sexta-feira, abril 17, 2009

Tempestade

O mar revolto balança a embarcação
ventos que não cessam, tempestade sem fim
turbilhão de pensamentos perdidos
na tentativa de continuar navegando
oh, mar revolto,
oh, ventos sem fim.

Perde-se a noção do tempo, dos dias
e noites que sucedem-se implacáveis
no coração de homens rústicos
que lutam incansavelmente por mais um amanhecer
oh, mar revolto,
oh, ventos sem fim.

Houve momentos que pensou-se em desistir,
largar as amarras, soltar o leme,
mas um fiapo de sol surgia e com ele
a esperança de vencer as rajadas incessantes
oh, mar revolto,
oh, ventos sem fim

Mas logo o sol desaparecia, tão rápido
quanto surgira, um instante, uma pausa,
para logo voltar a tristeza, a impotência,
em vencer o oceano bravio.
oh, mar revolto,
oh, ventos sem fim.

Até que surgiu o dia, enfim,
que o sol retornou, a princípio tênue,
depois radiante, em todo seu esplendor,
enchendo de alegria o coração dos homens
O mar voltou a ser azul,
a embarcação voltou ao seu rumo,
e o capitão da proa se pergunta:
o que se perdeu na tempestade
e o que se ganhou?
O oceano ainda era o mesmo?
Ele ainda era o mesmo?
Porque tempestades deixam marcas,
nos fazem crescer, amadurecer,
e continuar navegando
navegando neste mar sem fim.

Heleno Marques

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