quarta-feira, dezembro 31, 2008

10 Recomendações

Terminei 2008 com 45 livros lidos. Nesta conta incluo também 3 encíclicas, que na prática podem ser consideradas como livros por sua profundidade e riqueza. Pretendia fazer uma lista dos 10 melhores, descobri impossível. Difícil escolher entre tanta coisa boa. Resolvi portanto fazer uma lista de recomendações, para vários tipos de leitores. Tentei ser abrangente, deixando portanto muitas obras importantes de fora.

1.Ortodoxia

O livro que mais me marcou neste ano foi sem dúvida Ortodoxia de Chesterton. Ao terminar sua belas páginas o meu sentimento era um só: admiração pela vida. Uma renovação de fé no criador, na sua gigantesca obra, na beleza das coisas divinas. Por causa deste maravilhoso livro, deixei de fora um bom livro, O Evangelho de Tomé.

2. A Rebelião das Massas

Ortega Y Gasset nos apresenta este texto fantástico. Uma mistura de filosofia, história, antropologia, sociologia. Uma chave para entender o mundo em que vivemos e como chegamos até aqui. É impossível não ver o homem massa tão bem descrito por ele em todos os lugares. Está na política, na crítica artística, no jornalismo, no homem comum. O homem massa não respeita classes, está em todas elas, imerso em sua gritante vulgaridade.

3. Fundamentos de Antropologia

A antropologia filosófica deveria ser uma matéria obrigatória para todo ser humano. Esqueçam a bobagem que vai ser ensinada nas escolas brasileiras sob o título de filosofia. Se este livro de Echeverría e Yepes fosse lido por todos os seres humanos teríamos um homem melhor, mais consciente do que significa sua própria existência.

4. 1984

A fábula de Orwell é fundamental para compreender o caminho que estamos trilhando. É assustador ver seu pesadelo totalitário se formando passo a passo. Nunca se perde a liberdade de uma vez, Orwell viu isso. Viu a submissão do homem ao ideal coletivo, viu a perda da individualidade. Querem ver nosso futuro? Leiam 1984 e Admirável Mundo Novo. Está todo lá.

5. O Mercador de Veneza

Este ano foi o ano que me apaixonei por Shakespeare e entendi o que muita gente vê de tão extraordinário em sua obra. Dos três textos que li, O Marcador de Veneza foi o que mais me cativou. Não só pela força do amor no ser humano, como pela inveja, cobiça, falso senso de justiça. O julgamento de Antônio deveria ser lido constantemente pelos juízes brasileiros para entenderam que não estão acima das leis; que devem cumprir o que foi estabelecido pela sociedade.

6. Economia sem Truques

Foi difícil escolher entre este livro e Brasil, raízes do atraso. Este ano marcou também o início de minha inserção na economia e este livro é uma excelente introdução por seu aspecto leve e prático. Desperta o interesse a curiosidade pelo assunto e mostra como a economia está presente em praticamente tudo que fazemos.

7. A Imitação do Amanhecer

O que dizer de um livro que entendi muito pouco e mesmo assim fiquei maravilhado? Que imediatamente comecei a reler e não consigo passar da beleza de seu primeiro poema? Um aviso: é uma obra que exige do leitor! E muito! Quem estiver disposto a pensar através da poesia, entender porque nem tudo pode ser dito em prosa, eis aqui, Tolentino.

8. Conta o Consenso

No ano que Reinaldo Azevedo lançou O País dos Petralhas, obra fundamental para entender o lulismo e sua herança nefasta que está sendo construída, acabei optando por esta obra de crítica artística. Infelizmente a política brasileira nos tirou das artes este extraordinário crítico. Como diz JP Coutinho, a arte em um país sem normalidade política é um luxo.

9. Tempos Modernos

Uma obra de fôlego de Paul Johnson. Uma interpretação da história que foge ao convencional, que nem sempre mocinhos são mocinhos e vilões são vilões. O mais interessante deste livro é que Johnson vai às raízes dos pensamentos que levaram aos acontecimentos históricos. Para chegar no totalitarismo ele passa por Freud, Nietzsche e Marx. Nunca mais o leitor verá o mundo com os mesmos olhos.

10. Madame Bovary

Quando estava à morte, consta que Flaubert afirmou que partiria, mas a puta da Bovary ficaria. A força de sua criação, Emma Bovary superou seu próprio autor, deu-lhe a eternidade. Uma visão do adultério impressionante, comovedora e angustiante. O leitor sabe que a estória não pode acabar bem, mas ainda tenta ver uma solução para o painel criado por Flaubert.

Com estas dicas, um feliz ano novo a todos e boas leituras!

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Now playing: Fleetwood Mac - Black Magic Woman [Live Feb '70]
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