terça-feira, maio 26, 2009

Lutando contra as cotas

Estadão:

O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro concedeu ontem liminar suspendendo os efeitos da lei estadual que estabeleceu cotas em universidades públicas estaduais. A iniciativa contra as cotas para negros e estudantes de escolas públicas partiu do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP ), que entrou na Justiça com uma ação direta de inconstitucionalidade.
O deputado, que também é advogado, defendeu a ação no plenário do Órgão Especial. Para ele, a lei é demagógica e discriminatória, além de não atingir seus objetivos. “O preconceito existe, não tem como negar, mas a lei provoca um acirramento da discriminação na sociedade. Até quando o critério cor da pele vai continuar prevalecendo? A ditadura do politicamente correto impede que o Legislativo discuta a questão”, afirmou Bolsonaro durante sua defesa.


Uma das características marcantes da civilização brasileira é a intensa miscigenação. Em nenhum lugar do mundo, que eu saiba, aconteceu e acontece o que se vê por aqui. Sim, houve a escravidão; mas esta se foi a mais de 100 anos e para os negros que vieram da África ela significou algo melhor do que tinham no continente de origem. Tanto que as primeiras rebeliões começaram com seus descendentes, os negros nascidos no Brasil.

O Brasil absorveu a cultura africana em quase todo o país, mas principalmente no Nordeste e no Sudeste, regiões onde a escravidão foi mais intensa. Pessoas preconceituosas com a cor da pele existem em todo o lugar, seja no Brasil, na Suiça ou em Marte. O principal ponto é a partir da abolição da escravatura conceceu aos negros os mesmos direitos de qualquer outro brasileiro.

Quanto ao preconceito, é fácil constatar que a cada geração sua queda é acentuada. A miscigenação e a brasilidade são mais efetivos para extirpar este mal do que qualquer ato governamental. Deixem a história seguir seu curso.

Sim, a quantidade percentual de negros e pardos pobres é superior ao branco e este é o principal argumento a favor das cotas. Mais um motivo de perseguir o combate à pobreza, pois necessariamente estaria se beneficiando mais os negros e pardos do que os brancos. O negro não precisa de uma vaga na universidade de bandeija, precisa de uma educação de qualidade que o possibilite lutar por seu espaço. A cor da pele não define capacidade. Sou contra política de cotas baseadas na cor por acreditar que não existe nenhuma inferioridade relacionada a ela.

Sei que é difícil combater à pobreza, ainda mais quando a opção é pelo assistencialismo e não contra a geração de riquezas. No entanto, é o único caminho. A combinação de geração de riquezas (deixem o mercado trabalhar!) e educação de base ainda é o melhor caminho. Em outras palavras, o que o Brasil precisa é de livre mercado, menos estado da economia. Deixem as empresas produzirem e passem a cuidar de verdade da educação, começando por diminuir radicalmente a carga tributária. A melhor política social que existiu nos últimos 20 anos foi o plano real, este tirou muitos brasileiros da miséria; mais importante ainda, tirou muitos negros da miséria.

Não acredito que esta liminar vai durar muito. O politicamente correto é muito forte e atinge os juízes, assim como aconteceu nos Estados Unidos. Logo vai ter um juiz interessado em "ouvir a voz do povo" para usar um monte de termos técnicos para passar por cima de um artigo muito claro da constituição que diz que nenhuma brasileiro pode ser descriminado por causa de sua cor. Foi assim com a Suprema Corte Americana, será assim por aqui. Até que o desastre seja grande o suficiente para ser ignorado.

2 comentários:

Alexandra disse...

Tudo bem ser contra as cotas, eu mesma ainda não me decidi sobre o assunto, mas dizer que a escravidão "foi melhor do que eles tinham no continente de origem" é pegar um pouco pesado, não?

Marcos Guerson Jr disse...

Não me entenda mal, não justifico a escravidão. É uma mancha na história do Brasil e felizmente acabou. Ninguém tem o direito de dispor da vida de outro.

No entanto, qual era o destino dos negros derrotados nas guerras tribais na África antes da escravidão? Por acaso os africanos viviam em harmonia antes da chegada dos europeus? Quem está melhor hoje, os descendentes dos escravos ou os descendentes dos negros que os venderam?

São perguntas dolorosas, mas que nos devem fazer refletir. A realidade pode ser muito dura, por isso nunca podemos perder o contato com ela. Seria bom viver em um mundo onde as coisas fossem tão simples de entender, mas este mundo não existe. No mundo real, os negros que vieram para o Brasil tiveram sorte melhor do que os que ficaram, por mais triste que seja.