terça-feira, fevereiro 24, 2009

Intellectuals - Paul Johnson


A intenção de Paul Johnson em Intellectuals fica bastante clara desde o início. Mostrar que os intelectuais modernos, que tentaram mostrar à humanidade como proceder, não possuíam condições para tal. Para isso coloca o intelectual diante de sua própria vida.

Começando por Rousseau, o pai do intelectual moderno e o primeiro a pretender ter a solução para os dilemas humanos, a se afirmar como um ser elevado, chegando até Chomsky, passando por gente com Marx, Sheley, Ibson, Sartre, Hemighway e tantos outros.

Algumas características em comum pode ser encontradas na maioria desta figuras:

- Um egocentrismo gigantesco. Colocaram-se no centro da sociedade de suas épocas, incapazes de lidar com qualquer crítica a suas obras.
- O desprezo à verdade. Estes intelectuais consideravam-se já possuidores da verdade e imbuídos da missão de não só divulgá-las aos incrédulos, mas impulsioná-los à ação.
- A incapacidade de lidar com outros intelectuais e manter amigos.
- Vidas domésticas incrivelmente agitadas, com vários casamentos e submissão de suas esposas que deveriam ter o papel principal de sustentá-los em suas cruzadas.
- Conduta moral extremamente condenável e dissociada das próprias idéias que processavam.

Intellectuals é um livro fundamental para entender o ambiente e o contexto que obras extremamente influentes foram criadas e levar o leitor a refletir até que ponto tomou por verdade o que era apenas uma idéia de um ser, como ele, imperfeito.

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2 comentários:

Alexandra disse...

a escolha dos intelectuais é no mínimo interessante; Hemingway tinha ambições de instruir a sociedade? que eu saiba ela era mais um artista atormentado... ele escreveu algum livro que não fosse ficção?

Marcos Guerson Jr disse...

A ficção é justamente a obra mais perigosa para o espírito! Nos pega desarmado, com a alma aberta para o que seria um entretenimento. É nossa hora que um bom autor utiliza seus personagens e situações para colocar suas idéias.

Hemingway não só abandonou qualquer fé cristã como passou a considerar que a religião organizada era um obstáculo à felicidade humana. Mais importante ainda, Hemingway empenhou-se em rejeitar a cultura moral de seus pais, refletindo um pouco de sua tensa relação com a mãe, também intelectual.

Segundo Johnson, ele utilizou seus livros para propagar uma ética secular baseada na ação humana, o reflexo de sua visão americanismo.

"It is the subtle universality of the Hemingway ethic which makes him so archetypically an intellectual, and the nature of the ethic which reflects his Americanism. Hemingway saw the americans as a vigorous, active, forceful, even violent people, doers, archievers, creators, conquerors and pacifiers, hunters and builders. (...) It was natural for him, as an american and writer, to lead a life of action, and to describe it. Action was his theme."

É bom lembrar que Hemingway não se destacou apenas como escritor de ficção. Fez jornalismo, inclusive durante a guerra, organizou grupos de ação e escreveu panfletos para o partido comunista antes da II Guerra Mundial e defendeu os comunistas durante a Guerra civil espanhola. Hemingway foi sim um intelectual envolvido em escrever sobre sua visão da realidade.

Não menospreze o poder da ficção! Além da obra servir como veículo para as idéias do autor, ainda o leva a uma posição de ser escutado em questões que seu conhecimento pode ser até menor do que um cidadão comum.

ps: ainda não li nenhum livro do Hemingway, estou apenas repetindo os argumentos de Paul Johnson. Estou com "the sun also rises" na estante esperando por sua vez!