quinta-feira, outubro 23, 2008

A Imintação do Amanhecer II.23

O ocidente se fez de abraçar a agonia,
o temporal: pela paixão, rumo ao sudário,
foram passando a insurreição do imaginário
e essa acumulação de tudo, Alexandria

que o ser vislumbra e especifica. A confraria
dos seus pedaços recolados ao contrário,
sempre do avesso, contra um fundo sempre vário
e sempre uno de vitral de epifania,

é o que Ocidente chama História e entregaria
ao seus profetas e poetas perdulários,
mas conscientes. E de quê? De que surgia

entre os braços vazios que há em toda agonia,
conjunção do banal e do extraordinário,
a Cruz, sinal de mais, calvário após calvário.

Bruno Tolentino

Neste poema, Tolentino apresenta a imagem da história do ocidente, uma história de agonia, dominada pela paixão, um longo caminho rumo ao sudário. O sudário é a referência ao Cristo. O poeta coloca toda a história do ocidente como um caminho que tem no fim o cristianismo.

Na visão de Tolentino, a história seria formada por peças coladas ao contrário, sempre ao avesso. Estaria aí o esforço de seus intérpretes em retratar a realidade segundo suas próprias visões, provocando uma distorção da realidade.

Fala de seus profetas e poetas perdurários. Seriam os que influenciaram a humanidade com suas idéias? Profetas porque se colocaram na posição de prever o futuro, poetas porque tinham o dom da escrita. Estaria falando de gente como Rosseau, Nietzshce, Marx?

No entanto estes homens seriam conscientes. Conscientes de que surgina em cada agonia a imagem de braços abertos, a imagem do Cristo. Fala na conjunção do banal com o extraordinário, o que mais representativo do que um carpinteiro que na verdade era rei do mundo?

Por isso Tolentino chama-os de perdurários. Acredita que sabiam muito bem que a solução para a humanidade é o cristianismo, mas recusaram a aceitar este fato. Reinterpretaram a história e o mundo segundo suas conveniência, segundo seus radicalismos.

A salvação está no cristianismo, justamente por ser uma doutrina que inclui, como lembra o poeta ao falar no sinal de mais. Não é um caminho fácil, é construído calvário após calvário.

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