sábado, julho 11, 2009

Alice's Adventures in Wonderland - Lewis Carroll


Difícil analisar uma obra como Alice's Adventures in Wonderland, obra do matemático Lewis Carroll ainda no século XIX. A primeira vista, temos um conto infantil meio sem pé nem cabeça. Olhando com um pouco mais de atenção, temos uma série de insights que nos remetem a nossa própria infância e ao mundo que nos cerca.

Alice está entediada no jardim quando surge um coelho branco com um relógio na mão e se atira em um buraco. Sem pensar duas vezes, a menina pula atrás do bicho. Quantas vezes na nossa vida, para fugir do tédio, não nos metemos em uma loucura parecida? Levando para o lado mais intelectual, quantos não se atiram na aventura da irrealidade, por ser mais estimulante, que um mundo que considera tedioso? Será que Carroll tinha isto em mente quando começou sua estória?

De uma ora para outra, Alice passa a ser a pessoa mais racional de toda uma realidade. Uma coisa, entretanto, chama atenção. Embora questione quase tudo, a menina nunca questiona o principal. Por que os animais falam? Por que o coelho tem pressa? Por que o chapeleiro ficou louco? Por que a rainha é uma carta de baralho? Parece que Alice sabe intuitivamente que uma pergunta destas pode acabar com o encanto e desfazer o estranho mundo que penetrou. Fico pensando em gente que cria uma imagem para o mundo mas evita se perguntar o mais importante, justamente por saber que este mundo se desmoronará. Carroll já compreendia a segunda realidade e suas armadilhas.

O mundo encontra-se refletido em muitas das aventuras de Alice. A assembléia de pássaros discutindo o irrelevante não é muito diferente das assembléias que surgiam no século XIX na ilusão de encontrar solução para o mundo; o chá na casa do chapeleiro, uma crítica à Inglaterra vitoriana; o absolutismo da rainha de copas; a farsa de um julgamento para dar uma aparência de legalidade aos arbítrios dos monarcas.

Alice's Adventures In Wonderland é um livro escrito para crianças e adultos. As primeiras terão uma divertida estória de uma menina descobrindo um mundo fantástico, assim como nós fazemos desde que nascemos. As últimas terão uma sátira ao que o mundo se tornava. Como dizia Jesus, apenas para os que tem olhos para ver e ouvidos para escutar. Uma obra de gênio.

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