domingo, dezembro 07, 2008

Vidas Secas


Graciliano Ramos conseguiu fazer um retrato ao mesmo tempo seco e poético da sobrevivência de uma família diante dos rigores da seca nordestina. E o fez com extrema maestria.

Em uma narrativa curta, Graciliano mostra como o agreste molda suas vidas. Fabiano e sua família são a expressão do desalento, da falta de perspectiva, da tentativa em viver apesar dos rigores que a natureza inclemente os faz passar. São autênticas vidas secas.

Sem cultura e educação, Fabiano limita-se a procurar sobreviver, condição que jamais abdica. No entanto, a vida sem perspectiva de melhora mostra que sua vida será uma sucessão de migrações para fugir dos efeitos da seca; pior, seus decendentes também estão condenados. Perto do fim do romance sua esposa pergunta o que serão de seus filhos, Fabiano não pensa duas vezes, serão vaqueiros como ele.

A pobreza é mostrada por Graciliano em sua forma mais crua. Fabiano e sua esposa se comunicam apenas por monossílabos e sua deficiência em conseguir se expressar mostra sua limitação de pensamento. A linguagem anda junta com a capacidade de pensar, Fabiano recente-se das duas.

Ao longo dos breves capítulos, Graciliano mostra a visão de cada um dos personagens. Até mesmo a cadela Baleia é contemplada e sua morte é narrada, de forma impressionante, a partir do seu ponto de vista. Nos seus instantes finais a cadela só conseguia imaginar um mundo feliz, recheado de enormes preás.

Vidas Secas é um destes livros que são mais do que uma leitura, são experiências a serem vividas. Duvido que a seca do nordeste ou a desolação do ser humano seja visto da mesma forma após sua leitura. É uma dessas obras que deixa uma marca no leitor.

Que iriam fazer? Retardaram-se, temerosos. Chegariam a esta terra desconhecida e civilizada, ficariam presos nela. E o sertão continuaria a mandar gente para lá. O sertão mandaria para a cidade homens fortes, brutos, como Fabiano, sinhá Vitória e os dois meninos.



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