terça-feira, setembro 16, 2008

Fé como substância

A fé é hypostasis das coisas que se esperam; prova das coisas que não se vêem.


Na encíclica Spe Salvi, Bento XVI discute o papel da fé como necessidade para salvação. Essa frase, da Carta aos Hebreus, t0rnou-se uma discussão na época da reforma, principalmente pela tradução da palavra hypostasis.

Os padres da Idade Média, entre eles Tomás de Aquino, traduziram a palavra como substância. Desta forma, a fé seria a substância das coisas que se esperam; prova das coisas que não se vêem. Esta visão coloca a fé como uma substância na medida que as coisas que nós esperamos, a totalidade, a vida verdadeira, já estão em nós; exatamente por trazermos estas coisas em nós, mesmo que não as vejamos, temos a certeza de sua existência. A fé é a prova destas coisas.

Lutero não concordava com esta interpretação e traduziu hipóstese "não no sentido objetivo (de realidade presente em nós) mas no subjetivo, isto é, como expressão de uma atitude interior". A tradução ecumência em alemão do novo testamento traduziu a frase como a fé é permanecer firmes naquilo que se espera, estar convencido daquilo que não se vê.

Bento XVI argumento que esta tradução de Lutero fugiu ao sentido original que tira da fé o caráter de prova das coisas do espírito e a coloca no terreno da subjetividade, como algo próprio da crença pessoal. A fé como prova tem muito mais força para entendermos que existe um futuro além da vida material e que devemos viver nossa vida no presente em função deste futuro.

O fato de este futuro existir, muda o presente; o presente é trocado pela realidade futura, e assim as coisas futuras derramam-se naquelas presentes e as presentes nas futuras.

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