segunda-feira, setembro 15, 2008

O que é normal no esporte de alto nível?

Adoro esportes, tanto que é um assunto recorrente deste blog. Assisti o máximo que pude das últimas Olimpíadas e uma das coisas que me chamou a atenção foi a quantidade de vezes que a palavra sofrimento foi associada com a palavra normal.

Várias vezes escutei que o atleta era acostumado com a dor, que competir com lesões fazia parte do esporte. Foi no judô, foi na Ginástica, no atletismo. Durante os jogos conversei sobre o assunto com vários colegas, alguns ex-atletas de nível amador, e confesso que comecei a sentir-me incomodado. Até onde sentir dor e ter lesões pode ser considerado normal?

Lembro das mãos arrebentadas de Laís na ginástica e a comentarista da sportv dizendo que não era nada demais. Não consegui deixar de ver uma menina de 15 anos, com ar de sofrimento, tentando passar uma imagem de que não estava sentindo nada.

É comum escutarmos que um atleta de alto nível está sempre superando seus limites. Pois eu pergunto: isso é saudável? Não estaremos passando da conta na busca pelas glórias que o esporte nos dá?

Um colega nadador uma vez me disse: "preste atenção nos nadadores que detém os recordes para pessoas da terceira idade, aqueles nadadores de 60, 70 anos. Nenhum deles foi atleta, são pessoas que se dedicaram ao esporte de forma gradativa, já com alguns anos de maturidade. Nenhum atleta de nível chega aos 60 anos conseguindo nadar o mesmo que um destes velhinhos."

Cada vez o atleta precisar reservar uma carga maior para poder se sobressair nas competições internacionais. Será que não pagará um preço pelo exagero? Não estarão se excedendo na medida?

Faço este post inspirado pela matéria da Uol sobre as denúncias de maus tratos na Confederação Brasileira de Ginástica onde Jade Barbosa descobriu que tem osteonecrose em um dos punhos[1]. É normal ter uma lesão destas? Até que ponto a lesão da atleta foi agravada para preservá-la para os jogos olímpicos?[2]

Outras ginastas surgem com estórias parecidas [3]. Acho que está na hora de glorificar menos o esforço sobre-humano dos atletas de alto nível e entender que o sobre-humano pode não ser uma coisa boa. Aristóteles ensinou que a virtude está no justo meio. Será saudável transformar o esporte no extremo de uma vida?




[1]http://esporte.uol.com.br/ginastica/ultimas/2008/09/10/ult803u726.jhtm

[2]http://esporte.uol.com.br/ginastica/ultimas/2008/09/12/ult803u727.jhtm

[3]http://esporte.uol.com.br/ginastica/ultimas/2008/09/15/ult803u730.jhtm

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