segunda-feira, agosto 25, 2008

O Maníaco

O Maníaco é o título do segundo capítulo do livro que estou lendo, Ortodoxia de Chesterton.

O capítulo começa com um ponto de vista interessante, subvertendo um pouco o senso comum. Chesterton faz referência a um conhecido que diante de alguém pronunciara aquela declaração tão comum no mundo de hoje: "Aquele homem vai progredir, ele acredita em si mesmo."

Chesterton contestou seu interlocutor com uma observação espirituosa mostrando um lugar onde haviam muitas pessoas que acreditavam em si mesmas, o hospício. Aliás, estavam lá justamente por acreditarem em si mesmas.

O pensador trata do que chama de insanidade, que segundo ele era um estado que não era conduzido pela imaginação. Ao contrário, era o excesso de razão que conduzia o homem à loucura. Cita Dryden que disse: "Grandes inteligências muitas vezes são aliadas íntimas da loucura".

Defendo com vigor o homem comum afirmando que são essas que possuem a vida mais instigante, justamente porque são capazes de se chocarem com as esquisitices do mundo. "O homem feliz é o que faz coisas inúteis; o homem doente não dispõe de força suficiente para ficar sem fazer nada".

Para Chesterton a obcessão de alguns em querer analisar tudo sob a ótica da razão levaria à loucura que para ele não seria a perda da razão, seria a perda de tudo exceto a razão.

O mistério seria uma necessidade do ser humano. O homem precisa da fé para ampliar seu próprio entendimento do mundo; aceita-se um mistério e tudo mais se torna racional. Quando se recusa a acreditar neste mistério tudo mais se torna despido de razão.

Só de ler este primeiro capítulo já pressinto que este livro se transformará num daqueles de cabeceira. Normalmente acerto nesses pressentimentos.

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