terça-feira, fevereiro 24, 2009

Ícaro Redimido - Gilson Freire

Livro espírita, psicografado por Gilson Freire, autoria de Adamastor, conta a estória de um homem que desencarna através do suicídio. É acolhido por dois espíritos que se deparam com duas missões principais, ajudá-lo a enfrentar a consequência de sua ação contra si mesmo e o levar a refletir sobre a vida que teria levado.

O espírito era Alberto Santos Dumont, um dos inventores do avião. Freire mostra através da estória de Alberto muitos ensinamentos da doutrina espírita no que diz respeito a responsabilidade individual, as consequências de nossos atos, a nossa luta constante contra o orgulho, a morte, o nascimento, a depressão, o que existe por trás dos fetos defeituosos, do aborto natural e o crime do aborto provocado.

Achei muito interessante o capítulo que o autor descreve a dualidade da existência, o seu efeito pendular que coloca períodos de expansão e contração dentro de um esquema evolutivo da vida do espírito. O período de expansão corresponde ao período que estamos conquistando objetivos e ampliando nossa existência. Segue-se a ele um período de contração em que assimilamos tudo que foi conquistado. O primeiro período é propício ao orgulho, justamente o que aconteceu com Alberto que não soube lidar com o próprio sucesso. Nada fica sem consequência, o orgulho da expansão leva necessariamente a uma depressão no segundo período, o da contração. Quanto maior for o orgulho, maior será a depressão, que poderá, inclusive, levar ao suicídio.

Ícaro Redimido mostra que tudo tem uma causa. Nossas deficiências, muitas vezes físicas, possuem uma causa em vidas anteriores. Até as doenças que atravessamos, por mais duras que sejam, são consequências de atos por nós praticados, nesta vida ou em outra.

Ícaro redimido é uma estória sobre enfrentar as consequências por nossos atos, de nos redimir, de perdoar e ser perdoado. Alberto teve seus méritos em sua vida como Santos Dumont, mas deixou-se levar pelo orgulho e quando teve que enfrentar a perda da paternidade por sua invenção, foi incapaz de lidar com a depressão e recorreu ao suicídio. Ícaro Redimido é mais do que a estória dele, é sobre a estória de todos nós. É mais uma razão para termos fé.

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Now playing: Cream - Outside Woman Blues
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5 comentários:

Anônimo disse...

Obtido do Blog de
Rodrigo Moura Visoni

(reduzido por limitação de espaço a 4096 caracteres)
...

Já quanto à vida espiritual de Santos Dumont, o autor fez uma série de afirmações infundadas ou errôneas: diz que Santos Dumont foi, em vidas passadas, Zennon Du Mont, francês que supostamente teria inventado o canhão. Do ilustre desconhecido, porém, não existem registros históricos. É o próprio autor quem o admite (p. 310): “Embora a História não tenha registrado o seu nome, Zennon pode ser considerado, de fato, o inventor do canhão.” O canhão de Zennon, afirma Freire (p. 311), teria sido utilizado pelos franceses na Guerra dos Cem Anos (1337 – 1453).

Teixeira Freire prossegue afirmando que Santos Dumont, após morrer como Zennon, teria renascido na figura de Bartolomeu Lourenço de Gusmão [1685 – 1724], o Pai da Aerostação, que existiu de fato, mas a respeito de quem fez as mais absurdas declarações: segundo o autor, Gusmão, que ficou conhecido em vida como o “Voador”, devido à invenção do balão a ar quente, em 1709, teve pelo menos dois outros apelidos: “Cônego da ordem dos artilheiros” e “Pároco dos foguetórios”, pois teria também inventado um novo tipo de rojão (p. 318). O problema é que não existe nenhuma evidência disso. Também afirma que Gusmão teria engravidado uma criptojudia de nome Maria Coutinho, esposa de um cristão novo amigo seu, Miguel de Castro Lara. Este, ao descobrir a traição, teria assassinado a esposa, conquanto grávida. Para azar de Teixeira Freire, está historicamente provado que Miguel de Castro Lara faleceu muito antes de Maria Coutinho.[6] Também diz que Gusmão teria morrido envenenado por uma dose letal de arsênico dada a ele por uma freira chamada Paula de Souza, mas num relato deixado por João Álvares de Santa Maria, irmão de Bartolomeu que o acompanhou em seus últimos dias de vida e descreveu a sua morte, Paula de Souza não é citada em nenhum momento. Não se sabe com certeza do quê morreu Gusmão – tifo é a versão mais difundida entre os historiadores –, mas é certo que ele não foi assassinado.[7]

Outra curiosa afirmação de Freire, da qual não fornece a menor prova, é a de que os irmãos Wright teriam sido a reencarnação dos irmãos Montgolfier, os franceses que (re)inventaram o balão em 1782 (p. 347).

Qual a bibliografia utilizada em Ícaro redimido?

Gilson Teixeira Freire não forneceu em Ícaro redimido as referências bibliográficas utilizadas para escrever o livro; no entanto, numa mensagem eletrônica enviada ao autor destas linhas em 11 de outubro de 2008, ele confirmou algumas das obras que compulsou: as autobiografias de Santos Dumont, Os meus balões e O que eu vi, o que nós veremos, publicadas originalmente em 1904 e 1918, respectivamente; Santos Dumont, de Gondin da Fonseca, livro que teve três edições, duas em 1940 e uma em 1956; Santos Dumont e a conquista do ar, de Aluízio Napoleão, publicado em 1941, com diversas reedições desde então; e Cronologia de Alberto Santos Dumont, publicado pelo Tenente-Brigadeiro Nelson Freire Lavenére-Wanderley em 1976 e novamente em 1980.

Considerações finais

Não há nada demais em o suicídio de Santos Dumont ser estudado sob a óptica da filosofia espírita, mas o que se verificou da leitura de Ícaro redimido é que Gilson Teixeira Freire usou o nome do herói brasileiro principalmente para propagar o espiritismo. Ele mesmo disse que a figura de Santos Dumont serviu “apenas como um propósito secundário para a veiculação da verdadeira mensagem da obra.” O livro é muito mais ficção que realidade. Em outras palavras: sobrou imaginação e faltou pesquisa.

Geraldo Fontes Jr disse...

Quer me parecer que o amigo Antônio não tem conhecimentos mais aprofundados sobre Espiritismo e sobre as obras psicografadas. As críticas dirigidas ao sr. Gilson Freio não são devidas. Este apenas serviu de intermediário ao verdadeiro autor do livro, Adamastor.
A obra é de origem espiritual e psicografada por Gilson Freire. A participação deste último é pequena, embora não se possa dizer que não nenhuma intereferência do mesmo.
Quanto aos fatos que não têm comprovação histórica, isso é de somenos importância no contexto espírita. Conforme mencionado pelo próprio Antônio, o objetivo da obra é divulgar conhecimentos espíritas e não ser um documento histórico.
Vejo portanto que as críticas apresentadas pelo nosso amigo não devem desmerecer a obra "Ícaro Redimido", que, mesmo se considerada fictícia (o que não é verdade), tem aprofundado valor espiritual, contribuindo para o crescimento de quem o lê.

Marco Túlio Ferreira Silva disse...

Quero agradecer ao Geraldo Fontes Jr pelo seu comentário. Veio à tempo. O antonio não entendeu que o fato de não ter indício ou compravação histórica do que foi dito na obra é exatamente o que faz a diferença, pois que se o autor falasse somente do que pudesse ser historicamente comprovado, o médium seria taxado de leitor compulsivo, que obteve informações em bibliografias e tal... Trazendo informações que não se encontra fácil nas obras dos historiadores oficiais, ou talvez não se encontre, torna realmente interessante a obra, uma vez, que , também não se provou o contrário.

Luiz carlos maldonado disse...

Nunca me preocupei muito com referências bibliográficas para escrever isso ou aquilo. Se um Espírito ditou, que outras fontes posso desejar? Claro vão argumentar sempre a velha historia da mistificação. Aconselho a estudar bastante o livro dos médiuns e passar a ter condições de avaliar essa ou aquela informação. Se eu tivesse que me preocupar com referencias, ou pesquisar para conferir o ditado, não leria simplesmente o livro porque não estaria acreditando na historia. Parabéns o Icaro Redimido até hoje tem sido um excelente material didático insignificando se é fulano ou ciclano
Agora estou começando a ler Arquitetura Cósmica

Aroldo J Piacesi disse...

Carmo do Cajuru, MG, 11.08.2015

Literatura espírita é-nos dada como fonte de referências e conceitos renovados em ótica ainda não percebida na literatura convencional ou nos livros de História Universal, como os contidos na enciclopédia História Universal, de H.G.Wells, escrito em 1948, logo após a segunda guerra mundial.
Fatos historicamente desconhecidos são indicados por se tratarem, muita vez, de situações individuais. Como descrever, por exemplo, o que se passou na cabine do piloto Charles Lindbergh, que foi o primeiro homem a realizar sozinho o voo transatlântico de Nova York a Paris sem escalas, em 1927, façanha que completou 88 anos neste ano? Pudemos realmente ter conhecimento do que se passou na cabine para manter um homem acordado e lúcido por mais de 24 horas, além das horas antes e após o vôo.
Como poderiamos ter acesso a fatos não históricos, mas reais, de situações acontecidas na Segunda Guerra com enfermeiras e médicos que se dedicavam aos feridos e mutilados?
Mais do que registro histórico (até mesmo porque nem todo invento e descoberta teve registro: quem descobriu o cobre? Quem foi a primeira pessoa a produzir o vidro? Quem construiu a nau Santa Maria? Quem inventou a roda? Quem inventou a pólvora?)

Abraços fraternais,

Aroldo José Piacesi
ps.: anonimato é fuga. Quem escreve sob anonimato, é real ou fictício?