sexta-feira, julho 25, 2008

A Rainha

The Queen (2006)

Finalmente assisti o filme de Stephen Frears sobre a rainha Elizabeth II e sua reação à morte de Diana. O grande chamariz da película foi a extraordinária atuação de Helen Mirren __ que lhe valeu o Oscar __ no papel da monarca.

É uma virtude que ao mesmo tempo é uma maldição pois de certa forma ofuscou o próprio filme. A Rainha é um filmaço, a atuação de Mirren e outros excelentes atores contribuíram para isso, mas de maneira nenhuma ele se resume a seus intérpretes.

O que Frears mostra com maestria é o drama de uma pessoa, no caso Elizabeth II, que depara-se com algo fora de seu controle e tenta lidar com isso. É um filme mais sobre Elizabeth do que sobre a rainha da Inglaterra; trata-se de um ser humano, com virtudes e defeitos, que tenta cumprir o papel que o destino lhe reservou.

Tony Blair, recém eleito Primeiro Ministro, é o único que consegue enxergar além do papel da monarca e perceber que existe uma mulher a sua frente, de extraordinária força e sentido de dever. Compreende que ela não está em lado oposto ao seu, que não é a inimiga que seu pessoal imagina.

Blair compreende o imenso fardo que Elizabeth carrega, um fardo que em muito supera o que seria seu privilégio de nascimento. Possui um profundo respeito pela Rainha e sofre com a inaptidão dela em entender a relação moderna com a mídia. Faz o possível para fazê-la entender esta importante mudança dos tempos que coloca a todos sobre os olhos implacáveis da sociedade.

Existem algumas cenas marcantes neste filme. Fica até difícil citar todas, a começar pela reverência da esposa do Primeiro Ministro que em um gesto consegue transmitir todo seu desprezo pelo que considera ser um privilégio injusto.

Outra cena importante é quando a rainha fica presa ao atravessar um pequeno riacho e após pedir o socorro, diante de um momento de isolamento do mundo, depara-se consigo mesma e chora. Posteriormente, na visita que faz a um cervo abatido compreende-se que o animal é uma metáfora para o papel que Diana representou em sua vida.

O último diálogo do filme, em que Tony Blair depara-se com uma rainha desanimada e ressentida e mostra o profundo respeito e compreensão que sente por ela estabelecendo uma relação de confiança apesar das idéias muitas vezes opostas, é uma pequena amostra da genialidade do filme.

É um filme que ao expor a pessoa que existe por trás de uma celebridade consegue evidenciar a importância que os símbolos possuem para as instituições e para a sociedade. Elizabeth sabia dessa importância, assim como Blair. Quantos de nós sabemos? Nota 9.

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