sexta-feira, julho 24, 2009

Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas(2003)


Não por acaso, Peixe Grande começa com uma estória de pescaria. No imaginário popular, é o sinônimo de mentira, de farsa. Baseado em livro de Daniel Wallace, o maravilhoso filme de Tim Burton trata do amor pela vida, algo que não nos é nato. Para amar a vida, é necessário saber romanceá-la, torná-la atraente. É o que Edward Bloom tentou fazer a vida inteira ao contar suas estórias maravilhosas para o filho.

Will acreditou em cada uma delas, até ficar adulto o suficiente para entender que eram impossíveis de ter acontecido. O que antes era fascinante, tornou-se constrangedor para ele e terminou por afastá-lo do pai. Diante da morte eminente de Edward, vítima de câncer, Will retorna para casa e mais do que se despedir do pai, quer compreendê-lo. Para isso, entende que o pai tem que contar uma estória verdadeira, uma que possa acreditar. Queixa-se que não sabem que ele é pois a vida toda só soube de mentiras.

O que Will só consegue compreender no final, e sua mãe lhe dá a dica, é que toda a verdade que precisa está nas mentiras do pai. Nem tudo que ele contou é mentira, diz ela. Edward não criava estórias, ele romanceava suas próprias experiências, algo completamente diferente. Escutando com cuidado, era possível não só entender um pouco do pai, mas receber dele o dom de se maravilhar com a existência.

Peixe Grande é um dos grandes filmes da década, apesar de nunca ter recebido o valor que merecia. É um filme extraordinário, baseado em uma grande estória e nos leva a entender a admiração de Edward Bloom pelo mundo e partilhar com ele o amor pela vida. Mais uma prova que Tim Burton é o grande contador de estórias do cinema atual, sempre apoiado por um elenco talentoso e comprometido com a obra.

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