terça-feira, setembro 30, 2008

Lógica e Dialética

Mário Ferreira dos Santos
Ed Paulus


Mário Ferreira dos Santos foi um filósofo brasileiro. Existe este tipo de ser? Existiu, mas é ignorado pela intelectualidade brasileira. Mário foi um filósofo de primeira linha.

Cheguei até ele através de um texto de Olavo de Carvalho que questionava um intelectual da USP que afirmara que nunca existira um filósofo brasileiro. Olavo argumentou que o dito intelectual era um ignorante e usou o nome de Mário, reconhecido até em Oxford, para mostrar seu argumento. Guardei o nome e quando vi este livro na Livraria Cultura, comprei-o.

O livro trata, na essência, da busca do conhecimento ou seja, da própria razão da filosofia. Como identificar em nossa realidade a verdade? Como distingui-la? Como remover as camadas que escondem a verdadeira natureza das coisas?

Primeiro, o filósofo trata da Lógica Formal. A base é Aristóteles e seus silogismos, assim como seus princípios. Trata da ligação do sujeito com seu objeto, da definição para as coisas segundo uma relação baseada na razão.

Passei alguns anos ensinando (?!) lógica em cursinhos e pela primeira vez me deparei com toda conceituação que existe em torno do assunto. A obra de Mário é uma introdução a uma ciência que aplica as relações matemática aos fatos objetivos através da relação entre argumentos.

Na segunda parte começou o meu problema. Eu já tinha algumas idéias da dialética mas não imaginava que teria tanta dificuldade para entender seus conceitos e forma de utilização. Muito do livro ficou para mim incompreendido e confesso que veio um resultado de frustração. Nessas horas eu lembrava de Sócrates afirmando "só sei que nada sei". Justamente por não entender comecei a perceber que de alguma forma estava aprendendo algo.

Já perto do final, Mário diz uma coisa que me coloca mais luz em minhas próprias dificuldades:

Só conhecemos adequadamente aquilo para que temos esquemas.


Veio então a primeira compreensão: eu não tinha esquemas para entender a dialética hegeliana, nem mesmo a marxista. Estava lendo algumas coisas que não tinham base em meus conhecimentos anteriores; era como ler sobre geometria espacial sem saber o triângulo.

Partes da obra fugiram sim ao meu alcance e mostraram de certa forma o tamanho da minha ignorância. Tenho agora que continuar meu caminho a aprender o suficiente para que possa voltar a este livro mais tarde e entender o que Mário ensina sobre dialética.

Por fim o autor apresenta sua decadialética, sua forma de examinação que estrutura-se no que há de sólido na lógica clássica sem abandonar o que há de útil na dialética. Mais do que oposição entre as duas existe uma complementabilidade. Consiste na dialética dos 10 campos de raciocínio que combinados entre si tornam-se o raciocínio dialético complexo e heterogênio.

No capítulo final, Mário Ferreira dos Santos exemplifica a aplicação de seu método ao estudar a teoria do valor econômico. Apresenta as visões dos economistas clássicos, de Proudhorn, de Marx e a teoria marginalista como resumo do conhecimento anterior do problema. Através da aplicação da dacadialética chega a uma compreensão sua sobre o que seria o valor de um bem.

Trata-se de um livro que terei de lê-lo mais vezes e estudá-lo calmamente. Por que o esforço? Porque trata de um assunto que muito me interessa, a pesquisa sincera pela verdade. A busca da sabedoria, a razão da filosofia.

Nenhum comentário: