domingo, dezembro 07, 2008

Íon/Hípias Menor

Íon

Neste diálogo, Platão explora sua idéia sobre a inspiração poética. Sócrates conversa com um jovem rapsodo1 chamando Íon. O assunto é justamente a arte de recitar as poesias. Mais do que uma repetição, o filósofo argumenta que o rapsodo deve ser capaz de entender o poema.

Porque um rapsodo jamais seria bom se não entendesse o que é dito pelo poeta: é preciso que o rapsodo seja, para os ouvintes, o intérprete do pensamento do poeta.


O jovem afirma à Sócrates que não há poeta maior do que Homero, mas ao mesmo tempo explica que só é versado na obra deste, que pouco conhece dos demais. O diálogo toma então o rumo da crítica artística, como Íon poderia considerar Homero o melhor de todos se pouco conhece dos demais?

Sócrates questiona também a capacidade de um crítico de artes ir além da própria arte, de criticar o próprio significado da obra do artista. Fica claro que para analisar o conteúdo de um poema, por exemplo, o crítico teria que ser conhecedor do próprio conteúdo. Quantas vezes não vemos, nos dias de hoje, artistas e críticos analisando muito além de suas capacidades? Discutindo o que absolutamente possuem pouco conhecimento?

O filósofo afirma à Íon que a capacidade do jovem em recitar Homero não é arte, pois pouco sabe da técnica; estaria inspirado pelo divino, remetendo à figura da musa inspiradora. O poeta, na visão de Platão, seria um ser inspirado por Deus; seria um intérprete da linguagem divina.

E o deus, por meio deles todos, arrasta a alma dos homens para onde quer, fazendo a capacidade de um depender da capacidade do outro.


Hípias Menor

Neste outro diálogo, Platão trata da mentira.

Sócrates questiona Hípias a respeito de uma afirmação deste que Aquiles seria o maior dos heróis da guerra de Tróia por dizer sempre a verdade enquanto Odisseu seria um mentiroso. Desta forma, Aquiles seria superior à Odisseu.

O filósofo leva o raciocínio de Hípias ao entendimento que quem mente voluntariamente o faz com mais capacidade de quem mente involuntariamente. Lembra passagens da Ilíada onde Aquiles mentia, mostrando que tanto ele quando Odisseu eram capazes de dizer verdades e mentiras, seriam portanto parecidos.

Outro ponto tocado por Sócrates, é que uma pessoa versada sobre determinado assunto teria maior capacidade de mentir sobre este assunto do que uma que pouco soubesse sobre o mesmo assunto, levando ao paradoxo de que os sábios seriam na verdade os grande mentirosos.

No diálogo, Sócrates questiona o papel dos sofistas, os falsos sábios de sua época que eram mais voltados para convencer o outro do que para procurar efetivamente alguma verdade. O papel do verdadeiro filósofo seria de compreender e se informar para conseguir aprender e isso só seria possível em uma posição de humildade, uma posição de quem nada sabe.

E desejando compreender o que ele fala, me informo de tudo, e examino mais uma vez, e comparo as coisas ditas, com o intuito de compreender (...) É por aí que vai reconhecer aqueles que eu considero sábios: você vai me encontrar sendo insistente com as coisas ditas por esse e junto a ele me informando, com o intuito de receber ajuda na compreensão de algo.

Em Hípias Menor, a capacidade de buscar a verdade é afirmada e os sábios são associados à mentira, mostrando que o falso conhecimento é um obstáculo para quem deseja filosofar.


Rapsodo (en grego clássico ραψῳδός / rhapsôidós) é o nome dado a um artista popular ou cantor que, na antiga Grécia, ia de cidade em cidade recitando poemas (principalmente epopeias). (wiki)

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Um comentário:

Anônimo disse...

gortei bastante de seus questionamentos sobre o assunto! parabéns continui assim suscinto e claro em seus esscritos.