sexta-feira, julho 31, 2009

Ritmo Louco (Swing Time, 1936)

Dezembro de 1996. Depois de uma aventura de dois anos na Amazônia, eu retornava para o sudeste. No caminho, passei as férias no Recife, na casa de meus pais. Foi um período difícil, eu estava frustrado pelo fim de um namoro de mais de dois anos. Meu irmão passava mais ou menos pela mesma coisa. Estávamos, os dois, curtindo uma boa e velha fossa.

Nesta época a Globo começou a mostrar filmes do Fred Astaire nos domingos, após a Fantástico. Virou um ritual entre nós, um pote de sorvete ou um pavê enquanto nos divertíamos vendo Astaire dançar e flertar. O que nos chamava atenção era a atitude dos personagens do ator, sempre com um certo cinismo e fugindo totalmente do estereótipo de bonzinho, o comum nos filmes das últimas décadas. Astaire tinha um ar maroto, uma certa malandragem, que não pega bem nos filmes certinhos de hoje.

Com ele aprendemos que o amor pode ser uma coisa leve, divertida. De uma certa forma, tanto eu quanto meu irmão, ainda éramos muito novos para levar a coisa tão a sério. Faltava-me esta molecagem de Astaire, este entendimento que o amor só vale a pena quando nos faz sorrir.

Ritmo louco é um filme assim. Um dos realizados em parceria com Ginger Rogers e que explora este lado divertido do amor. Não por acaso, o final é recheado de gargalhadas dadas por diversos personagens. Astaire é um jogador inveterado que procura sobreviver à grande depressão com sua dança e seu talento nos jogos de azar. Ginger interpreta uma instrutora de dança que sonha em conseguir um lugar nos espetáculos apresentados diariamente nos hotéis de Nova Iorque. Eles se encontram e se apaixonam. Simples assim.

Bons filmes não precisavam ser complicados e cheios de reviravoltas. Podem ser feitos apenas com honestidade, sensibilidade e intuição para o que nos é familiar. Os personagens de Ritmo Louco são bem reais, todos com suas falhas e qualidades. Costurar personagens assim com um diálogo inteligente já garante uma boa estória e a empatia com o público. Além de uma boa receita para não levar a sério demais o que não se deve, como o flerte e o romance.

----------------
Now playing: Creedence Clearwater Revival - Effigy
via FoxyTunes

Nenhum comentário: