terça-feira, dezembro 30, 2008

Os covardes da Faixa de Gaza

Novamente o Oriente Médio está fervendo. Lendo as notícias e os comentários inflamados dos colunistas brasileiros parece não haver dúvida. Israel é o novo Golias que partiu para cima do David indefeso ou, para ficar mais coerente, é o gigante David que parte para cima do Golias indefeso; vai saber.

Desconfio de toda opinião que a imprensa brasileira defende em uníssono. Isso porque a grande maioria dos jornalistas brasileiros são botocudos, para usar a expressão que Aloísio Amorim usa sempre. São formados em universidades vagabundas e perderam seus cérebros em um processo de ideologização cretina. Quando esta opinião é compartilhada pelo presidente da república a coisa apenas piora, boa coisa não é.

Os israelenses retiraram-se da Faixa de Gaza, que passou a ser utilizada como plataforma de lançamento para foguetes palestinos. Mas o cadáver judeu ainda vele pouco neste mundo, não comove corações. Afinal, Israel é aliada do Império, dos decadentes valores ocidentais.

O Hamas é um grupo político que nunca repudiou a opção terrorista. Pelo contrário, considera um método legítimo para alcançar seus objetivos. Que essa gente encontre defesa no ceio de democracias ocidentais é algo além da compreensão.

A pressa com que o governo brasileiro, e os botocudos da imprensa, correram em socorro dos pobres terroristas palestinos mostra o atual estado de deterioração, não só do país, como de boa parte do mundo. A Europa também correu para condenar o governo israelense. Parece que os israelenses possuem o direito de ser bombardeados em paz e não se queixar muito. No máximo podem responder em condições de igualdade, de forma proporcional como falou o presidente brasileiro.

Caiu um míssil em Israel? O governo está liberado para atirar um, mas notem, apenas um!, na faixa de gaza. Se não atingiu ninguém, o míssel israelense deve necessariamente cair em uma área desabitada. Uma das coisas estranhas é esta eficiência dos israelenses, eles sempre acertam um alvo!

Terroristas gostam de se esconder atrás de civis na hora que a coisa aperta. Enchem seus quartéis de mulheres e crianças para poderem exibir seus corpos para as câmeras mundiais. Covarde estes israelenses! Não respeitam o direito de um terrorista se esconder atrás da saia de uma mulher? Ou atrás de uma criança? Pouco importa que estes terroristas adorem matar mulheres e crianças; é direito deles. Estão sendo perseguidos pelo ocidente, é a única forma de reação possível.

Os terroristas são covardes por usar civis como escudos. Mas não são também todos aqueles que usam estes cadáveres como arma ideológica? Que usam a morte de inocentes como forma de atacar os israelenses e bradar seu ódio contra a civilização? A humanidade está cheia de covardes morais, os mesmos que viram o 11 de setembro como uma reação, como uma lição aos americanos.

Chegamos realmente a este ponto em que comemoramos cadáveres que sirvam a uma causa? Que sirva como arma de guerra na ponta de uma caneta, ou na ponta de um dedo que pressiona o teclado furiosamente? Que em seu orgulho acha-se acima do bem e do mal, defensor de causas morais elevadíssimas? Rousseau considerava que ninguém era capaz de amar a humanidade como ele. O mundo está cheio de Rousseaus. Nunca a humanidade foi tão amada e tão defendida! São os humanistas!

Considero eu a guerra uma solução? Sempre foi. Infelizmente. Em um mundo ideal, não se provocaria uma nação lançando foguetes contra ela. Em um mundo ideal, o povo mais escaclarecido da europa não entraria em uma loucura coletiva e marcharia sobre outros países. Em um mundo ideal, não se defenderia o extermínio de seres humanos em nome de um suposto novo homem melhorado. Em um mundo ideal, não se preocuparia tanto em criar um mundo ideal.

Mas não vivemos em um mundo ideal; não criaremos um por força da atuação política. A mensagem do Cristo foi clara: o mundo ideal se construirá em nosso próprio interior. Enquanto a humanidade não se reformar, individualmente, o reino de Deus não será estabelecido na Terra. A reforma íntima é a solução para todos os males da humanidade, que via de regra origina-se de nossa vaidade.

Uma aviso. A reforma íntima parte do indivíduo, de sua própria consciência. Não pode ser imposta pela força, não pode ser provocada por falsos moralistas. O homem não tem a solução para o seu próximo, no máximo tem a solução para si mesmo. O inferno não são os outros, como dizia Sartre. O inferno somos nós.

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Now playing: Jefferson Airplane - Blues From An Airplane
via FoxyTunes

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