sexta-feira, março 06, 2009

Hamlet - Shakespeare (filme)

Hamlet (1948)

Com o passar do tempo, você vai refletindo melhor sobre este clássico. Volta e meia volto a suas páginas, leio artigos e interpretações sobre ele. Confirmo algumas impressões, rejeito outras. Uma obra é rica quando causa este efeito no leitor, quando nos deixa constantemente refletindo sobre ela e tentando descobrir seus segredos.

Hamlet não é sobre a vingança, ou melhor, vai muito além de uma vingança. É uma história que trata da melancolia e do conhecimento. Com a morte de seu pai, o príncipe se torna melancólico, não consegue se entender com o mundo, não consegue encontrar felicidade nas coisas. Na verdade, está dominado pela incompreensão. Não consegue entender direito o que aconteceu e principalmente, por que aconteceu.

Com a visita do espírito do rei morto, Hamlet começa a compreender. Não só as circunstâncias da morte do pai como também a natureza do homem. Os primeiros atos da peça são sua compreensão de sua realidade e seu desligamento da mesma. Uma constante indiferença vai surgindo ao supérfluo, como o mito da caverna de Platão, Hamlet se livra dos grilhões que o mantinham preso na ignorância. Tenta dizer a todos o que viu, é tido como louco, mas ao mesmo tempo espanta pela profundidade de seus pensamentos. Até seu tio Cláudio chega a comentar que estava realmente louco, mas havia inteligência no que dizia.

Um ator para representar Hamlet deveria justamente captar esta melancolia e este crescente deslumbramento com a realidade.

Este é o maior mérito de Laurence Olivier, que não só o interpretou de modo definitivo como também dirigiu a peça. Imagino que os puristas devem ter reclamado, afinal ele também alterou diálogos, mudou a ordem de algumas cenas, tirou partes da estória. Acredito, no entanto, que captou o essencial, a alma do príncipe mais famoso da literatura.

O filme levou os oscars de melhor filme e ator. Bons tempos que a academia estava mais preocupada em reconhecer o mérito do que fazer apologia das idéias liberais. Hamlet é o que se pode chamar de sétima arte, a beleza pelo que é e não pela mensagem que tenta transmitir.

Esta é a força de um clássico.

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