quarta-feira, julho 22, 2009

Alice no País das Maravilhas (1951)


Em 1951 a Disney resolveu encarar a difícil tarefa de adaptar o rico livro de Lewis Carroll para a animação. A dificuldade deve-se ao fato do mesmo livro ter sido escrito para dois públicos distintos: crianças e adultos.

Alice é mais do que uma estória infantil, é a primeira incursão séria de um escritor no sonho e seus significados, além de uma paródia da sociedade vitoriana. A paródia é uma forma superior de crítica pois exige do autor profundo conhecimento do que está retratando para poder evidenciar sua visão através do exagero, da ironia, do absurdo. Carroll conseguiu com maestria este objetivo nesta obra prima.

Na animação, Alice ficou mais para um divertida aventura de um menina explorando um mundo mágico do que uma obra de reflexão filosófica, o que contribuiu para diminuir, de certa forma, o valor do livro de Carroll para as gerações modernas. O homem massa ficou mais confortável com uma Alice "light" e suas aventuras inocentes do que com a seriedade das temáticas abordadas.

A Disney produziu um filme competente, dentro do seu padrão de qualidade, mas deixou de ousar e arriscar um pouco mais. Realmente é muito difícil usar o cinema para passar as duas mensagens que talvez apenas a literatura possa fazer com naturalidade.

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