domingo, setembro 14, 2008

Ortodoxia


Se me perguntarem, num sentido puramente intelectual, por que acredito no cristianismo, só posso responder assim: "Pela mesma razão que faz um agnóstico inteligente não acreditar nele". Acredito no cristianismo de moto totalmente racional, com base na evidência. Mas a evidência no meu caso, como no caso do agnóstico inteligente, não está nesta ou naquela alegada demonstração; está num enorme acúmulo de fatos pequenos, mas unânimes.


Ortodoxia é um livro magistral, uma ode ao livre pensamento, à busca sincera por respostas para os sentidos ocultos da nossa própria existência. É uma defesa da fé que engrandece a alma, um apoio para dias difíceis onde chegamos ao ponto de querer desistir de pensar.

Chesterton conta uma maravilhosa viagem, uma busca de respostas racionais para nossa existência. Para realizar esta busca abandonou os conceitos religiosos e jogou-se de corpo aberto às teorias materialistas, atéias, agnósticas. Livrou-se de tudo que o prendia à religião e buscou entender o mundo.

Pois conseguiu, chegou a muitas respostas para os problemas de sua época. Com estas respostas veio o espanto, ele não havia descoberto nada de novo! Todas as respostas estavam justamente no ponto que havia partido, no cristianismo.

Pois se este livro é uma brincadeira, ele é uma brincadeira contra mim mesmo. Eu sou o homem que com a máxima ousadia descobriu o que já fora descoberto antes. Se nas páginas que seguem há um elemento de farsa, a farsa é às minhas custas; pois este livro explica como eu fantasiei que era o primeiro a pôr os pés em Brighton e descobrir que era o último. Ele relata as minhas obtusas aventuras em busca do óbvio.


Ao longo das páginas me peguei refletindo sobre pontos que nunca antes havia pensado. Confesso que houve momentos em que achei estar diante dos pensamentos de um louco, para logo a seguir ficar sinceramente admirado com a genialidade. Chesterton coloca suas idéias de forma arrebatadora, em cores vivas. Não há espaço para a dubiedade, é um autor que defende suas crenças com ardor e com invejável honestidade.

O homem moderno é mais uma vez desnudado e suas limitações são colocadas às claras. É um homem que foi convencido a duvidar de tudo, até mesmo da existência da verdade. Como Chesterton definiu "o homem foi concebido para duvidar de si mesmo, mas não duvidar da verdade, e isso foi exatamente invertido".

O resultado é um homem que nunca duvida de si mesmo, que acredita que a verdade não existe. Uma receita para o caos e a degeneração da própria humanidade.

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