sexta-feira, janeiro 30, 2009

Até que pontos somos um produto social?

Que o homem é um animal social eu nunca tive dúvidas. Nascemos dentro de uma sociedade, somos educado dentro dela, estamos interagindo com ela durante todo o tempo. Muitos acreditam que o homem é um produto social. Tudo que falamos, pensamos e falamos seria uma expressão da sociedade em que vivemos. O homem seria um produto de seu tempo.

Será mesmo? Que a sociedade tenha enorme influência sobre o indivíduo parece claro, mas será que a sociedade define o indivíduo? Poderemos chegar no pensamento do homem através da sociedade em que pertence? Onde fica a liberdade individual dentro deste pensamento? Seremos seres livres? E Deus? Há espaça para Deus nesta concepção?

Tudo que nega a individualidade me incomoda profundamente; mais do que isso, me angustia profundamente. Se existe hoje um eixo para os meus estudos, para minha tentativa de compreender melhor o mundo é justamente a defesa da liberdade individual. A minha desconfiança da modernidade e seu fabuloso progresso está justamente neste ponto, a submissão do indivíduo.

Por isso esta concepção do homem como um produto social me coloca na defensiva, me levanta muitas dúvidas, me convida à reflexão. Aceitar que o homem na verdade faz parte de um devir histórico, de um constante fluxo cultural implica em compreender que não há liberdade possível. Ou não?

Qual seria o papel de Deus neste pensamento? Nossa idéia da divindade seria também um produto social? Uma explicação de um sentimento que existiu no homem desde a origem dos tempos? Deus seria apenas uma figura através do qual encontraríamos explicações para o que não conseguimos compreender?

Jesus Cristo também teria sido um fenômeno social? Um produto da sociedade judaica que estava inserido, uma espécie de reação às fórmulas religiosas de seu tempo?

Custa-me a crer neste pensamento. O homem de todas as épocas ainda parecem ter algo que os fazem muitas vezes serem capazes de transcender ao seu tempo e espaço, algo de inexplicável, de incompreensível. Ainda acho que no final de tudo está o livre arbítrio do homem, a sua individualidade. Por mais que a sociedade tenha influência sobre seus atos e decisões, a última palavra cabe a sua própria consciência, esta uma ligação direta com sua própria alma, uma alma eterna, uma expressão do divino.

Talvez por acreditar na existência da alma eu não consiga aceitar que o homem é apenas parte da sociedade em que vive. Fica faltando algo, fica faltando o mistério. E como dizia Chesterton, sem o mistério tudo mais se torna misterioso. Aceite-o e o mundo se torna claro como o dia.

Por isso prefiro acreditar no indivíduo e desconfiar da sociedade. E considerar que o homem é bem mais do que um produto social.

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Now playing: Joe Jackson - Steppin' Out
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2 comentários:

Alexandra disse...

Mas será que tem que ser 8 ou 80? Será que o homem não pode ser produto de seu tempo e ao mesmo tempo ter livre arbítrio? Ou será que pode haver uma combinação dos dois?

Vc diz que desconfia do discurso da modernidade e do progresso. Eu também. Se for um consolo, há muito que se abandonou a idéia de progresso...

Marcos Guerson Jr disse...

Se abandonou a idéia do progesso? Não sei não, não é o que tenho visto. Existe um certo consenso que a humanidade está sempre progredindo, que a época atual é sempre mais evoluída que a anterior. Que o homem caminha para frente. Será mesmo? Isso que tenho tentado descobrir!

Não defendo o 8 ou 80! O que acredito, pelo menos por enquanto, é que a sociedade influencia o homem, mas não o define, não toma a decisão por ele. No final de tudo estará o livre arbítrio, o que dará condições a ele de tomar uma decisão que pode ser fora da sua realidade histórica, que pode levá-lo a transcender o espaço e tempo.

Mas o que sei eu? Estou engatinhando na busca de minhas respostas. Pelo menos estou começando a formular perguntas! O que é um baita começo!