sábado, novembro 29, 2008

Sobre emoções

Hoje foi o dia de mais um rodízio, o maior deles. Nos deixaram rumo ao Brasil mais de 70 militares e chegaram 29. Durante a formatura de despedida deste pessoal, enquanto os dois comandantes cumprimentavam um a um, um colega comentou comigo.

__ Tem horas que eu acho que preciso ser menos frio, ter mais emoção. Ao longo dos anos vamos evitando nos comover, vamos criando defesas e acabamos ficando indiferentes. Talvez daqui a seis meses eu esteja diferente.

Fiquei meditando sobre estas palavras.

Ao longo da vida, a medida que vamos contruindo nosso lar, vamos conquistando as coisas que nos são mais caras. Naturalmente vamos criando uma defesa, uma forma de evitar pensar em tudo que poderia acontecer de ruim para esta nossa construção.

Ao mesmo tempo, como militares, vamos erguendo uma defesa diante do sofrimento. Temos que ser frios em qualquer situação, treinamos para isso, nos preparamos para isso. Ainda mais agora em uma missão de paz, diante de um povo sofrido como o haitiano.

Eu entendo bem o que meu companheiro comentou. Eu me considero bem frio também diante do sofrimento humano. Principalmente quando estou diante dele. À distância, consigo me comover muito mais, como a tragédia em Santa Catarina agora. Já quando estou próximo, a coisa muda de figura. Deve ter alguma coisa a ver com esta defesa que vamos construindo.

O quando muda de figura quando o assunto é alegria. Neste caso comovo-me facilmente em qualquer situação. É difícil, por exemplo, me ver chorar vendo um filme como "Love Story", mas em um como "A Felicidade Não se Compra" posso assistir mil vezes que me comovo em todas.

Taí um bom filme para ver no fim de semana! Preparado, trouxe o meu. Quem sabe organizo uma seção com o pessoal?

Divagações a parte, tem horas que eu gostaria de me emocionar mais com determinadas coisas. Talvez o Haiti consiga este efeito, veremos.

quarta-feira, novembro 26, 2008

Freakonomics e a tese do aborto

Uma das teses mais polêmicas do livro de Levitt e Dubner, foi a que a redução da criminalidade nos Estados Unidos, na década de 90, seria causada pela liberação do aborto pela Suprema Corte em Janeiro de 1973.

Levitt parte do princípio que as mulheres fazem a opção pelo aborto geralmente baseadas em boas razões como o casamento ruim, a pobreza, sua instabilidade ou tristeza, seu vício em bebidas ou drogas, sua pouca idade ou simplesmente considerar que não era o momento certo.

No primeiro ano após o Roe v. Wade, 750.000 mulheres fizeram abortos nos Estados Unidos, representando um aborto para cada 4 nascimentos. Em 1980, esse número chegou a 1.6 milhões (1 para cada 2,25 nascimentos). Qual seria o tipo de mulher que se beneficiaria da decisão da Suprema Corte? Normalmente as solteiras, as jovens e as pobres, ou as três ao mesmo tempo. Levitt cita que existe um estudo que coloca na pobreza e na falta de um pai os dois maiores fatores que levariam uma criança a se tornar um criminoso no futuro.

Conclui que a criminalidade caiu a partir da década de 90 porque os fatores que levaram milhões de mulheres americanas ao aborto também evitaram que seus filhos, se tivessem nascidos, fossem infelizes e possíveis almas criminosas.

“A legalização do aborto leva a menos indesejados; indesejados levam ao maior número de crimes; aborto legalizado, portanto, diminui a taxa de criminalidade”.


Para sustentar sua tese, cita duas estatísticas principais:
  • Antes que a Suprema Corte legalizasse o aborto, cinco estados já o tinha feito. Segundo Levitt, estes estados experimentaram a diminuição da criminalidade antes dos outros 45.
  • Os estados com maior taxa de abortos na década de 70 foram os que mais experimentaram a diminuição em sua taxa de criminalidade na década de 90, enquanto os com taxa de criminalidade mais baixa experimentaram menores reduções.
Os autores evitam entrar nas considerações morais sobre o aborto, limitam-se a defender uma tese. Argumentam, entretanto, que a correlação encontrada implicaria que a quantidade de abortos necessários para diminuir um criminoso no futuro seria, do ponto de vista econômico, injustificável; mas que esta correlação existe e mostraria que a liberação do aborto implicaria em uma diminuição da criminalidade no futuro.

Esta é a essência da argumentação de Levitt. E você o que acha?

segunda-feira, novembro 24, 2008

Persistência da Memória

Salvador Dali, 1931

Primeiro fim de semana no Haiti

Chegamos ao final do nosso primeiro final de semana no Haiti.

Normalmente o sábado é dedicado para manutenção da Companhia e faxina dos containers. Tendo em vista que este seria o último final de semana para a grande maioria do sétimo contingente, o Comandante optou por liberar a tropa e passar o faxinão para segunda.

No sábados pela manhã é realizada uma feirinha na frente da base. Vendem-se basicamente roupas, calçados, quadros, artesanato e até alguns produtos de informática. Um dos maiores sucessos são os tênis. Pelo que me informaram, são vendidos os itens que são usados pelos americanos e posteriormente devolvidos às lojas. Suspeitamos que sejam utilizados pelos bombagays também. Cada tênis sai em torno de uns vinte dólares.

Acabei não indo à feirinha, deixei para outra oportunidade. Fui no Megamart, um atacadão que existe em Porto Príncipe. É um dos poucos lugares que não só aceitam pagamento em dólares como também dá o troco na moeda americana. Nos demais locais, o dólar pode até ser aceito, mas o troco sai em moeda local.

Comprei algumas coisas que estavam faltando e duas garrafas de vinho. No sábado, após as 18:00 é liberado o consumo de bebida alcoólica até domingo as 22:00.

No fim da tarde ainda joguei um volei de areia para quebrar a rotina das corridas diárias.

O jantar foi Strogonoff e recebemos duas garrafas de refrigerante e duas long necks. Normalmente recebemos Pepsi e uma cerveja da República Dominicana chamada Presidente. Acabei guardando minhas long necks e fiquei com tomando meu vinho.

A noite foi longe. Joguei uma partida de xadrez com o Rodrigo. Perdi depois de estar com vantagem considerável na partida, uma seqüência de desatenção tremenda mas faz parte do aprendizado (nosso placar agora está 3 x 2 para mim). Depois ficamos conversando, tocando um violão e quando dei por mim fui o último a ir dormir na Companhia, às 5:30.

No domingo passei boa parte do tempo na internet e com meus livros. Além de assistir a derrota do Flamengo para o Cruzeiro!

À noite mudamos a disposição do nosso container para conseguir mais espaço para circulação. Foi uma trabalheira danada, mas no fim o resultado ficou bom. Pelo menos já conseguimos mexer nos nossos armários ao mesmo tempo, uma evolução e tanto.

E com o primeiro episódio da série "Band of Brothers" despedi-me do domingo e do fim de semana. O primeiro no Haiti.

Manifesto do Partido Comunista

A história de todas as sociedades que existiram até hoje é a história de lutas de classes.


Assim Karl Marx e Friedrich Engels iniciam o Manifesto do Partido Comunista, um dos textos mais importantes da política moderna. Basta constatar que menos de um século depois de publicarem o Manifesto, mais de um terço da humanidade estava vivendo segundo as idéias formuladas por Marx.

O Manifesto é um chamado aos trabalhadores de todo o mundo para que se organizem dentro da estrutura comunista para se preparar para o acontecimento que considerava inevitável: o fim do capitalismo. Marx e Engels inauguraram uma doutrina que ficaria conhecida como materialismo histórico e teria influência sobre todos os povos do planeta.

Trata-se de um livro de dois jovens alemães que sonhavam em transformar o mundo. Criticavam a filosofia por se contentar em interpretar a realidade quando na verdade deveriam transformá-la em um ideal, que identificavam na sociedade sem classes.

No primeiro capítulo, os autores tratam da grande divisão da sociedade da época em que viviam, a burguesia e o proletariado. Para eles, estavam vivendo a época da burguesia, que seria o produto de um longo desenvolvimento social da humanidade. A burguesia moderna estaria para ser suplantada, derrotada pelo próprio motor que a criou, o capitalismo.

Marx já esboçava sua idéia que desenvolveria no Capital segundo a qual o valor de um produto seria dado pelo trabalho realizado para produzi-lo. A diferença entre o valor de venda e o valor do trabalho seria a expropriação indevida, a exploração do trabalhador. A propriedade privada seria uma lei anti-natural, que afastava os homens uns dos outros e impediria que vivessem em harmonia. O mundo só poderia ser justo com o fim não só da posse, mas da própria estrutura capitalista.

Para Marx, o próprio capitalismo destruiria a burguesia:

A burguesia produz, acima de tudo, seus próprios coveiros. Seu declínio e a vitória do proletariado são igualmente inevitáveis.


O capítulo dois trata da relação dos comunistas com o proletariado. Para Marx e Engels, o partido comunista era a própria essência do operariado. O objetivo do partido comunista seria a constituição do proletariado em classe, derrubada da dominação da burguesia, conquista do poder político do proletariado.


O terceiro capítulo é dedicado à crítica dos demais movimentos socialistas. Marx e Engels acreditavam que o verdadeiro movimento socialista só poderia existir como representação do porte proletariado. Atacava, em especial, o socialismo defendido pela pequena burguesia, que estaria interessada apenas em remediar os males sociais e conservar a estrutura burguesa.

No último capítulo, Marx trata da posição do partido comunista diante dos demais partidos de oposição. A posição é bem clara:

Declaram abertamente (os comunistas) que seus objetivos só podem ser alcançados pela derrubada violenta de toda a ordem social até aqui existente. Que as classes dominantes tremam diante de uma revolução comunista. Os preletários nada têm a perder nela a não ser suas cadeias. Têm um mundo a ganhar. Proletários de todos os países, uni-vos!


No Manifesto do Partido Comunista já é possível observar a violência do discurso de Marx e sua obsessão pela destruição da burguesia. Não pode ser surpresa que onde a revolução aconteceu o resultado tenha sido uma carnificina. A ideologia criada por Marx era e expressão do ódio entre seres humanos. Não havia conciliação possível, a sociedade deveria ser transformada pela força.

domingo, novembro 23, 2008

Não foi desta vez...

O Flamengo teve a chance da vitória quando Juan, livre, chutou uma bola para fora com o empate em 2 x 2. É verdade que o Cruzeiro também perdeu gols incríveis e jogou melhor a maior parte do tempo. Acabou vencendo o jogo em mais uma lambança do soprador de apito, considerado um dos melhores do Brasil (até hoje nunca entendi o porquê), do Simon.

Com os resultados, o São Paulo garantiu seu tri-campeonato. Só falta levantar a taça no Morumbi lotado diante do Fluminenste, o mesmo time que o tirou do seu principal objetivos de 2008, a Libertadores.

Cruzeiro, Palmeiras e Flamengo devem brigar até a última rodada pelas duas vagas restantes para a Libertadores; os mesmos times do ano passado. É bom lembar que o terceiro colocado se livra da pré-libertadores e começa já na fase de grupos.

Lá embaixo, o grande destaque é a briga do Vasco para não cair. Está muito difícil, vai depender quase de um milagre. A vitória diante do São Paulo era fundamental.

Só o Grêmio pode tirar o título do tricolor paulista, mas nem os gaúchos acreditam nisso. O campeonato já está decidido.

Explicando o PAC

sábado, novembro 22, 2008

O que está passando?

Eduardo e Johnny tomavam whisky animadamente em um bar em Recife. Nada de anormal para um sábado a noite com temperatura agradável e muitas conversas para jogar fora. Conheciam-se há algum tempo, trabalhavam juntos.

Eduardo era separado. Que forma de definir alguém! Poderia ter começado com sua descrição física, por sua personalidade, mas nada disso seria mais importante que este fato para esta narração. E não é nem por causa dele; Johnny é o protagonista aqui.

Por que então comecei por Eduardo? Talvez porque o contraste seja importante, porque por Eduardo se chegue ao ponto que realmente interessa em Johnny. Por que então o fato de Eduardo ser separado é tão importante, por contraste, para narrar o pequeno episódio de seu amigo?

O que primeiro nos vem a mente quando falamos que alguém é separado? Como se fosse uma classe social, como se fosse um rótulo definitivo para uma pessoa? Para muitas pessoas o fato de uma pessoa ser separada, remete a uma idéia de liberdade, uma idéia de que pode tudo.

Se Eduardo tudo pode, e chamei atenção para o contraste, é porque Johnny não deve poder. Seria ele casado? Não. Teria namorada? Sim. E agora vamos a outra aspecto interessante desta narrativa.

Eduardo já passava dos 30 anos, Johnny estava com seus vinte e pouco. Chegamos então ao que interessa da namorada deste último. Ela já passava dos 50.

Que horror! O fato de uma rapaz de 20 e poucos namorar uma mulher que passou de 50 ainda nos choca um pouco... embora o inverso já seja encarado com mais naturalidade. O fato é que a idade é, em geral, muito mais cruel com as mulheres do que com os homens. Por isso temos Johnny e sua namorada com silicone nos peitos e cara de maracujá enrugado.

Poderia dizer que a namorada de Johnny era conservada, que nem aparentava ter esta idade toda. O fato é que sua namorada aparentava ter exatamente a idade que possuía, talvez até mais. Beleza, no sentido atual dado pela modernidade, definitivamente não era o que o levara a este relacionamento.

O segredo então só pode ser a personalidade. O apressado já conclui logo que Johnny está com ela porque trata-se de uma dessas pessoas especiais, uma alma gêmea que tanto procuramos, uma pessoa que nos toca no fundo do coração. A namorada de Johnny só pode ser alguém alegre, muito carinhosa, capaz de o fazer sentir o mais feliz dos homens.

Pois a juíza era exatamente o oposto de tudo isso. Era uma pessoa extremamente irritadiça, que o humilhava com alguma freqüência, que o tratava com um misto de amor e desprezo.

Serie então o sexo? Isso ninguém sabia, não era coisa que Johnny comentasse. Quando ele falava da namorada, e falava com freqüência, não era sobre o sexo que comentava. O assunto, quando se referia à juíza, era um só: dinheiro. Ele era completamente encantado pelo estilo de vida que sua namorada o presenteava, no verdadeiro sentido do verbo.

Se ganhava um relógio de ouro, lá ia faceiro mostrar para todo mundo. Se passava uma semana em um resort caríssimo, descrevia o local com detalhes. Se ganhava roupas, não só fazia questão de mostrar como ainda criticava os amigos, como Eduardo, por suas roupas sem marca.

Era exatamente o que Johnny estava criticando no amigo quando seu celular tocou. Eduardo não ligava para roupas, colocava a primeira camiseta que encontrava, um jeans surrado, e tratava de cair na rua.

Eu disse que o celular tocou? Pois é. Tocou. E Johnny parou sua frase no meio e saiu do bar correndo.

Eduardo só balançou a cabeça. Estava acostumado. Johnny e a juíza moravam em cidades diferentes; ele em Recife, ela em João Pessoa. Pelo quadro descrito aqui, o leitor já deve ter imaginado que a juíza era uma pessoa extremamente controladora e muito, mas muito, ciumenta. Daquelas que xinga uma mulher que está passando perto por imaginar que esteja cantando seu namorado.

Uma vez, Eduardo contou quantas vezes Johnny saiu de uma boate para atender o telefone dentro do carro. Simplesmente dez vezes! Dez! Em certa hora não se conteve:

__ Bicho, vai para casa! Isso não é vida, vai dormir. Não está aproveitando nada!

Não tinha jeito. Johnny podia ser encantado pelo estilo de vida que tinha, mas adorava sair com os amigos e, se possível, aproveitar para dar uma escapulida.

O que aconteceu naquele carro, com Johnny atendendo o celular, foi contado a Eduardo um pouco mais tarde, e este me contou.

__ Alô!

__ Oi amor. Por que está ofegante?

__ Nada não, estava fazendo uns abdominais.

Johnny tinha um daqueles sistemas que quando alguém liga para seu telefone fixo, após alguns toques, a ligação era transferida automaticamente para o celular.

__ Onde você está?

__ Em casa, claro. Não foi para cá que você ligou?

__ Não pense que sou boba. Não sou eu que pago sua conta? E seu serviço de rediscagem? Onde você está? Você demorou muito para atender... deve estar no celular.

__ Estava no banheiro!

__ Você não disse que estava fazendo abdominal?

__ Disse? Pois é, estava fazendo abdominais no banheiro, preparando para tomar banho.

__ E porque não atendeu na hora?

__ Estava terminando minha série... faltava 10 abdominais... não poderia parar no meio, né?

Silêncio. Johnny não gostava quando ela ficava em silêncio. Significava que estava pensando, e quando a juíza parava para pensar...

__ Liga a televisão.

__ Hein?

__ Liga a televisão. Coloca na Band.

Johnny fez a única coisa que podia, ligou o rádio. Pelo menos fazia barulho.

__ O que está passando?

__ Só um minutinho... a sintonia está péssima...

__ Não me interessa. Só quero saber o que está passando. Que sintonia? Não estou pagando a sua tv a cabo?

__ É que de vez em quando o sinal cai... por causa da chuva...

__ Está chovendo aí?

__ Um dilúvio...

__ Não quero saber... desliga a tv a cabo que você tem antena... vamos, o que está passando?

Johnny, desesperado, tentava lembrar se alguma vez tinha visto a Band neste horário... sete e meia, ainda era cedo para o jornal...

__ Vamos, estou esperando! O que está passando?

__ Estou tentando...

__ O que está passando?

__ Acho que é algo evangélico...

Silêncio. Fechou os olhos e cruzou os dedos. Teria advinhado?

__ Seu... cachorro!

Parece que não.

Brasileirão chega nos finalmentes

Depois de meses de disputa, o Campeonato Brasileiro chega ao seu final. Teoricamente, 5 times podem ser campeões. Dois com remotíssimas chances, outro dependendo de um quase milagre, e dois disputando de fato.

O São Paulo lidera com segurança mas não se enganem. Enfrenta a dupla Vasco e Fluminense que disputam jogos de vida ou morte para não cair. Não vai ser nada fácil a vida para o tricolor paulista, mas que se passar pela dupla, leva o caneco.

O Grêmio, logo atrás, sabe que não pode vacilar. Tem que vencer seus três jogos e torcer para um tropeço do líder, algo que não tem acontecido.

O Flamengo está em situação um tanto mais complicada. A vitória nos três jogos é condição mínima para sonhar com o título e começa neste domingo jogando fora contra o Cruzeiro, seu jogo mais difícil. Ao mesmo tempo tem que fazer figa contra o São Paulo, que precisa perder um jogo e empatar outro, e para um tropeço do Grêmio.

Cruzeiro e Palmeiras sabem que suas chances são remotíssimas, a esta altura jogam mais pela Libertadores.

Quando se trata de futebol, tudo pode acontecer.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Despedidas

Hoje nos despedimos de um terço da Companhia. Pouco mais de 50 militares deixaram o Haiti, retornando para suas casas.

Foi feita uma formatura para que o Comandante apresentasse as despedidas. Naquele momento encerrava-se um ciclo e o sétimo contingente deixou de existir como uma totalidade. Depois de mais de 6 meses, pouco mais de 7 se incluirmos a concentração, os 150 homens que nos antecederam não estarão mais juntos.

Ficam com eles as estórias, os trabalhos realizados, as amizades, os atritos, a alegria e as tristezas; fica a experiência de vida. Tenho certeza que este período foi bastante intenso, uma concentração muito grande de sentimentos e emoções, uma oportunidade de ouro para se conhecerem melhor.

Eu, que estava em forma, vi a antecipação do fim de um filme, que para mim chegará no final de maio. Como eles, estarei em forma participando dos meus últimos atos no Haiti; para chegar lá, entretanto, tenho que percorrer todo o percurso.

Um bom retorno ao sétimo contingente.

Agora é a vez do oitavo.

Limite

Engraçado como de uma hora para outra determinados temas passam a nos perseguir. Por várias fontes diferentes, acabei me deparando com uma questão muito atual: o limite para o que queremos.

Santo Agostinho, comentando Paulo, chamou atenção para o seguinte pensamento: "tudo nos é permitido, mas nem tudo nos convém". Por este pensamento, o evangelista quis ensinar que temos que ter limites entre o que desejamos e o que efetivamente devemos fazer.

Contardo Calligaris, no livro que estou lendo, chama atenção para o mesmo ponto em uma de seus artigos. A vida é um equilíbrio entre o que queremos e o que podemos fazer. O homem é mais feliz à medida que consegue lidar bem com o limite entre estes dois aspectos da vida.

Este limite deve ser estabelecido pelo próprio homem baseado nos valores que adquiriu ao longo de sua vida; valores que recebeu de seu pais, familiares, religião, sociedade. Ele não possui um papel passivo neste processo. Ao longo da vida ele deve analisar estes valores e aceitá-los ou rejeitá-los segundo seu livre arbítreo. Cabe a ele decidir que tipo de vida quer levar.

Nietzsche, com seu niilismo, pregava o fim de qualquer senso de moralidade para o homem. Cada indivíduo deveria impor sua moral, era a vontade de poder. Na prática isso representa o fim do limite auto imposto ao homem, este só seria detido pela vontade de seu próximo, pela força do outro.

Chesterton, argumentava justamente o contrário, que cabe ao homem estabelecer seus limites. Em uma das inúmeras passagens memoráveis de Ortodoxia afirma que nunca poderia seguir uma utopia que tirasse do homem a possibilidade de se obrigar. Devemos lutar contra nossos impulsos e instintos que estejam contra nossa própria consciência.

Uma sociedade que perde a noção de limite para os próprios atos, principalmente para aqueles que cada um impõe a si mesmo, está na rota de destruição. Não há sistema jurídico e social que consiga impedir que o homem faça mal ao seu próximo e a si mesmo. Precisamos de nossa própria consciência para nos guiar, precisamos de valores.

Precisamos justamente daquilo que a humanidade tem perdido nos últimos tempos.

quinta-feira, novembro 20, 2008

Frase do dia...

Esta também é só para os entendidos:

Diálogo

Sei que nem todos poderão entender o diálogo que presenciei, mas preciso deixar escrito e fica para a imaginação de cada as conclusões...

__ Ei, Dudle, vamos dar as mãos!

__ Não.

__ Vamos lá, vamos tirar uma foto de mãos dadas.

__ Não.

__ Deixa de bobeira... me dê sua mão...

__ Já disse... não.

__ O que é que tem? Agora a gente pode! Agora somos da ONU...

__ Não.

__ Para de frescura! Me dá a mão..

__ Não! Já disse! Agora é real...

quarta-feira, novembro 19, 2008

Correndo

Ontem fiz minha primeira corrida no Haiti. Apesar do clima estar bastante ameno, fizemos uma corrida leve, de ambientação. Afinal, a umidade é bem maior do que Brasília. O curioso é que deixei a capital brasileira com chuvas torrenciais e cheguei a Porto Príncipe sem nenhuma chuva ainda.

Depois de duas voltas pela base, um percurso de 1440 metros, eu e Rodrigo saímos pelo portão para dar uma esticada até o principal que está sendo construído, o Main Gate. Foi quando um menino haitiano, uns 8 anos de idade, passou a correr ao nosso lado. Estava de uniforme de escola, junto com outros na frente do portão do contigente brasileiro.

Uma das coisas notáveis no Haiti é a grande quantidade de crianças nas ruas. Qualquer lugar que um capacete azul pare, rapidamente torna-se um foco para concentração. No caso de nossas atividades de engenharia pesada, muitas vezes origina uma situação de risco.

O bombagay foi logo puchando conversa. "Bombagay" é o termo usado pelas tropas brasileiras para se referir amistosamente ao haitiano. Pelo que me contaram significa " gente boa" . O menino falava em português bastante claro.

__ Oba Capitão, tudo bem com o senhor? __ Rodrigo estava de camisa, com o nome impresso. Eu sem.

__ Tudo bem baichinho. E você?

__ Tudo bem. O senhor é de qual Companhia?

__ Você fala porgtuguês?

__ Falo sim. O senhor é da 1ª Companhia?

__ Sou sim. E você, é de qual Companhia?

__ Sou do Esquadrão de Cavalaria.

Era mais o Rodrigo que conversava com o baixinho.

__ Na verdade somos da Engenharia.

__ Ah, da Engenharia... Conhece o Capitão Glasner?

__ Conheço. Você está em que ano na escola?

__ Estou no segundo.

__ Já sabe ler e escrever? __ perguntei.

__ Escrever sim, ler... um pouco.

__ Fala francês? __ perguntou Rodrigo.

__ Sim.

__ E espanhol?

__ Também.

Quando chegamos de volta ao portão do contingente brasileiros nos despedimos e entramos na base.

O menino parecia muito esperto e comunicativo. É interessante como são as coisas. Mal sabe ler e escreve e fala 3 idiomas, além da língua de seu país. A maioria dos brasileiros passa um sufoco danado para falar muito mal um segundo idioma. Ele falava um bom português, o que não é fácil.

De qualquer forma, aquele menino é o futuro do Haiti. E assim travamos nosso primeiro contato com um haitiano. Foi bom que fosse com uma criança. Por mais sofrido que seja a vida para eles, há uma esperança de mudança e um futuro pela frente. Em alguma hora o destino do país estará nas mãos deles.

terça-feira, novembro 18, 2008

Atualizando...

Encontro-me, desde ontem, no Haiti. Agora é de verdade. Depois de 6 meses de preparação, culminando com uma semana de concentração em Aquidauana, enfim começou a missão. Serão pouco mais de 6 meses e o tempo está correndo.

Ontem, nosso primeiro dia, nos dedicamos a arrumar as coisas e nos instalar. Hoje comecei a receber a função e aprender a rotina de atividades. Não é minha intenção usar este blog para descrever as atividades de engenharia, até porque muito do que acontece aqui não é assunto público. Minha intenção é mais registrar o trivial do que o relevante.

Por trivial entenda-se as pequenas coisas que nos fazem refletir sobre a condição humana. Na maioria das vezes não importa quem, mas sim o quê. As motivações, as conseqüências. Joyce dizia que o escritor tinha a capacidade de transformar o trivial em algo extraordinário. Longe de me conceder este poder, acredito que no trivial muitas vezes encontrarmos verdadeiras pérolas.

Um pequeno exemplo.

Quando estive no Haiti em agosto, notei que vendiam pães ao ar livre, no meio da poeira e da fumaça dos carros. Ontem, vindo do aeroporto, reparei que os pães estavam todos dentro de sacos. Pode não ser nada, mas pode ser um sinal de que aos poucos as coisas estão melhorando por aqui, que o progresso é possível. Um colega reparou que de modo geral as coisas pareciam um pouco mais organizadas.

Muitas vezes as próprias pessoas que vivem este dia a dia não conseguem perceber este movimento. A mudança acontece tão lentamente que só é perceptível para o observador ocasional, como foi nosso caso. É bem possível que nos seis meses que estivermos aqui não consigamos ver mudanças por estarmos imersos nesta realidade. Talvez alguém de fora, em junho do ano que vem veja com mais clareza.

É preciso ter sempre esperanças e sonhos para se conseguir progredir. Talvez o haitiano, depois de tanto sofrimento, esteja começando a sonhar em dias melhores. Se assim aconteceu, deram o primeiro passo. Os outros virão naturalmente.

domingo, novembro 16, 2008

Liberdade Social

Quando existem limitações que não podem ser vencidas autonomamente, surge a falta de liberdade social, a miséria. Esta miséria não pode ser confundida apenas com a questão material, apesar desta ser a mais devastadora. A liberdade social tem a ver com a liberação da falta de recursos econômicos, jurídicos, políticos, afetivos, etc. Liberação da ignorância, da insegurança, da falta de propriedade e trabalho, opressão política, enfermidades, solidão.


Este artigo, publicado no blog Liberdade de Pensamento, trata da liberdade social e outros temas relacionados como a pluralidade, a tolerância e o politicamente correto. A íntegra pode ser conferida aqui. A base do artigo é o livro Fundamentos de Antropologia de Stork e Enchevarría, uma das referências deste blog.

Um artigo de Gandra Martins

Assim é que, se um branco, um índio ou um afrodescendente tiverem a mesma nota em um vestibular, pouco acima da linha de corte para ingresso nas Universidades e as vagas forem limitadas, o branco será excluído, de imediato, a favor de um deles. Em igualdade de condições, o branco é um cidadão inferior e deve ser discriminado, apesar da Lei Maior.


Clique aqui para ler na íntegra.

quinta-feira, novembro 13, 2008

Êxodo

Irene Pacheco Machado
Pelo Espírito Cecília
Ed Recanto

Este é o segundo volume da série A Bíblia na Linguagem Espírita, e trata do livro do Êxodo.

Segundo a doutrina espírita, Moisés foi um precursor de Jesus. Veio à terra por diversas vezes para preparar o povo para receber o Cristo, a mais notável delas foi sua encarnação como o homem que conduziria o povo de Israel do cativeiro do Egito até a Terra Prometida.

Uma vez discuti com um colega sobre a interpretação da Bíblia. Segundo ele, o texto só permite uma interpretação possível, não haveria como errar. Discordei na época e mais ainda hoje. O texto é tão rico que considero impossível duas pessoas lerem um mesmo versículo e terem a mesma interpretação.

Esta série vem apresentar os livros que compõe a Bíblia e explicá-los segundo a doutrina espírita. Moisés veio trazer uma mensagem para um povo rude e incrédulo e por isso não podia dizer tudo. Se muitas vezes foi duro, foi porque era necessário. Seu povo não estava ainda em condições de entender uma mensagem baseada no amor.

Os dez mandamentos não foram apresentados para a humanidade naquele momento, na verdade estão cravados no subconsciente de cada um de nós. O que Moisés trouxe, do alto da montanha, foi a lembrança das leis de Deus. As duas tábuas, cada uma com cinco mandamentos, traziam as leis em relação a Deus e em relação ao próximo. Jesus as confirmariam depois dizendo que os mandamentos se resumiam em duas leis: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Cecílica explica que não era Deus que falava com Moisés no alto do morro e sim Jesus. Algumas vezes eram outros espíritos de luz, todos imanados da missão de orientar a humanidade.

Êxodo é um livro de estudo para os espíritas. Esclarece as passagens mais obscuras e incompreensíveis do livro que narra a história de Moisés, nos mostra um guia que muito se sacrificou para nos conduzir e mais do que tudo, mostra o amor de Deus por sua criação.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Site de biblioteca

Encontrei um excelente site para catalogar seu livros online e mostrar o que tem na sua estante. Trata-se do Librarything.com. É muito fácil de se cadastrar e utilizar. Como ele possui a biblioteca da Amazon como base, é muito mais fácil adicionar os livros em inglês com o número isbn. Para os livros em português estou usando o método manual, tendo em vista que as bibliotecas em português são de Portugal. Cadastrei até agora 63 livros.

Sobre livros, minha meta este ano é ler 40, independente do tamanho. Até agora já li 37. Esta semana pretendo terminar mais um, até mesmo dois. Devo terminar o ano perto dos 45.

Futebol: é para ter emoção ou não?

Assistindo hoje o programa de almoço da sportv vi um verdadeiro linchamento ao Kléber Pereira por suas palavras ao final do jogo entre Santos e Vasco. Segundo os analistas do programa, principalmente o clone do Didi, ele tem o direito de dizer que o juiz errou mas não que roubou. Aí já seria uma acusação muito séria.

Dá para levar em consideração o que um jogador de futebol fala ao final de um partida decidida no fim com um lance polêmico desses? Para um dos integrantes do programa o jogador tem que estar preparada para este tipo de situação.

Outro integrante, ainda tentou falar algo diferente e bem mais interessante. Teria o repórter induzido o jogador a falar o que falou ao perguntar se na opinião deles o juiz estaria pressionado. Foi uma correria para defender o repórter, dizendo que estava só fazendo sua obrigação.

E estava! Não tenho dúvida que a obrigação do jornalista, naquele momento, era tentar conseguir um fato relevante. E conseguiu! Chegamos realmente ao ponto de censurar jogador de futebol à beira do gramado? O juiz disse que vai processar o jogador. Alguém processa juízes por seus erros? Estes erros muitas vezes causam imensos prejuízos aos clubes, mas que eu saiba nenhum deles foi processado até hoje. Chegamos à intolerância contra os jogadores?

A grande questão não é o que um jogador fala após o apito final, mas o que o jogador sustenta nos dias que se seguem. Kléber sustentou qualquer acusação ao juiz? Não. Quem acha que o jogador deve controlar o que diz ao fim de uma partida jamais jogou uma pelada na vida. Eu já joguei. E já saí do campo chamando juiz de ladrão. Em pelada! E teve momentos que o juiz era, e é, meu amigo!

Parem com isso! Se é para ser assim não sei porque os clubes não impedem logo os jogadores de falarem qualquer coisa depois do jogo. Neste caso a imprensa partiria para cima dizendo que estão investindo contra a liberdade de expressão. É um conceito bem distorcido este que defende que o jogador fale a bobagem que quiser mas depois quer criticá-lo por isso.

Querem o jogador politicamente correto. Pois eu os rejeito todos! Quero jogadores que sintam a emoção aflorando em suas peles, que joguem com disposição e se deixem contaminar pelo espírito de competição. O futebol é bem melhor com Edmundo, Romário, Vampeta, Garrincha, Pelé, Gérson e tantos outros que falavam sem a preocupação de agradar. Coisa que estão querendo matar nos dias de hoje.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Macbeth (William Shakespeare)


Tens medo de ser na própria ação e no valor o mesmo que és em teu desejo? Queres ter aquilo que, por tua estimativa, é o adorno da vida e, no apreço que tens de ti mesmo, levas a vida como um covarde, não é assim? Deixas que o teu “Não me atrevo” fique adiando tua ação até que o teu “Eu quero” aconteça por milagre, como a gata, coitadinha, que queria comer o peixe mas não queria molhar a pata.


Com estas palavras, Lady Macbeth instiga o marido ao crime. É o prenúncio da vontade de poder tão bem descrita por Nietzsche séculos depois, é a defesa de uma moralidade baseada em outros valores, baseada no desejo.

Macbeth era um dos capitães do rei da escócia na vitória sobre diante dos noruegueses. Era tido como um homem brilhante, corajoso, leal. Até que três bruxas aparecem para ele logo após a batalha final e fazem algumas previsões para ele, sendo a principal que a coroa seria sua.

Chesterton já dizia que estamos sempre a um passo da queda. E o risco é ainda maior quando estamos convencido que não podemos cair. Bastou que a ambição fosse despertada em Macbeth para que crescesse em seu espírito o desejo de conquistar o mais rápido possível o prêmio que lhe foi prometido.

O capitão ainda faz um esforço para escutar a voz da razão, em seu próprio espírito e por intermédio de seu companheiro Banquo que lhe faz um último alerta após Macbeth avisá-lo que recairia sobre ele muita honra:

Desde que eu não perca a honra ao buscar aumentá-la, desde que continue o meu coração imune a sentimentos de culpa, desde que permaneça eu um súdito leal, receberei de bom grado o seu conselho.
No entanto a voz de Lady Macbeth falou mais forte e o marido se perde.

A obra mostra também o efeito devastador da culpa na alma de um homem de bem que desviou-se do seu caminho de forma tão trágica. Quanto mais Macbeth mergulhou no papel amoral que resolveu seguir mais se consumiu no processo.

Estou atolado em sangue a um tal ponto que prosseguir nessa lama não me é possível e, no entanto, recuar é outra impossibilidade. Minha cabeça está tomada por idéias estranhas, que pedem para ser executadas, e que devem ser levadas a cabo antes de serem examinadas.


Aristóteles também está presente na peça. Em um diálogo entre Malcom, o filho do falecido rei Ducan, e MacDuff, o primeiro se coloca como um homem sob o vício da luxúria.

E o meu desejo derrubaria todos os impedimentos sequiosos de moderação que viessem a contrapor-se ao meu apetite.


Trata-se da intemperança, um dos principais vícios descritos pelo filósofo de Estagira. No entanto, ao final da conversa, Malcom confessa que na verdade não experimentou nenhum desses vícios, apenas luta contra eles. O herdeiro destronado sabe de suas inclinações e luta contra elas fazendo um contraponto com Macbeth que não sabe das suas e deixa-se levar com facilidade.

A peça é uma forte pintura do efeito devastador da ambição quando aliada a falta de uma moral que seja guia de nossas ações. Dado o primeiro passo, o que vem depois é uma escalada de atos, mostrando que o mal não se encerra em um único ato, que não se pode dar uma pousa na própria moral e depois retomar como se nada tivesse acontecido. Shakespeare mostra como estamos sempre próximos de praticar o mal e quanto devemos lugar contra nossas inclinações para preservar a própria virtude.

domingo, novembro 09, 2008

Final da primeira etapa

Enfim, terminou meu período em Aquidauana na preparação para a missão no Haiti. Foram 31 dias fora de casa, passando por situações que remetem aos meus tempos de formação na AMAN. Houve horas que aqueles dias estiveram mais presentes do que nunca, principalmente na convivência diária com o mesmo grupo de pessoas, o que chamávamos na época de coletividade.

Na última semana não deu para escrever aqui no Blog. O exercício final foi bastante intenso, sem tempo para qualquer outra coisa. Depois, não tive mais acesso à internet. Só hoje, de volta ao meu lar, é que fui conseguir fazer um post. Mesmo assim o dia hoje foi dedicado a matar as saudades da família.

Amanhã volto com a resenha do livro que terminei de ler no avião. Trata-se de Macbeth.

Até lá!