sexta-feira, julho 18, 2008

The Band - Discografia

Music From Big Pink (1968)


A mundo ocidental estava em convulsão social, os movimentos estudantis lideravam o verão da rebeldia e o rock era uma expressão da juventude e sua anarquia. Discos da chamada psicodelia estouravam em todos os lugares, a palavra chave era contestação.

A Banda fugiu completamente a este contexto, mesmo gravando este primeiro álbum em Woodstook e morando lá por uns tempos. Music From Big Pink falava de valores espirituais, de família, da decadência das instituições. Foi em muitos aspectos um disco inovador de uma banda inovadora.

É um disco monstruoso de bom. Da primeira à última faixa. Como não se comover com o grito de sofrimento que é Tears Of Rage? Com a o lamento de Danko em Caledonia Mission? Com Manuel cantando I Shall Be Released em falcete? Com a maravilhosa jornada espiritual de The Weight? Com o cover de Long Black Veil?

Music From Big Pink foi a entrada triunfal de uma banda que marcaria a história do Rock e que deixaria um legado que influenciaria gerações. Nota 10.


The Band (1969)



O segundo album da Banda é fruto da jornada de Robbie Robertson pela interior norte-americano do século XIX. É a visão de um estrangeiro, Robertson é canadense, do momento histórico que alçou os Estados Unidos ao primeiro plano da história mundial.

Robertson focou os dramas de pessoas inexpressivas na conquista do Oeste, na Guerra Civil, nos pequenos acontecimentos. Seus personagens têm nomes, Virgil, Jemina, Little Bessie, dando um tom altamente familiar e de proximidade com os pequenos dramas contados com maestria por Robertson.

E a música... ah, que música! Clássicos absolutos como Up On Cripple Creek, Rag Mama Rag (até hoje Helm não se conforma de não ter sido um hit), When You Awake e a simplesmente linda The Night They Drove Old Dixie Down.

Mais um disco perfeito do início ao fim. Mais um presente destes cinco músicos fantásticos. Nota 10.


Stage Fright (1970)



Nunca um compositor reagiu com tanta crueza aos efeitos da fama como Robertson fez em Stage Fright. É o disco mais pessoal da banda, trata de seus demônios internos e da angústia diante do rápido sucesso.

Particularmente é um retrato da alma de Robertson que contou a estória do nascimento da filha em All La Glory (única letra positiva do album), do seu medo de palco em Stage Fright, do pânico em The Shape I’m In. Os próprios conflitos da banda são narrados em metáforas como The W.S. Walcott Medicine Show e Daniel And The Sacred Harp.

Manuel já enfrentava problemas, estava cada vez mais distante e não conseguia mais compor; Danko penetrava no mundo escuro da heroína; a banda perdia um pouco a coesão mas não o talento.

Strage Fright é um dos álbuns mais sinceros que o rock já produziu até hoje, mais um marco da Banda. Nota 9.


Cahoots (1971)


Depois da jornada de Robertson, Cahoots foi uma pausa, uma alívio de tantas pressões acumuladas. Os temas são mais leves, o cinema foi uma inspiração para algumas músicas.

A banda estava tocando o fino, Dylan contribuiu com uma música (When I Paint My Masterpiece) e Von Morrison fez um dueto com Manuel em 4% Pantomine.

Comparado com os três antecessores foi um disco menor, mais leve, bem menos audacioso. Já não era um trabalho inspirado, mas mesmo assim em alto nível. Nota 8.


Rock Of Ages (1972)



O show de ano novo da Banda em New York é um marco. Um retrato do que era Manuel, Robertson, Hudson, Danko e Helm quando estavam sobre um palco. Uma banda sem vaidades, centrada no som que estavam produzindo, curtindo o que estavam fazendo.

Para este show contaram com uma novidade. Algumas músicas foram acrescidas de uma seção de instrumentos de sopro,com partes especialmente compostas pela lenda de New Orleans Alain Toussaint.

Era um retrado da banda no auge com interpretações inspiradíssimas de seu repertório e alguns covers sensacionais como Don’t Do It. No fim do show, sem qualquer aviso ou propaganda, entra de surpresa Bob Dylan, que andava afastado dos palcos, para um encerramento que culminou com Like a Rolling Stone.

Dizer o que? Que é um dos melhores discos ao vido da história? Tá bom, eu digo. É um dos melhores discos ao vido da história. Nota 10.


Moondog Matinee (1973)



Quanto Robertson começou a pensar no primeiro disco que a banda gravou após a pausa de 1972, descobriu que não estava inspirado para compor. A solução? Um disco de covers.

Assim a Banda fez uma homenagem a suas influências com músicas de Sam Cooke, Chuck Berry, Fats Domino, Toussant e outros. A escolha do repertório fugiu dos hits óbvios e se concentrou em músicas um pouco mais desconhecidas do grande público; uma exceção foi The Gret Pretender, um dos grandes vocais de Richar Manuel.

Gosto particularmente de A Change Is Gonna Come, cantada com paixão por Danko e Holy Cow.

O disco causou alguma decepção pois os fãs aguardavam ansiosos por mais composições de Robertson. De qualquer modo ficou um registro das influências que a banda teve no início de carreira. Nota 8.


Nothern Lights – Southern Cross (1975)



Se Moondog Matinee deixou uma certa frustração pela falta de material inédito da banda, Northern Lights foi uma autêntico retorno e com classe.

Tudo funcionou bem neste trabalho maravilhoso, maduro, destes músicos extraordinários. Desde o primeiro acorde de Forbidden Fruit até o encerramento com Rags & Bones, somos presenteados com uma banda na ponta dos cascos. Robertson até nos presenteou com solos de guitarra que cuidadosamente evitava para não dar destaque demais a seu instrumento em detrimento do equilíbrio das músicas.

São oito faixas inspiradíssimas com destaque para duas composições que entraram direto no Pantheon da banda.

Acadian Drifwood é um retrato do Canadá e uma homenagem de Robertson à sua terra natal. It Makes No Difference é a canção de amor definitiva da banda, com Danko em sua melhor interpretação, bonito solo de Robertson e um sax arrasador de Hudson.

Foi o último grande disco em estúdio da Banda e o início de sua despedida. Nota 10.


Islands (1977)


Trata-se do único disco da banda que não escutei, ainda.

Sei que depois de abandonar os palcos em 1976 a banda tentou seguir o exemplo dos Beatles e continuar gravando discos em estúdio. Não funcionou, pararam neste primeiro.

Equanto não escutá-lo, fica apenas esta observação. Sem Nota.

Um comentário:

Camilo disse...

Opa. Não escrevi na comunidade do orkut, mas valeu pelo post.

Agora, uma coisa: CORRE pra ouvir Islands. Acho nota 10 com louvor.