sexta-feira, novembro 21, 2008

Limite

Engraçado como de uma hora para outra determinados temas passam a nos perseguir. Por várias fontes diferentes, acabei me deparando com uma questão muito atual: o limite para o que queremos.

Santo Agostinho, comentando Paulo, chamou atenção para o seguinte pensamento: "tudo nos é permitido, mas nem tudo nos convém". Por este pensamento, o evangelista quis ensinar que temos que ter limites entre o que desejamos e o que efetivamente devemos fazer.

Contardo Calligaris, no livro que estou lendo, chama atenção para o mesmo ponto em uma de seus artigos. A vida é um equilíbrio entre o que queremos e o que podemos fazer. O homem é mais feliz à medida que consegue lidar bem com o limite entre estes dois aspectos da vida.

Este limite deve ser estabelecido pelo próprio homem baseado nos valores que adquiriu ao longo de sua vida; valores que recebeu de seu pais, familiares, religião, sociedade. Ele não possui um papel passivo neste processo. Ao longo da vida ele deve analisar estes valores e aceitá-los ou rejeitá-los segundo seu livre arbítreo. Cabe a ele decidir que tipo de vida quer levar.

Nietzsche, com seu niilismo, pregava o fim de qualquer senso de moralidade para o homem. Cada indivíduo deveria impor sua moral, era a vontade de poder. Na prática isso representa o fim do limite auto imposto ao homem, este só seria detido pela vontade de seu próximo, pela força do outro.

Chesterton, argumentava justamente o contrário, que cabe ao homem estabelecer seus limites. Em uma das inúmeras passagens memoráveis de Ortodoxia afirma que nunca poderia seguir uma utopia que tirasse do homem a possibilidade de se obrigar. Devemos lutar contra nossos impulsos e instintos que estejam contra nossa própria consciência.

Uma sociedade que perde a noção de limite para os próprios atos, principalmente para aqueles que cada um impõe a si mesmo, está na rota de destruição. Não há sistema jurídico e social que consiga impedir que o homem faça mal ao seu próximo e a si mesmo. Precisamos de nossa própria consciência para nos guiar, precisamos de valores.

Precisamos justamente daquilo que a humanidade tem perdido nos últimos tempos.

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