sexta-feira, julho 11, 2008

Adeus mestre!


Um dos meus orgulhos: ter sido aluno deste "monstro"!



Frank Schaeffer fazendo "arte" em Santa Teresa


Domingo, ensolarado, sem estar quente, um belo dia para desfrutar da festa de arte, cultura, beleza da arquitetura e alegria das pessoas nas ruas de Santa Teresa com o "Arte de Portas Abertas", neste fim de semana. Quem nunca foi, vale a pena conferir a festa e fazer um bom exercício físico de caminhada pelas ruas e subidas e descidas de escadarias para acessar alguns ateliês.



Colegas das "Construções&Fortificações", a nota triste do evento, com fitas pretas em cada ateliê, era o falecimento do artista plástico, que expunha suas obras no ateliê 18, Frank Scheaffer - 91 anos, enterrado no sábado, depois de 12 anos de luta contra um câncer festa. Não vi foto, mas creio que fosse o nosso grande mestre de Arquitetura, daquelas ensolaradas sextas à tarde no Instituto, com aquele visual inspirador pelas janelas, e uma vontade enorme de ir para casa curtir o fim de semana.

Morreu trabalhando e fazendo o que gostava!


Pintor, desenhista, professor e engenheiro. Belo Horizonte, MG, 1917. Residindo no Rio de Janeiro desde 1927, Frank Schaeffer formou-se engenheiro em 1943 pela Escola Nacional de Engenharia da antiga Universidade do Brasil (RJ); estudou pintura entre 1933 e 1935 com Arpad Szénes e Wlazek, no Rio de Janeiro. Após obter uma bolsa do governo francês, viaja para Paris, onde aperfeiçoa-se com Fernand Léger e André Lhote. Foi ainda discípulo de Robert Cami (gravura em metal) e de Ducos de La Haille (Pintura mural) na Escola de Belas Artes de Paris.

Viajou por quase toda a Europa sendo que, na Noruega, à convite do Ministério de Relações Exteriores daquele país, realiza exposições e profere palestras sobre as artes no Brasil. Em 1965 ministrou um curso na Escola de Belas Artes do peru, em Lima. Quirino Campofiorito escreveu (1971): "Frank Schaeffer ocupa um lugar todo especial na arte brasileira: sem se filiar a correntes ou tendências, sem pertencer a grupos, ele é respeitado por todos, por sua integridade, sua competência, suas atividades de verdadeiro profissional" .

De pintura essencialmente expressionista, sua temática gira em torno do mar, animais fantásticos e velhas moradias, desenhos de máquinas imaginárias, retratos e murais. O guache é sua técnica preferida e, com a temática praticamente imutável, sofreu variações no estilo, passando das pinturas realistas para as composições abstratas, com tonalidades mais fortes e vibrantes. Diz Walmyr Ayala a seu respeito: "Professor e pintor, Schaeffer tem cumprido sem oscilações o caminho fantástico de sua figuração. Paisagens e cenas do mar, antigas máquinas, hoje transformadas em pássaros enfocados por uma luz, por uma transfiguração de desastre e suspense. Há que aceitar a fábula de Schaeffer, pela integridade de sua inspiração, pela coerência de sua vida. Entre os que ainda se projetam na tela, um dos nossos melhores e mais definitivos" .

Desde 1945, Schaeffer é professor de Desenho Técnico no Instituto Militar de Engenharia, no Rio de Janeiro. Executou um mural de 52 metros quadrados no auditório do Clube de Engenharia daquela cidade e ilustrou os livros Guerra e Paz, de Leon Tolstoi, Contos Russos e São Jorge dos Ilhéus, de Jorge Amado e Antologia Poética, de Augusto Frederico Schmidt, Membro da Comissão Nacional de Belas Artes (de 1960 a 1963) de da Comissão de Arte do Instituto Hailano de Cultura, tem integrado comissões organizadoras e julgadoras de certames artísticos em vários Estados do Brasil. Sua obra Ressaca (1959) pertence ao acervo do museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Expôs, individualmente, no Rio de Janeiro (1950, 1967,1969 e 1973), em Paris (1954), São Paulo (1968) e Belo Horizonte (1972).

Participou das seguintes exposições coletivas no Brasil e no exterior: II Salão do Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul, PA (1940); obtendo Menção Honrosa. Salão Nacional de Belas Artes, RJ. Conquistando Menção Honrosa (1942), Medalha de Prata em desenho (1943) e Medalha de Prata em pintura (1951); Bienal de São Paulo (1951, 1953, 1955, 1959, 1961, 1963, 1965 e 1967); Salão Ferroviário. RJ (1956); Salão do Mar, RJ (1958); I Salão Pan-Americano de Arte, PA (1958); IX Salão de Artes Plásticas do Instituto de Belas Artes, PA (1962); I Bienal Interamericana do México (1958); Arte Moderna no Brasil (1967), Buenos Aires, Rosário, Santiago do Chile e Lima; I Exposição de Artes Plásticas do Hotel Glória, RJ (1967); Mostra de Artes Visuais do estado do Rio de Janeiro, RJ (1973).

Um comentário:

Anônimo disse...

oi!!!!