sábado, dezembro 13, 2008

Freakonomics


Steven Levitt, economista, escreveu este livro em parceria com Stephen Dubner. Freakonomics deve ser lido com muito cuidado, sempre com o espírito crítico para não considerar as idéias de seus autores como verdades provadas, o que estão longe de ser e eles próprios admitem.

Basicamente, os autores exploram vários temas e a relação entre coisas que aparentemente não possuem ligação. O que os lutadores de sumô tem a ver com agentes imobiliários? O que o aborto tem a ver com a criminalidade? O que o nome de uma pessoa tem a ver com seu destino? Por que os traficantes moram com suas mães?

Através de uma análise de dados estatísticos existentes, os autores tentam levantar estas ligações. O cuidado com o livro se deve justamente à interpretação deste dados e identificar a natureza de uma correlação. O consumo de sorvetes é maior em dias de sol, o que não implica que se tomarmos sorvetes o sol vai brilhar mais forte. Muitas vezes é difícil identificar qual é a causa e qual o efeito. Outro problema das estatísticas, é que dois fatores podem estar altamente relacionados mas influenciados por um terceiro que nem aparece na amostra. O consumo de sorvete, por exemplo, está relacionado com o de refrigerantes. Isso não quer dizer que quando se toma sorvete se deseja tomar refrigerantes; pode significar que um terceiro fator (o sol?) influencia igualmente o sorvete e o refrigerante.

O maior mérito do livro é despertar a atenção para estes fatos e nos convidar a questionar a natureza das coisas. Temos como elaborar uma teoria para um determinado fenômeno? Dispomos de dados para prová-las? A teoria é válida? Ela faz sentido?

Achei particularmente interessante os dois capítulos sobre a criação dos filhos, especialmente o primeiro. É realmente uma das neuroses modernas, como criar adequadamente um filho? Levitt levanta que três fatores podem influenciar o sucesso de uma criança: a genética, o que os pais são e o que os pais fazem. De todos, o mais insignificante é o último. Segundo os autores, o sucesso escolar de um filho está determinado pela genética e a condição de seus pais, o que eles fazem influenciam muito pouco.

De condição não significa necessariamente dinheiro, embora esteja relacionado. O fato de uma criança ter pais que valorizam a educação e possuem o hábito de ler, aumenta drasticamente a chance desta criança ser um bom aluno. Não adianta muito dar a uma criança uma coleção de livros se ela não possuiu em sua casa um ambiente que a estimulasse para a leitura, se não crescesse vendo os pais lendo.

Como disse, não se pode levar as idéias dos autores como verdades absolutas, mas podem sim ser um bom ponto para começar uma boa reflexão e até mesmo de refutar estas idéias.

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