quinta-feira, março 26, 2009

Show: Somewere Back In Time - Iron Maiden

Entrei no mundo do rock pelo som do Iron Maiden. Era 1987, vivia em João Pessoa, começava a me interessar por música de fato, gravando músicas em fita k7, direto da FM, tentando encontrar rock no meio de uma enxurrada de forrós e outros ritmos nordestinos. Lembro que ficava com o botão de gravar acionado, junto com o pause, e de acordo com o anúncio do radialista começava a gravar. Por vezes desistia no meio da gravação e tinha que voltar a fita para o exato momento em que deveria inicar de novo. Coisas inimagináveis em tempos de cds e mp3.

Meus amigos faziam a mesma coisa e nos reuníamos para escutar nossas fitas. Meu primo, que morava no interior de Minas, em Leopoldina, costumava escutar muito Iron Maiden naquela época. Na tentativa de trazer algo de novo para nossas reuniões, para me sobressair no grupo, essas coisas de adolescentes, aproveitando a vinda de uma tia, pedi que gravasse uma fita de Iron Maiden e mandasse por ela. Foi assim que comecei a separar o joio do trigo no rock. Meus amigos não gostaram muito, acharam muito pesado; eu, por minha vez, escutando aquela fita inúmeras vezes enquanto fazia exercícios de matemática, apaixonava-me cada vez mais pelas guitarras, harmonias e batidas do Maiden. Batucava a versão ao vivo de Running Free constantemente enquanto fazia minhas multiplicações de polinômios, iniciando um hábito que nunca perderia, estudar com música.

1993. Parque Antártica. Estávamos lá eu, Cris, Fabiano e Trigo. Finalmente um show do Iron Maiden. Particularmente não gostava muito do álbum que estavam lançando, Fear of The Dark, pois não me parecia muito com o Maiden, mas nada disso importava. Era um show do Maiden! E foi excelente, embora tenha ficado ainda aquele sentimento que não foi o Live After Death, para mim o síntese do que seria um show da Donzela, afinal abrir um show com Be Quick or Be Dead era bem diferente das palavras de Churchil antes de Aces High.

No final do século fui em outro show do Iron, desta vez no Rio, junto com minha irmã e o Alan. O vocalista era Blaze Dailey e lançavam Virtual. Decepção completa. O Metropolitan definitivamente não era local para a banda que passava por visíveis problemas com seu vocalista, totalmente perdido no palco. Parecia que era realmente o fim da banda.

Ainda com esta imagem na cabeça, fui acompanhar meu filho no show do Iron em Brasília. Quando vi o set list na internet me espantei. Aces High? Seria possível? Rime of the Ancient Mariner? Children of the Damned? Era tudo que eu sempre quis assistir em um show do Iron Maiden em primeiro lugar!

E assim foi.

Iron Maiden é Iron Maiden. Finalmente eles nos brindaram com o show que sempre quisemos ver, com o palco reproduzindo Powerslave, Bruce usando máscaras, cantando The Trooper vestido como soldado inglês e empunhando sua bandeira, gelo seco para Rime of the Ancient Mariner. Era o Live After Death novamente! Era um presente para os antigos fãs. Era o velho (e novo) Maiden de volta.

Passei a noite escutando aquelas músicas que me acompanharam em muitos momentos de vida, bons e ruins. Aces High, 2 Minutes to Midnight, Children of the Damned, Rime of the Ancient Mainer, Powerslave, Wasted Years, The Number of the Beast. Todas tocadas como se fosse a primeira vez, como se fossem um bando de garotos no palco e nós um bando de adolescentes. E quer saber? Talvez seja isso mesmo, um bando de garotos tocando para um bando de adolescentes. Somewere back in time!

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