sexta-feira, dezembro 05, 2008

Uma refutação à Freakonomics e sua tese sobre o aborto

Em post anterior, tratei do principal capítulo, pelo menos em termos de repercussão, do livro Freakonomics. Os autores defenderam a tese que a interpretação da suprema corte americana que autorizou o aborto em todos os estados americanos foi o fator decisivo para a redução da criminalidade nos anos 90.

Pesquisando na internet, encontrei um artigo de Ramesh Ponnuru, editor sênior da National Review. Ponnuru refuta os argumentos de Freakonomics em seu livro The Party Of Death.

Segundo o autor, o argumento mais impressionante de Levitt é que os estados que legalizaram o aborto em primeiro lugar experimentaram a queda de criminalidade primeiro que os demais estados. O que Freakonomics ignorou, entretanto, foi que a criminalidade subiu primeiro exatamente nestes estados.

Se a teoria de Levitt estivesse correta, a queda da criminalidade ocorreria primeiro entre os mais jovens; aconteceu exatamente o oposto. Entre 1983 e 1993, as taxas de criminalidade caíram entre pessoas acima de 25 anos, nascidas antes da decisão da suprema corte, e subiu abaixo dos 25, justamente com a maioridade dos jovens da geração pós decisão.

Um efeito da legalização da legalização do aborto, ignorado por Levitt, foi a diminuição da proteção contra a concepção. Ficou mais fácil praticar sexo casual e dispensar os contraceptivos. O fato de 44% dos abortos de hoje serem repetições e 18% serem de mulheres que já realizaram dois abortos, sugere que o aborto tornou-se uma forma de controle de natalidade.

A legalização do aborto causou o aumento de concepções em 30%, enquanto que o número de nascimentos caiu 6%. Isso significa que muitas das crianças, e potenciais criminosos, que teriam sido evitados pela decisão, jamais teriam sido concebidas em primeiro lugar.

A decisão da Suprema Corte implicou no aumento das concepções e no número de abortos. Muitas destas concepções chegaram ao nascimento. De forma paradoxal, nasceram crianças que não teriam sido concebidas sem a decisão da Suprema Corte.

A atividade sexual sem o comprometimento aumentou em relações pré-nupciais. Acabou o costume do casamento forçado. Antes, a mulher tinha menos liberdade, mas esperava-se que o homem assumisse a responsabilidade pelo bem estar dela. Hoje as mulheres são mais livres para escolher, mas os homens também. Se a mulher não quer usar contraceptivo nem realizar aborto, que obrigação teria ele com a criança? Ao tornar o nascimento de uma criança uma escolha psicológica da mãe, a revolução sexual tornou o casamento e o sustento da criança uma escolha social por parte do homem.

O aborto pode não levar à diminuição das crianças não-desejadas; pode levar ao oposto, ao aumento de crianças que não foram desejadas por seus pais.

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Now playing: The Allman Brothers Band - You Don't Love Me
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