domingo, julho 20, 2008

Juno (2007)

Neste filme americano-canadense, Jason Reitman e Diablo Cody apresentam a estória de uma adolescente que se descobre grávida. A partir daí fogem de todo o esteriótipo da situação e contam com maestria a saga de Juno e sua gravidez.

Juno é uma adolescente bem resolvida, sem problemas existenciais. Está em paz com sua vida, seu namorado, e descobre que está gravida. Considera que não tem a menor estrutura para criar este filho e, de início, escolhe a solução mais fácil, o aborto.

A clínica não é mostrada na glamorização que se faz no cinema. Não há mulheres compreensivas ali, a atendente trata Juno quase com desdém. O ambiente é horrível e Juno desiste. Resolve partir para uma solução mais difícil, gerar a criança e entregá-la para adoção.

Quando conta para o pai ele não explode. Apesar de surpreso, de imediato dá seu apoio para a filha. É um pai liberal, mas que durante todo o filme se mantém distante da filha. Seu maior apoio vem da madrasta neurótica por cachorros. Se dependesse dela, Juno criaria a criança.

Juno conhece o casal. Simpatiza com o personagem de Jason Bateman. Já Vanessa é uma mulher meio neurótica por organização, um oposto da bagunça adolescente que é Juno. Mas a menina não faz juízo de valor, acredita que serão os pais perfeitos para seu filho. O problema é que sem saber desencadeia em Mark uma crise existencial que o faz perceber que possui sonhos que nunca poderá alcançar, levando-o à separação.

Outro personagem memorável é o namorado Bleeker. Esqueça todos os nerds já visto no cinema, este é marcante. Não é um incompreendido, não é perseguido por colegas valentões, é apenas um rapaz tímido que se comunica com dificuldades. Não possui talento especial e contrariando todo esteriótipo, é um atleta. Um atleta nerd. Isso sim e uma baita novidade.

A maior inversão do filme é o fato de Juno ser de longe a mais sensata no processo todo, tratando com ironia e bom senso as situações que vão sendo criadas. Age assim até o fim. A garota que termina a gravidez esta mais madura, mas essencialmente é a mesma pessoa. Sua vida não sofreu nenhuma reviravolta milagrosa pelo que aconteceu.

É um filme que passa a imagem de que temos que assumir nossas responsabilidades por nossos atos e não tentar fugir delas. Juno fez isso e seguiu em frente. Fez uma escolha individual, sem imposições e foi determinada em seu cumprimento. Trata-se de um filme muito bom feito com honestidade e personagens muito bem desenhados. Mereceu o sucesso que fez.

Nota 8

3 comentários:

guerson disse...

No início eu até achei legal, principalmente a atuação da menina. Mas depois parei pra pensar e vi que o filme simplifica demais questões muito complexas e outras trata de forma estereotipada.

Algumas críticas interessantes aqui:
http://sindromedeestocolmo.com/archives/2008/04/juno_pro_life_g.html/

Marcos Guerson Jr disse...

Não quis entrar na questão da escolha que a menina do filme fez em levar adiante a gravidez. Encarei o filme sob a perspectiva da forma como Juno encarou os meses até o nascimento de seu filho. Um bebê indesejado mas que resolveu tratar da melhor forma que encontrou.

Discordo de dizer que trata as coisas de forma estereotipada, achei justamente o contrário. Nada é estereotipo aqui.

Sobre a crítica que me enviou, discordo ainda mais dela. Quer dizer que o filme deveria tomar uma posição neutra e dar espaços iguais para a menina pró-aborto e pró-vida. É um filme! Não é campanha de esclarecimento! É só um filme tocar, nem que seja de leve, nos dogmas liberais para que venha este tipo de crítica. Por isso não vemos com freqüência no cinema um homossexual mal caráter, um casamento gay que acabe em fracasso, uma discussão de um negro com um branco que o segundo tenha razão e por aí vai. Vejo esteriótipos em filmes por todos os lados, em geral defendendo as teses liberais. Nem por isso julgo a qualidade de um filme por causa disso.

Por isso não entrei no mérito da decisão de Juno e sim das conseqüências. Agora dizer que o filme é um propaganda pró-vida é o mesmo que dizer que Juno deveria ter feito o aborto. Aí sim, o filme seria "neutro".

Sobre simplificar questões complexas, o filme é uma comédia e não um drama. Não tinha porque ficar entrando a fundo nas diversas questões abordadas. Aliás, achei interessante que os criadores tenham deixado apenas a superfície à mostra e deixado para nós a oportunidade de imaginar o resto.

Anônimo disse...

Maisa Medeiros..

Confesso que o Marcos adora jogos olímpicos ainda mais quando se fala de Brasil e Economia ele entende mesmo...