sábado, dezembro 13, 2008

Muro e galinhas

Esta semana caiu um muro.

Não. Não se trata de um muro retórico ou simbólico, foi um muro de verdade. De concreto mesmo. Estávamos produzindo brita em nossa usina quando o muro não suportou a pressão da brita que estava encostada nele e ruiu; foi abaixo.

Minutos depois estive no local, nada a fazer. Exceto, claro, reconstruir o dito cujo. O muro dava para um terreno aparentemente abandonado, pelo menos não apareceu ninguém na hora. Passados dois dias, eis que surge um "bombaguy", como são denominados por aqui.

Dizia ele, através de um de nossos intérpretes, que era o dono do terreno. E mais, que haviam vítimas, queria uma indenização. Para azar dele, foi negociar com um companheiro, cearense, daqueles que não negam a origem. Brabo até a medula.

__ Minhas galinhas... o muro matou minhas galinhas... todas as cinco! O que vou fazer agora? Como fico sem minhas galinhas?

__ O muro caiu nas suas galinhas?

__ Caiu! Soterrou as bichinhas...

__ Cadê os corpos?

__ ?

__ Cadê os corpos das galinhas?

O bombaguy coça a cabeça, pensa um pouco e responde:

__ Comi.

__ Comeu?

__ Comi as bichinhas... já estavam mortas...

__ Comeu tudo?

__ Comi tudo.

__ Até as penas?

__ Penas?

__ É, as penas. Cadê as penas?

Silêncio.

__ E os ossos? Cadê os ossos?

E assim acabou a negociação tendo em vista que o bombaguy foi incapaz de trazer as penas e os ossos dos bichinhos cruelmente mortos nos escombros do muro. Mas não ficou de mãos vazias, levou um pouco de brita pela tentativa. Saiu feliz da vida.

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