sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Dias tristes

Dois dias tristes aqui no Haiti em função de um militar nosso que perdeu a vida (pelo menos nesse plano) vítima de um acidente com viatura. Em uma situação de confinamento como a nossa, a perda é potencializada e seus efeitos levam mais tempo para serem assimilados.

Em geral, as rodovias haitianas são muito perigosas, tanto por seu traçado quando pelos veículos que circulam. Estamos quase com três meses de missão e até então não havia acontecido um único acidente. Infelizmente o primeiro nos apresentou este desfecho trágico.

A morte é uma certeza para todos nós, mas em geral nunca soubemos lidar com ela. Ainda no domingo assisti um filme clássico sobre o assunto, o Sétimo Selo. Tentamos de todas as formas não pensar nela, mas nem sempre conseguimos; é uma imagem que está sempre por perto. Sempre pairando sobre nós.

Ver um companheiro de trabalho partir é uma lembrança de nosso próprio futuro. Poderia ser qualquer um de nós e, mais do que isso, um dia será nossa vez. Sabemos disso, mas queremos não pensar no dia que deixaremos a vida como a conhecemos.

Aos poucos vamos retomando nossa rotina, mas é difícil. O sentimento do que aconteceu ainda está muito presente. Talvez apenas quando for feito o translado do corpo para o Brasil voltaremos a seguir nosso caminho.

Ao companheiro que partiu, ficam as orações de todos nós. Deus o receberá em sua nova morada.

A vida continua.

Para ele e para nós.

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