domingo, agosto 31, 2008

Brinquedo novo

Agora sou um mac... rsrsss. Compramos ontem o novo brinquedo da casa, um imac. Depois de 15 anos de windows achei que era hora de experimentar uma variação e conhecer um outro sistema operacional; por hora estou gostando, ainda tem muito para ver.





quinta-feira, agosto 28, 2008

Ética e contos de fada

Já expliquei que os contos de fadas sedimentam em mim duas convicções: primeiro, de que o mundo é um lugar fantástico e surpreendente; segundo, de que diante dessa loucura e prazer nós deveríamos ser modestos e submeter-nos às estranhas limitações de uma bondade tão estranha.


Chesternton defendia que uma fonte valiosa para a ética seria justamente os contos de fadas. Por serem uma criação coletiva que sobrevivia ao passar do tempo, teria mais valor em termos de sabedoria do que os imensos tratados de homens isolados.

Nos contos de fadas o mundo é descrito como algo maravilhoso, o que corresponde à realidade. No entanto, este mundo possui limites, muitas vezes inexplicáveis, que precisamos nos ater a fim de evitar destruí-lo.

Em Cinderela, por exemplo, a jovem recebe de uma fada madrinha cavalos, roupas, carruagem; recebe também uma advertência, deveria retornar até a meia noite. Cinderela não pergunto por que, nem a Fada acha necessário explicar. Quantas vezes presenciamos esta cena em nossas vidas? O benefício vem com um alerta, um limite.

Outro exemplo é o sapatinho de cristal. Na verdade o cristal em si. Quantas vezes nos deparamos com o cristal em contos de fadas? Sapatinhos, castelos, palácios. O cristal é um objeto de grande duração, capazes de atravessar séculos, desde que não seja mexido pois é facilmente quebrável. Quantas vezes nos deparamos com situações maravilhosas mas sabemos que não podemos cair na tentação de experimentar seus limites? Que a mágica poderá ser desfeita em um simples gesto impensado?

A bela adormecida recebe quando nasce várias dádivas, assim como nós; recebe também a certeza da morte. Em a Bela e a Fera aprendemos que devemos amar antes que o objeto de nosso amor se torne amável.

Os contos de fadas nos aproximam da mágica da existência e ao percebemos sua criação passamos a entender que existe um criador. Não podemos explicar o mundo, mas devemos reverência a ele. Compreendendo que a mágica possui um sentido, compreendemos que deve existir alguém que lhe dê origem.

Os contos de fadas nos ensinam limites. Nossa vida está recheada deles e é justamente as pessoas que não aceitam estes limites que pavimentam o seu caminho para a infelicidade. Acredito que seja isso que Chesterton tenha tentado dizer e concordo inteiramente com ele. Não acredito em ética dissociada da idéia da divindade, é isso que tento ensinar aos meus filhos. Descobri que existe um motivo para gostar tanto dos contos de fadas; é bom refletir seriamente sobre todos eles.

terça-feira, agosto 26, 2008

A volta do Todo Poderoso

Evan Almighty (2007)

Esqueçam aquele besteirol fácil protagonizado por Jim Carrey, A Volta do Todo Poderoso é um filme que vai além da comédia e nos convida à reflexão.

Evan, vivido por Steve Carell, é um congressista recém eleito que sonha em mudar o mundo. O problema é que está sempre adiando esta mudança para o dia seguinte, como acontece com a maioria de nós. Trabalha demais e relega a família ao segundo plano.

Deus em pessoa aparece para Evan e o incube de uma insólita missão: construir uma arca. Despido de fé ele tenta resistir ao chamado mas logo é convencido que não há outra maneira. Deus não explica a razão, apenas aponta o caminho. Trata-se de uma das naturezas da revelação divina, a fé sem razão. Não precisamos de explicações para atender um chamado que sentimos ser importante.

Se no início o personagem tem que ser convencido, depois passa realmente a acreditar ; é considerado um louco por todos e até mesmo por sua família.

Sua esposa conversa com Morgan Freeman (Deus) que a faz cair em si. Quando ela pediu que sua família se unisse Deus não deu a ela uma família unida, mas a oportunidade de unir sua família, justamente através da construção da arca.

A maior reflexão que tirei deste filme foi justamente a importância da fé, mesmo que desafiando a razão. Outra reflexão importante é considerar que para mudar o mundo muitas vezes precisamos de pequenos gestos, por menores que sejam. As oportunidades estão ao nosso alcance, basta que aproveitemos.

Uma comédia inteligente e instigante. Nota 8,5.

Quote:

God: Let me ask you something. If someone prays for patience, you think God gives them patience? Or does he give them the opportunity to be patient? If he prayed for courage, does God give him courage, or does he give him opportunities to be courageous? If someone prayed for the family to be closer, do you think God zaps them with warm fuzzy feelings, or does he give them opportunities to love each other?

segunda-feira, agosto 25, 2008

O Maníaco

O Maníaco é o título do segundo capítulo do livro que estou lendo, Ortodoxia de Chesterton.

O capítulo começa com um ponto de vista interessante, subvertendo um pouco o senso comum. Chesterton faz referência a um conhecido que diante de alguém pronunciara aquela declaração tão comum no mundo de hoje: "Aquele homem vai progredir, ele acredita em si mesmo."

Chesterton contestou seu interlocutor com uma observação espirituosa mostrando um lugar onde haviam muitas pessoas que acreditavam em si mesmas, o hospício. Aliás, estavam lá justamente por acreditarem em si mesmas.

O pensador trata do que chama de insanidade, que segundo ele era um estado que não era conduzido pela imaginação. Ao contrário, era o excesso de razão que conduzia o homem à loucura. Cita Dryden que disse: "Grandes inteligências muitas vezes são aliadas íntimas da loucura".

Defendo com vigor o homem comum afirmando que são essas que possuem a vida mais instigante, justamente porque são capazes de se chocarem com as esquisitices do mundo. "O homem feliz é o que faz coisas inúteis; o homem doente não dispõe de força suficiente para ficar sem fazer nada".

Para Chesterton a obcessão de alguns em querer analisar tudo sob a ótica da razão levaria à loucura que para ele não seria a perda da razão, seria a perda de tudo exceto a razão.

O mistério seria uma necessidade do ser humano. O homem precisa da fé para ampliar seu próprio entendimento do mundo; aceita-se um mistério e tudo mais se torna racional. Quando se recusa a acreditar neste mistério tudo mais se torna despido de razão.

Só de ler este primeiro capítulo já pressinto que este livro se transformará num daqueles de cabeceira. Normalmente acerto nesses pressentimentos.

Diferença entre vitória e derrota

Vitória

Quando César Cielo saiu da piscina após o bronze na prova dos 100 metros, declarou diante de Marcos Uchôa que perguntou: "e agora?". "Agora vou ganhas os 50".

Este foi o tom do discurso do nadador brasileiro. Entrou para ganhar sua prova porque queria vencer e mostrou-se o mais determinado na piscina alcançando seu objetivo. Seu discurso após o triunfo fugiu do ufanismo nacionalista de muitos atletas brasileiros; em nenhum momento usou a expressão "povo brasileiro" e declarou sem a menor vergonha: "eu sou campeão olímpico!".

Para vencer procurou os melhores. Deixou o Brasil e passou três anos treinando duro nos Estados Unidos, fez os sacrifícios que achou necessário e dedicou-se ao seu sonho. O Brasil não teve nada a ver com isso. Procurava a satisfação pessoal, o triunfo de sua própria individualidade.

Derrota

Como torcedor fiquei frustrado quando Diego Hipólito caiu de joelhos no chão em sua última acrobacia. Era o fim do sonho da medalha de ouro, um sonho palpável pois era o favorito.. Só após a prova fui compreender que talvez não merecesse o ouro. Chorando, pediu desculpas ao povo brasileiro.

Desculpas por que? O que ele deve a esta massa ignorante que não se interessa por esportes olímpicos? Que só reune-se eventualmente quando percebe que existe chance de um triunfo brasileiro, buscando no esporte um consolo de suas próprias mazelas. Não vê graça quando a competição envolve apenas brasileiros ou apenas estrangeiros. No fundo quer uma pequena reparação para seu próprio complexo de inferioridade.

Este quadro que descrevo é de minha própria pessoa. Continuo a torcer pelos brasileiros porque goste de competições esportivas, gosto de ver o triunfo do ser humano. Não me deixo mais levar por este espírito ufanista rasteiro, não acho que atletas devam defender suas pátrias, devem defender seus próprios sonhos.

Diego não falhou com o povo brasileiro, falhou consigo mesmo e não há vergonha nisso; afinal, somos humanos.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Bola fora do COI

Página da Uol:

O Comitê Olímpico Internacional (COI) vetou a utilização de faixas negras por parte de três atletas espanholas que competiram na marcha atlética de 20 Km, nesta quinta-feira. O luto tinha como objetivo homenagear as vítimas de um acidente aéreo em Barajas, na Espanha.

terça-feira, agosto 19, 2008

Diferença entre vitória e derrota

Vitória

Quando César Cielo saiu da piscina após o bronze na prova dos 100 metros, declarou diante de Marcos Uchôa que perguntou "e agora?", "Agora vou ganhas os 50".

Este foi o tom do discurso do nadador brasileiro. Entrou para ganhar sua prova porque queria vencer e mostrou-se o mais deteminado na piscina. Seu discurso após o triunfo fugiu do ufanismo nacionalista de muitos atletas brasileiros; em nenhum momento usou a expressão "povo brasileiro", ao invés declarou sem a menor vergonha: "eu sou campeão olímpico!".

Para vencer procurou os melhores. Deixou o Brasil e passou três anos treinando duro nos Estados Unidos, fez os sacrifícios que achou necessário e dedicou-se ao seu sonho. O Brasil não teve nada a ver com isso. Procurava a satisfação pessoal, o triunfo de sua própria individualidade.


Derrota

Como torcedor fiquei frustrado quando Diego Hipólito caiu de joelhos no chão em sua últim acrobacia. Era o fim do sonho da medalha de ouro, um sonho paupável pois era o favorito da prova. Só após a prova fui compreender que talvez não merecesse o outro. Chorando, pediu desculpas ao povo brasileiro.

Desculpas por que? O que ele deve a esta massa ignorante que não se interessa por esportes olímpicos? Que só reuni-se eventualmente quando percebe que existe chances de um triunfo brasileiro, buscando no esporte um consolo para suas próprias mazelas. Não ve graça quando a competição envolve apenas brasileiros ou apenas estrangeiros; no fundo quer uma pequena reparação para seu próprio complexo de inferioridade.

Este quadro que descrevo é de minha própria pessoa. Continuo a torcer pelos brasileiros porque gosto de competições esportivas, gosto de ver o triunfo do ser humano. Não me deixo mais levar por este espírito ufanista rasteiro, não acho que atletas devam defender suas pátrias, devem defender seus próprios sonhos.

Diego não falhou com o povo brasileiro, falhou consigo mesmo e não há vergonha nisso. Quem deseja vencer deve estar pronto para a derrota, é do jogo.

Fiasco Olímpico

Independente do que aconteça, o Brasil já deixou a sensação de um enorme fiasco nos Jogos Olímpicos. Seus favoritos falharam miseravelmente pelos mais variados motivos. Nossos três judocas campeões mundiais não chegaram nem nas semi. Nosso campeão mundial de ginástica caiu de joelhos na hora de decidir. Até mesmo Scheidt está longe de conseguir seu terceiro ouro olímpico. Ainda poderão vir medalhas douradas graças ao voleibol e as meninas do futebol, mas de resto sobrou muito pouca coisa para comemorar.

Depois da euforia de Atlanta, em que conquistávamos quase uma medalha por dia, chegamos a constatação que mesmo com um aumento razoável de patrocínio oficial continuamos sendo um fracasso olímpico.

Coerente com os caminhos que o Brasil tomou como civilização. O desempenho esportivo do Brasil está de acordo com suas próprias escolhas e de sua trajetória. O pior é que estamos piorando a cada dia.

domingo, agosto 17, 2008

Vou ali

Esta semana estarei fora; vou logo ali, no Haiti. Postarei como puder mas não garanto nada. O Blog terá férias do próprio blogueiro! rsrss

sábado, agosto 16, 2008

Não Somos Racistas

Uma Reação aos que querem nos transformar numa nação bicolor Ali Kamel (2006)

Ali Kamel é jornalista formado em sociologia e editor chefe do maior telejornal brasileiro, o Jornal Nacional. Indo além do "isentismo", uma mal que assola e destrói o jornalismo brasileiro, Kamel mostra que é possível ser jornalista e mesmo assim ter idéias próprias ao defender com coragem esta posição contra ruidosos grupos organizados prontos a demonizar qualquer um que diga que o Brasil não é racista.

Foi um movimento lento. Surgiu na Academia, entre alguns sociólogos na década de 1950 e, aos poucos, foi ganhando corpo até se tornar política oficial de governo. Mergulhado no trabalho jornalístico diário, quando me dei conta do fenômeno levei um susto. Mais uma vez tive a prova de que os grandes estragos começavam assim: no início, não se dá atenção, acreditando-se que as convicções em contrário são tão grandes e arraigadas que o mal não progredirá. Quando acordamos, leva-se o susto. Eu levei. E, imagino, muitos brasileiros devem também ter se assustado: quer dizer então que somos um povo racista?


Kamel deixa bem claro que não nega que exista racismo no Brasil, existe em todos os povos da humanidade. No entanto, esse racismo é uma falha de caráter de indivíduos, uma minoria. O racismo não é um traço dominante na sociedade brasileiro, nem poderia ser pois trata-se de um dos povos mais miscigenados do planeta.

Contesta todos os dados estatísticos mostrados usualmente para tentar mostrar um Brasil racista com o argumento que o modelo brasileiro, principalmente na educação, preserva as desigualdades sociais. Em outros termos, quem é pobre possui grande probabilidade de continuar assim. Quando ocorreu a abolição da escravatura os negros constituíam a camada mais pobre da população, o subdesenvolvimento brasileiro preservou a situação da maioria deles. A sociedade não impôs restrições à ascensão social por serem negros e sim por serem pobres.

Esse é o verdadeiro preconceito brasileiro, contra os pobres. Os brancos pobres também sofrem igualmente, os números mostram que existem 19 milhões nesta situação. É justamente estre preconceito, contra a pobreza, que por vezes é confundido com racismo por realmente atingir uma grande quantidade de negros.

Kamel lembra que geneticamente existe o consenso de que raças não existem. A diferença entre negros, brancos e pardos está em uma insignificante carga genética responsável apenas pela cor da pele e algumas características físicas. Geneticamente um negro A e um branco B podem estar mais próximos do que um negro A e um negro C (ou um branco B e um branco D). Não existem doenças de negros ou de brancos, ou alguma dificuldade cognitivo em nenhuma das cores. Não somos cachorros para sermos divididos em raças.

O autor mostra como o resultado das estatísticas oficiais são manipuladas para tentar se provar a tese do racismo brasileiro com a utilização dos números dos pardos para reforçar os negros na hora de caracterizar o fenômeno mas a sua exclusão na hora dos benefícios. Esta aí a grande denúncia de Kamel, estão tentando transformar o Brasil em uma nação bicolor onde quem não é branco é essencialmente negro, seja ele pardo, amarelo ou indígena.

Nosso mesticismo, tão bem retratado por Gilberto Freyre foi substituído por idéias de sociólogos brasileiros de opressão do negro pelo branco, destacando-se os trabalhos de Fernando Henrique Cardoso. Foi na presidência deste que se colocou o germe das políticas afirmativas no Brasil que culminou no Estatuto da Igualdade Racial que é, em si, uma obra racista.

O autor aponta o que seria a solução para o verdadeiro problema brasileiro, a pobreza. Investimento maciço em infra-estrutura e educação. Apenas uma combinação entre emprego e melhor qualificação ajudará efetivamente o negro brasileiro pois ao ajudar os mais pobres estará beneficiando igualmente negros, pardos e brancos.

Para comprovar sua tese mostra uma estatística interessante. Em 1982, 21% dos brancos estavam abaixo da linha de pobreza; os negros e pardos eram 58%. Passados 20 anos, considerando as taxas de crescimento populacional para cada grupo, era de se esperar que hoje houvessem 19,2 milhões de brancos abaixo da linha de pobreza e 45,6 milhões de negros (e pardos) na mesma situação.

O que aconteceu? Aconteceu o plano real que beneficiou enormemente os mais pobres e em 2001 haviam 20 milhões de brancos abaixo da linha de pobreza (aumento de 1%) e 36,7 milhões de negros e pardos na mesma situação (diminuição de 11%). Os números mostram que quase 9 milhões de negros deixaram o estrato mais baixo da sociedade enquanto que não houve variações significativas na quantidade de brancos pobres.

A conclusão de Kamel é que apenas o desenvolvimento econômico em combinação com educação permitirá que os negros brasileiros sejam efetivamente ajudados através dos méritos próprios e não de ações afirmativas. Muito mais eficiente do que cotas para universidades e no trabalho é uma educação pública de qualidade e a celebração da miscigenação. O que o Brasil menos precisa é investir agora no ódio racial, uma conseqüência natural das ações afirmativas. A ONU ao invés de investir em respeito a diversidade deveria estar mostrando a sociedade brasileira como exemplo de superação do conceito racial pois chegaremos ao dia em que todos os brasileiros serão pardos e os conceitos de branco e negro serão coisa do passado. Se os racialistas nos deixarem.

quinta-feira, agosto 14, 2008

Notas olímpicas do judô

  1. Ok, o judô não conseguiu os resultados que eu esperava. Com três campeões mundiais, ficar sem disputar uma única final foi frustrante, mas é do jogo. Só não entendi os comentaristas do sportv. Sempre que um adversário de um brasileiro era punido com shido, eles diziam que era bom para o Brasil porque o adversário teria que abrir o jogo. Quando o shido era contra o brasileiro, eles diziam que também era bom pois obrigava o brasileiro a ir para cima do adversário. Na mente dos nossos experts, o shido é bom independente se foi contra o brasileiro ou contra o adversário. Quem consegue entender?
  2. Também no judô, em 99% das lutas os comentaristas afirmavam que o adversário do brasileiro em questão estava visivelmente cansado. A luta que eliminou Eduardo Santos foi gritante. O brasileiro mal se agüentava em pé, no entanto os comentaristas não cansavam de dizer que era o adversário que estava morto.
  3. Outra incoerência. Quando a chave era mais fácil, como no caso de Guilheiro, eles afirmavam que era bom porque dava condições para o judoca crescer na competição. Quando era difícil, como no caso de Camilo, era bom porque o atleta já entrava em ritmo de competição desde o início. Afinal, é melhor pegar uma chave fraca ou forte?
  4. Para terminar, Vania Ishi tinha um talento especial para ver em qualquer golpe dado por um brasileiro um Ippon. Não sou judoca mas acho relativamente fácil diferenciar um koka de um ippon. Muitas vezes o adversário caía de frente, não era nem pontuação! A ex-judoca saía com um lacônico "foi meu olhar de torcedora...". Menos, Ishi, menos.

Ping Pong Matrix

Hilário

terça-feira, agosto 12, 2008

Investir em esportes? Quem? Por que?


Sempre que se fala em Olimpíadas surge o consenso que o Brasil precisa investir mais em esportes, que ganhamos poucas medalhas, que Cuba com uma população bem inferior ganha mais medalhas que a gente, etc. Aliás o país caribenho é uma espécie de modelo para muitos, o exemplo de como um governo deve investir no esporte.

Para começo de conversa temos que definir bem que esporte estamos falando. No Brasil se pratica muito esporte, basta ver a quantidade de campinhos de futebol que existe pelo país a fora. Já andei por tudo quanto é canto, mas não vi ainda um vila ou mesmo uma aldeia indígena que não tenha o seu. Se o assunto são as modalidades olímpicas, aí a questão muda de figura.

Grande parte das modalidades olímpicas exigem uma razoável infra-estrutura e recursos para serem praticas. Ciclismo, vela, natação, hipismo, ginástica e outras. A primeira coisa que se precisa definir é o modelo de investimento. Sempre que se fala que o Brasil precisa investir, está implícito quem fará o investimento: o governo. Por governo entenda o nosso dinheiro.

Uma das leis básicas da economia diz que os recursos são escassos e as necessidades são infinitas, o que significa que sempre que se utiliza recursos está se fazendo uma escolha. Cada real que o governo coloca em esportes está deixando de colocar em outro lugar. Como o dinheiro é nosso, deveríamos nos fazer uma pergunta singela: esta é a melhor aplicação para este dinheiro?

Somos um país carente de estradas, esgoto, água tratada, saúde, educação. Justifica utilizar dinheiro público para financiar, por exemplo, uma equipe de pólo aquático? Existe uma mística de que o esporte resolve os problemas sociais, que praticando ginástica olímpica teremos menos bandidos nas ruas. Nunca vi evidência disso, apenas falácias. Não é por falta de uma atividade esportiva que alguém vira traficante.

Outro argumento é que o esporte é benéfico para saúde. Concordo. Mas como ensinava Aristóteles, a virtude está no justo meio. O esporte em excesso pode fazer muito mal a saúde. Existe esporte em excesso? Existe. Esse papo todo de superar a si mesmo pode levar a lesões sérias, algumas vezes à morte.

Se o objetivo da política de esportes é ganhar medalhas olímpicas, deixa de estar relacionado à saúde. Entramos na área do chamado alto rendimento onde os próprios limites são constantemente superados. Por que o governo deveria investir nosso dinheiro nisso? Apenas uma minoria da população chega a este nível, para inspirar e dar alegrias ao povo? Quantas pessoas, além de mim, ficam horas na frente da televisão assistindo judô? E ginástica? Vela?

Gostam de citar Cuba como exemplo. Quanto os cubanos sofrem para financiar suas equipes olímpicas? Quantas pessoas estão praticando esportes em Cuba por ter seu talento como única forma de sobreviver um pouco mais decentemente do que a maioria? Isto é modelo? Só se for um modelo bastante perverso.

Vejam os atletas chineses. Parecem mais autômatos. São retirados das famílias para treinar desde os cinco anos de idade. Visitas, só nos fins de semana. Estas crianças possuem infância? Treinando 4 horas por dia? 6 horas? É mais uma aplicação da engenharia social; precisa-se de atletas, vamos fabricá-los!

O melhor modelo que vejo ainda é o americano. O grosso do investimento em esportes sai da iniciativa privada; Universidades, clubes (franquias), empresas. Além disso existe uma cultura voltada para o esporte, parte de uma sociedade que valoriza enormemente o mérito, a busca da vitória. Daí vem o espírito competitivo que colocou os Estados Unidos como maior potência do globo.

Cuba ganha medalhas, mas existe um país miserável sustentando o esporte como forma de propaganda do regime marxista da ilha. O indivíduo é apenas uma parte do aparato estatal de projeção de poder. Se um garoto americano com 2 metros de altura resolver jogar futebol, ele vai. Em Cuba não, será colocado em uma equipe de vôlei. É o triunfo do coletivo abstrato sobre o indivíduo concreto.

O esporte de alto nível é uma das atividades mais lucrativas do mundo, basta ver as empresas envolvidas com uma Olimpíadas; não vejo razão para colocar dinheiro público. Argumentam que o esporte no Brasil não consegue sobreviver sem o Estado. Será que não tem alguma coisa a ver com o governo extorquindo metade da riqueza gerada no país? Um país que ainda convive com a dengue não pode estar pensando em ganhar medalhas olímpicas.

Primeiras medalhas

Duas medalhas que não esperava. Leandro Guilheiro fez com o coreano campeão mundial uma espécie de final antecipada e perdeu no Golden Score, no detalhe. Levantou a cabeça, foi muito bem na repescagem e venceu a disputa do bronze com um ippon sensacional sobre o iraniano, com 23 segundos de luta. Valeu demais. Foi a superação de 4 anos de contusões que o atrapalhou em dois mundiais e no Pan.

Keitlen Quadros mostrou uma frieza rara entre brasileiros. Perdeu a segunda luta para uma das favoritas, a holandesa, pela contagem mínima e depois foi derrotando uma série de favoritas, ex-medalhistas mundiais e olímpicas, até ficar com sua medalha. É uma das promessas do judô feminino.

domingo, agosto 10, 2008

Primeira decepção


A cada 4 anos a mesma decepção. Nos animamos com alguns resultados e quando chega na hora da verdade, a hora das Olimpíadas, ela aparece.

Desta vez foi João Derly, nosso bicampeão mundial. E perdeu para o que seria seu adversário mais fácil no caminho para a final, o inexpressivo português Dias. Foi uma luta muito esquisita, onde Dias conseguiu um Wasari que dependeu muito da boa vontade da arbitragem.

O ouro ficou para o japonês Uchishiba, que recuperou-se da perda do mundial de 2005, justamente para o brasileiro; antes havia sido campeão olímpico em Atenas.

sábado, agosto 09, 2008

Brincando de Oráculo

Minhas apostas para os Jogos de Pequim

Ouro:
  1. João Derly (judô) :O cara é bi-campeão mundial, como não apontá-lo como favorito?
  2. Tiago Camilo(judô): Além de campeão mundial foi eleito o melhor judoca do último campeonato. Também é favorito.
  3. Ricardo e Emanuel(volei de praia): Não acompanho o vôlei de praia, mas é sempre bom apostar em uma dupla brasileira.
  4. Seleção masculina de volei :os caras estão mordidos com a derrota na Liga. Era a motivação que faltava.
  5. Scheidt e Prada(hiatismo): Ok, o velejador trocou de categoria, mas Scheidt é o cara!
  6. César Cielo(natação): Cielo vai fazer o que Xuxa não fez em Sidney por conta de uma contusão. Vai ser o primeiro campeão olímpico na natação.
Prata:
  1. Seleção feminina (futebol): vai faltar pouco novamente para Marta e cia.
  2. Diogo Hypólito (ginástica): Algum detalhe vai tirar o outro, mas Diogo vai levar a primeira medalha da ginástica brasileira
  3. Rodrigo Pessoa (hipismo): Ok, o cavalo já não é o mesmo e acreditar nesta medalha é forçar um pouco a barra, mas Rodrigo é o atual campeão olímpico. Merece a confiança.
Bronze:

  1. Larissa e Ana Paula (volei de praia): Com a contusão de Juliana a dupla, apesar do desentrosamento, deve levar o bronze.
  2. Luciano Corrêa (judô): Três ouros no judô é demais, alguém tinha que ser "sacrificado" para o bronze. Sobrou para Corrêa.
  3. Seleção masculina de futebol: tá bom demais para este time de Dunga.
  4. Maurren Maggi (atletismo): depois de tudo que passou o bronze vai cair bem para Maggi. Com méritos.
  5. Bimba (hiatismo): depois do fiasco de Atenas quando perdeu não só o título como as medalhas, Bimba pesca essa.
  6. Equipe brasileira (hipismo): para manter a tradição que está se formando.
  7. Jade Barbosa (ginástica): para não deixar Diego sozinho.
  8. Fabiana Murer (atletismo): ela tem a segunda marca do ano. Dá para apostar.
  9. Jardel Gregório (atletismo): já não é mais o favorito de Atenas. Sem pressão, pode surpreender.
  10. Mayra Aguiar (judô): único judoca com título na Europa em 2008, para quebrar o jejum do feminino.
Possuam alguma chance:

  1. Tiago Pereira (natação)
  2. Seleção feminina (volei)
  3. Natália Falavigna (Taekwondo)
  4. João Gabriel Schlittler (judô)

  5. Daiane dos Santos (ginástica)
  6. Leandro Guilheiro (judô)
O resto é zebra completa.

Olimpíadas: primeiro dia

Os destaques brasileiros no primeiro dia de competições foram Diego Hipólito, que se classificou em primeiro lugar para a final no solo, e Gabriella Silva que passou para as semi dos 100 borboleta em 5º lugar. O negativo ficou por conta da derrota do basquete feminino para a Coréia, na prorrogação.

Thiago Pereira passou para a final no limite e é zebra para o bronze. O ouro é de Phelps, com expectativa de recorde mundial. Não há adversário para o americano de Baltimore.

Hoje a noite tem chance de medalhas com João Derly. A conferir.

quarta-feira, agosto 06, 2008

Pergunta

Quando começa o Carioca de 2009?

Está difícil

Até a derrota para o Palmeiras o Flamengo estava perdendo mas jogando bem, o que dava um alento e a impressão que voltaria a ganhar. Já contra o Cruzeiro o time foi um desastre, muito mal do início ao fim. Nem quando saiu na frente no placar deu a impressão que venceria.

Hoje está ainda pior, se é possível. 15 minutos do segundo tempo e o Goiás vai vencendo por 1 x 0. Só milagre para sair desse buraco pois o time está totalmente inoperante. É impressionante a queda. Não dá nem para dizer que o time caiu de produção porque o time já é outro, bastante modificado e sem opções para substituições.

Tudo bem que três titulares foram vendidos em uma semana, mas o azar tem aprontado das suas. Primeiro foi o Kléberson, depois o Ronaldo Angelin, no último jogo a impressionante contusão de Diego Tardelli, deixando o time com 1 a menos ainda no meio do segundo tempo. Hoje Vandinho __ que tinha quebrado o jejum de gols do ataque __ machucou-se com 6 minutos de jogo! Oh fase!

Penalti para o Flamengo. Do jeito que está a coisa não dá nem para comemorar. Léo Moura vai para cobrança...

Gol.

O primeiro milagre apareceu. Falta o segundo agora. Quem sabe o time acalma agora, mas com um meio campo com 4 cabeças de área fica muito difícil.

É uma grande pena porque o time estava montadinho para disputar o título. Os euros e as contusões desmontaram a equipe e agora até a Libertadores está parecendo difícil. A diretoria promete reforços, mas chegando no meio da temporada é muito complicado.

O preparo físico também não anda bem. No início do campeonato o time crescia no segundo tempo, sobrava em campo. Agora se arrasta. Alguns jogadores caíram de produção, principalmente Léo Moura e Íbson. Outros estão ainda fora de forma, como Obina e Jonathas, dois com sérios problemas com a balança.

O Flamengo precisa desesperadamente das vitórias contra Goiás e Atlético-PR. Se não conseguir dá adeus ao campeonato e passa a disputar no máximo um lugar entre os 4 e ficaremos mais um ano na fila.

Fluminense e Galo acabaram de virar seus jogos, será um bom sinal? Aguardemos.

O jogo continua muito ruim, de ambas as partes. O Flamengo prepara mais uma bola aérea para cima do Goiás, a velha tática do chuveirinho. Juan cobrou muito forte, direto para fora.

Fábio Luciano acabou de ganhar um cartão de graça e Max acabou de perder um bom contra-ataque. Os atacantes estão se posicionando muito mal, Juan avançou e não tinha ninguém bem colocado para tocar a bola.

O pior de tudo é que Caio Júnior perdeu a audácia que mostrou no início do campeonato e está se revelando excessivamente medroso. Mais uma vez Juan ficou sem opção para passe no ataque. Tudo está encaminhando para um fim de turno melancólico.

Quase 42 minutos do segundo tempo e Obina não deu um chute a gol. Parte culpa do meio campo, parte do próprio atacante que está sempre mal colocado e fora de jogo. Agora entra Paulo Sérgio, faltando menos de cinco minutos. Que substituição é essa? Para ganhar tempo? Mas o time está empatando!

Paulo Sérgio se atrapalho todo com a bola, que coisa!

O juiz deu três minutos de acréscimo. Deveria ter acabado três minutos antes, como punição pela pelada horrorosa.

E conseguiram tomar o gol.

Fim de post.

Começaram os Jogos Olímpicos

Ainda não teve a abertura, mas o Brasil já estreou no torneio com a equipe de futebol feminino que empatou com a Alemanha. Vi metade do segundo tempo e o resultado pareceu-me justo, até porque não vi nada de interessante em nenhum das duas equipes. Tirando uma arrancada de Marta no final, o que vi foi der uma chatice só.

Foi uma pena o corte de Érica Miranda no judô. Vi a jovem brasileira disputar semi-final no mundial do ano passado, era uma das que tinham condições de surpreender. Só acho que a Confederação errou ao não convocar a reserva. Não é possível que o COB não possa arcar com uma passagem aérea para trazer a atleta. No futuro terá maiores dificuldades em manter a equipe reserva motivada. Fica ainda pior ao saber que a equipe juvenil está lá treinando com a equipe. Por que não levaram a equipe reserva?

domingo, agosto 03, 2008

Economia sem Truques

Carlos Eduardo S Gonçalves
Bernado Guimarães

Em 1992, transitou na Assembléia Legislativa de São Paulo um projeto de lei que obrigava cinemas, teatros, circos e casas de espetáculo a cobrarem o dobro do preço do ingresso de todas as pessoas que não tivessem a carteirinha de estudante. Cobrar mais barato, qualquer valor inferior ao dobro do preço cobrado aos estudantes, constituiria crime de estelionato.
Essa lei da entrada-dobrada para os não portadores de carteirinha foi aprovada no dia 13/5/1992 e vigora até os dias de hoje, sendo mais conhecida como lei da maia-entrada.


Há algum tempo que sentia falta de noções básicas de economia, cada vez mais necessárias para entender melhor o mundo. A leitura deste livro foi meu primeiro passo e atendeu muito bem o objetivo pois trata-se de uma obra bem didática, de fácil leitura e com muitos exemplos práticos tirado do nosso dia-a-dia.

Encontrei explicação para algumas idéias que já tinha intuitivamente, e aprendi algumas outras. Também discordei de algumas, o capítulo sobre a análise econômica da liberação das drogas é um exemplo. Mas na maioria dos capítulos concordei plenamente, como o que trata da meia entrada nos cinemas e teatros.

Com muito bom humor, os autores tratam da idéia central do livro: as escolhas. Não é por acaso que o batizaram com o sub-título de "O mundo a partir das escolhas de cada um". A economia é vista a partir do indivíduo e principalmente como uma escolha diária. Não se melhora a economia por decreto, a chamada "economágica", mas melhorando as escolhas. Justamente o contrário que fazem os políticos brasileiros.

Desta forma ficamos sabendo que são três os fatores que interferem na formação do salário: as escolhas das empresas que demandam trabalhadores; as escolhas dos trabalhadores que vendem seu trabalho; e o processo de barganha entre empresas e trabalhadores.

Assim, uma lei como a do décimo terceiro é inútil pois não incide em nenhum dos três fatores. Em um primeiro momento, décadas atrás, os trabalhadores foram beneficidados, mas assim que os contratos em vigor tiveram seu término o mercado se ajustou. Ao invés de dividir o valor do trabalho por 12 meses, passou-se a dividir por 13. O trabalhador ganha um salário a mais, mas este salário é menor.

Mostram também que o comércio internacional é benéfico para os dois países e, pasmem, principalmente para o mais pobre. Delírio? Basta observar com um pouco mais de atenção as restrições que os países mais desenvolvidos fazem com os países subdesenvolvidos para entender que existe razão neste raciocínio. Apesar de ambos lucrarem a longo prazo, no curto há uma perda dos países mais ricos pois o comércio provoca, para eles, o aumento da desigualdade econômica e nem sempre o governo pretende pagar por este preço.

Outro ponto interessante é a formação dos preços. O preço não é algo diabólico no capitalismo como tentam vender seus críticos, mas um mecanismo para sinalizar para produtores e consumidores duas coisas: o valor atribuído por uma sociedade a determinado bem e o custo que esta mesma sociedade incorre ao produzi-lo. Trata-se de um mecanismo de ajuste entre oferta e demanda, quando é alterado artificialmente rompe este equilíbrio e a sociedade pode ser levada a produzir o que não precisa, daí o problema dos subsídios agrícolas.

Por fim apresentam o que seriam os três motivos que justificam a intervenção do estado na economia. O primeiro é quando o monopólio é inevitável, como na produção de energia. Não significa que a energia deverá ser necessariamente fornecida por uma estatal, é até melhor que não seja, mas que o governo regularizará o mercado.

O estado pode interferir também quando houver problema de assimetria de informações. O mercado de seguro desemprego não teria como funcionar na economia privada porque o segurado tem muito mais informações sobre sua chance de ser despedido do que uma potencial seguradora resultando em um seguro inviável. O estado então assume este mercado e fornece o seguro desemprego. Também existe o que os autores chamam de curioso "mercado das almas" ou a impossibilidade de antes de nascer fazer um seguro para o caso de dar o "azar" de nascer em um lar pobre.

Por fim o estado deve intervir no caso de externalidades negativas para toda a sociedade, como a poluição ou a violência.

É um livro simples mas muito elucidativo e o primeiro passo para entender melhor como funciona a economia.

Que pecado Massa!

Depois de uma largada sensacional, uma corrida perfeita, o motor da Ferrari de Felipe Massa estourou faltando 3 voltas para o fim da prova. O destino pregou uma peça muito cruel no brasileiro que não merecia tamanha má sorte.

Ficou a frustração de ver o carro vermelho com toda aquela fumaça atrás e o desespero da equipe italiana.

Que pecado!

sexta-feira, agosto 01, 2008

Tempos Modernos, o mundo dos anos 20 aos 80

A history of the Modern World from 1917 to the 1980's
Paul Jonhson


O mundo moderno começou em 29 de maio de 1919, quando fotografias de um eclipse solar, obtidas da ilha de Príncipe, na costa oeste africana, e em Sobral, no Brasil, confirmaram a veracidade de uma nova teoria do universo.


Assim Paul Johnson começa a narrar os acontecimentos do século XX e principalmente das idéias estiveram por trás destes acontecimentos. Esta é a principal diferença da obra de Johnson, a preocupação com a busca do pensamento que estiveram por trás dos fatos históricos. É uma obra de história que recorre freqüentemente a Freud, Einstein, Sartre, Nietzsche, Keynes e tantos outros. A política não acontece isolada da sociedade em que está inserida.

Tudo começou com a Teoria da Relatividade de Einstein. Por que? Porque abalou a crença popular que haveria valores absolutos a serem preservados.”No princípio dos anos 20 surgiu uma crença, pela primeira vez em nível popular, de que não mais havia quaisquer absolutos: de tempo e espaço, de bem e mal, de conhecimento, sobretudo de valores. Erroneamente a relatividade se confundiu com relativismo, sem que nada pudesse evitá-lo”. O próprio Einstein temia este efeito e viu o relativismo moral __ para ele uma doença __ transformar-se em pandemia social e ver sua equação no conflito nuclear.

Darwin foi outro que teve um papel crucial, também contra sua vontade. Sua noção de sobrevivência do mais adaptável foi elemento-chave para o conceito marxista de luta de classes e para o nazismo. Freud contribuiu também para transmitir a mesma mensagem que estes outros: o mundo não era o que parecia ser.

Tudo isso foi pano de fundo para o grande acontecimento do século XX: o crescimento do Estado em relação aos indivíduos. “A capacidade destrutiva do indivíduo, embora perversa, é insignificante; a do Estado, embora bem-intencionada, é infinita”.

O mundo encontrava-se a deriva e as idéias de Nietzsche começaram a ganhar espaço com extraordinária rapidez. Deus fora colocado em cheque e entre as raças mais adiantadas houve o declínio e o colapso do impulso religioso. O problema maior é que em seu lugar ficou um imenso vácuo. Segundo Johnson, a história dos tempos modernos é, em grande parte, a história de como este vácuo foi preenchido.

Nietzsche havia descrito que o melhor candidato para ocupar este lugar seria a “Vontade de Poder”. No lugar da crença religiosa haveria ideologia secular.

A vontade de poder produziria um novo tipo de Messias, livre de qualquer sanção religiosa e com um insaciável apetite pelo controle da humanidade. O fim da antiga ordem, com um mundo à deriva num universo relativista, era um apelo a que estadistas gângsteres emergissem. E eles não demorariam a fazê-lo.

É um livro obrigatório para quem deseja compreender os processos históricos além da superfície, procurando suas raízes na evolução das idéias no mundo. Jonhson contesta muitos lugares comuns e refuta interpretações que tornaram-se verdades principalmente pela análise marxista dos acontecimentos.

Mostra como a falsidade ideológica destruiu a biografia de gente como Warren Harding; como Roosevel contribuiu para prolongar os efeitos da grande depressão e a simpatia que teve até bem perto do fim de sua vida por Stálin;como o mundo ocidental deixou-se fascinar pelos discursos totalitários de Hitler e Stálin; como Lenin construiu a União Soviética e sua irresistível paixão pela violência como forma de ação política; a experiência que Mao realizou com milhões de chineses; o papel da ONU e sua responsabilidade para o banho de sangue que se tornou a descolonização da África; como a ONU tornou-se um instrumento de atuação política de nações totalitárias; os erros de Einsenhower, Kennedy e Johnson na condução da guerra do Vietnã; como Kennedy assumiu sem necessidade o compromisso de manter a independência de Cuba na questão dos mísseis; como Nixon foi trucidado pela aliança de ativistas universitários e a mídia liberal americana contribuindo para o massacre de um quarto da população do Vietnã e como o coletivismo provocou a derrocada americana na década de 70, entre outros temas.

Ler Tempos Modernos é uma experiência e tanto. Mais do que uma aula de história é um convite a entender o mundo em um um contexto mais amplo. É a descrição da destruição do indivíduo pelas forças coletivas que encontram no Estado sua mais forte e cruel representação.