quarta-feira, março 18, 2009

Preço das carteirinhas de estudante

A Veja online apresentou hoje uma matéria sobre o afastamento da classe C do cinemas no Brasil. O presidente da ANCINE, Manoel Rangel, apresentou duas medidas que diminuiriam o valor dos ingressos:

Primeiro, a moralização do uso da meia-entrada, com a redução do volume de carteiras de estudantes falsificadas. Segundo, a expansão do número de salas. Além de pequeno, o parque exibidor brasileiro tem baixa capilaridade. São cerca 2.200 salas em todo o país, concentradas em três pólos, todos próximos: a cidade de São Paulo (com 10% dos cinemas), a cidade do Rio e o interior paulista. E, mesmo nesses mercados, há concentração de salas em shoppings centers.

Começamos pela segunda. Com o preço alto do ingresso, não aumenta-se a oferta porque não há demanda. Onde houver demanda, haverá cinema. Se o preço reduzir e aumentar a demanda, novos cinemas vão abrir.

O que importa mesmo é a primeira, que Rangel tocou superficialmente. Não é necessário moralizar a emissão de carteiras, é necessário acabar com a lei do ingresso dobrado (também conhecida como lei da meia entrada). O efeito prático da lei é que o cinema tem que cobrar o dobro do preço pelo ingresso para quem não é estudante ou que não comprou sua carteirinha da UNE (são coisas distintas). Não importa se quase ninguém pague este valor, o importante é que as receitas sejam compensadoras e crie-se a ilusão que os estudantes pagam meia. Não pagam. Pagam quase inteira, os outros é que pagam dobrado.

Não há a menor lógica que um assalariado tenha que pagar R$ 20 para ir ao cinema enquanto que um estudante rico pague R$ 10 para ver um enlatado americano ou uma das porcarias produzidas no Brasil. E chamam isso de cultura!

A lei da meia entrada tem que acabar para que o cinema deixe de ser um privilégio. O resto é firula.

2 comentários:

guerson disse...

pois é, mas acho que o preço não cairá não... aqui nunca teve meia-entrada. Aliás, tinha um dia na semana onde se cobrava meia-entrada para a matinê (segunda-feira). Hoje nem isso tem mais e os cinemas mais baratos aqui custam 12 dolares o ingresso. Na era internet, a demanda tem caído e a reação dos cinemas tem sido aumentar os preços... de tudo! Uma pipoca custa 5 dolares!! Uma garrafa de agua custa 4 dolares! Acho um absurdo... tá certo que o povo aqui tem uma renda maior mas isso já é ridículo...

Marcos Guerson Jr disse...

Em um mercado perfeitamente competitivo, o preço de um bem, no longo prazo, se iguala ao custo econômico. Para que isso aconteça, é necessário que empresas possam entrar e sair do mercado. Funciona mais ou menos assim, se o preço é maior que o custo econômico (não confundir com financeiro), empresas entram no mercado forçando o preço para baixo. Isso vale para os cinemas e para os vendedores de pipoca e água.

Das duas uma, ou este preço do cinema no Canadá corresponde ao custo econômico ou o mercado não está competitivo.

O custo econômico de um cinema envolve os custos de propriedade do local, mão de obra, capital e de oportunidade. O que os donos do cinema abrem mão para administrar seu negócio? Quanto estariam ganhando se pegassem seu capital e aplicasse no mercado, por exemplo? Quando um administrador de cinema estaria ganhando se estivesse em outro emprego?

Vamos supor que mesmo assim o custo seja menor que o preço. Por que o mercado não está competitivo? Existem restrições à entrada de outras empresas no mercado? Quando isso acontece, existe o lucro econômico e a definição do preço é feita pela curva de oferta e demanda. O preço é este porque os canadenses estão dispostos a pagá-lo.

Não liga não! rsrss. É porque acabei de estudar isso nestas duas últimas semanas. Não resisti à oportunidade!