evitava para não dar destaque demais a seu instrumento em detrimento do equilíbrio das músicas.

São oito faixas inspiradíssimas com destaque para duas composições que entraram direto no Pantheon da banda.

Acadian Drifwood é um retrato do Canadá e uma homenagem de Robertson à sua terra natal. It Makes No Difference é a canção de amor definitiva da banda, com Danko em sua melhor interpretação, bonito solo de Robertson e um sax arrasador de Hudson.

Foi o último grande disco em estúdio da Banda e o início de sua despedida. Nota 10.


Islands (1977)


Trata-se do único disco da banda que não escutei, ainda.

Sei que depois de abandonar os palcos em 1976 a banda tentou seguir o exemplo dos Beatles e continuar gravando discos em estúdio. Não funcionou, pararam neste primeiro.

Equanto não escutá-lo, fica apenas esta observação. Sem Nota.

quarta-feira, julho 16, 2008

Eurico, por que não te calas?

Eurico Miranda condenou a atitude dos presidentes de Flamengo e Vasco em assistir juntos o clássico de domingo passado.

Isso só prova que fizeram bem, não é verdade?

terça-feira, julho 15, 2008

O Lázaro Europeu

Terminei de ler ontem o capítulo 17 de Tempos Modernos, obra do britânico Paul Johnson que analisa os acontecimentos mundiais do século XX.

Trata-se do capítulo que aborda como a Europa conseguiu superar os traumas da II Guerra Mundial e se firmar como centro próspero em um período relativamente curto. Johson credita este "milagre" à atuação de três homens: Adenauer, de Gasperi e de Gaulle. Sobre os dois primeiros comenta:

No fim da guerra, em 1945, Alcide de Gasperi tinha 75 anos e Adenauer, 69. Ambos eram homens das fronteiras, católicos devotos, antinacionalistas, que reverenciavam a família como unidade social, odiavam o Estado (exceto como uma necessidade mínima e lamentável) e acreditavam que a característica mais importante da sociedade organizada era o Estado de direito, que deve refletir a Lei Natural, ou seja, a predominância dos valores absolutos.

Eles se opunham, em resumo, a muitos aspectos que o século XX colocaram em relevo. Falando de De Gaspari, Johnson coloca que ele era imune às duas grandes doenças dos tempos modernos: nacionalismo étnico e crença de que os Estados nele baseados podem ser transformados em utopia. Em 1925 criticava o fascismo que surgia na Itália afirmando que eram a antítese do conceito cristão de Estado, que estabelecia que os direitos naturais da personalidade, família e sociedade estão acima do Estado.

De Gaspari foi responsável pelo fortalecimento do novo Partido Democrático Cristão que derrotando o partido social-democrata e comunista conseguiu formar um governo homogêneo e estabeleceu, por uma geração, um padrão de estabilidade relativa na Itália. Durante os 8 anos que esteve no poder (1945-1953), a Itália alcançou respeitabilidade, entrou na OTAN, ligou-se à Comunidade Européia do Carvão e do Aço (embrião da Comunidade Econômica Européia) e estabeleceu as condições para o desenvolvimento econômico italiano.

O sucesso de de Gaspari facilitou o trabalho de Adenauer na Alemanha. Opositor do nazismo desde seu início, Adenauer não aceitava o totalitarismo como expressão política. Segundo ele:

A antítese verdadeira do Nacional-Socialismo era o individualismo, uma sociedade onde acordos privados teriam prioridade sobre os públicos, onde a família se apresentava como a unidade social preferencial e onde o princípio voluntário era o valor supremo (...) Adenauer acreditava numa sociedade na qual a família, enquanto oposição ao partido político e ao programa ideológico, era o ponto de partida para a reconstrução, a resposta ao mal totalitário.


Adenauer manobrou com eficiência com o grande objetivo de guinar a Alemanha para o mundo democrático ocidental. Federalista convicto, rejeitava planos de uma reunificação alemã que conduzisse a um novo estado forte e centralizado, o nacionalismo alemão não poderia ressurgir. O novo Estado não deveria dominar o indivíduo. A todos era permitido tomar uma iniciativa em todas as facetas da existência. A ética cristã seria a base da comunidade alemã.

O resultado é conhecido. Adenauer ligou o destino da Alemanha com o da França, construiu as bases da Europa Unificada e transformou um país destruído na maior economia européia. De quebra estabeleceu uma constituição equilibrada que transformou o país em uma sólida democracia afastando de vez o fantasma do totalitarismo.

A ligação com a França só foi possível pela ação determinada de outro grande personagem do século XX, Charles de Gaulle.

Depois de ter deixado o poder em 1946, o velho general retornou em 1958 para literalmente colocar ordem na casa e evitar uma tragédia ainda maior na Argélia. Segundo Johnson, a recuperação da França nos anos 60 e 70 é um dos fenômenos mais marcantes dos tempos modernos.

De Gaulle era, antes de tudo, um intelectual. Cercou-se de homens notáveis para conduzir os destinos de seu país. A reconstrução econômica foi confiada à Jean Monnet que acreditava ser os regulamentos destinados a produzir uma competição perfeita e não utopias.

De Gaulle abordava assuntos militares sob idéias filosóficas e políticas. Dizia que a verdadeira escola de comando estava na cultura geral e completava: Por trás das vitórias de Alexandre, encontra-se sempre Aristóteles.

Foram três homens que colocaram seus países na rota do desenvolvimento rejeitando as teorias de fortalecimento do Estado e colocando toda sua fé na força dos indivíduos e da família. Mostram que a ética cristã pode servir de base para um verdadeiro Estado democrático e de Direito, uma lição que o mundo do século XXI quer não só esquecer, mas enterrar.

segunda-feira, julho 14, 2008

Flamengo 3 x 1 Vasco

Vitória Tranqüila

Nem parecia um clássico. O Flamengo não tomou conhecimento da rivalidade e venceu com absoluta tranqüilidade o jogo de ontem. Basta escutar as declarações do pessoal do Vasco para constatar que foi jogo de um time só ontem. A impressão que passou é que se o rubro-negro aumentasse um pouco o ritmo chegaria a uma goleada, tamanha a facilidade.

Na quinta o Flamengo pega o Curitiba e deve buscar a vitória para manter a gordura para seqüências mais difíceis. O ideal é poder fazer com sobras o jogo fora contra o Palmeiras na próxima semana, este sim um dos adversários diretos pelo título.

A saída de Caio Júnior não poderia vir em pior hora. O time está embalado e jogando sem sustos, muito graças ao trabalho do jovem treinador que está conseguindo dar continuidade a um trabalho que já era bom com Joel Santana.

O jeito é torcer para que Caio fique e que esta janela de transferência internacional se feche o mais rápido possível.

domingo, julho 13, 2008

Finalmente!!!!

Demorou mas aconteceu.

Acabei de ver na tribuna do Maracanã uma cena inédita! O presidente do Flamengo assiste ao jogo em companhia do presidente do Vasco. Não importa mais o resultado, é um acontecimento inédito. O futebol brasileiro dá um passo em direção à civilização.

Independente do que aconteça estão de parabéns Márcio Braga e Roberto Dinamite. Deram um SENHOR exemplo hoje.

Tem horas que vale a pena gostar de futebol.

sábado, julho 12, 2008

Tenham santa paciência

Há tempos tenho me irritado com a tentativa, até aqui bem sucedida, de transformar o futebol em uma espécie de escola de normalistas. No fim acabam tirando o graça do espetáculo.

Antigamente gente como Túlio, Renato Gaúcho, e tantos outros, davam entrevistas dizendo que iriam triturar o adversário no próximo jogo. Chegavam a fazer apostas com os adversários! Rendiam estórias deliciosas como a vez que Renato apostou sua cabeleira contra a barba de um adversário. Comentava-se as estrepolias durante toda a semana.

Agora investiram também na bagunça que os jogadores fazem, e sempre fizeram, na vida privada. Estou falando do episódio que três jogadores do Flamengo protagonizaram com garotas de programa em Belo Horizonte.

Se uma delas foi agredida, que a lei trate do caso. Agora jogador ter que pedir desculpas para a torcida, a instituição, o grupo, já é o fim da picada. Onde foi que nos transformamos em vestais que nos horrorizamos com o fato de jovens, após um jogo de futebol, resolverem se divertir com prostitutas? Desculpas ao grupo? Isso me dá nojo.

Fizeram o que fizeram e ninguém tem nada a ver com isso. No caso da agressão, se houve, que a polícia trate do caso como deve ser tratado. Dentro dos rigores da lei e com impessoalidade. Para o bem ou para o mal.

O que não pode agora é querer dar lição de moral para cima deles. Tem jornalista debilóide que já está falando até em crise dentro do Flamengo...

Era só o que faltava. Haja falta de assunto!

sexta-feira, julho 11, 2008

Romeo and Juliet

Não foi sem dificuldades que encarei Romeu e Julieta no original em inglês. Fazia tempo que não lia neste idioma, ainda mais um texto de Shakespeare. Segui um processo, baixei uma tradução no palm; lia o original de noite e no dia seguinte a tradução e depois voltava e lia novamente em inglês.

É uma obra para lá de conhecida e discutida, não tenho muito a acrescentar que não seja minha impressão.

No início foi difícil acompanhar os diálogos de Shakespeare, faltava-me o costume. Depois de algumas páginas a estória começa a fluir e consegui entrar no universo criado pelo autor. É realmente fascinante. Você quase começa a pensar nos moldes dos diálogos.

A lição que Capuleto e Montague recebem pelo ódio que durante a vida semearam um com o outro é dura e mostra o quanto podemos nos perder em nossas inimizades. Em seu primeiro monólogo, o frei Lawrence resume o tema central da tragédia:


"For naught so vile that on the earth doth live,
But to the earth some special good doth give;
Nor aught so good, but strained from that fair use,
Revolts from true birth, stumbling on abuse.
Virtue itself turns vice being misapplied,
And vice sometime's by action dignified."
William Shakespeare

"Pois nada tão vil na Terra habita,que à Terra um bem valioso não ofereça;
Nem nada tão bom, que desviado de seu propósito,
Deixando sua origem verdadeira, não caia no abuso.
A virtude mesmo torna-se vício quando mal aplicada,
E o vício por vezes pela ação torna-se digno."
Do ódio entre Capuleto e Montague nasceu o amor entre Romeu e Juleta, que por sua vez originou mortes e dois suicídios, que transformaram-se no perdão mútuo entre os dois senhores. De algo de ruim brotou algo de bom, primeiro o amor entre dois jovens, depois a conciliação entre dois rivais.

Mostra também um tema que nunca perdeu a atualidade, a falta de compreensão e entendimento do que se passa no coração das pessoas, da falta de diálogo entre pais e filhos. Quantas tragédias não aconteceram pelo isolamento de pais e filhos?

O bardo sabia das coisas.

Adeus mestre!


Um dos meus orgulhos: ter sido aluno deste "monstro"!



Frank Schaeffer fazendo "arte" em Santa Teresa


Domingo, ensolarado, sem estar quente, um belo dia para desfrutar da festa de arte, cultura, beleza da arquitetura e alegria das pessoas nas ruas de Santa Teresa com o "Arte de Portas Abertas", neste fim de semana. Quem nunca foi, vale a pena conferir a festa e fazer um bom exercício físico de caminhada pelas ruas e subidas e descidas de escadarias para acessar alguns ateliês.



Colegas das "Construções&Fortificações", a nota triste do evento, com fitas pretas em cada ateliê, era o falecimento do artista plástico, que expunha suas obras no ateliê 18, Frank Scheaffer - 91 anos, enterrado no sábado, depois de 12 anos de luta contra um câncer festa. Não vi foto, mas creio que fosse o nosso grande mestre de Arquitetura, daquelas ensolaradas sextas à tarde no Instituto, com aquele visual inspirador pelas janelas, e uma vontade enorme de ir para casa curtir o fim de semana.

Morreu trabalhando e fazendo o que gostava!


Pintor, desenhista, professor e engenheiro. Belo Horizonte, MG, 1917. Residindo no Rio de Janeiro desde 1927, Frank Schaeffer formou-se engenheiro em 1943 pela Escola Nacional de Engenharia da antiga Universidade do Brasil (RJ); estudou pintura entre 1933 e 1935 com Arpad Szénes e Wlazek, no Rio de Janeiro. Após obter uma bolsa do governo francês, viaja para Paris, onde aperfeiçoa-se com Fernand Léger e André Lhote. Foi ainda discípulo de Robert Cami (gravura em metal) e de Ducos de La Haille (Pintura mural) na Escola de Belas Artes de Paris.

Viajou por quase toda a Europa sendo que, na Noruega, à convite do Ministério de Relações Exteriores daquele país, realiza exposições e profere palestras sobre as artes no Brasil. Em 1965 ministrou um curso na Escola de Belas Artes do peru, em Lima. Quirino Campofiorito escreveu (1971): "Frank Schaeffer ocupa um lugar todo especial na arte brasileira: sem se filiar a correntes ou tendências, sem pertencer a grupos, ele é respeitado por todos, por sua integridade, sua competência, suas atividades de verdadeiro profissional" .

De pintura essencialmente expressionista, sua temática gira em torno do mar, animais fantásticos e velhas moradias, desenhos de máquinas imaginárias, retratos e murais. O guache é sua técnica preferida e, com a temática praticamente imutável, sofreu variações no estilo, passando das pinturas realistas para as composições abstratas, com tonalidades mais fortes e vibrantes. Diz Walmyr Ayala a seu respeito: "Professor e pintor, Schaeffer tem cumprido sem oscilações o caminho fantástico de sua figuração. Paisagens e cenas do mar, antigas máquinas, hoje transformadas em pássaros enfocados por uma luz, por uma transfiguração de desastre e suspense. Há que aceitar a fábula de Schaeffer, pela integridade de sua inspiração, pela coerência de sua vida. Entre os que ainda se projetam na tela, um dos nossos melhores e mais definitivos" .

Desde 1945, Schaeffer é professor de Desenho Técnico no Instituto Militar de Engenharia, no Rio de Janeiro. Executou um mural de 52 metros quadrados no auditório do Clube de Engenharia daquela cidade e ilustrou os livros Guerra e Paz, de Leon Tolstoi, Contos Russos e São Jorge dos Ilhéus, de Jorge Amado e Antologia Poética, de Augusto Frederico Schmidt, Membro da Comissão Nacional de Belas Artes (de 1960 a 1963) de da Comissão de Arte do Instituto Hailano de Cultura, tem integrado comissões organizadoras e julgadoras de certames artísticos em vários Estados do Brasil. Sua obra Ressaca (1959) pertence ao acervo do museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Expôs, individualmente, no Rio de Janeiro (1950, 1967,1969 e 1973), em Paris (1954), São Paulo (1968) e Belo Horizonte (1972).

Participou das seguintes exposições coletivas no Brasil e no exterior: II Salão do Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul, PA (1940); obtendo Menção Honrosa. Salão Nacional de Belas Artes, RJ. Conquistando Menção Honrosa (1942), Medalha de Prata em desenho (1943) e Medalha de Prata em pintura (1951); Bienal de São Paulo (1951, 1953, 1955, 1959, 1961, 1963, 1965 e 1967); Salão Ferroviário. RJ (1956); Salão do Mar, RJ (1958); I Salão Pan-Americano de Arte, PA (1958); IX Salão de Artes Plásticas do Instituto de Belas Artes, PA (1962); I Bienal Interamericana do México (1958); Arte Moderna no Brasil (1967), Buenos Aires, Rosário, Santiago do Chile e Lima; I Exposição de Artes Plásticas do Hotel Glória, RJ (1967); Mostra de Artes Visuais do estado do Rio de Janeiro, RJ (1973).

quinta-feira, julho 10, 2008

Atlético 1 x 1 Flamengo

O leitor habitual deste blog, se é que existe, deve ter notado que nada falei sobre a vitória do Flamengo diante do Náutico e a abertura de 5 pontos de vantagem no Campeonato Brasileiro.

Lembrei de uma palestra que fui do técnico Bernadinho. Contava ele que quando foi para a Itália treinar uma equipe de volei feminina, sua primeira experiência como treinador, deparou-se com um time muito fraco. Após alguns meses de trabalho, houve um dia em que a equipe estava fazendo tudo certo dentro de quadra e vencendo a partida. Disse que ficou simplesmente sentado e observando, sem dar uma única instrução. Para não quebrar o encanto.

Quer dizer que quebrou-se o encanto ontém, no jogo contra o Atlético? De certa maneira sim, pois o resultado diante do Atlético foi absolutamente normal e o time mostrou que não é imbatível, o galo teve várias chances para vencer o jogo, assim como o próprio Flamengo.

A seqüência de jogos que o time tem pela frente é duríssima. Das 7 próximas partidas, apenas duas são verdadeiramente em casa. Há o jogo contra o Vasco e 4 partidas fora. Se terminar este mês na liderança terá dado um grande passo para o título.

A maior preocupação agora é a permanência de Juan, uma das únicas peças da equipe que não possui substituto e que vem se tornando cada vez mais importante.

Também me preocupa que este nogócio de artilharia tenha subido à cabeça de Marcinho. Ele não passou uma única bola no jogo de ontem, tentando decidir sozinho todas as jogadas de ataque. É bom Caio Júnior ficar de olho.

quarta-feira, julho 09, 2008

Lendo Romeu e Julieta

Oh! é admirável a potente graça que há nas ervas, na flor, na pedra crassa, pois até mesmo o que há de vil na terra algo de bom, influência dela, encerra: nem nada bom existe, que , torcido do uso normal, não se revele infido à própria natureza e nascimento. Até mesmo a alta virtude, num momento, mal aplicada, em vício se transforma, e este, por vezes, ao dever dá a norma.


Este trecho faz parte do monólogo do Frei Lawrence e trata de como o bem e o mal podem, por vezes, andarem próximos. Não estamos imunes à queda, por mais que sejamos virtuosos, pois em um momento podemos transformar a virtude em um vício e alterar nossa percepção das coisas. Por isso vemos pessoas que nos parecem tão superiores, tão bem resolvidas, de uma hora para outra tomar atitudes verdadeiramente espantosas.

Este Shakespeare sabia das coisas.

terça-feira, julho 08, 2008

Tempos Modernos

Bom Senso perdeu o chão quando pais atacaram professores por fazerem o que eles não tinham feito: disciplinar seus filhos. Piorou mais ainda quando as escolas foram obrigadas a pedir o consentimento dos pais para usar protetores solares ou dar uma Aspirina aos alunos; mas não podiam informá-los quando uma aluna engravidava ou queria abortar. (texto completo aqui).
Lembrei deste excelente texto do London Times hoje de manhã ao escutar uma estória que um companheiro de trabalho contou hoje.

Ele foi chamado no colégio do filho. Dias antes o garoto teve sua mochila roubada com carteira, celular e outros pertences. Descobriram que havia sido outro aluno que praticara o furto.

Parece que já desconfiavam do menino e ontem o disciplinador tinha visto que ele tinha um mochila cheia ao seu lado. Perguntou se a mochila era dele, o menino respondeu que não. Abriu e verificou que havia outra mochila dentro desta, justamente a roubada. Percebeu também que a mochila que fora aberta tinha o nome deste menino.

A mãe foi comunicada do que tinha acontecido. Procurou o juizado de menores e denunciou que seu filho havia sido coagido a mostrar o que tinha dentro da sua mochila. Parece que pela lei se o menino se negasse ninguém poderia fazê-lo abrir. Felizmente, para o disciplinador, o menino havia dito inicialmente que a mochila não era dele.

Vejo que a mãe está mais preocupada em usar a lei para garantir o filho na escola do que para entender que ela tem um problema sério nas mãos. Ela pode conseguir na justiça que o filho não seja expulso, mas não conseguirá se livrar de uma verdade, o filho roubou.

Lembrei na hora do texto do London Times. Muitos pais não fazem sua parte e também não aceitam que a escola mantenha um mínimo de disciplina. Acham um absurdo, por exemplo, que um aluno seja expulso por cola, procedimento de qualquer instituição de ensino no mundo desenvolvido.

Cada vez mais não querem ver a realidade, e o resultado está aparecendo cada vez mais rápido.

segunda-feira, julho 07, 2008

Estamos perdendo nossa liberdade

A história mostra que um povo não perde sua liberdade de uma única vez, é um processo lento, imperceptível para a maioria, que culmina em um último ato de fechamento da porteira, geralmente sob aplausos. A segunda trilogia de Guerra nas Estrelas descreveu bem este processo mostrando como o senador Palpatine tornou-se imperador após um longo processo de destruição das instituições da República e descrença na democracia. Quando foi entronado, uma senadora Amidala perplexa balbuciou:

__ Sempre quis saber como se inicia uma ditadura... então é assim... sob aplausos!

Estamos perdendo nossa liberdade no Brasil, bem aos pouquinhos, e sob aplausos.

Vários jornais estamparam manchetes no fim de semana clamando que o número de acidentes de trânsito caiu em virtude da lei seca. Um deles, aqui de Brasília, ainda colocou como lead: lei seca diminui o número de acidentes de trânsito mas bares querem revogá-la. Só pode se uma campanha orquestrada.

Qualquer estatístico sério sabe que não pode se afirmar uma coisa dessas após uma semana de aplicação de uma nova lei, sem relações de correlação bem definidas. Imagino que pode ter havido uma diminuição mas não por causa da lei em si, mas da fiscalização. Por que as polícias aumentaram a fiscalização em virtude na nova lei? A lei anterior podia ser menos rigorosa, mas existia, por que não fiscalizavam antes e agora passaram a montar operações específicas para confiscar carteiras? Qual o interesse?

Noticiaram ontem que 86% dos cariocas e paulistas aprovam a nova lei. Duvido. Há algo de muito podre no que está acontecendo. Até acredito que haja muita gente a favor da lei seca, mas não neste nível. Volto a frisar, não é o consumidor moderado que provoca acidentes de trânsito, mas os que dirigem embriagados; estes a lei anterior já pegava, nada mudou.

Ao mesmo tempo o Ministério da Saúde tenta de todas as formas sufocar a indústria de bebidas através da limitação da propaganda. O mesmo se dá agora com os alimentos, até bolacha recheada virou um perigo a ser evitado. O que deseja Temporão? Uma política leniente com drogas, aborto e relações sexuais nas escolas. Os males são cigarro, cerveja e biscoito. Onde fica o bom senso? Só consigo ver aí o interesse em restringir as verbas de publicidade destas empresas, as maiores financiadoras da imprensa livre no Brasil. O que se pretende é ter a imprensa dependendo do capilé das estatais brasileiras.

Até o judiciário entrou nesta sanha perversa. O TSE está tentando criar a censura prévia no Brasil, o que vai de encontro à própria constituição. A última bobagem é a tentativa de censurar a internet. Pelo que entendi qualquer um que criar uma página de apoio a um determinado candidato no Orkut pode ser penalizado pela justiça eleitoral. E a liberdade de expressão, como fica? O TSE, na prática, considera o eleitor brasileiro um idiota que deve ser protegido, por ela, claro, das mentiras que nossos políticos contam. Se são tão idiotas, por que então são obrigados a votar? Um país curioso em que se pretende dar cidadania, ensinar a votar, através da censura de informações.

Quando vejo estas coisas sinto uma tristeza muito grande. Não vejo como sair desta situação, o círculo é realmente vicioso. A democracia tem seu principal ponto fraco justamente em permitir que seus próprios princípios sejam atacados, como bem perceberam delinqüentes intelectuais como Antônico Gramsci.

Por isso os americanos não foram tão sábios em sua constituição ao vedar, através de cláusulas inegociáveis, que o estado avançasse sobre as liberdades democráticas, base da própria existência do país. Não é a toa que o federalismo é forte por lá, é preciso limitar o poder central para que não caia na tentação de governar mentes e almas.

Enquanto isso, aqui na Banânica, temos uma constituição cujo principal foco foi na proteção dos direitos políticos, principalmente dos políticos. Para enganar a patuléia criou inúmeros artigos, impraticáveis, dando todo tipo de direito ao cidadão comum; direitos que muitas vezes entram em choque uns com os outros. Não importa. Deveres? Isso é coisa de conservador, de direita reacionária.

E assim vamos perdendo nossa liberdade. Sob aplausos.

quinta-feira, julho 03, 2008

Vida de secador

Como bom rubro-negro, estava secando o Fluminense na Libertadores. Nunca fui bom em secar o tricolor e depois das vitórias sobre São Paulo e Boca resolvi mudar de tática. Passei a ignorar o jogo.

Ontem, da mesma forma que no primeiro jogo da final, fui dormir na hora que começava a partida. Acordei às 0:10. Silêncio. O que significava que ou o Fluminense tinha perdido ou que a partida estava na prorrogação. Lutei contra a tentação de ligar a televisão; no meu imaginário se ligasse a TV com a bola rolando veria a vitória do Fluminense.

Tentei dormir novamente, não consegui. Ficava apenas olhando para o relógio e escutando o silêncio lá fora. Bom sinal. Depois das 0:30 sabia que se estivesse acontecendo o jogo, estava nos penaltis. Teve uma hora que julguei ter escutado gritos mas depois voltou o silêncio. Deve ter sido na hora em que Fernando Henrique pegou a penalidade.

Quando deu uma hora no relógio levantei. Lembrei que na semana anterior tinha ficado sabendo do resultado pela internet. Supersticioso, ignorei a televisão e fui para o computador. Só para dar um suspense a conexão demorou para entrar mas estava confiante, o silêncio era meu maior aliado.

Finalmente consegui entrar no uol e li a pequena nota dando conta da vitória nos penaltis da LDU. A partir daí foi só alegria. Liguei a televisão e fiquei curtindo a tristeza tricolor. Despeito de rubro-negro? Inveja?

Não me importa. Só sei que fui dormir com um imenso sorriso nos lábios...