quarta-feira, novembro 26, 2008

Freakonomics e a tese do aborto

Uma das teses mais polêmicas do livro de Levitt e Dubner, foi a que a redução da criminalidade nos Estados Unidos, na década de 90, seria causada pela liberação do aborto pela Suprema Corte em Janeiro de 1973.

Levitt parte do princípio que as mulheres fazem a opção pelo aborto geralmente baseadas em boas razões como o casamento ruim, a pobreza, sua instabilidade ou tristeza, seu vício em bebidas ou drogas, sua pouca idade ou simplesmente considerar que não era o momento certo.

No primeiro ano após o Roe v. Wade, 750.000 mulheres fizeram abortos nos Estados Unidos, representando um aborto para cada 4 nascimentos. Em 1980, esse número chegou a 1.6 milhões (1 para cada 2,25 nascimentos). Qual seria o tipo de mulher que se beneficiaria da decisão da Suprema Corte? Normalmente as solteiras, as jovens e as pobres, ou as três ao mesmo tempo. Levitt cita que existe um estudo que coloca na pobreza e na falta de um pai os dois maiores fatores que levariam uma criança a se tornar um criminoso no futuro.

Conclui que a criminalidade caiu a partir da década de 90 porque os fatores que levaram milhões de mulheres americanas ao aborto também evitaram que seus filhos, se tivessem nascidos, fossem infelizes e possíveis almas criminosas.

“A legalização do aborto leva a menos indesejados; indesejados levam ao maior número de crimes; aborto legalizado, portanto, diminui a taxa de criminalidade”.


Para sustentar sua tese, cita duas estatísticas principais:
  • Antes que a Suprema Corte legalizasse o aborto, cinco estados já o tinha feito. Segundo Levitt, estes estados experimentaram a diminuição da criminalidade antes dos outros 45.
  • Os estados com maior taxa de abortos na década de 70 foram os que mais experimentaram a diminuição em sua taxa de criminalidade na década de 90, enquanto os com taxa de criminalidade mais baixa experimentaram menores reduções.
Os autores evitam entrar nas considerações morais sobre o aborto, limitam-se a defender uma tese. Argumentam, entretanto, que a correlação encontrada implicaria que a quantidade de abortos necessários para diminuir um criminoso no futuro seria, do ponto de vista econômico, injustificável; mas que esta correlação existe e mostraria que a liberação do aborto implicaria em uma diminuição da criminalidade no futuro.

Esta é a essência da argumentação de Levitt. E você o que acha?

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