domingo, julho 05, 2009

Eugênia Grandet - Honoré de Balzac

Publicado pela primeira vez em 1833, Eugênia Grandet é uma das genuínas grandes obras literárias da história. Impressiona a concisão e escolha de palavras de Balzac para narra sua estória. O leitor fica sabendo de toda a avareza do Sr Grandet quando ele anuncia com uma simples frase:

"Como é aniversário de Eugênia, vamos acender o fogo!"

Que palavras a mais precisa quando o pai de uma única filha diz que precisa de uma ocasião especial, o aniversário dela, para acender a lareira? Balzac mostra o poder que o dinheiro tem sobre os que cobiçam, sobre os pobres de espírito. Toda uma corte se reúne em volta do velho, conspirando para conseguir a mão de Eugênia e, com ela, a fortuna que apenas especulam.

Contrastando com eles, um trio de mulheres mostram-se a expressão do valor moral, da solidariedade, do desapego a tudo que for material. Trata-se da jovem, sua mãe, a senhora Grandet, e a criada Nanon.

Eugênia apaixona-se pelo primo, Carlos, criado em Paris, em quem reconhece uma alma semelhante a sua, um jovem que sofre pela perda do pai. Entretanto, em sua inocência, ela não percebeu que já existia nele as sementes do amor ao dinheiro e da frouxidão moral. Balzac já visualizava o caminho que o relativismo levaria a humanidade: "À força de rolar entre homens e países, observando-lhes os costumes contraditórios, suas idéias se modificaram, tornou-se um cético. Passou a não mais ter noções fixas sobre o justo e o injusto, vendo tachar de crime num país o que em outro era virtude".

Balzac mostra que o amor ao dinheiro leva a um paradoxo final, a morte. Por mais ouro que acumule, o Sr Grandet e seus semelhantes só possuem um final, mas cedo ou mais tarde, a morte. O desespero de um avaro quando depara-se com seus últimos dias, e sabe que não pode levar com ele o que possui, é uma triste lembrança que temos que ter mais na vida do que bens materiais. Grandet não chega nem a aproveitar para si o que possui, o conforto que o dinheiro pode dar; ao contrário, obcecado por seu tesouro, sofre por gastar cada moeda. A posse do dinheiro vale mais do que o que ele pode comprar. Grandet esquece que o dinheiro não tem nenhum valor em si mesmo quando separado de seu poder de compra.

Eugênia, uma heroína autêntica, mostra que só a um caminho para uma vida digna, o comprometimento com os valores mais elevados como a honestidade, o amor, a solidariedade. O mesmo dinheiro que para o pai é tudo, para ela não tem significado nenhum. A vida em uma sociedade que se destrói por sua própria cobiça lhe é penosa, e anseia o dia que se libertará dela. A morte, para Eugênia, assim como sua mãe, não é o fim, não é para ser temida; é a libertação de um mundo mesquinho que lhes trás apenas sofrimento.

Eugênia Grandet é um livro que mostra que no final, só podemos carregar o que temos dentro de nós. O resto é pura ilusão.

Um comentário:

The Reader disse...

Caro Jota,
Descobri por acaso seu BLOG, após terminar de baixar pelo Dreamule, a minssérie Balzac com Gerard Depardieu. Parabéns pelo Bloc.
Antônio Costa