sexta-feira, julho 17, 2009

Mais um grande artigo de João Pereira Coutinho

Sobre o ambientalismo, só tenho uma certeza: a de não ter certeza de nada. Não estou convencido que o homem (o serumanú) está provocando o aquecimento global até porque os ambientalista tiveram que trocar o nome do fenômeno. Não é mais aquecimento global, é mudança climática. Tudo porque o último inverno tinha deixado a turma do Al Gore sem resposta. Foi mais fácil mudar o nome da coisa. Aliás, ter este senhor como porta voz já me deixa muito ressabiado, ainda mais acompanhado de um monte de artista miolo mole como Sting (aquele que levou fé no índio brasileiro).

Não tenho a pretensão de dizer que o homem não está fazendo mal ao clima do planeta. A questão é que acredito que ninguém pode fazer esta afirmação, ninguém pode saber o que vai acontecer daqui a vinte ou cinqüenta anos em termos de clima. O ambientalismo tornou-se uma nova religião secular, com um promessa de Deus verde para punir os malvados capitalistas, já que o comunismo foi aquele fracasso todo.

João Pereira Coutinho, melhor colunista da Folha, mandou ver neste excelente artigo. Confira.

4 comentários:

Alex disse...

Entao eh melhor nao fazer nada e esperar pra ver o que acontece?

Marcos Guerson Jr disse...

Leia de novo o que escrevi. Em nenhum momento defendi cruzar os braços, apenas acho que temos que tratar o tema como se deve, como uma hipótese que está longe de ter uma confirmação. Um pouco de proporção e bom senso não fazem mal a ninguém. Ainda mais quando existe um custo gigantesco para todo este radicalismo verde.

Acredito que o homem não deve agredir o planeta gratuitamente, mas isso não quer dizer que tenhamos que buscar a não agressão absoluta. Se fosse assim, ainda estaríamos nas cavernas e sem fogo! Aliás, tem gente que defende justamente isso, nossa regressão.

O homem é o ser especial do planeta, para o bem ou para o mal. Para evoluir como civilização, dominou a natureza, muitas vezes com exagero de agressividade, reconheço. Agressão que devemos impedir, mas dentro do limite do bom senso. Este limite não significa impedir a construção de uma hidroelétrica por causa de um cardume de peixes (como acontece em Rondônia), impedir a utilização de veneno para a Dengue por conta de uma espécie de borboletas (aconteceu no Rio de Janeiro, com mortes) ou uma recente defesa do fim do papel higiênico.

Existem muitos interesses por trás da política ambientalista. Muita gente ganhando muito dinheiro para defender o verde. Acho que o verde que estão defendendo é de outra natureza.

Alexandra disse...

Vc tem razão - tudo tem limites e precisamos avaliar as coisas com bom-senso. O problema é generalizar o movimento ambientalista baseado nos radicais. É o mesmo que considerar qualquer pessoa à esquerda do centro como sendo comunista, o que seria o mesmo que chamar qualquer um de direita de fascista...

O homem pode até ser um ser especial (o que eu pessoalmente não acredito muito), mas é pesunção achar que controlamos a natureza e que podemos viver a parte do eco-sistema no qual vivemos. Somos mais vulneráveis do que imaginamos. Ninguém sabe pq mas a população de abelhas no mundo têm caído fenomenalmente nos últimos anos. Em algumas áreas essa população caiu de 40-80%. Pode não parecer nada de importante mas a verdade é que sem abelhas não há agricultura, não há como fecundar plantas. Conheci uma menina que tava terminando um doutorado de botânica e que estuda exatamente isso. Nós achamos que controlamos a natureza mas a verdade é que se todos os insetos do mundo fossem extintos, a raça humana desapareceria. Por outro lado, se a raça humana desaparecesse, a vida na Terra simplesmente continuaria.
O fato de sermos especiais traz consigo muita responsabilidade pois temos a habilidade única de causar a nossa própria destruição ao procurar ganhos a custo-prazo.

E é aí que está o problema - ninguém sério está dizendo que temos que abandonar a vida moderna e voltar para as cavernas. Tudo o que precisamos fazer é buscar ser um pouco mais consciente do nosso impacto. Não precisa ser cientista ou ler muita pesquisa pra acreditar que gerar muito lixo não é uma boa, principalmente do tipo que não dá pra ser reabsorvido ou reaproveitado.


é como diz David Suzuki, "Often the problem is not so much with resource exploitation itself, but rather with the way we exploit our resources, and the reasons for the exploitation. With CEOs looking at quarterly results and politicians looking at three- or four-year terms of office, the incentives for long-range thinking are not always clear." [http://www.davidsuzuki.org/about_us/Dr_David_Suzuki/Article_Archives/weekly07170901.asp]

Mas se bem que o Brasil ainda figura bem nas listas de "footprint", que é o uso dos recursos naturais, estando um pouco abaixo da média mundial. Aqui no Canada ou nos EUA é difícil não se preocupar. O Canadá, por exemplo, tem um footprint muito mais alto que a média mundial (7.7/hectares por pessoa enquando a media mundial é de 2.2 hectares/pessoa), o que quer dizer que se todas as pessoas do mundo vivessem como os canadenses, nós precisariams dos recursos de 4,3 planetas terra. Se não me engano, os EUA está em 9 hectares.

O foco tem que ser mesmo aqui na américa do norte já que aqui se determina o estilo de vida a ser imitado por boa parte dos países emergentes.

Marcos Guerson Jr disse...

Você disse não acreditar que o homem seja um ser especial. Este ponto já mostra que nunca poderemos chegar a um acordo sobre a relação do homem com o meio ambiente pois partirmos de premissas iniciais totalmente antagônicas.

Como cristão, acredito que o homem foi feito a imagem e semelhança de Deus, o que nos coloca em um patamar totalmente diferente de tudo mais que existe na natureza, mineral, vegetal ou animal. O mundo existe como tal para que o homem se desenvolva nele e realize seu longo caminho de purificação em direção ao pai, o que nos coloca na condição de protagonistas da existência.

No entanto, a razão também nos diz que o homem é um caso a parte. Somos os únicos seres capazes de viver além de sua funções biológicas, utilizar uma linguagem e dominar a natureza. Não há nada parecido conosco, nem mesmo os macacos. Somos capazes de raciocinar, de juntar coisas aprendidas e formar um novo conhecimento, coisa que os outros animais são incapazes. Esta é para mim uma das maiores evidências da existência de Deus, a diferenciação com o restante da natureza.

Discordo de você quanto à questão dos poucos radicais. Vejo no ambientalismo muitos radicais e também muitos órfãos do comunismo que acharam no verde uma nova bandeira de combater o capitalismo. O homem é místico por natureza, necessita da divindade. A recusa em aceitar Deus o leva para a adoração de falsos Deuses, os Deuses seculares como já tinha alertado Nietzsche. Durante boa parte do século XX, o comunismo realizou este ideal. Com sua falência, milhões de órfãos ficaram a deriva, buscando um caminho que os conduzisse em sua existência. O ambientalismo preencheu esta lacuna para muitos. Aqui no Brasil, por exemplo, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra aliou-se aos movimentos ambientalistas pois possuem em comum o ódio à capitalismo. Por isso vejo o ambientalismo mais como uma religião secular moderna do que como um pleito legítimo da sociedade.

Chama-me a atenção que as leis ambientais são aprovadas em gabinetes, longe dos olhos da sociedade, que arca com os custos desta legislação. Não vejo um político explicando de forma clara que o consumidor vai pagar mais caro para produzir uma energia verde, para fabricar um produto verde. Existe muita poesia na retórica ambiental mas a realidade implica em custos, como quase tudo nesta vida.

Por fim, volto ao ponto que defendi uma fez. Dentro de uma economia de concorrência globalizada, uma país como os Estados Unidos não pode adotar metas ambientais sem que a China faça o mesmo. A indústria americana está sendo literalmente destruída pela concorrência chinesa onde não existem direitos trabalhistas, proteção social e muito menos exigências ambientais. Isto ficou bem claro na última reunião do G8 onde Brasil, China e Índia deixaram bem claro que não aceitam qualquer medida de restrição ambiental. A propósito, a China já ultrapassou os Estados Unidos em emissão de CO2.