sábado, novembro 29, 2008

Sobre emoções

Hoje foi o dia de mais um rodízio, o maior deles. Nos deixaram rumo ao Brasil mais de 70 militares e chegaram 29. Durante a formatura de despedida deste pessoal, enquanto os dois comandantes cumprimentavam um a um, um colega comentou comigo.

__ Tem horas que eu acho que preciso ser menos frio, ter mais emoção. Ao longo dos anos vamos evitando nos comover, vamos criando defesas e acabamos ficando indiferentes. Talvez daqui a seis meses eu esteja diferente.

Fiquei meditando sobre estas palavras.

Ao longo da vida, a medida que vamos contruindo nosso lar, vamos conquistando as coisas que nos são mais caras. Naturalmente vamos criando uma defesa, uma forma de evitar pensar em tudo que poderia acontecer de ruim para esta nossa construção.

Ao mesmo tempo, como militares, vamos erguendo uma defesa diante do sofrimento. Temos que ser frios em qualquer situação, treinamos para isso, nos preparamos para isso. Ainda mais agora em uma missão de paz, diante de um povo sofrido como o haitiano.

Eu entendo bem o que meu companheiro comentou. Eu me considero bem frio também diante do sofrimento humano. Principalmente quando estou diante dele. À distância, consigo me comover muito mais, como a tragédia em Santa Catarina agora. Já quando estou próximo, a coisa muda de figura. Deve ter alguma coisa a ver com esta defesa que vamos construindo.

O quando muda de figura quando o assunto é alegria. Neste caso comovo-me facilmente em qualquer situação. É difícil, por exemplo, me ver chorar vendo um filme como "Love Story", mas em um como "A Felicidade Não se Compra" posso assistir mil vezes que me comovo em todas.

Taí um bom filme para ver no fim de semana! Preparado, trouxe o meu. Quem sabe organizo uma seção com o pessoal?

Divagações a parte, tem horas que eu gostaria de me emocionar mais com determinadas coisas. Talvez o Haiti consiga este efeito, veremos.

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