sexta-feira, outubro 31, 2008

Brasil: Raízes do Atraso

Autor: Fabio Giambiagi Paternalismo versus produtividade As dez vacas sagradas que acorrentam o país

Neste livro, o economistas Fabio Giambiagi, um dos expurgados do IPEA, faz uma análise das razões para o baixo crescimento brasileiro e os motivos para nossa estagnação. O diagnóstico é uma luz para os que procuram entender o que acontece que impede o país de realizar o grande salto para o primeiro mundo. Mais do que isso, descobrimos que somos os culpados da nossa própria mediocridade.

Primeiro o autor faz uma apresentação dos principais fatores econômicos que influenciam em um processo de desenvolvimento. Discorre sobre taxa de juros, produtividade, investimento e outros. Fala também da Argentina e porque o modelo daquele país não serve para o Brasil. Na época que o livro foi publicado algumas pessoas viam virtude no calote argentino e na condução econômica fortemente estatizante.

Depois apresentam o que seriam as 10 vacas sagradas que acorrentam o Brasil:

  1. O salário mínimo que não é mínimo
  2. A previdência social imprevidente
  3. o assistencialismo exacerbado
  4. os direitos dos incluídos
  5. a vinculação preguiçosa
  6. a TJLP esquizofrênia
  7. as transferências temporárias infinitas
  8. a taxação do capital
  9. o protecionismo
  10. o viés anticapitalismo

Tudo que um militante do PSOL não gosta de ouvir nem falar. Giambiagi defende um novo choque de capitalismo no Brasil, mais do que isso, que o Brasil afirme sua opção pelo capitalismo.

Nos dois últimos capítulos, ele projeta cenários onde algumas medidas seriam adotadas, de maneira lenta e gradativa, para superar nossos óbices. Ao longo do livro sempre fica o alerta: não é uma questão de opção. O modelo atual é insustentável e o dia do ajuste de contas chegará mais cedo ou mais tarde.

Mais do que isso, Giabiagi fala da liderança, para ele essencial para convencer o país a tomar medidas antipáticas mas necessárias. Esta liderança deverá ter energia e convicção. Deverá estar convencida da necessidade destas medidas e não medir esforços para implantá-las. Cita como exemplos recentes no Brasil as figuras de Fernando Collor (que heresia!) na questão da abertura de mercado e a de Fernando Henrique Cardoso no combate à inflação. Fica claro porque ele foi expulso do IPEA, não é mesmo?

Um livro para quem quer se livrar das prisões mentais que a esquerda construiu nas últimas décadas ao assumir o domínio da cultura no país. Um dos livros que se converte em caso de necessidade pública.

Mais sobre O Mercador de Veneza

No blog Liberdade de Pensamento, tem mais uma questão levantada em O Mercador de Veneza.

Só seguir o link.

quinta-feira, outubro 30, 2008

O Mercador de Veneza

Eu levo o mundo como o mundo é, Graciano; um palco, onde cada homem tem o seu papel, e o meu é triste.


O Mercador de Veneza é uma das comédias do grande dramaturgo inglês e mais um painel das características humanas. Retrata amor, discórdia, disputa, justiça, vingança, misericórdia, amizade e tantos outros temas tão caros a Shakespeare.

No meio da comédia, um personagem trágico. Shylock é o estereótipo do judeu de sua época, um homem que vivia de emprestar dinheiro e cobrar juros, algo que na época, e até mesmo nos dias de hoje, causava repulsa. Em determinado momento, ele procura justificar a cobrança de juros utilizando passagens da Bíblia. Antônio, um mercador, avisa.

Note bem, Bassânio, o seguinte: o diabo sabe citar as Escrituras para os seus próprios fins. Uma alma perniciosa que apresenta testemunho sabrado é o mesmo que um cafajeste com um sorriso na cara, uma maça bonita podre por dentro. Ah, que bela fachada tem a falsidade!


Vejam que atualidade! Quantos não usam o texto sagrado para justificar o injustificável? Edir Macedo não conseguiu citar Eclesiastes para justificar o aborto? Por vezes nos deparamos com pessoas sem caráter, mas que nos dizem coisas que nos parece coerentes. Agora é Bassânio que nos adverte:

Não gosto nem um pouco de palavras justas na mente de um canalha.


Novamente Shakespeare aborda o romance, com um heroína clássica que para ser conquistada, seu pretendente tem que resolver um enigma. A forma como Pórcia se refere a seus pretendentes é de uma ironia sem igual. Acaba arrebatada por Bassânio e revela seu amor nas com estas lindas palavras:

Detesto seus olhos! Porque me enfeitiçaram e me dividiram: uma metade minha é sua, e a outra metade é sua... quero dizer, minha. Mas, se é minha, é sua e, portanto, sou inteira sua.


Outro tema que Shakespeare explora é a vingança e seu oposto, a misericórdia. Shylock é um homem maltratado pelo mundo, uma vítima de preconceito. No entanto sua pessoa corresponde ao esteriótipo que fazem dele. É um judeu mesquinho, que considera o dinheiro mais importante que a própria filha, incapaz de ser tocado por qualquer sentimento de amor que não seja por suas posses. É além de tudo um vingativo e tenta levar até o fim o desejo de vingança em relação a Antônio.

Pórcia, disfarçada de um doutor da lei, ainda o adverte:

A misericórdia é uma virtude que não se pode fazer passar à força por uma peneira, mas pinga como a chuva mansa cai dos céus na terra. É duplamente abençoada: abençoa quem tem compaixão para dar e quem a recebe. (...) Portanto, judeu, embora o cumprimento da justiça seja a tua argumentação, considere o seguinte: no cumprimento da justiça, nenhum de nós vai encontrar a salvação. Nós lhe suplicamos por misericórdia, e essa mesma súplica ensina-nos a todos que devemos praticar a misericórdia.


Há muito mais neste texto do bardo. É uma comédia, mas também um convite à reflexão. É para ser lido com carinho e sem pressa, meditando em cada palavra, em cada pensamento. Mais uma coleção de retratos da alma humana.

quarta-feira, outubro 29, 2008

O Sapato Vermelho

Zé Luís conversava animadamente. Acabara de deixar o Aeroporto do Galeão, agora Tom Jobim, onde fora apanhar a esposa e os sogros. Camila passara duas semanas em Miami junto com os pais, que há anos sonhavam em conhecer a Flórida. Fora uma viagem exaustiva, mas enfim chegaram todos.

Zé estava com um excelente humor. Contava detalhes sobre o período longe da esposa, perguntava sobre Miami, queria ouvir novamente o que já escutara ao telefone. Camila não se fazia de rogada e despejava estórias para o marido.

Já era noite, um belo sábado no Rio de Janeiro. O trânsito fluía, logo estariam em casa. Comeriam uma pizza, abriria os presentes que sabia que receberia. O que poderia ser melhor?

Foi quando Zé Luís percebeu algo batendo em seu calcanhar. Não era um toque incisivo, pelo contrário, era leve, quase imperceptível. Com o pé esquerdo tateava __ seria este o termo correto? Tato também se usa para o pé? __ bem, Zé tentava descobrir o que seria o objeto. Já preparava-se para dizer em voz alta o motivo de sua inquietação quando ao passar por um poste deu uma rápida olhada e vislumbrou horrorizado um sapato vermelho.

__ O que foi querido? Alguma coisa errada?

__ Só uma coceira na perna... __ disse pensando o mais rápido que podia.

Sim, o sapato vermelho não era um sapato qualquer. Tratava-se de um sapato de salto alto, um sapato que estava nos pés de uma colega de trabalho na noite anterior.

Como era fora esquecer o sapato em seu carro? Tentou lembrar, haviam bebido muito e ao se despedirem, já na frente do apartamento dela, ela descera... com os sapatos na mão! Os sapatos ou o sapato? Como iria saber? Bebera tanto quanto ela, talvez um pouco mais. Lembrava de sapatos vermelhos em suas mãos, mas se era um ou eram dois já era querer demais.

Ao seus pés, a dúvida fora desfeita. Fora um sapato. Por que ela não ligara no dia seguinte? Ligara. Foi ele que ao ver o número no identificador de chamada preferiu não atender. O que ela estava pensando em ligar para sua casa? Ela sempre fora bem discreta! Só que um sapato esquecido no carro era um bom motivo para esta ligação, ou não era?

O importante agora era manter o sapato debaixo do banco. Cuidar para que descessem do carro sem notá-lo e arranjar uma desculpa para voltar após entrarem em casa. Isso era fácil. Costumava esquecer coisas o tempo todo, um celular já seria um bom motivo.

A ladeira!

Teria que subir uma ladeira no caminha de casa, uma ladeira que já se aproximava! Lembrou que a sogra estava atrás de si. Pensou no sapata escorregando e chegando nos pés de Dona Rosa. Que situação! Em desespero tentou pensar rapidamente em uma solução.

Com o pé, conseguiu o mais discretamente quanto possível empurrar o sapato até sua mão esquerda que estava ao lado de sua perna. Tinha agora o sapato nas mãos.

__ Nossa! Vejam só como ficou o Bar Alegria!

Realmente acabara a reforma do bar que ficava na calçada da direita. Com tanta atenção olharam, seguindo o entusiasmo de Zé Luís, que Dona Rosa nem percebeu um ponto vermelho passado pela janela ao seu lado.

__ Ficou bonito mesmo. __ disse Camila.

__ E está cheio!

__ Está assim direto Dona Rosa. O movimento começa às 6 e vai até umas duas da manhã.

Cinco minutos depois, um aliviado Zé Luís desligava o motor do carro na garagem do seu prédio. Só não suspirava porque não podia. Por dentro sentia o coração diminuir o batimento.

__ Meu filho?

__ Sim Dona Rosa?

__ Você podia acender a luz interna? Não estou achando meu sapato...





(Este pequeno conto foi baseado em uma estória real. Ou não.)

Contos de Machado de Assis - Vol II

Organizado por J. C. C. Rocha
Editora Record

Um dos romances mais marcantes da carreira de Machado foi Dom Casmurro. Mais do que o adultério em si, a estória de Bentinho mostrava a força arrasadora do ciúme. Nestes contos, em ordem cronológica, podemos observar fragmentos do pensamento do grande escritor que culminaria na sua grande obra sobre o assunto.

Machado explora várias situações em que o ciúme está presente. Para ele, o ciúme implica em dúvida, em não saber se há a traição ou não. Quando a dúvida se torna certeza, deixa de existir o ciúme e passa a existir a dúvida do que fazer.

Pode-se optar pelo perdão e o esquecimento, como fez Ernesto no conto Ernesto de Tal. Disputando a mulher amada com um rival, acaba descobrindo que ambos estão sendo enganados por ela. Rompem. Depois perdoa-a e ganha seu amor.

Como na volta do filho pródigo, as duas almas festejaram aquela renascença da felicidade e amaram-se com mais força que nunca.


Sempre existe a hipótese da solução drástica descrita em A Cartomante.

Vilela não lhe respondeu: tinha as feições decompostas; fez-lhe sinal, e foram para uma saleta interior. Entrando, Camilo não pode sufocar um grito de terror: __ ao fundo sobre o canapé, estava Rita morta e ensanguentada. Vilela pegou-o pela gola, e, com dois tiros de revólver, estirou-o morto no chão.


Mas é no trato do ciúme que reconhecemos o autor de Dom Casmurro. Mais do que deixar o personagem na dúvida sobre a traição, Machado transfere esta dúvida ao próprio leitor que termina perplexo sem saber o que de fato aconteceu. Estava plantada aí a semente da temática machadiana.

A própria sedução por vezes se torna dúbia. Teria D Conceição seduzido o jovem Nogueira em Missa de Galo? Por vezes parece que sim, por vezes não. Seria apenas uma senhora entediada pelo marido que a traía abertamente ou uma mulher querendo desfrutar da tensão do jovem? O conto, e o livro, termina não com a dúvida sobre o passado, mas com a dúvida do que poderia ter sido.

Quando tornei ao Rio de Janeiro em março, o escrivão tinha morrido de apoplexia. Conceição morava no Engenho ovo, mas nem a visitei nem a encontrei. Ouvi mais tarde que casara com o escrevente juramentado do marido.




A coletânea é mais uma amostra da genialidade de Machado e sua sensibilidade em retratar o homem e sua natureza.

segunda-feira, outubro 27, 2008

A queda

Não é de uma vez, a queda, este momento
em que o homem se perde. Onde as trevas
ocupam a luz e perde-se nas súplicas
desta forma inquieta do espírito.

Deitado no vazio, enfim desperto
do degradante sonho, já não abraças
a relatividade, sim, despertas
contemplando no espelho, já sem Cristo,

abraçado ao pecado, arrependido,
ele escreveu em seu amor, esta mácula
que nunca sairá. Resta desolado

esta sofrida alma, homem perdido
que busca salvação, a fé ainda trêmula,
esperando redenção e ser perdoado.

Olivier Marcus

sexta-feira, outubro 24, 2008

Mais um!!!!!

Mais uma vez minha família receberá a maior benção que Deus nos dá neste mundo, a chegada de um filho. É uma alegria que não encontra palavras, a felicidade em estado puro! Receberemos de braços aberto e com muito amor mais este presente, mas esta imensa responsabilidade que aceitamos com muito orgulho e fé.

Já disse aqui antes. Os filhos são a maior realização que podemos deixar neste mundo, nossa perpetuação. São eles que nos dão sentido, que nos unem à própria humanidade.

Ainda não pensei em nada, apenas estou aproveitando este momento incrível, esta luz que chegou em meu lar.

Que Deus nos ilumine em mais esta tarefa. A maior tarefa que um homem pode ter.

Amor que supera o tempo

Disseram-me que o tempo em sua glória
atenua sentimentos, mesmo o amor,
suprema perfeição e mais bela flor
que em ti encontrei, pura magia.

Mentiram-me, aumentou! pois vazia
minha vida se torna, onde for
sem você que desperta meu ardor,
superando no instante a distância.

Ao seu lado encontro harmonia
na brisa suave, no frescor
de ter este presente, sua alegria.

Tristeza com certeza eu teria,
numa existência pálida, sem cor,
que sem você, amor, me restaria.

Heleno Marques

Flamengo 5 x 0 Curitiba

Vitória necessária

Não vi o jogo, mas acompanhei pela internet. O Flamengo não tinha outra opção ontem que não fosse vencer o jogo, ainda mais com as vitórias de Grêmio e São Paulo. O importante é que o time, depois de muito tempo, voltou a vencer com folga, coisa que não estava acontecendo mesmo quando vencia. Mais importante ainda foi a atuação de Obina. O time precisa de atacantes com confiança para a última etapa do campeonato; mais do que isso, precisa de um símbolo que impulsione a equipe desde a arquibancada.

O fraco público do Maracanã mostra que a torcida ainda não esqueceu os fiascos deste ano em casa. Desde o fatídico jogo que eliminou o clube da Libertadores, até o desastre contra o galo, passando pela derrota para o Vitória. O retorno da confiança de jogar no Maracanã é fundamental.

Uma das conseqüências da derrota diante do Atlético é que será necessário vencer o Vitória fora de casa. Houvesse vencido aquele jogo poderia jogar na semana que vem como franco atirador; como não venceu, agora precisa vencer para evitar o distanciamento dos líderes, principalmente na reta final.

O campeonato está aberto como nunca antes esteve em campeonatos de pontos corridos. Do primeiro ao quinto, todos têm chances. Mesmo a Libertadores não está garantido para nenhum deles. Serão muitas emoções.

quinta-feira, outubro 23, 2008

A Imintação do Amanhecer II.23

O ocidente se fez de abraçar a agonia,
o temporal: pela paixão, rumo ao sudário,
foram passando a insurreição do imaginário
e essa acumulação de tudo, Alexandria

que o ser vislumbra e especifica. A confraria
dos seus pedaços recolados ao contrário,
sempre do avesso, contra um fundo sempre vário
e sempre uno de vitral de epifania,

é o que Ocidente chama História e entregaria
ao seus profetas e poetas perdulários,
mas conscientes. E de quê? De que surgia

entre os braços vazios que há em toda agonia,
conjunção do banal e do extraordinário,
a Cruz, sinal de mais, calvário após calvário.

Bruno Tolentino

Neste poema, Tolentino apresenta a imagem da história do ocidente, uma história de agonia, dominada pela paixão, um longo caminho rumo ao sudário. O sudário é a referência ao Cristo. O poeta coloca toda a história do ocidente como um caminho que tem no fim o cristianismo.

Na visão de Tolentino, a história seria formada por peças coladas ao contrário, sempre ao avesso. Estaria aí o esforço de seus intérpretes em retratar a realidade segundo suas próprias visões, provocando uma distorção da realidade.

Fala de seus profetas e poetas perdurários. Seriam os que influenciaram a humanidade com suas idéias? Profetas porque se colocaram na posição de prever o futuro, poetas porque tinham o dom da escrita. Estaria falando de gente como Rosseau, Nietzshce, Marx?

No entanto estes homens seriam conscientes. Conscientes de que surgina em cada agonia a imagem de braços abertos, a imagem do Cristo. Fala na conjunção do banal com o extraordinário, o que mais representativo do que um carpinteiro que na verdade era rei do mundo?

Por isso Tolentino chama-os de perdurários. Acredita que sabiam muito bem que a solução para a humanidade é o cristianismo, mas recusaram a aceitar este fato. Reinterpretaram a história e o mundo segundo suas conveniência, segundo seus radicalismos.

A salvação está no cristianismo, justamente por ser uma doutrina que inclui, como lembra o poeta ao falar no sinal de mais. Não é um caminho fácil, é construído calvário após calvário.

Pérolas da aula de inglês em uma unidade militar

Caso da Dupla Personalidade

__ Hello. Ops Room.
__ This is Cpt Malachias. I Wan't to speak with the PR.
__ The PR is not here. Can I take a message?
__ Yes please.
__ So, who's speaking?
__ It's LT Bishop.
__ ???
(Afinal, quem estava falando no telefone? Existem outras personalidades?)

Esta Unidade é poderosa!

__ Hello. Ops Room. This is Lt Cel Theygood...
(Um quartel que o telefonista é coronel! Quem seria o comandante? O papa?)

Crise de Identidade e outras coisas mais

__ Hello. This is Maj Waiters.
__ I have a message for the Duty officer.
__ Ok. Who's talking?
__ ...........................
__ What's your name, please?
__ ...........................
__ Just your name, please.
__ eh... ah... eh... ah...It's Maj Laubeautiful.
__ Ok. What's your organization?
__ I... ah... eh... have a message...
__ Ok, I Know that. What's your organization?
__ ah... eh... Argentin Battalion...
(É no aperto que surgem nossas simpatias...)

Estava indo tão bem

__ This is Maj French, can I take a message? Ok... Ok.... Yes.... Ok... Ok.... Yes.... I'll read back. The CNN jornalista Mrs Gonzales will be arriving tomorrow at 16:00 for the meeting with Cel Jack. É isso?

Que isso Deputy Commander!

quarta-feira, outubro 22, 2008

O País dos Petralhas


Editora Record (2008) Reinaldo Azevedo

Petralha é a expressão criada pelo blogueiro Reinaldo Azevedo para designar a mistura de petista com irmãos metralhas. É uma expressão que antes de restringir o petismo, o amplia. Não é parte do PT que é composto por petralhas,mas parte do petralhismo que é composto por petistas.

O livro é uma coletânea de posts e artigos escritos por Reinaldo nos últimos anos, no período que coincide com o atual governo. Na primeira frase já se tem idéia do que virá adiante: "tudo que é bom para o PT é ruim para o Brasil." É o que Reinaldo tenta demonstrar, com base na lógica e em sua vasta cultura, ao longo da obra.

Amigo de um bom desafio, não adere nunca à acomodação. Do mesmo jeito que está criticando o apedeuta, forma como se refere ao presidente, está criticando ícones como Chico Buarque ou Bono Vox. Contesta até mesmo tradução oficial do vaticano, em um dos seus melhores momentos.

O título é meio enganoso. Não apenas o petismo que é retratado, mas um movimento muito maior. Um movimento que vai na direção da submissão do indivíduo a um poder globalizante que está sendo construído. Reinaldo identifica que a tradição está a perigo e com ela todos os valores mais caros da humanidade. O petismo é apenas parte do movimento totalitário que o mundo está passando.

Mostra como a América Latina está se tornando totalitária. Homens como Chávez e Morales estão utilizando os instrumentos da democracia para solapar a própria democracia. Não coloca em categoria diferente o presidente Lula, apenas afirma que Lula só não faz o mesmo dos seus colegas do Foro de São Paulo porque não quer, não porque não deseje. Sobre os referendos comenta:

Vão por mim: povo gosta é de ditadura; quem prefere democracia é Dona Zelite. (...) Já a partir do plebiscito mais famoso da história, quando foi que a massa escolheu direito? (...) A história da democracia é a história da mediação institucional. Quando ela desaparece, abre-se caminho para o horror: terro revolucionário francês, bolchevismo, facismo...

(...)

A esquerda e os anarquistas acreditam que a democracia é só um truque para controlar os apetites populares. Cesse toda desconfiança. É mesmo! Só estão errados numa coisinha: acreditam que as massas construiriam o céu na terra. Eu estou certo de que fariam o inferno. Como já fizeram.


Reinaldo revela um pouco de sua alma também, em textos sempre inteligentes e muito bem escritos. Ficamos sabendo que não gosta de rock e comida chinesa. Que passa a noite acordado escrevendo seus textos. Que é um católico fervoroso. O texto que lamenta a morte do poeta Bruno Tolentino mostra a dor de quem perde uma referência, de quem perde todas as obras que ainda seriam escritas.

Reinaldo Azevedo é acima de tudo um conservador. Seu livro é um sopro de esperança e de inspiração para todos aqueles que ainda acreditam em coisas como família, religião, lei e ordem. Fomos convencidos de que somos uma minoria; desconfio que não. Que um raro livro de pensamento conservador no Brasil seja uma inspiração para todos que permanecem em silêncio com medo da patrulha mais violenta de nossos dias, o politicamente correto.

Os homens só existem para que, ao fim da vida, possam honrar seus pais. Pensem nisso. Até mais tarde.

terça-feira, outubro 21, 2008

Companheiro é companheiro

Três amigos alugam um carro e saem de uma pequena cidade do interior para passar o fim de semana na capital. Um deles tem um encontro marcado, já são algumas semanas de conversas pela internet; facilidade que o msn trouxe para a vida moderna. Está tão agitado que concorda em deixar como motorista o mais tranqüilo de todos.

Saem da pequena cidade animados, jogando conversa fora, discutindo sobre os acontecimentos dos últimos dias. É sexta feira, já é noite. No meio da conversa, este mais empolgado não se contém:

__ Olha só, o papo está bom, mas é rodovia federal. Pode passar de 80!

__ Pode deixar __ diz o motorista rindo __ ainda estou acostumado com Brasília.

__ Mas aqui não é Brasília. Pode acelerar se não a gente não chega hoje.

Logo depois leva as mãos à cabeça.

__ Caraca! Esqueci a camisinha!

__ Não tem problema, quando chegar lá a gente compra em uma farmácia. Afinal, é lá é uma capital!

E assim prosseguem até chegarem nas imediações da grande cidade. O empolgado já tem onde ficar, os outros dois precisam ficar em um hotel. Já possuem uma indicação.

No ponto de taxi o motorista pergunta sobre a localização do hotel. O empolgado se agita, o plano era primeiro irem para o bar onde havia combinado o encontro.

__ Calma cara. Vamos só nos registrar para não ficar sem lugar. Já pensou se no meio da noite descobrimos que não tem vaga?

Pelo que o motorista indicou, o hotel fica no meio do caminho. Alguns minutos depois, os dois estão se registrando.

__ Agora vamos só colocar as malas no quarto.

__ Malas no quarto? Cê tá de sacanagem! O combinado foi só registrar!

__ É só um minuto. Só para não ficar com as malas no carro.

__ Tá bom, tá bom! Mas ainda tenho que comprar a camisinha!

Rapidamente pegam as malas, chegam ao quarto e as colocam sobre as camas. O motorista abre a porta do banheiro e entra informando:

__ Só um minuto que vou dar uma barrigada.

__ Se tá de sacanagem! Uma barrigada! Era só para guardar as malas!

O outro amigo deita na cama. Desespero.

__ Você também! Vai deitar? Vocês estão de sacanagem. Primeiro não iam no hotel. Depois era só para se registrar. Depois era só para guardar as malas. Agora ele vai dar uma barrigada e você vai deitar! Vocês estão de sacanagem comigo!

__ Calma maluco, o cara precisa dar uma barrigada!

Minutos depois estão no carro indo para o bar. No caminho tentam encontrar uma farmácia, estão todas fechadas.

__ Porra! Eu falei para comprar a camisinha. E agora? Como é que eu fico?

__ Usa uma meia __ diz o motorista rindo.

__ Sem camisinha é mais emocionante, vem aquele friozionho gostoso na barriga __ diz o outro.

Perdidos pedem informação. Seguem novamente.

__ Por que virou a direita? O cara falou para esquerda! Você está fazendo isso de propósito. É assim mesmo. Companheiro é companheiro, fdp é fdp!

Os dois já não se aguentam de rir. Param no sinal.

__ Porra cara! O sinal estava amarelo! Você parou com ele amarelo! __ exclama desesperado __ É de propósito, só pode ser de propósito!

Depois de algumas ruas erradas e outras nem tanto conseguem chegar na rua do bar. O problema é que não viram nenhuma farmácia aberta.

__ Depois de tudo isso vou ficar na saudade! Sem camisinha!

__ Calma, eu tenho um pacote aqui.

__ Cê tá de sacanagem? Não brinca com isso que é sério!

__ É sério, toma aqui __ retira o pacote do bolso e extende para ele.

__ Por isso que eu digo, companheiro é companheiro! Valeu cara! Valeu mesmo! __ depois do silêncio, se toca __ pera aí, você estava com isso o tempo todo e não falou nada?

__ E perder a diversão? Duvido que algo neste fim de semana seja mais engraçado do que isso!

E estava certo.

Fala nowgo!

Já falei, quem tiver a medalha é para levar. Leva que vai ganhar um doce!

Reunião de EM

Diálogo real

Em um certo quartel da ONU:

__Uga!
__ Can I Speak with Cpt Jack, please.
__ Whose you?
__ ah?
__ What's you?
__ ahh?
__ What's your name?
__ Lt Cel Litskovwz.
Silêncio.
__ ah... uh... spell?
__ ah?
__ spell... name... please.
__ L I T S K O V W Z.
__ ok. bye.
__ bye.

Desliga o telefone. Perguntam a ele:
__ Quem estava falando?
__ sei não. esqueci.

domingo, outubro 19, 2008

Reflexões sobre o caso de Santo André

A menina Eloá teve morte cerebral. Acabou dessa forma, tragicamente, o drama que foi transmitido em cadeia nacional pelas televisões do Brasil inteiro. Por todos os lados, especialistas estão falando. Sobre comportamento, sociologia, ação policial, tudo. Eu sou especialista também, especialista em minha própria ignorância.

Não tenho a pretenção de entender o que se passa na cabeça de um desequilibrado como o tal Lindemberque, que em breve cairá na irrelevância de que nunca deveria ter saído. Tornou-se estrela de mais um reality show da mídia global, este bem mais sinistro.

Acompanhei o caso por flashs ocasionais na televisão, ainda bem. Existem coisas que embrutecem a humanidade. Uma delas é ficar horas na frente da televisão vendo o não acontecimento, vendo uma janela e ocasionalmente alguns vultos, aguardando silenciosamente o desfecho de uma novela, talvez torcendo inconsciente pela tragédia. Cada vez mais acho que o Show de Truman é um dos filmes mais significativos da última década. Mais do que as peripécias do personagem título, era a imagem dos telespectadores que mais me marcou no filme. Principalmente o cara dentro da banheira com seu patinho de borracha.

Aquela cena é de uma riquesa impressionante. Primeiro pela presença de uma televisão no banheiro. O que pode ser mais representativo dos tempos atuais do que o homem não conseguir ir ao banheiro sem uma mídia? Isolar-se do mundo, refugiar-se na imagem que existe diante de seus olhos, o mundo visto pelas lentes um aparelho.

Lindemberque poderia ter sido abatido por um sniper? Com toda certeza. Não seria um tiro difícil, tenho ao meu lado um atirador de elite que me confirmou. O problema é que a polícia não poderia realizar este disparo. A morte do desequilibrado lhe cairia nas costas como um fardo, estaria dando tantas explicações agora quanto da morte de Eloá. A falta de perspectiva do mundo contemporâneo tratou de igualar em importância as duas vidas, a do que ameaçava e da ameaçada.

Estou aqui defendendo que as duas vidas não possuem valor? Longe disso. São ambas almas a serem salvas. O que defendo é que para a polícia deveria ter sim valores diferentes. Quando uma pessoa ameaça outra com uma arma, a eliminação da que ameaça deveria ser uma opção. No presente caso, não era. Atirar em Lidemberque, mesmo que salvasse Eloá, não era uma alternativa aceitável para o pensamento que querem nos impor. O resultado foi a morte da menina. A polícia estava de mãos atadas.

Daqui a pouco os sociólogos vão começar a devassar a vida do assassino em busca da origem social de sua revolta. Não encontrarão. A origem de seu ato está em seu próprio íntimo; está na falta de capacidade de lidar com sua frustração, está na falta de humildade, na falta de fé. O rapaz não conseguiu aceitar a realidade, não conseguiu aceitar que uma pessoa que julga amar, não posso chamar isso de maor, não o amasse.

O que vai acontecer com Lindembergue? É mais um que vai a julgamento, que entra na gincana judicial brasileira. Vai pegar pena máxima? Dificilmente; surgião atenuantes: crime passional, stress, sei lá o que mais. Vai acabar com uns 15 anos, talvez 20. Daqui a uns 5 anos entra em condicional. Se tivesse 17 anos e 11 meses nem isso.

Escutei algumas pessoas, em sua maioria gente humilde, clamando pela pena de morte. Pior, sem julgamento. O que mostra que o povo não pode tomar decisões diretamente sobre os destinos do país e da sociedade. Qual seria o resultado de um plebiscito sobre o destino de Lindemberque? Acabaria linchado.

Não acho que deveria voltar à sociedade. Deveria permanecer o resto de sua vida na cadeia. Não nesta monstruosidade brasileira, este culto à incivilidade. Em uma cadeia que preservasse sua dignidade e que o legasse a vida inteira para pensar no que o levou até ali. Utopia? No Brasil, sim. Mas temos que ter uma perspectiva do que seria o ideal dentro de nossa lógica pessoal.

De tempos em tempos acontecem tragédias como essa, que nos chocam e nos fazem pensar. Alguns logo esquecem e passam a se preocupar com coisas mais relevantes, como a rodada de hoje do brasileirão; outros pensam um pouco mais, refletem sobre a tragédia e buscam encontrar algum sentido em tudo que aconteceu.

Estas são algumas de minhas reflexões, minhas dúvidas e angústias. Vejo em Lindemberque a luta do indivíduo contra o mal que existem em cada um de nós, a luta constante que Cristo veio nos alertar. Ele perdeu a luta, abriu a porta para a maldade. Ninguém o fez assim, fez o que fez com seu livre arbítreo, escutando a voz do mal. Escutando seus demônios.

sexta-feira, outubro 17, 2008

Saudade

É na noite que surge a saudade
que sinto, percorrendo este corpo
e mente, que da vida é um farrapo,
insignificante e é verdade,

pois minha solidão nesta cidade
demonstra que sem ti, vazio copo
me torno na ilusão de ver o tempo
passando sem viver, sem a claridade

que recebo, tua luz em meu espírito,
que mostra-se perdido sem teu rumo,
amor que conquistei mesmo sem prumo,

naquele abençoado, porém insólito
instante que feliz encontrei seu amor,
nos seus braços, e curaste-me a dor.


Heleno Marques

terça-feira, outubro 14, 2008

A imitação do Amanhecer II.11

E a História é isso, um recobrar-se à contraluz,
uma aquarela de perfil, retroativa,
tendenciosa e surpreendente porque viva
ainda, ou talvez ainda mais, no avestruz
que liberta a cabeça do areal e conduz
o instante que passou à cena remissiva.
Nesse voltar-se atrás para existir eu pus,
como tu, minha fé também, que a sempre-viva
do amor também é história, Alexandria, e são
duas breves metades o que foi e o que é.
O palmeiral do ser vai secando de pé,
olhando para trás seus leques secos vão
resumindo a avenida atravessada, e até
que o tempo vire espaço e a vida é essa atenção.



Este poema faz parte do livro A Imitação de Amanhecer, do poeta Bruno Tolentino.

Confesso que estou apanhando bastante, mas persistindo no esforço de entender o pensamento de Tolentino. Por que este esforço? Por que, noite após noite, insistir em ler algo que não consigo entender direito? Ora, justamente para ampliar minha capacidade de interpretação, para superar minhas próprias limitações.

Este poema foi um que consegui pelo menos chegar no nível de refletir sobre ele e chegar a algumas conclusões. Trata da história e tem sua idéia central na existência sobreposta do passado com o presente.

Na história temos acesso ao nosso passado, mas nossos olhos estão no presente, em nossa realidade, nossa vivência. Por isso logo de cara o poeta fala em 'tendenciosa'. Quem descreve a história está sujeito a seu próprio pensamento, a suas próprias crenças, por isso acaba produzindo um texto tendencioso. Pode ser em maior ou menor grau, mas mesmo assim tendencioso. O historiador conduz "o instante que passou à cena remissiva", depois de ter levantado a cabeça de seu areal que pode muito bem ser seu estudo, seus livros, suas fontes.

Por isso a história tem duas metades, o que foi e o que é. Estamos permanentemente reescrevendo nosso passado, seja através de novas descobertas ou simplesmente pela mudança de pensamento dos historiadores.

Com o passar do tempo as folhas vão secando. Seria o conhecimento histórico se solidificando? Seria o consenso chegando? Não estaria Tolentino defendendo que existiria sim um momento em que conheceríamos a verdade nos acontecimentos históricos e nessa hora o tempo se transformaria em espaço.

Ou seria nossa própria vida e nosso própria velhice mostrando nosso passado, as marcas da nossa existência.?

O último verso termina com "a vida é esta atenção". O que quis dizer? Talvez nossa vida seja a assimilação e entendimento de nosso próprio passado através de nosso viver no presente, nossa busca pelo conhecimento e pelo entendimento. Estaria ele dizendo que é através da busca da verdade no presente que chegaríamos à verdade no passado?

Vejam quantas reflexões e dúvidas 14 versos de um soneto conseguem despertar? Volto a pergunta inicial: por que me esforçar tanto para ler um livro que pouco compreendo? Por que no breve instante que julgo penetrar nos mistérios de Tolentino sinto uma emoção genuinamente humana, a de estar crescendo em sabedoria.

Ao contrário do que nos querem fazer crer, o saber é uma razão bela para se viver, uma razão bela para viver a vida. Em O Banquete, Sócrates através de Platão, ou vice versa, nos faz ver que nem toda sabedoria nos é possível, pois ela pertence aos Deuses, mas temos o suficiente para trabalhar.

Este poema já valeu todo o esforço de semanas. Este é Bruno Tolentino.

domingo, outubro 12, 2008

Ontem tentamos ir no Bar Fly em Campo Grande. Trata-se de um bar de rock e ia tocar a banda Velhas Virgens, de quem recebi boas referências. Infelizmente chegamos muito tarde; haviam muitas pessoas de fora e o ingresso que era R$ 20 já estava sendo negociado a R$ 50.

Ficamos do lado de fora tomando uma cerveja enquanto observávamos a cena que aquele conjunto de pessoas protagonizava. Muita bebida, drogas, e muitas pessoas desacordadas. Tinha gente apagada para tudo quanto é lado.

Procurei refletir sobre as motivações de cada um. Como adoro rock, muitas vezes freqüentei lugares assim. Bebia minha cerveja mas nada que me fizesse passar da conta, estava lá porque tinha, e tenho, uma necessidade de curtir o som.

Aquelas pessoas desmaiadas não estavam curtindo um som. Beberam e se drogaram até cair. O que pensam da vida? O que as motiva? O que acham que podem ganhar com aquele exagero todo?

Não eram a maioria, deixo bem claro. Haviam pessoas de tudo que é tipo. Gente calma que acompanhava a corrida de F1 na televisão da barraca de cachorro quente, gente que conversava animadamente, gente namorando. No entanto o grupo dos chapadões era suficiente para ser notado, até mesmo pelo contraste.

Ali estava a amostra de parte da nossa juventude. Totalmente perdida, sem noção da própria existência, sem limites, sem compreensão da realidade. Alguns passarão a vida assim, alguns sairão, a maioria carregará marcas. Não se vive com esta intensidade sem ficar marcado. Esta é uma lição que aprenderão mais cedo ou mais tarde.

sábado, outubro 11, 2008

Capital brasileira do sinal vermelho


Estou passando o fim de semana em Campo Grande com alguns amigos. Está deveras engraçado e renderá algumas estórias para o blog quando tiver um tempinho a mais para escrever.

Uma das coisas que me chamou atenção é a quantidade de sinais vermelhos que um motorista é obrigado a suportar para andar pela cidade. A onda vermelha é comum por aqui.

Como alugamos um carro com som tive que comprar alguns cds para ter o que escutar entre uma parada e outra ao sinal. Descobri que Los Lobos é muito bom e estamos nos divertindo um bocado com algumas das músicas da banda.

Ah. Já tinha visto de tudo em sinal, mas gente vendendo mapa do Brasil foi a primeira vez!

quinta-feira, outubro 09, 2008

Nova etapa

Hoje começou efetivamente uma nova etapa em minha vida. Depois de muitos preparativos, agora é para valer. De certa forma me sinto voltando no tempo, revivendo algumas experiências ao mesmo tempo que vivo algumas outras.

Aqui cabe uma explicação. Pela natureza do trabalho que agora inicio, desta nova etapa que estou me referindo, não posso entrar em detalhes muito específicos. Estou fazendo uma tentativa aqui, de lidar pelo campo das reações e sentimentos, tentar fugir da objetividade, de ir até onde acho que posso. Veremos onde vai dar.

Retomando. Estou hoje em uma cidade que estive há pouco mais de 14 anos. Naquela ocasião estava em meu último ano de formação, realizando meu estágio de duas semanas previsto em meu curso. Tinha então 19 anos e com a disposição de quem teria um mundo para conquistar. Muitos sonhos, objetivos, uma namorada que amava, o Brasil conquistando uma Copa __ a primeira que vi; tudo contribuindo para que aquelas duas semanas fossem realmente especiais.

Comentei com uma pessoa hoje que na época tinha uma sensação que a vida não poderia ficar melhor. De certa forma estava certo. Não trocaria minha vida de hoje pela que vinha levando em 1994, mas a felicidade em um jovem deixa marcas profundas e cria um mito, fica muito difícil superar estas lembranças com a realidade do presente.

Não ouso dizer que nunca foi tão feliz quanto naquela época, o máximo que posso dizer é que nunca me senti tão feliz quanto naquela época, o que é muito diferente. Ter alguem para amar hoje é uma benção, algo que agradeço imensamente e tenho uma leve sensação que não mereço tanto, que recebi um presente que vai além dos meus méritos. Ter alguém para amar em 1994, e ser correspondido, era o máximo que um jovem tolo como eu poderia querer da vida.

Há sempre muito a refletir sobre o que seja felicidade. Não acredito que exista alguém nesse mundo que o saiba, acho que é um segredo guardado no plano da divindade para alguns poucos. Temos intuições e idéias próprias sobre ela, muito mais erros do que acertos.

A vida nos deixa uma série de lembranças, boas e ruins. Das primeiras ficam um sentimento de saudade do que aconteceu e do que poderia ter sido. Das ruins ficam ensinamentos para uns; lamentações para outros. Lidar com estas lembranças é um passo para nos conhecermos e caminharmos para nossa própria purificação, para nosso crescimento pessoal.

Hoje olho para o passado, recordo coisas importantes que me fizeram chegar até aqui. Olho também para o futuro, para o desconhecido. Assim começa esta nova etapa, assim começa um novo aprendizado.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Contos de Machado de Assis

Volume 1: Música e Literatura
Organizado por João Cezar de Castro Rocha

Confesso que nunca tinha lido um conto do Machado. Sempre esteve claro para mim que tratava-se de um romancista, o que evidentemente, vejo agora, estava errado. Machado era também um gênio como contista e este livro é uma boa amostra de seu talento.

Castro Rocha organizou os contos por afinidade de temas e em ordem cronológica. Esta ordem é de fundamental importância neste primeiro volume, que apresenta contos tendo em comum a visão de Machado sobre as artes. Esta importância se deve à visão que o autor tinha das artes, o que fica bem evidente em alguns contos deste livro.

Em "Habilidoso", Machado conta a estória de João Maria, um pintor que desde criança experimentou o sonho de ser reconhecido por sua arte. Sempre escutara dos parentes e amigos a frase que marcaria sua vida: João Marinho é muito habilidoso. E aqui o autor faz uma importante distinção:

Toda arte tem alguma técnica; ele aborrecia técnica, era avesso à aprendizagem, aos rudimentos das coisas. (...) A cor apropriada era uma questão dos olhos, que Deus deu a todos os homens; assim também a exação dos contornos e das atitudes dependiam da atenção, nada mais. O resto cabia ao gênio do artista, e João Maria supunha tê-lo.


Machado estabelece aqui o paradoxo entre o habilidoso e o artista. Não basta o talento, o artista tem que ser também um operário, tem que estudar muito para produzir arte. Trata-se de ponto de vista semelhante ao que li há algum tempo de Mario Vargas Llosa em Cartas a um Jovem Escritor. É preciso muita dedicação para ser efetivamente um artista.

Outra questão tratada aqui foi da confiança em si mesmo. João Maria era avesso à aprendizagem porque julgava conhecer tudo, tinha confiança em sim mesmo. Chesterton sustentava que esta era uma atitude fatal em um homem, todos os maus escritores, maus poetas, maus pintores a tinham; todos confiavam em si mesmos.

João Maria atravessa a vida tentando expor sua "arte" mas termina reproduzindo incessantemente uma pintura da Virgem Maria. No fim, termina a estória pintando em um pequeno apartamento em um beco observado com atenção por quatro meninos que passabam. O fecho do conto é uma obra de arte:

Que este é o último e derradeiro horizonte de suas ambições: um beco e quatro meninos.


Por isso a ordem cronológica é importante neste volume. Podemos acompanhar como Machado foi ao longo da vida polindo seu estilo para ser o grande escritor brasileiros, soube aliar seu talento com a técnica para produzir arte.

No primeiro conto do volume, Aurora sem Dia, temos a estória de um jovem que julgava-se talentoso na poesia. Mais um habilidoso. Confiando inteiramente em sua inspiração produzia versos em série. Um amigo de seu pai, o Dr Lemos tentou alertá-lo:

O Dr. Lemos disse-lhe com franqueza, que a poesia era uma arte difícil e que pedia longo estudo; mas que, a querer cultivá-la a todo o transe, devia ouvir alguns conselhos necessários.

A resposta do jovem foi clássica: Poesia não se aprende; traz-se do berço.

Como João Maria, fracassa como artista. Termina sua vida com uma roça quando desperta anos depois ao confrontar-se com seus próprios versos em um debate político. Nas próprias palavras do jovem:

Descobri que não era fadado para grandes destinos. Um dia leram-me na assembléia alguns versos meus. Reconheci então quanto eram pífios os tais versos; e podendo vir mais tarde a olhar com a mesma lástima e igual arrependimento para as minhas obras políticas, arrepiei carreira e deixei a vida pública. Uma noite de reflexão e nada mais.


Outra conflito interessante em alguns contos é entre os sonhos de grandeza e a realidade. Em O Programa Romualdo, inspirado por um professor, estabelece para ele um projeto de vida, um projeto de grandeza. Este projeto o leva a desprezar as chances que teve ao longo da vida para agarrar-se à espectativa de um dia ser um homem famoso. No fim compreende que seu programa atrapalhou seus sonhos por ter pretendido demais.

Mas achou os filhos à porta da casa; viu-os correr e abraçá-lo e à mãe, sentiu os olhos úmidos, e contentou-se com o que lhe coubera.
Genial, não?

Em Um Homem Célebre temos a estória de um homem que conseguiu sucesso e fama; uma crítica mordaz à cultura popular. Pestana sonhava em compor uma grande ópera, um clássico como Bach, Mozart. Noite após noite ficava à frente do piano mas não conseguia transformar em arte o imenso talento que tinha e frustava-se. Ao mesmo tempo compunha polcas que eram sucesso absoluto na cidade tornando-o reconhecido. Machado já previa a invasão da cultura popular; troque a polca por algo mais moderno, digamos o aché, e temos o retrato de nossos dias.

Um dos motivos que Machado foi um grande escritor está justamente na sua capacidade de ser superior ao seu próprio tempo e suas fronteiras. Todos os contos deste livro poderiam se passar em Londres, em Madrid, em Los Angeles. Poderiam ser situados no início do século, nos dias de hoje, não importa. Os conflitos explorados por Machado são atuais por serem eternos, por serem próprios da natureza humana.

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segunda-feira, outubro 06, 2008

Promessas de um Cara de Pau

Swinging Vote (2008) Com Kevin Kostner, Paula Patton, Kelsey Grammer, Dennis Hopper

Fazia um bom tempo que não ia ao cinema; acabei optando por este por causa das eleições deste ano. É um bom filme, que consegue por contraste evidenciar situações relevantes em um processo eleitoral, particularmente o americano.

Devido a um erro na hora da votação, as eleições para a presidência dos Estados Unidos fica nas mãos de um só homem, um beberrão que nunca fez nada de produtivo na vida mas conta com a sorte de ter uma filha que faz o seu contraponto. A situação de um homem, um voto, é levada ao extremo e as eleições ficam na dependência da escolha de Bud, um americano típico do meio oeste.

Na disputa pelo voto de Bud os dois candidatos são capazes de abandonar as próprias plataformas a ponto de ficarem irreconhecíveis. Temos então um democrata defendendo o controle de imigração, condenando o aborto enquanto temos um republicano defendendo o meio ambiente e o casamento gay. Mais importante que os candidatos estão seus chefes de campanha, obcecados para vencer a qualquer custo.

Até onde um candidato pode abandonar as próprias idéias e ideais para conseguir a vitória? Até que ponto o marketing político deve superar a própria política? Não há mais espaço para a intuição, para o debate de idéias?

O filme tenta levar no final uma mensagem de otimismo quando os próprios candidatos percebem a furada que estão se metendo e procuram retomar a situação deixando um pouco de seguir apenas o interesse eleitoral. O próprio Bud é acometido de uma responsabilidade que não tinha e tenta agir da maneira certa.

A democracia tem que estar sempre sendo discutida e aprimorada mas os problemas do sistema se resolvem com mais democracia. Exageros a parte, o filme cumpre bem a missão de entretenimento, como acredito que o cinema deva ser, e ao mesmo tempo passa algumas idéias para reflexão. Este ano tem eleições nos States. Que os eleitores americanos reflitam bem antes de depositar seus votos nas urnas. O futuro de seu país pode estar a alcance de cada um.

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domingo, outubro 05, 2008

Náutico 0 x 2 Flamengo

Mengão numa boa

A rodada era complicadíssima e com os resultados não restava outra alternativa para o Flamengo que não fosse a vitória ontem. E a vitória veio. Mesmo correndo muitos riscos, como de hábito, o time conseguiu superar o Náutico fora de casa.

Agora tem uma sequência de três jogos interessantes no Maracanã. Hora da torcida fazer sua parte e empurrar o time. Se conseguir os 9 pontos chega entre os dois e vai para a disputa do título para valer.

Avante Flamengo!


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sábado, outubro 04, 2008

Contra o Consenso


Reinaldo Azevedo
Editora Barracuda, 2005

Este livro é uma reunião de vários artigos do agora blogueiro sobre a cultura brasileira da época em que escrevia nas revistas Bravo! e República. A maior parte do livro trata da opinião de Reinaldo sobre a literatura, principalmente a de língua portuguesa mas sobre ainda espaço para o cinema e a intelectualidade brasileira.

Ao contrário do título, nem sempre o autor vai contra o consenso. Autores como Graciliano Ramos, Machado de Assis, Camões, Fernando Pessoa, Mário Faustino são apresentados sem reparos. Outros como Guimarães Rosa, Drummond, Monteiro Lobato sofrem algumas críticas. Existem ainda os que são tratados como autênticos charlatões como o Marques de Sade.

Achei especialmente interessante os seguintes pontos que levanta:
  1. A importância de Ariano Suassuna na prosa com seu livro Romance d'A Pedra do Reino, de certa forma ignorado pelos professores de literatura no país. Fiquei extremamente curioso em ler o livro.
  2. O Primo Basílio é muito superestimado. Para Reinaldo trata-se de uma obra menor, até mesmo uma obra fraca de conteúdo. Eça teria em Os Maias seu trabalho genial, normalmente ofuscado, injustamente, pelo anterior.
  3. As críticas ao concretismo que tomou conta da poesia brasileira. Os poetas se tornaram preguiçosos e Drummond teria sido um dos exemplos desta atitude. Reinaldo tem particular admiração pelos poetas exigentes que seguem as regras clássicas ao elaborar seus versos.
  4. A crítica ao cinema de autor e ao divórcio do cinema como entretenimento, este particularmente no Brasil. Os autores brasileiros se perderam na fixação de fazer do cinema uma redenção política e social do país. Um dos autores mais criticados é Walter Salles e seus Central do Brasil e Diários de uma Motocicleta, este a apologia a um assassino.
  5. A caracterização brilhanto do anti-americanismo que tomou conta da intelectualidade brasileira a ponto de termos hoje mais comunistas em São Paulo do que em Pequim. O pensamento foi descrito por ele como o recalque do oprimido.
O livro consiste nas opiniões sinceras de um crítico sempre atento aos detalhes e com coragem suficiente para discordar de trabalhos que são objetos de consensos. Mais do que a natureza de suas críticas, o que fica evidente é a pobreza da crítica cultural brasileira que examina com superficialidade as obras produzidas. Lendo Reinaldo Azevedo percebe-se a importância de uma bagagem cultural para poder analisar com honestidade intelectual. Na maioria dos casos temos críticos ignorantes que se limitam a julgar sensações diante de um trabalho.

Uma vez Reinaldo escreveu em seu blog que para cada frase sua existe um livro em sua estante. Nossa intelectualidade possui muitas opiniões, mas embasamento e cultura é outra estória.

Artigos de Paulo Francis civilizam mais do que tudo que a Academia escreveu, a seu tempo, sobre literatura, música, teatro ou cinema.

Erro do Bush

Edward Hopper

Lá vou eu metendo o bedelho onde não conheço! Mas, vamos lá. Coragem! É assim que vamos aprendendo um pouco mais.

Edward Hopper, pelo pouco que pesquisei, foi um pintor americano que viveu na primeira metade do século passado. Seus temas recorrentes eram a solidão, os grandes espaços vazios, a pequenez do homem. Suas pinturas conseguem transmitir estas idéias com grande clareza.

Dando uma rápida olhada em seu trabalho selecionei as pinturas abaixo.

Chop Suey, 1929



Excursion into philosophy,1959


Nighthawks,1942

Morning Sun,1952


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sexta-feira, outubro 03, 2008

Curtindo um som

Estou aqui na sala curtindo um som enquanto fico de bobeira digitando um pouco. Aproveito para dividir as músicas e as memórias que elas me remetem.

  1. Teorema (Legião Urbana): lembra meus tempos de Leopoldina. Meu primo tinha o primeirão, costumava escutar deitado na cama de molas na parte de baixo da casa. Foram horas muito agradáveis de minha adolescência.
  2. Skater Boy (Avril Lavigne): depois que cheguei em Resende passei a variar mais e tentar escutar coisas mais atuais, fugir um pouco do rock clássico. Sempre gostei de um vocal feminino, Avril preencheu este espaço. Por algum tempo.
  3. Hammer to Fall (Queen): lembro uma época quanto tinha meus vinte anos e fui com umas amigas para Cabo Frio passar um feriado. Uma delas tinha um primo e aprontamos algumas juntos. Inclusive cantávamos Hammer to Fall enquanto partíamos para o ataque. Cheguei a ficar com uma garota muito bonita, descendente de árabes; mas a "paquera" terminou de modo pouco usual como o ex-namorado aparecendo e dando um tapa na cara dela. O cara era gigante! Depois descobri que era um padrão. Ela gostava desse joguinho. Credo!
  4. Shadow Play (Rory Gallagher): é paixão recente! Foram muitas corridas este ano pela Asa Sul de Brasília escutando este musicão do genial guitarrista irlandês. Muita energia, velocidade, rock da melhor espécie.
  5. Sweet Lorraine (Uriah Heep): em 1996 eu passei dois meses em um apartamento de um colega no Catumbi, cidade do Rio, enquanto estudava para o concurso do IME. A rotina era aula de 6 da tarde até 11 da noite, estudo até as 4 da manhã, dormir até meio-dia e estudar até a hora de ir para aula. Não foi uma época muito feliz em minha vida, meu namoro estava dando os últimos suspiros e eu não soube lidar com isso. O estudo tornou-se um refúgio e acabou funcionando, passei no concurso.
  6. The Legacy (Iron Maiden): nos últimos dois anos estive no Rio fazendo meu curso de mestrado. Minha família ficou em Resende e fui obrigado a ficar na ponte rodoviária; passava a semana no Rio e os fins de semana em casa. Depois de trabalhar na minha dissertação eu costumava escutar umas músicas para relaxar um pouco. Esta era uma delas.

Como converter ângulos