sábado, agosto 16, 2008

Não Somos Racistas

Uma Reação aos que querem nos transformar numa nação bicolor Ali Kamel (2006)

Ali Kamel é jornalista formado em sociologia e editor chefe do maior telejornal brasileiro, o Jornal Nacional. Indo além do "isentismo", uma mal que assola e destrói o jornalismo brasileiro, Kamel mostra que é possível ser jornalista e mesmo assim ter idéias próprias ao defender com coragem esta posição contra ruidosos grupos organizados prontos a demonizar qualquer um que diga que o Brasil não é racista.

Foi um movimento lento. Surgiu na Academia, entre alguns sociólogos na década de 1950 e, aos poucos, foi ganhando corpo até se tornar política oficial de governo. Mergulhado no trabalho jornalístico diário, quando me dei conta do fenômeno levei um susto. Mais uma vez tive a prova de que os grandes estragos começavam assim: no início, não se dá atenção, acreditando-se que as convicções em contrário são tão grandes e arraigadas que o mal não progredirá. Quando acordamos, leva-se o susto. Eu levei. E, imagino, muitos brasileiros devem também ter se assustado: quer dizer então que somos um povo racista?


Kamel deixa bem claro que não nega que exista racismo no Brasil, existe em todos os povos da humanidade. No entanto, esse racismo é uma falha de caráter de indivíduos, uma minoria. O racismo não é um traço dominante na sociedade brasileiro, nem poderia ser pois trata-se de um dos povos mais miscigenados do planeta.

Contesta todos os dados estatísticos mostrados usualmente para tentar mostrar um Brasil racista com o argumento que o modelo brasileiro, principalmente na educação, preserva as desigualdades sociais. Em outros termos, quem é pobre possui grande probabilidade de continuar assim. Quando ocorreu a abolição da escravatura os negros constituíam a camada mais pobre da população, o subdesenvolvimento brasileiro preservou a situação da maioria deles. A sociedade não impôs restrições à ascensão social por serem negros e sim por serem pobres.

Esse é o verdadeiro preconceito brasileiro, contra os pobres. Os brancos pobres também sofrem igualmente, os números mostram que existem 19 milhões nesta situação. É justamente estre preconceito, contra a pobreza, que por vezes é confundido com racismo por realmente atingir uma grande quantidade de negros.

Kamel lembra que geneticamente existe o consenso de que raças não existem. A diferença entre negros, brancos e pardos está em uma insignificante carga genética responsável apenas pela cor da pele e algumas características físicas. Geneticamente um negro A e um branco B podem estar mais próximos do que um negro A e um negro C (ou um branco B e um branco D). Não existem doenças de negros ou de brancos, ou alguma dificuldade cognitivo em nenhuma das cores. Não somos cachorros para sermos divididos em raças.

O autor mostra como o resultado das estatísticas oficiais são manipuladas para tentar se provar a tese do racismo brasileiro com a utilização dos números dos pardos para reforçar os negros na hora de caracterizar o fenômeno mas a sua exclusão na hora dos benefícios. Esta aí a grande denúncia de Kamel, estão tentando transformar o Brasil em uma nação bicolor onde quem não é branco é essencialmente negro, seja ele pardo, amarelo ou indígena.

Nosso mesticismo, tão bem retratado por Gilberto Freyre foi substituído por idéias de sociólogos brasileiros de opressão do negro pelo branco, destacando-se os trabalhos de Fernando Henrique Cardoso. Foi na presidência deste que se colocou o germe das políticas afirmativas no Brasil que culminou no Estatuto da Igualdade Racial que é, em si, uma obra racista.

O autor aponta o que seria a solução para o verdadeiro problema brasileiro, a pobreza. Investimento maciço em infra-estrutura e educação. Apenas uma combinação entre emprego e melhor qualificação ajudará efetivamente o negro brasileiro pois ao ajudar os mais pobres estará beneficiando igualmente negros, pardos e brancos.

Para comprovar sua tese mostra uma estatística interessante. Em 1982, 21% dos brancos estavam abaixo da linha de pobreza; os negros e pardos eram 58%. Passados 20 anos, considerando as taxas de crescimento populacional para cada grupo, era de se esperar que hoje houvessem 19,2 milhões de brancos abaixo da linha de pobreza e 45,6 milhões de negros (e pardos) na mesma situação.

O que aconteceu? Aconteceu o plano real que beneficiou enormemente os mais pobres e em 2001 haviam 20 milhões de brancos abaixo da linha de pobreza (aumento de 1%) e 36,7 milhões de negros e pardos na mesma situação (diminuição de 11%). Os números mostram que quase 9 milhões de negros deixaram o estrato mais baixo da sociedade enquanto que não houve variações significativas na quantidade de brancos pobres.

A conclusão de Kamel é que apenas o desenvolvimento econômico em combinação com educação permitirá que os negros brasileiros sejam efetivamente ajudados através dos méritos próprios e não de ações afirmativas. Muito mais eficiente do que cotas para universidades e no trabalho é uma educação pública de qualidade e a celebração da miscigenação. O que o Brasil menos precisa é investir agora no ódio racial, uma conseqüência natural das ações afirmativas. A ONU ao invés de investir em respeito a diversidade deveria estar mostrando a sociedade brasileira como exemplo de superação do conceito racial pois chegaremos ao dia em que todos os brasileiros serão pardos e os conceitos de branco e negro serão coisa do passado. Se os racialistas nos deixarem.

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