terça-feira, setembro 30, 2008

Lógica e Dialética

Mário Ferreira dos Santos
Ed Paulus


Mário Ferreira dos Santos foi um filósofo brasileiro. Existe este tipo de ser? Existiu, mas é ignorado pela intelectualidade brasileira. Mário foi um filósofo de primeira linha.

Cheguei até ele através de um texto de Olavo de Carvalho que questionava um intelectual da USP que afirmara que nunca existira um filósofo brasileiro. Olavo argumentou que o dito intelectual era um ignorante e usou o nome de Mário, reconhecido até em Oxford, para mostrar seu argumento. Guardei o nome e quando vi este livro na Livraria Cultura, comprei-o.

O livro trata, na essência, da busca do conhecimento ou seja, da própria razão da filosofia. Como identificar em nossa realidade a verdade? Como distingui-la? Como remover as camadas que escondem a verdadeira natureza das coisas?

Primeiro, o filósofo trata da Lógica Formal. A base é Aristóteles e seus silogismos, assim como seus princípios. Trata da ligação do sujeito com seu objeto, da definição para as coisas segundo uma relação baseada na razão.

Passei alguns anos ensinando (?!) lógica em cursinhos e pela primeira vez me deparei com toda conceituação que existe em torno do assunto. A obra de Mário é uma introdução a uma ciência que aplica as relações matemática aos fatos objetivos através da relação entre argumentos.

Na segunda parte começou o meu problema. Eu já tinha algumas idéias da dialética mas não imaginava que teria tanta dificuldade para entender seus conceitos e forma de utilização. Muito do livro ficou para mim incompreendido e confesso que veio um resultado de frustração. Nessas horas eu lembrava de Sócrates afirmando "só sei que nada sei". Justamente por não entender comecei a perceber que de alguma forma estava aprendendo algo.

Já perto do final, Mário diz uma coisa que me coloca mais luz em minhas próprias dificuldades:

Só conhecemos adequadamente aquilo para que temos esquemas.


Veio então a primeira compreensão: eu não tinha esquemas para entender a dialética hegeliana, nem mesmo a marxista. Estava lendo algumas coisas que não tinham base em meus conhecimentos anteriores; era como ler sobre geometria espacial sem saber o triângulo.

Partes da obra fugiram sim ao meu alcance e mostraram de certa forma o tamanho da minha ignorância. Tenho agora que continuar meu caminho a aprender o suficiente para que possa voltar a este livro mais tarde e entender o que Mário ensina sobre dialética.

Por fim o autor apresenta sua decadialética, sua forma de examinação que estrutura-se no que há de sólido na lógica clássica sem abandonar o que há de útil na dialética. Mais do que oposição entre as duas existe uma complementabilidade. Consiste na dialética dos 10 campos de raciocínio que combinados entre si tornam-se o raciocínio dialético complexo e heterogênio.

No capítulo final, Mário Ferreira dos Santos exemplifica a aplicação de seu método ao estudar a teoria do valor econômico. Apresenta as visões dos economistas clássicos, de Proudhorn, de Marx e a teoria marginalista como resumo do conhecimento anterior do problema. Através da aplicação da dacadialética chega a uma compreensão sua sobre o que seria o valor de um bem.

Trata-se de um livro que terei de lê-lo mais vezes e estudá-lo calmamente. Por que o esforço? Porque trata de um assunto que muito me interessa, a pesquisa sincera pela verdade. A busca da sabedoria, a razão da filosofia.

O Morcego

Meia noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vêde:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.

"Vou mandar levantar outra parede..."
- Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o tecto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre a minha rede!

Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh'alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!

A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!


Augusto dos Anjos

Reforma ortográfica

segunda-feira, setembro 29, 2008

Passem Adiante!

De volta ao Xadrez

Tentei me afastar do jogo para ter mais tempo para outras coisas, mas não deu. Pelo menos o Xadrez eu tive que voltar. Culpa do Palm, sempre a mão para os momentos de espera, e de um colega de trabalho estudioso do assunto. Conversa vai e conversa vem e quando vi já estava lá estudando as aberturas, os grandes finais.

Uma coisa eu finalmente me convenci, a principal parte do jogo, e a mais bonita, é o final. Ainda tenho sérias dificuldades com esta parte, principalmente com as torres em jogo, mas estou estudando. Capablanca era realmente um mestre com finais belíssimos. Acredito que será de grande valia em minhas noites no Haiti.

Como pode um jogo tão simples __ um tabuleiro e 32 peças __ ser tão rico? Um detalhe importante: totalmente independente de sorte! O que vale é a capacidade do jogador, nada mais.

Lembro que para um computador vencer Kasparov foi necessário décadas de inovação tecnológica pesada, construir uma máquina com vários processadores em série, de tamanho descomunal. O mais interessante é que ela só faz isso, se o russo resolvesse jogar jogo da velha com ela venceria. É ou não é uma prova da capacidade da mente humana e mais uma evidência da existência de Deus?

domingo, setembro 28, 2008

Adeus a um grande ator


Ele se foi. Paul Newman, um dos melhores atores americanos da história do cinema deixou este mundo ontem.

Butch Cassidy ainda é meu filme predileto do ator. Vi várias vezes, assim como Golpe de Mestre. Desde os anos 90 que fazia poucos filmes, foi se despedindo da sétima arte aos poucos. Derrotado por seu vício, o cigarro, mas com 83 anos intensamente vividos.

Fica o registro e o adeus a um dos ícones de Hollywood.

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Now playing: Camisa De Vênus - Cidade Fantasma
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Inacreditável

O que a Ferrari está fazendo para tirar o título de Massa não é brincadeira. Se fosse outra equipe, mas a Ferrari? Estou começando a achar que alguém na escuderia não gosta muito do brasileiro. Hoje, mais uma vez, foi de lascar.

Não dá nem para comentar.

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Now playing: Camisa De Vênus - Eu Não Matei Joana D'arc
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Flamengo 2 x 1 Sport

Na unha

Como eu esperava o jogo foi duríssimo, e esta deve ser a tônica nesta parte final do campeonato. Times jogando para não cair, jogando para conseguir uma vaga nas Libertadores, para ser campeão ou mesmo para acertar o time para 2009. Prevejo que os líderes ainda perderão muitos pontos nesta segunda metade da disputa.

Ontem, debaixo de um dilúvio no Rio de Janeiro, o Flamengo foi do inferno ao céu em 10 minutos. Perdia o jogo e a torcida já esta pressionando o time quando Juan, que fora vaiado minutos antes, fez o gol com raiva e nem quis saber de comemorar. Aos 44, Vadinho fez a alegria da torcida e mostrou que não pode ficar no banco para um totalmente inoperante Josiel.

A vitória foi importantíssima e agora o Flamengo sai do Rio para pegar o Náutico. Uma vitória colocaria o time definitivamente na briga. Juca Kfouri afirmou semana passado que o título estava entre Grêmio, Palmeiras e Cruzeiro. Eu acho que todo time que entrou nesta rodada com 40 pontos está na disputa pois há um equilíbrio evidente entre as equipes.

Será um final de campeonato emocionante.


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Now playing: Jefferson Airplane - Takes Off - 17 - Tobacco Road
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quinta-feira, setembro 25, 2008

Abbott e Brown

Uma das dinâmicas mais interessantes de Everwood ocorre entre os dois médicos da cidade, os Doutores Brown e Abbott. O primeiro é fruto do liberalismo de Nova Iorque, o segundo da educação conservadora do interior americano. Os dois se enfrentam em vários temas ao longo do seriado e marcam as posições que marcam o confronto de idéias entre as duas formas de pensamento dominantes nos Estados Unidos.

Os autores da série fugiram do lugar comum e rechearam seus dois personagens de nuances interessantes. Andy é um liberal mas recusa-se a realizar um aborto mesmo sendo favorável ao direito de escolha. Em conversa com Abbott reconhece que em seu íntimo possui dúvidas sobre a moralidade do ato. Abbott não tem, é contra. No entanto é ele que realiza o aborto pois entende que é a única opção para a moça. No fim, termina o episódio confessando seu pecado.

Outra fonte de conflito entre eles é a fé. Andy é um racionalista, não consegue entender as questões de fé. Revolta-se quando um pastor recusa-se a submeter-se a um tratamento por confiar mais em Deus do que em seu médico. No fundo, sua desilusão pela morte da esposa está ligada à sua incapacidade de explicar racionalmente porque ela partiu.

Abbott, por outro lado, confia nos desígnios de Deus e confia em sua crença nos valores absolutos como guia para a difícil missão de conduzir uma família nos tempos de hoje. Sua briga é sempre sincera, em defesa dos princípios que acredita.

Andy reconhece o valor do colega, tanto que se ressente quando em determinada parte da estória passa a ser evitado por ele. Diante dos fracassos pessoais de ambos era sempre Abbott que dizia uma coisa despretensiosa, mas com a sabedoria que só a tradição poderia conceber, e levava Andy a refletir e ver uma luz em seus dilemas, principalmente em relação aos conflitos com o filho.

Estes momentos sempre foram os melhores da série. Por vezes o primeiro tinha razão, por vezes o segundo, mas no fim ambos cresciam em suas falhas e nos erros do outro.

Questões inerentes a existência como crescimento, fé, amizade, morte, dor são tratadas sob os dois pontos de vistas, por vezes antagônicos, outras nem tanto, pelos dois personagens. No fim a conclusão ficou para os telespectadores que tiveram a oportunidade de ver na televisão algo mais do que apenas diversão gratuita.

Oba!

Uol:

Décadas se passaram, mas a Princesa Aurora continua linda e loira no aniversário de 50 anos do filme da Disney "A Bela Adormecida", que ganha DVD remasterizado em outubro. O clássico, baseado no conto de Charles Perrault, além de imagens mais nítidas, será lançado com cinco horas de extras, que incluem jogos, músicas e muito material sobre os bastidores da produção lançada oficialmente em 1959.


Trata-se de um dos meus desenho prediletos. A Lorena não gostou muito da bruxa, mas adorou as fadinhas!

Em ortodoxia, Chesterton (ainda vou citá-lo muito, esse sabia das coisas)escreve:

Há a terrível alegoria de "A Bela Adormecida", dizendo como a criatura humana foi abençoada com todos os seus dons recebidos ao nascer, e, no entanto, amaldiçoada com a morte; e como a morte pode ser suavizada em sono.


Chesterton dava grande valor aos contos de fada e seus ensinamentos. Segundo ele deveriam ser mais reverenciados do que os livros de história por serem frutos da nossa maior fonte de sabedoria, a tradição.

Para ele a tradição era uma extensão dos direitos civis pois tratava-se de dar voz aos nossos antecipados, aqueles que já foram. Depois de ler Ortodoxia você passa a ver os contos de outra forma e procurar neles os valores que não consegue ver em outro lugar.

Agora começo a entender a fixação dos progressistas em tentar distorcer os contos de fadas para que abriguem suas próprias idéias de evolução humana. Sinto muito, mas o príncipe encantado casa-se com a Cinderela e vivem felizes para sempre constituindo uma família! Será isso tão ruim assim?

Que bom que saiu esta versão comemorativa. O DVD que tenho em casa está com o som muito ruim, espero que tenham melhorado. Felizes de nós que crescemos assistindo estes contos maravilhosos. Pelo menos posso garantir que meus filhos tenham a mesma experiência, vezes e mais vezes.

quarta-feira, setembro 24, 2008

Tentando entender Hegel

Estou lendo sobre a dialética de Hegel no livro de Mário Ferreira dos Santos e confesso que estou apanhando um bocado. Muitas partes fogem a meu nível de compreensão mas aos poucos eu chego lá.

Tenho recorrido a outras fontes para tentar entendê-lo aos poucos. Seu pensamento originou muitas correntes importantes que influenciam até nos dias de hoje, sendo a mais conhecia o marxismo. O ponto de partida para as teorias de Marx estão na dialética hegeliana que por ele foi transformada na dialética materialista.

Hegel acreditava em um espírito absoluto que estava por trás de toda história; mais ainda, era a própria história. Falava da marcha da razão pelo mundo. A história era o lento caminhar da humanidade para o absoluto que para ele foi representada no estado prussiano e na sua própria filosofia.

O mundo caminhava através de um constante processo dialético onde uma tese seguia-se a um antítese e por fim a um síntese. Havia a monarquia absoluta, esta era a tese. Sua antítese era a democracia. Do confronto das duas surgiu a monarquia parlamentarista e assim por diante. A evolução humana era um constante devir dialético.

Um ponto que parece-me importante para entendê-lo é compreender a dialética entre quantidade e qualidade. Para Hegel as modificações qualitativas se dão por mudanças quantitativas que por estas mudanças muda de qualidade.

A água, por exemplo, perde uma quantidade de calor para resfriar. Ela chega a zero graus sem modificação aparente mas basta sacudi-la para que subtamente ela se transforme em gelo. A mudança qualitativa foi precedida pela mudança quantitativa e mais, ela ocorreu em um salto.

Viagem? Este é só o começo!

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Now playing: Supertramp - Take The Long Way Home
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Enquanto isso, nas Laranjeiras...



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Now playing: Supertramp - The Logical Song
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terça-feira, setembro 23, 2008

Mais um produto da sociedade moderna

Uol:

Um estudante abriu fogo dentro de uma escola profissionalizante para adultos em Kauhajoki, na Finlândia, nesta terça-feira, matando dez pessoas. Em seguida, o atirador se matou.

Comento:

Imagina a confusão que seria se esse episódio fosse nos Estados Unidos. A culpa seria, claro, do malvado capitalismo americano que oprime estes jovens de classe média com titica na cabeça. Mas foi na Finlândia, fica mais difícil jogar a culpa na cultura norte americana.

As autoridades finlandesas estão reunidas pare tentar achar as causas da matança. Procuram na sociedade o fatos desencadeador e já encontram o vilão de sempre: as armas. Parece que se não se vendessem armas na Finlândia o maluco estaria dedicando sua vida à hotelaria.

Como sempre estão olhando para fora do homem procurando suas falhas quando elas estão em si mesmo. Esse jovem é um perturbado que poderia existir em qualquer país e acreditem, existe. Foi um pouco mais longe e transformou seu mal estar em um ato covarde contra pessoas indefesas. Sua arma não saiu atirando sozinho, foi um ser humano que a disparou.

O que leva uma pessoa a chegar a este ponto? De onde vem tanta angústia e ódio a seus semelhantes? O que leva uma pessoa a não só terminar sua vida como levar a de outros junto com ele?

Antes de colocar a culpa nos fatores externos é bom lembrar que pelo menos milhares de pessoas estão submetidas aos mesmos problemas pessoais que este finlandês passou. Por que a imensa maioria não sai por aí atirando? Por que a perturbação de um deve ser tomado como um padrão de toda uma sociedade?

Um mundo que não acredita em valores universais, que relativa seus ideais, não pode estar em um bom caminho. Não é por acaso que existem cadas vez mais pessoas em consultórios de terapia tentando entender seus dilemas, tentando "se encontrar" nesta teia de horrores que se transformou a sociedade moderna. Uma existência sem ideal, sem valores, torna-se frágil para os dissabores da vida. No fundo vejo a perda da esperança, da fé.

O homem retirou Deus do pedestal e o substituiu por uma infinidade de falsos ídolos. Dinheiro, fama, poder, ideologia, qualquer destes caminhos levam à angústia.

Vejo a humanidade fracassando e as vozes de bom senso sendo relegadas a opiniões excêntricas, a coisa de reacionários. A humanidade substituiu Deus pelo homem, este passou a ser o centro do universo. É um projeto fracassado que tem tudo para piorar a cada instante. Não devemos ter fé no homem, nem mesmo em nós mesmos; devemos ter desconfiança da humanidade, este é o caminho para progredirmos.

Temos que duvidar de nós mesmos a todo instante pois somos seres imperfeitos, sujeito a falhas. O que não devemos duvidar é do mistério, do divino, da verdade. O humanismo inverteu esta equação e o resultado é esta sociedade que construímos e um produto eventual são estes lunáticos.

O demônio existe e está em nosso coração, nos tentando a cada instante; devemos combatê-lo o tempo todo vigiando nossos atos e até nossos pensamentos. Foi um ensinamento que Cristo nos deixou e que é cada vez mais ignorado pois foi substituído pela confiança ilimitada em nossas próprias capacidades. Todos estamos sujeitos a queda; quem não entende esse fato fundamental da existência já está perdido.

Não é no homem que devemos ter fé, muito menos em nós mesmos.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Vida curta?

Top 5: Músicas com chuva

1. Have you Ever Seen the Rain (Creedence Clearwater Revival)

Esta é uma das minhas músicas favoritas de todos os tempos. Gosto particularmente da introdução e das linhas de baixo na entrada do refrão.

2. Rain (Uriah Heep)

A interpretação de David Byron ficou para a história da banda e do rock. Arrepia até hoje.

3. Crying in the Rain (Whitesnake)

Um blues no melhor estilo da banda, com solo de guitarra arrasador de John Sykes.

4. Another Rainy Night (Queensryche)

Um baladão de primeira com uma letra maravilhosa.

5. Raindrops Keep Falling in My Head (B. J. Thomas)

Não dá para escutar esta música sem lembrar do Paul Newman andando de bicicleta em Buch Cassidy.



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Now playing: Iron Maiden - For The Greater Good Of God
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domingo, setembro 21, 2008

Eterna Revolução

Segue um link com um resumo de um capítulo da magistral obra de Chesterton, Ortodoxia, que trata de uma reflexão sobre o conceito de revolução. O inglês defendia que o verdadeiro revolucionário era o conservador e que o cristianismo era a chave para mudar verdadeiramente o mundo.

Todo esse argumento em favor do cristianismo é que um homem que depende dos confortos desta vida é um homem corrupto, espiritualmente corrupto, politicamente corrupto, financeiramente corrupto. Há uma coisa que Cristo e todos os santos cristãos disseram com uma espécie de monotonia cruel. Eles disseram simplesmente que ser rico é correr o risco peculiar do desastre moral.


A Eterna Revolução

Flamengo 1 x 0 Ipatinga

Ufa!!!!

Demorou, mas o rubro-negro está de volta ao G4 e ainda luta pelo título.

Foi um jogo ruim, muito nervoso. No segundo tempo, o Flamengo jogou muito recuado e terá que melhorar muito para superar o Sport no próximo jogo pois é seguramente um time bem melhor do que este do Ipatinga.

Foi 1 x0, mas pareceu uma goleada!


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Now playing: Uriah Heep - Spider Woman
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sábado, setembro 20, 2008

Músicas com chuva...

  1. Another Rainy Night(Queensrÿche)
  2. Rain (Uriah Heep)
  3. Será Que Vai Chover? (Paralamas do Sucesso)
  4. Crying In The Rain (Whitesnake)
  5. Have You Ever Seen The Rain (Creedence Clearwater Revival)
  6. Raindrops Keep Falling In May Head (B. J. Thomas)

Isso em cinco minutos... vou pensar em mais algumas e fazer um top 5. He He

ps: It's raining men não vale!!

Brasília diferente...

Parece mentira, mas não é.

Brasília está diferente hoje...

Está chovendo!!!

Caraca! Fazia tempo!


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Now playing: The Strokes - The Modern Age
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Retrato do Artista Quando Jovem

A Portrait of the Artist as a Young Man
James Joyce, 1916

Stephen Dedalus é um alter-ego de Joyce neste livro que descreve o crescimento espiritual de um jovem e seu despertar para a religião e filosofia. Joyce usa muito poucos diálogos e divide a obra em cinco capítulos, cada um referente a uma determinada época da vida de Stephen.

Para cada capítulo a narrativa reflete o próprio amadurecimento do personagem. No primeiro, por exemplo, Stephen é apenas uma criança que tenta entender como os colegas podem fazer uma pergunta para ele e independente da resposta dada brincarem com ele da mesma forma.

Destinado pela família a se tornar padre estuda em um colégio religioso. Aos poucos vai se revoltando com este destino, tenta um retorno pelo arrependimento em um capítulo onde Joyce descreve uma imagem do inferno aterradora para os pecadores, mas termina na universidade onde descobre a filosofia e descobre sua vocação como poeta.

O último capítulo é o melhor de todos, especialmente pelo diálogo entre Stephen e seu amigo Cranly. Ao mesmo tempo que Stephen está deixando para trás a religião por ter perdido a fé descobre que ficou uma marca do cristianismo em sua alma que não conseguirá extirpar. Em certo momento, Cranly chama Jesus de charlatão e hipócrita, deixando o jovem poeta desconcertado.

__ Dize-me a verdade. Não ficou completamente chocado com o que eu estive dizendo??
__ Um tanto __ confirmou Stephen.
__ Mas chocado por que __ insistiu Cranly, com o mesmo tom __, se estás certo de que a nossa religião é falsa e de que Jesus não é filho de Deus?


Sua fuga não é apenas da religião, mas do patriotismo irlandês que marcou sua geração. Seus colegas o questionam por que não defende a língua irlandesa e responde:

__ Os meus antepassados jogaram fora a sua língua e tomaram outra __ disse Stephen. __ Consentiram que uma porção de estrangeiros os subjugassem. Imaginas então que eu vou pagar com a minha própria vida e pessoa as dívidas que contraíram? Para quê?


Não é um livro fácil de ler, tem um ritmo moroso. Para os insistentes fica as reflexões de uma pessoa que luta para se livrar do passado que lhe é imposto para seguir por um caminho novo e desconhecido.


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Now playing: Jimi Hendrix - Changes
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sexta-feira, setembro 19, 2008

Curtindo!

Nada como uma sexta a noite tomando um Black Label e curtindo um bom rock'n'roll. Segue abaixo a lista que estou escutando agora no itunes:

quarta-feira, setembro 17, 2008

O Império da Lei

Uma das melhores séries que já assisti foi Everwood. Contava a estória de um médico famoso que ao perder a esposa percebeu que nada mais o ligava aos próprios filhos, que era um estranho em sua própria casa. Tentando achar um sentido para sua vida, muda-se para uma pequena cidade gelada em busca de um recomeço.

Não assisti todos os episódios, mas comprei-os recentemente e tornou-se um programa familiar para nós. É um momento que juntos assistimos os episódios e refletimos um pouco sobre nossas próprias vidas. Eu e minha esposa nos vemos em vários dramas que são retratados mas é especialmente meu filho que fica mais empolgado com a série. Funciona como uma terapia para todos nós.

Hoje assistimos um episódio em que o outro médico de Everwood é impedido de continuar clinicando. Durante um tempo dividiu seu consultório com a irmã, também médica, que estava com AIDS. Esconderam dos pacientes esta situação mas eventualmente a situação ficou conhecida e os pacientes se revoltaram. Ela abandonou a clínica e acabou indo embora da cidade.

Quando tudo parecia resolvido veio a surpreza. A seguradora do médico não iria continuar com ele pois temiam que se um paciente contraisse a doença poderia processá-lo. Logo ficou evidente que nenhuma outra seguradora o cobriria; sem seguro foi obrigado a parar de clinicar.

O Estados Unidos tornou-se um prisioneiro do Império da Lei. Praticamente toda ação humana pode resultar em um processo. Um médico pode salvar a vida de um paciente em uma operação de risco e mesmo assim ser processado por ter arriscado um procedimento qualquer. Cliente que derramou café em si mesmo pode processar o estabelecimento pela bebida estar quente demais.

A lei deixou de ser um proteção ao indivíduo e a sociedade para tornar-se um meio de conseguir algum objetivo. Não precisamos ir longe, conheci gente que ficou feliz em ter um vôo cancelado porque ganhou uma oportunidade de abrir um processo e ganhar uma indenização. Esta mesma pessoa se gabava de ter mais dois processos em andamento.

Direito? Pode até ser. Mas até onde estes direitos não acabam por prejudicar toda uma coletividade? Até onde este direito vai além de uma reparação e torna-se uma forma de obter ganhos?

O aperto de mão e o compromisso de boca estão desaparencendo. Alguns defendem que trata-se de uma evolução da sociedade. Não sei. Parece-me mais que estamos recuando no tempo. Não vejo com bons olhos uma sociedade onde o que vale é uma assinatura com mais duas testemunhas.

Advogados ativistas, não raro espertalhões, passeiam por hospitais e funerais distribuindo cartões procurando clientes e causas. Uma vez vi um filme que um advogado pulava de um taxi diante de um acidente de carro para oferecer seus serviços. Parece que nada é mais importante na sociedade comtemporânea do que os códigos legais.

O grande problema, a meu ver, é que esta sociedade trata as leis como código moral, o que absolutamente não é. Estamos abandonando as tradições, as verdadeiras fontes de moralidade, por acordos estabelecidos por nossos representantes. Não vejo evolução nisso, vejo exatamente o contrário, vejo a queda.

Profissão de Engenheiro





terça-feira, setembro 16, 2008

Fé como substância

A fé é hypostasis das coisas que se esperam; prova das coisas que não se vêem.


Na encíclica Spe Salvi, Bento XVI discute o papel da fé como necessidade para salvação. Essa frase, da Carta aos Hebreus, t0rnou-se uma discussão na época da reforma, principalmente pela tradução da palavra hypostasis.

Os padres da Idade Média, entre eles Tomás de Aquino, traduziram a palavra como substância. Desta forma, a fé seria a substância das coisas que se esperam; prova das coisas que não se vêem. Esta visão coloca a fé como uma substância na medida que as coisas que nós esperamos, a totalidade, a vida verdadeira, já estão em nós; exatamente por trazermos estas coisas em nós, mesmo que não as vejamos, temos a certeza de sua existência. A fé é a prova destas coisas.

Lutero não concordava com esta interpretação e traduziu hipóstese "não no sentido objetivo (de realidade presente em nós) mas no subjetivo, isto é, como expressão de uma atitude interior". A tradução ecumência em alemão do novo testamento traduziu a frase como a fé é permanecer firmes naquilo que se espera, estar convencido daquilo que não se vê.

Bento XVI argumento que esta tradução de Lutero fugiu ao sentido original que tira da fé o caráter de prova das coisas do espírito e a coloca no terreno da subjetividade, como algo próprio da crença pessoal. A fé como prova tem muito mais força para entendermos que existe um futuro além da vida material e que devemos viver nossa vida no presente em função deste futuro.

O fato de este futuro existir, muda o presente; o presente é trocado pela realidade futura, e assim as coisas futuras derramam-se naquelas presentes e as presentes nas futuras.

segunda-feira, setembro 15, 2008

O que é normal no esporte de alto nível?

Adoro esportes, tanto que é um assunto recorrente deste blog. Assisti o máximo que pude das últimas Olimpíadas e uma das coisas que me chamou a atenção foi a quantidade de vezes que a palavra sofrimento foi associada com a palavra normal.

Várias vezes escutei que o atleta era acostumado com a dor, que competir com lesões fazia parte do esporte. Foi no judô, foi na Ginástica, no atletismo. Durante os jogos conversei sobre o assunto com vários colegas, alguns ex-atletas de nível amador, e confesso que comecei a sentir-me incomodado. Até onde sentir dor e ter lesões pode ser considerado normal?

Lembro das mãos arrebentadas de Laís na ginástica e a comentarista da sportv dizendo que não era nada demais. Não consegui deixar de ver uma menina de 15 anos, com ar de sofrimento, tentando passar uma imagem de que não estava sentindo nada.

É comum escutarmos que um atleta de alto nível está sempre superando seus limites. Pois eu pergunto: isso é saudável? Não estaremos passando da conta na busca pelas glórias que o esporte nos dá?

Um colega nadador uma vez me disse: "preste atenção nos nadadores que detém os recordes para pessoas da terceira idade, aqueles nadadores de 60, 70 anos. Nenhum deles foi atleta, são pessoas que se dedicaram ao esporte de forma gradativa, já com alguns anos de maturidade. Nenhum atleta de nível chega aos 60 anos conseguindo nadar o mesmo que um destes velhinhos."

Cada vez o atleta precisar reservar uma carga maior para poder se sobressair nas competições internacionais. Será que não pagará um preço pelo exagero? Não estarão se excedendo na medida?

Faço este post inspirado pela matéria da Uol sobre as denúncias de maus tratos na Confederação Brasileira de Ginástica onde Jade Barbosa descobriu que tem osteonecrose em um dos punhos[1]. É normal ter uma lesão destas? Até que ponto a lesão da atleta foi agravada para preservá-la para os jogos olímpicos?[2]

Outras ginastas surgem com estórias parecidas [3]. Acho que está na hora de glorificar menos o esforço sobre-humano dos atletas de alto nível e entender que o sobre-humano pode não ser uma coisa boa. Aristóteles ensinou que a virtude está no justo meio. Será saudável transformar o esporte no extremo de uma vida?




[1]http://esporte.uol.com.br/ginastica/ultimas/2008/09/10/ult803u726.jhtm

[2]http://esporte.uol.com.br/ginastica/ultimas/2008/09/12/ult803u727.jhtm

[3]http://esporte.uol.com.br/ginastica/ultimas/2008/09/15/ult803u730.jhtm

domingo, setembro 14, 2008

Ortodoxia


Se me perguntarem, num sentido puramente intelectual, por que acredito no cristianismo, só posso responder assim: "Pela mesma razão que faz um agnóstico inteligente não acreditar nele". Acredito no cristianismo de moto totalmente racional, com base na evidência. Mas a evidência no meu caso, como no caso do agnóstico inteligente, não está nesta ou naquela alegada demonstração; está num enorme acúmulo de fatos pequenos, mas unânimes.


Ortodoxia é um livro magistral, uma ode ao livre pensamento, à busca sincera por respostas para os sentidos ocultos da nossa própria existência. É uma defesa da fé que engrandece a alma, um apoio para dias difíceis onde chegamos ao ponto de querer desistir de pensar.

Chesterton conta uma maravilhosa viagem, uma busca de respostas racionais para nossa existência. Para realizar esta busca abandonou os conceitos religiosos e jogou-se de corpo aberto às teorias materialistas, atéias, agnósticas. Livrou-se de tudo que o prendia à religião e buscou entender o mundo.

Pois conseguiu, chegou a muitas respostas para os problemas de sua época. Com estas respostas veio o espanto, ele não havia descoberto nada de novo! Todas as respostas estavam justamente no ponto que havia partido, no cristianismo.

Pois se este livro é uma brincadeira, ele é uma brincadeira contra mim mesmo. Eu sou o homem que com a máxima ousadia descobriu o que já fora descoberto antes. Se nas páginas que seguem há um elemento de farsa, a farsa é às minhas custas; pois este livro explica como eu fantasiei que era o primeiro a pôr os pés em Brighton e descobrir que era o último. Ele relata as minhas obtusas aventuras em busca do óbvio.


Ao longo das páginas me peguei refletindo sobre pontos que nunca antes havia pensado. Confesso que houve momentos em que achei estar diante dos pensamentos de um louco, para logo a seguir ficar sinceramente admirado com a genialidade. Chesterton coloca suas idéias de forma arrebatadora, em cores vivas. Não há espaço para a dubiedade, é um autor que defende suas crenças com ardor e com invejável honestidade.

O homem moderno é mais uma vez desnudado e suas limitações são colocadas às claras. É um homem que foi convencido a duvidar de tudo, até mesmo da existência da verdade. Como Chesterton definiu "o homem foi concebido para duvidar de si mesmo, mas não duvidar da verdade, e isso foi exatamente invertido".

O resultado é um homem que nunca duvida de si mesmo, que acredita que a verdade não existe. Uma receita para o caos e a degeneração da própria humanidade.

sexta-feira, setembro 12, 2008

Salário Mínimo

Segundo Gonçalves e Guimarães [1], são 3 os fatores que definem o salário de um trabalhador:
  1. O quanto o empregador está disposto a pagar pelo trabalho oferecido;
  2. Por quanto o empregado está disposto a vender seu trabalho;
  3. O poder de barganha entre empregado e empregador.
Para que o empregador defina até quanto está disposto a pagar pelo trabalho de alguém ele leva em conta a produtividade desta pessoa. Quanto o trabalho dela vai implicar em seu negócio? Qual será o ganho que sua empresa terá com o trabalho dela? Um fator essencial nesta equação é a capacitação profissional do empregado; quanto mais ele for capaz de produzir mais o empregador estará disposto a pagar por seu trabalho. É preciso entender que o empregador não pagará mais do que o empregado rende para sua empresa.

Quando uma pessoa decide vender seu trabalho ele está buscando benefícios. O salário é o principal, mas outros fatores são igualmente importantes como plano de saúde, aposentadoria, satisfação pessoal. A pessoa quando decide trabalhar abre mão de um bem precioso, o tempo. Quanto vale o tempo de cada um? Até que ponto ela está disposta a abrir mão de um baixo salário por seu tempo? Claro que a necessidade que ela tem de trabalhar influi neste valor, assim como a capacidade que ela tem de produzir.

Fossem apenas estes dois fatores, teríamos a definição do salário por uma fórmula matemática, mas não é assim. Um terceiro fator tem muita influência na definição: o poder de barganha entre empresas e trabalhadores. Em um mercado onde existe uma grande quantidade de mão de obra não qualificada o valor do salários para este segmento tenderá a ser baixo pois a oferta de trabalho é muito superior a demanda. O contrário acontecerá nos empregos que exigem maior qualificação; como este universo é pouco, os empregadores disputarão o profissional. É o que está acontecendo neste momento no Brasil com a falta de engenheiros no mercado. O salário médio da categoria está crescendo significativamente.

Tudo isso é livre mercado. No entanto temos o estado que interfere significativamente na economia como um todo, também na definição de salário.

Há razões para interferência do estado? Se considerarmos que a existência de uma grande massa de desempregados gera uma externalidade negativa para toda a sociedade, pode-se concluir que sim, que é preciso proteger o emprego. O grande problema é como fazer isto.

Se o estado agisse seguindo princípios econômicos teria que agir nos fatores apresentados. É interesse da sociedade ter um salário médio elevado? Seguramente que sim pois implica em maior satisfação para as famílias além do aumento do poder de compra da sociedade aumentando o mercado consumidor e com conseqüente aquecimento da economia.

Como esta interferência poderia ser feita? De várias formas, basta analisar os fatores.

O empregador estará disposto a aumentar o salário se o empregado se tornar mais produtivo; o governo poderia investir então na capacitação técnica do empregado. Quando o empregador calcula o salário leva em conta todos os encargos sociais e impostos que pagará pelo trabalho, quanto maiores forem estes encargos menos poderá pagar de salário. Diminuir estes encargos é outra saída.

O problema é que muitos governos optam por soluções políticas para resolver problemas econômicos. Um dos grandes exemplos é o salário mínimo.

Todo ano existe uma grande discussão sobe a fixação do salário mínimo, ou seja, o mínimo que o empregador poderá pagar pelo trabalho. É um número artificial, imposto politicamente, que não leva em conta os fatores apresentados.

Se o salário mínimo for superior ao que o empregador pode pagar, fruto da produtividade do trabalhador, ele não fará a contratação. Não adianta querer que ele pague mais do que pode, o resultado é o desemprego e o aumento da informalidade. Existe uma correlação positiva entre o aumento do salário mínimo e o aumento do desemprego.

Quantas pessoas estariam dispostas a ganhar menos para conseguir um emprego? Vejam que a lei do salário mínimo atua principalmente no segmento menos capacitado no mercado de trabalho, justamente os que são prejudicados com a interferência nociva do governo.

Um segmento particularmente afetado pela política do salário mínimo são as empregadas domésticas. As que estão empregadas são beneficiadas pela lei. Só que muitas não conseguem um emprego justamente pela lei que mais do que um direito é um dever. Ela não pode abrir mão deste direito e torna-se prisioneira de uma política que em tese deveria ajudá-la.

Conheço várias famílias que deixaram de contratar os serviços de uma doméstica por não terem condições de arcar com os custos deste trabalho. Muitos já argumentaram comigo que isto é bom pois o serviço doméstico é um resquício da escravidão, que deve ser eliminado.

Não entendem que fazemos escolhas. Uma moça, sem educação apropriada e sem perspectiva, escolhe trabalhar como doméstica porque é a melhor opção que vislumbra dentre as poucas disponíveis. É ilusão querer achar que podemos fazer esta opção por elas. Fechando esta porta estaremos obrigando-as a escolher opções piores como o desemprego, a mendicância, a prostituição. Se queremos acabar com o serviço doméstico no Brasil é preciso melhorar as opções para esta pessoa e não vejo uma opção melhor do que a educação.

O salário mínimo é uma discussão sem sentido pois trata-se de uma solução política sem relação com a realidade. Analisando os países desenvolvidos percebe-se que existe uma correlação positiva entre nível educacional e média salarial. Este deveria ser o foco das políticas para o emprego no Brasil e não campanha após campanha discutir qual o valor mágico para um salário, ignorando por inteiro os fatores econômicos.





[1] Gonçalves e Guimarães, Economia Sem Truques, Editora Campus

Los três Amigos...

quinta-feira, setembro 11, 2008

Kevin Smith está de volta

Oba! Mais um Kevin Smith saindo do forno!

Uol:

O diretor Kevin Smith (Menina dos Olhos) falou sobre seu novo filme, Zack and Miri Make a Porno em entrevista ao MTV News, do site da emissora norte-americana.

Smith contou que o longa contará com uma cena de nudez. "Você poderá ver cada polegada de Jason Mewes (De Pernas Pro Ar) nesse filme", afirmou. "Demorei um pouco para convencê-lo. Acho que a idéia de fazer isso em um longa - de eternizar a cena - fez com que ele precisasse de um tempo. Mas ele logo disse ‘ok, vou fazer isso’", contou.


Agora citar como referência o filme Menina dos Olhos foi de lascar, embora goste do filme. A melhor referência seria "Clerks" ou mesmo "Dogma".

Smith tem um excelente site, visite aqui. Sempre tem coisa interessante por lá.

segunda-feira, setembro 08, 2008

Livros de Não ficção

Normalmente as revistas brasileiras publicam suas listas de livros de ficção e de não ficção. Não gosto das coisas definidas pela antítese de outras, mas não consigo pensar em nenhum nome melhor para livros de não ficção, portanto, vai este mesmo.

Até dois anos atrás não havia lido praticamente nenhum livro enquadrado nesta categoria. Venho tentado recuperar este tempo extraordinariamente perdido e tenho hoje uma estante razoável com livros de filosofia, história, política, etc.

Do que li nestes dois anos resolvi fazer meu top 5:

  1. Apologia de Sócrates (Platão) - É um livro extremamente curto mas de profundas reflexões. Mais do que descrever os discursos do filósofo no julgamento que o condenou, ficamos sabendo da natureza de sua missão e sua relação com a divindade. Com profunda humildade Sócrates se colocava como um instrumento dos Deuses que estava na terra em uma missão divina de ensinar as pessoas a pensarem por si mesmas.
  2. Fundamentos de Antropologia (Stork e Echevarría) - Neste livro os autores dissecam as dimensões da existência humana. Vida, família, política, sociedade, objetivos, justiça, tudo é assunto para a análise da nossa natureza. No plano de fundo Aristóteles. Uma de minhas obras de cabeceira.
  3. O Saber dos Antigos (Giovani Reale) - O italiano defende a tese que, conforme previsto por Nietzsche, o homem matou Deus e inverteu os valores clássicos. O problema é que o espaço que antes era ocupado pela divindade foi substituído originando os males do mundo atual. Ele apresenta os 10 principais males e propões remédios que já haviam sido propostos pelos clássicos gregos há muito tempo atrás. Um livro fascinante que termina com a oração do filósofo de Sócrates.
  4. A Rebelião das Massas (Ortega Y Gasset) - No início da década de 30, o grande filósofo espanhou desnudou a sociedade que se formava e apresentou-nos a sua figura símbolo, o homem massa. Foi um chute no estômago, e bem dado. Hoje fico olhando para este mundo repleto de homens massas e me perguntando: onde foi que perdemos o rumo?
  5. Raízes do Brasil (Sérgio Buarque de Holanda) - Não dá para entender a formação do homem brasileiro sem ler esta obra. Nem a principal contribuição brasileira para o mundo que foi mal entendida por tanta gente: o homem cordial. Você termina o livro encarando o Brasil de forma bem diferente de quando começou...
Tudo começou com uma bala. Com uma delas eu quebrei um bloco; isso na segunda, no sábado consegui um horário com um amigo nosso.

O problema é que na sexa fui em um empezinho. Na primeira costeleta de carneiro senti o creck. Minha esposa achou que tinha sido apenas o núcleo que soltara, nada demais. Pois é. No sábado o diagnóstico, tinha fraturado a raiz, o que significava que entraria no mundo mágico dos implantes.

A cirurgia foi marcada para domingo à tarde; tinha pressa por causa da ida para o Haiti. Pelo menos o consultório tinha tv e dvd, pude escolher minha trilha sonora! No meio de motores e um pouco de força bruta escutava Ringo e sua All Time Band. Se é para sofrer um pouco que seja com estilo!

Deu tudo certo na cirurgia embora o dente tenha se esmigalhado na hora de arrancar e o dentista tenha que tirar pedacinho por pedacinho. Apesar a anestesia e não sentir dor confesso que é uma sensação bem ruim ter alguém fazendo tanta força na sua boca.

O fato é que terminou e passei a noite de ontem tomando doses generosas de sorvete de creme. Acho que meus dias de comedor de balas já era, não estou nem um pouco a fim de passar por isso novamente.

Agora é ficar um tempo sem falar para evitar complicações. Ainda bem que posso digitar!

sábado, setembro 06, 2008

Dancei

Acabei de saber que fraturei um dente e não vai ter jeito, o dente já era. Vou para o implante, começando amanhã.

Eu sei, é um saco. Fazer o que?

Até ousei sugerir ficar sem mas a reação foi forte aqui em casa. rsrs. Mulher dentista é fogo...

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Now playing: The Band - Rag Mama Rag
via FoxyTunes

Mais um diploma para Loly

Tirar sangue é algo difícil para crianças pequenas, algumas dão escândalo, outras nem tanto. A Loly é do primeiro tipo, e das boas! Estava tudo combinado mas na hora H não teve jeito, abriu o bueiro e tivemos que segurar mesmo. A bichinha tremia de tanto medo! Depois acabou levando um susto de tão rápido que foi. De qualquer forma ganhou um diplominha que divido com vocês.

quinta-feira, setembro 04, 2008

Figueirense 2 x 3 Flamengo

Aos poucos o mengão vai voltando aos trilhos e o principal fator foram as reposições realizadas no elenco deixando evidente que as vendas e contusões foram os principais responsáveis pela queda abrupta de rendimento no fim do primeiro turno.

O time venceu o jogo no primeiro tempo quando sobrou em campo e jogou uma das suas melhores partidas no campeonato. No segundo foi surpreendido com o gol do Figueira (como acertam chutes contra o Flamengo!) mas conseguir jogar com tranqüilidade até fazer seu terceiro gol e administrar o final.

O próximo jogo é interessante. Uma derrota contra o São Paulo não é um desastre, mas uma vitória seria um passo importante para até mesmo disputar o título pois o Flamengo terá uma seqüência interessante de jogos pela frente.

Enfim, o campeonato está aberto e é bom ver o Flamengo voltar à disputa.

quarta-feira, setembro 03, 2008

Cielo e CBDA

Muito interessante as declarações de nosso campeão e recordista olímpico César Cielo Filho sobre a participação da Confederação Brasileira de Esportes Aquáticos (CBDA) em sua conquista. Mais do que não ajudar, a Confederação fez de tudo para atrapalhar. O motivo? César fez o certo, foi treinar em um país onde o esporte não tem a dimensão política que tem por aqui.

Quando decidiu treinar fora teve seu patrocínio retirado pela CBDA mostrando o perigo que existe em deixar recursos públicos nas mãos de burocratas. O mais interessante foi o ápice do afastamento, Cielo recusou-se a interromper seu treinamento para subir na rampa com Lula! Começa a ficar mais claro porque nossa natação consegue feitos tão fantásticos nos Jogos Olímpicos.

Sabem quanto custou cada medalha de ouro brasileira? 400 milhões de reais, isso considerando a medalha do nadador. Saiu quase tudo do nosso dinheiro. Só para ter um comparação, Gustavo Ioschpe em recente artigo apresentou o custo de cada medalha de ouro americana: 32 milhões! E quase nada de dinheiro público!

No entanto o modelo que sempre nos fascinou foi o cubano, nosso referencial olímpico. Agora que a ilha caribenha está em franca decadência refletindo no esporte seu enorme desastre econômico, voltamos nossos olhos para a China. Devem estar brincando. Gostaria de saber quanto custou cada medalha de ouro chinesa em esportes tão significativos como levantamento de peso ou badminton.

É isso aí Cielo, manda uma banana para esta gente toda e até mesmo para este país. Eles bem que merecem.

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Now playing: Dirty Mac - Whole lotta yoko
via FoxyTunes

terça-feira, setembro 02, 2008

California Here I Come

Mais uma do Shocking Blue

Modernidade

I

Oh! mundo moderno de tão pujantes novidades,
que confia cegamente em falsos ídolos,
condenando ao esquecimento pensamentos vivos,
conduzindo existência repleta de iniqüidades.

Falsas certezas, origem de falsas verdades,
sob o véu de uma fria ciência que nos
aterroriza pelo alcance de inúmeros vetos
à vida, extensão maior de nossos valores.

Não por acaso como manadas somos conduzidos
a duvidar de ideais, como covardes
que escondem-se abrindo mão de suas liberdades.

Escravos nos tornamos influenciados pelos ímpios,
que na razão cega buscam sufocar o que herdardes,
na lenta agonia de destruir o legado de nossos antepassados.


II

Convenceram-nos que nossa fé não tem sentido,
quando sem sentido é uma vida sem valor.
Convenceram-nos que ao mistério devemos nos opor,
quando este é o pensamento a ser temido.

Encontramos a magia em tudo que é vivido,
na sua ausência sentimos no mundo o horror,
de saber que quando tudo mais se for,
restará a inexistência de tudo que foi esquecido.

Convenceram-nos que cega é nossa fé no amor
de Deus, propósito para tudo que é sofrido,
clamando pela justiça que desejam nos impor.

Convenceram-nos na falsa justiça como promotor
do mundo sem esperança e dividido,
sob a promessa impossível de uma existência sem dor.

III

Não demorou para surgir um novo pensamento,
fé inabalável nas próprias certezas, criou-se ideologia,
inaugurando era que na humanidade surgia,
confinando a verdade na prisão do manifesto.

Justiça social, justificativa para a morte e assassinato,
apenas o começo do tempo da violência,
admirável mundo novo onde culminou a ignorância
suplantando a liberdade, relegada em novo pacto.

Destruição espalhada pelo globo em cada canto,
tendo no discurso a suprema hipocrisia.
oh! existência que perde a cada dia o encanto.

Mata-se pela paz, jogo de palavras sem fundamento,
pois o ódio que na humanidade já se antevia,
conduziu o homem a perder no espelho seu próprio rosto.

IV

O novo homem busca no futuro a resposta
que seu passado mostra sem cessar,
para olhos capazes de na névoa enxergar,
a verdadeira natureza de sua própria pergunta.

A fé é o caminho seguro para que nesta
vida compreendas que necessitamos sempre imaginar
no construtivo processo que nos leva a criar
e entender a nossa volta a verdade manifesta

em cada pequena folha da imensa floresta,
existência que tentamos em vão controlar,
impedido que somos pela sabedoria infinita.

No coração do homem a verdade é posta,
para que possa com esperança e paciência aguardar
a verdadeira justiça que será sua maior conquista.

Oliver Marcus

Prosseguindo com o mac

Por enquanto o mac tem me agradado bastante. É claro que nem tudo é perfeito, mas até agora não sentir a necessidade de instalar o windows na máquina. Minhas maiores dificuldades até o momento são:
  • A impossibilidade de comunicação por vídeo com o MSN. Meus contatos são todos deste sistema mas raramente tenho a necessidade de comunicar-me por este meio, normalmente o teclado é o suficiente. Estou usando o Adium e o único incoveniente foi não ter sido capaz de colocar uma frase sob meu nome de usuário, rsrs.
  • Não consegui ainda descobrir como copiar um dvd. No domingo à noite entrei em alguns sites sobre o assunto mas ainda não encontrei o caminho.
  • A acentuação em português. Conseguir baixar da internet a configuração para teclado internacional e funcionou bem, o problema é que não são todos os aplicativos que aceitam. Nestes casos simplesmente o teclado deixa de funcionar e é preciso trocar a definição para conseguir digitar.
  • Acertar a pronúncia correta para o computador reconhecer os comandos de movimento no jogo de xadrez. rsrss. "Pawn e2 to e4" já está bom, rsrss.
No resto vem atendendo bem, dentro das expectativas e em algumas vezes até superando-as. Será uma viagem sem retorno? Isso é o que veremos...

PS: a tentação de experimentar o civilization IV na tela de 20 polegadas do Mac é enorme mas esta sim é uma viagem sem retorno. O viciado deve sempre evitar o primeiro gole!

segunda-feira, setembro 01, 2008

Tradição

Vi hoje a parte final de "Casamento Grego". É um destes filmes que não canso de assistir e sempre que está passando não resisto em dar uma espiadinha. Sempre tem um detalhe que não prestei atenção para refletir.

Em dado momento o irmão de Tula diz para ela que não pode deixar que o passado a defina, mas que este passado deve ser parte de sua nova vida. Talvez esteja aí todo o sentido de tradição e da sua importância para nossa evolução.

O homem não foi colocado no mundo agora, já está por aqui há algum tempo. Gerações e gerações nos antecederam construindo o conjunto de conhecimentos e práticas que entendemos como cultura. É a partir delas que devemos enxergar o futuro. Como já foi dito por alguém somos anões colocados sobre os ombros de gigantes e assim capazes de enxergar mais longe do que eles. Estes gigantes são o legado de nossos antepassados. Devemos ter sempre muito cuidado ao desprezar nosso passado.

Por isso desconfio de toda promessa de transformação radical, de revolução, seja de qual natureza for. Acredito que devemos mudar nossos rumos com passos seguros e bem pensados, devemos evoluir e não mudar tudo como se de uma hora para outra este conjunto se transformasse em uma praga.

O filme é uma gigantes homenagem à cultura. Tula tenta se revoltar contra ela mas compreende através da reverência de Ian que ela possui uma herança de extraordinária riqueza a ser preservada. Não intacta, mas cuidadosamente trabalhada. Mais importante ainda, existem valores universais para todas as épocas que deveriam ser a espinha dorsal da humanidade. Nos últimos tempos um quantidade cada vez maior de charlatões nos fizeram acreditar que valores são relativos, que devem evoluir com a história. Nos fizeram duvidar de quem nunca deveríamos duvidar, justamente as pessoas que mais nos querem bem no mundo, nossos pais.

Casamento Grego tem em seu cerne o que há de mais sagrado em nossa civização, a família. Ela não existe por acaso, constitui-se o núcleo social de nossa existência; nenhum esforço é pouco para preservá-la. É justamente sobre ela que agem os destruidores, os mal intensionados. A humanidade está perdendo esta guerra, muito pela nossa incapacidade de pensar livremente pois estamos cada vez mais presos em estruturas mentais idealizadas por falsos humanistas. Um homem incapaz de pensar e de se expressar já perdeu a batalha, tornou-se massa de manobra para os engenheiros sociais que pretendem transformar a humanidade.

Estamos aqui e temos o que temos por força de nossos antepassados. Devemos a eles ao menos o respeito por suas obas e pelo legado que nos deixaram. Antes de sair jogando fora uma tradição devemos nos perguntar se temos absoluta certeza que ela deve ser descartada. Existindo a menor dúvida é melhor deixá-las onde estão, por causa delas somos o que somos.

Flamengo 2 x 2 Fluminense

Foi um jogo bastante movimentado, cheio de alternativas e também muito estranho. O Fluminense fez dois golaços enquanto era dominado e o Flamengo fez os dele quase que na marra. O duro mesmo foi agüentar a narração e comentários da sportv, foi de lascar. É impressionante como um time se torna perfeito quando faz um gol e o outro uma bagunça. Se o Fluminense foi tão bom assim na partida porque seu melhor jogador foi o goleiro? Com a palavra a dupla que transmitiu a partida.

Os dois times acabaram no prejuízo mas com uma sensação que poderia ter sido pior. O Flamengo ficou mais longe do líder e cada vez fica mais evidente que sua luta ficará mesmo para conseguir disputar a Libertadores em 2009.

Se bem que ano passado, na mesma época, eu disse que sua disputa seria para não cair. Acabou em terceiro. Seria possível uma nova arrancada?