quarta-feira, outubro 22, 2008

O País dos Petralhas


Editora Record (2008) Reinaldo Azevedo

Petralha é a expressão criada pelo blogueiro Reinaldo Azevedo para designar a mistura de petista com irmãos metralhas. É uma expressão que antes de restringir o petismo, o amplia. Não é parte do PT que é composto por petralhas,mas parte do petralhismo que é composto por petistas.

O livro é uma coletânea de posts e artigos escritos por Reinaldo nos últimos anos, no período que coincide com o atual governo. Na primeira frase já se tem idéia do que virá adiante: "tudo que é bom para o PT é ruim para o Brasil." É o que Reinaldo tenta demonstrar, com base na lógica e em sua vasta cultura, ao longo da obra.

Amigo de um bom desafio, não adere nunca à acomodação. Do mesmo jeito que está criticando o apedeuta, forma como se refere ao presidente, está criticando ícones como Chico Buarque ou Bono Vox. Contesta até mesmo tradução oficial do vaticano, em um dos seus melhores momentos.

O título é meio enganoso. Não apenas o petismo que é retratado, mas um movimento muito maior. Um movimento que vai na direção da submissão do indivíduo a um poder globalizante que está sendo construído. Reinaldo identifica que a tradição está a perigo e com ela todos os valores mais caros da humanidade. O petismo é apenas parte do movimento totalitário que o mundo está passando.

Mostra como a América Latina está se tornando totalitária. Homens como Chávez e Morales estão utilizando os instrumentos da democracia para solapar a própria democracia. Não coloca em categoria diferente o presidente Lula, apenas afirma que Lula só não faz o mesmo dos seus colegas do Foro de São Paulo porque não quer, não porque não deseje. Sobre os referendos comenta:

Vão por mim: povo gosta é de ditadura; quem prefere democracia é Dona Zelite. (...) Já a partir do plebiscito mais famoso da história, quando foi que a massa escolheu direito? (...) A história da democracia é a história da mediação institucional. Quando ela desaparece, abre-se caminho para o horror: terro revolucionário francês, bolchevismo, facismo...

(...)

A esquerda e os anarquistas acreditam que a democracia é só um truque para controlar os apetites populares. Cesse toda desconfiança. É mesmo! Só estão errados numa coisinha: acreditam que as massas construiriam o céu na terra. Eu estou certo de que fariam o inferno. Como já fizeram.


Reinaldo revela um pouco de sua alma também, em textos sempre inteligentes e muito bem escritos. Ficamos sabendo que não gosta de rock e comida chinesa. Que passa a noite acordado escrevendo seus textos. Que é um católico fervoroso. O texto que lamenta a morte do poeta Bruno Tolentino mostra a dor de quem perde uma referência, de quem perde todas as obras que ainda seriam escritas.

Reinaldo Azevedo é acima de tudo um conservador. Seu livro é um sopro de esperança e de inspiração para todos aqueles que ainda acreditam em coisas como família, religião, lei e ordem. Fomos convencidos de que somos uma minoria; desconfio que não. Que um raro livro de pensamento conservador no Brasil seja uma inspiração para todos que permanecem em silêncio com medo da patrulha mais violenta de nossos dias, o politicamente correto.

Os homens só existem para que, ao fim da vida, possam honrar seus pais. Pensem nisso. Até mais tarde.

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